Frei Cristiano, OFM professará os votos solenes na próxima sexta-feira (10)

Frei Cristiano Nobre de Oliveira, OFM

Queridos irmãos e irmãs, PAZ e BEM!

É com grande alegria que a nossa Fraternidade Custodial na próxima sexta-feira (10), reunida estará na Paróquia Santo Antônio Maria Claret e Frei Galvão de Ribeirão Preto/SP, para a celebração eucarística onde o nosso confrade, Frei Cristiano Nobre de Oliveira, OFM professará os votos solenes na OFM (Ordem dos Frades Menores).

Por isso, a Equipe de Comunicação de nossa Custódia, entrou em contato com o referido confrade para entrevistá-lo e assim, partilhar com todos vocês, nossos amigos e benfeitores, um pouco desta trajetória de vida e vocação.

Acompanhe conosco!


CONHECENDO UM POUCO DE SUA VIDA E VOCAÇÃO

Fonte: Arquivo Custodial

Equipe de Comunicação – Conte-nos um pouco da sua história!

Frei Cristiano, OFM – Sou natural de Bebedouro/SP, nascido e criado em uma família simples, sendo o filho mais velho de três irmãos: Murilo, Vitória e eu. Meus Pais: José Luiz de Oliveira (in memoriam) e Agueda Aparecida Nobre. Minha família sempre me ensinou valores fundamentais, como a fé, o respeito, o trabalho e o cuidado com o próximo.

Desde cedo participei da vida da Igreja, onde fui descobrindo a beleza do Evangelho e o desejo de servir a Deus. Tudo começou na Catequese, quando Dom Frei Irineu Andreassa, OFM era pároco da comunidade e incentivava as crianças a participarem das celebrações. Eu estava entre elas, tocando triângulo e meia-lua no coral das missas da catequese.

Mais tarde, iniciei minha trajetória profissional como estagiário do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), meu primeiro emprego, enquanto cursava o Ensino Médio no período noturno. Trabalhei em diversos setores da Instituição e, posteriormente, na PFE/INSS (Procuradoria Federal Especializada) em Bebedouro/SP.

Equipe de Comunicação – Fale um pouco quem é o Frei Cristiano, OFM e como se deu o seu discernimento vocacional.

Frei Cristiano, OFM – Meu discernimento vocacional aconteceu de forma gradual. Por meio da participação na Igreja, do testemunho dos Frades Franciscanos, da oração e do acompanhamento vocacional, fui compreendendo que Deus me chamava para à Vida Religiosa Franciscana.

Não foi uma decisão tomada de um dia para o outro, mas fruto de um caminho de escuta, confiança e entrega. Aos poucos, percebi que meu coração encontrava alegria e sentido na vida fraterna, na missão e no seguimento de Cristo pobre e crucificado. Ao longo da minha caminhada, fui percebendo que o Senhor me chamava para algo maior: dedicar minha vida inteiramente à Ele e ao seu povo.

Esse desejo remonta aos primeiros anos da escola. Certa vez, em uma apresentação de Natal, eu deveria apenas assistir ao teatro. Porém, o aluno que faria o papel de São José faltou, e a professora me convidou para substituí-lo. Ela providenciou uma roupa para a encenação e, para minha surpresa, era muito semelhante ao hábito franciscano usado pelos frades. Naquele momento, sem compreender plenamente, algo já tocava o meu coração. Continuei minha caminhada de fé junto à comunidade, onde meus pais sempre foram próximos dos frades e participativos na vida paroquial. Cresci envolvido nas atividades da Igreja, participando da catequese, das celebrações e dos diversos momentos da comunidade.

Anos depois, durante um retiro preparatório para o Sacramento da Crisma, eu estava atento às reflexões propostas quando entrou um frei que eu nunca havia visto. Chegou sorrindo, transmitindo alegria e distribuindo uma bexiga para cada participante. Tratava-se de uma dinâmica. Era Frei Ailton Guimarães, OFM (in memoriam). Há um detalhe curioso: naquele dia, ele havia se atrasado para o retiro e, como o carro não estava disponível, precisou ir em uma motocicleta Bis emprestada. Após a dinâmica, apresentou-nos a juventude de São Francisco de Assis, sua conversão e o chamado que Deus faz a cada pessoa.

Ao final do encontro, convidou os jovens que sentissem algum chamado vocacional para conversar com ele. Eu estava entre eles. Com sua alegria característica, disse-nos:

“Fui transferido ontem e, na próxima semana, seguirei para Olímpia/SP, mas encaminharei vocês ao Frei José Luiz, OFM, que trabalha no Educandário.”

Foi assim que começou oficialmente minha caminhada vocacional. Após cerca de cinco anos de acompanhamento, encontros, retiros e discernimento, ingressei na Ordem dos Frades Menores, iniciando as etapas da Formação Franciscana. Durante esse primeiro período formativo, permaneci na Ordem até o primeiro ano de Filosofia. Naquele momento da vida, discerni a necessidade de me afastar da formação. Foi um tempo importante de amadurecimento humano, espiritual e vocacional. Mesmo distante da vida religiosa, o chamado de Deus continuou ecoando em meu coração.

Depois de um significativo período fora da Ordem, senti novamente o forte apelo do Senhor e pedi meu reingresso na Fraternidade Franciscana. Com humildade e gratidão, fui acolhido e reiniciei todo o processo formativo, refazendo as etapas previstas pela Ordem. Vivi novamente a experiência do Noviciado, aprofundando meu conhecimento da espiritualidade franciscana e fortalecendo minha resposta vocacional. Posteriormente, realizei os estudos teológicos na Faculdade João Paulo II (FAJOPA), em Marília/SP, onde pude aprofundar minha formação acadêmica, teológica, pastoral e espiritual, preparando-me de maneira mais sólida para a Missão Evangelizadora da Igreja e da Ordem.

Ao longo da formação, fui descobrindo que a vocação se fortalece no serviço. Tive a oportunidade de atuar em diferentes pastorais e Frentes de Evangelização, especialmente junto à juventude, à catequese, à comunicação e às missões. Essas experiências ajudaram-me a compreender que seguir Cristo significa colocar os próprios dons a serviço do Reino de Deus e da promoção da dignidade humana.

Nos últimos semestres de formação, exerci minha missão no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Olímpia/SP, atuando diretamente na evangelização e na ação missionária. Ali trabalhei de modo especial junto às pastorais sociais, à catequese, aos grupos de jovens, à comunicação e às atividades missionárias promovidas pelo Santuário. Essa vivência permitiu-me experimentar a riqueza da evangelização em suas diversas expressões, fortalecendo meu compromisso com a Igreja e com o povo de Deus.

Outra experiência marcante foi meu ano missionário no Hospital São Julião, em Campo Grande/MS, onde atuei junto à capelania hospitalar, realizando visitas aos enfermos, acompanhando famílias, colaborando em projetos sociais e promovendo ações de evangelização. O contato diário com os doentes, profissionais da saúde e familiares ajudou-me a compreender de forma ainda mais profunda a dimensão do cuidado, da escuta e da misericórdia, tão presentes no carisma franciscano.

Hoje, olhando para trás, reconheço que cada passo da minha história foi conduzido pela Providência de Deus. Tanto os momentos de permanência quanto os de afastamento fizeram parte do caminho que o Senhor preparou para mim. Percebo que Deus foi escrevendo minha vocação por meio de pessoas, acontecimentos, desafios e reencontros, mostrando-me que a verdadeira felicidade está em responder com generosidade ao seu chamado e colocar a vida a serviço dos irmãos.

Equipe de Comunicação – O que o Frei Cristiano, OFM está pedindo a Igreja e a sua Fraternidade Franciscana é a Profissão Solene. Explique-nos um pouco sobre isso e qual o sentido dela para o Frade Menor?

Frei Cristiano, OFM – A Profissão Solene é um dos momentos mais importantes da vida de um religioso. Por meio dela, o frade assume de forma definitiva o compromisso de viver os conselhos evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência no seio da Ordem dos Frades Menores. Mais do que uma promessa humana, trata-se de uma resposta de amor ao chamado de Deus. É dizer, diante da Igreja e da Fraternidade: “Senhor, quero entregar toda a minha vida a Ti”.

Para o Frade Menor, a Profissão Solene representa a confirmação de um caminho de discernimento, formação e amadurecimento vocacional. É uma entrega total para viver o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o espírito de São Francisco de Assis, em fraternidade e missão, a serviço da Igreja e do povo de Deus.

É também um ato de confiança, no qual o frade reconhece que Deus foi fiel durante toda a caminhada e continuará sustentando sua vocação ao longo da vida.

Equipe de Comunicação – Qual sentido de fé e a relação da Igreja em sua vida?

Frei Cristiano, OFM – A fé é o fundamento da minha vida. É ela que me sustenta nos momentos de alegria e também nas dificuldades. Por meio da fé, encontro sentido para minha vocação, para minha missão e para minha caminhada diária. A Igreja é minha família espiritual. Foi nela que recebi os sacramentos, aprendi a rezar, amadureci minha vocação e continuo encontrando Cristo vivo na Palavra, na Eucaristia e na comunidade.

Amo a Igreja com suas riquezas e desafios, porque acredito que ela é sinal e instrumento da presença de Deus no mundo. Foi nela que ouvi o chamado do Senhor e é nela que desejo continuar servindo, anunciando o Evangelho e testemunhando a fraternidade franciscana.

Equipe de Comunicação – O que diria para um jovem que deseja ingressar na Vida Religiosa hoje?

Frei Cristiano, OFM – Diria, antes de tudo, para não ter medo de escutar a voz de Deus. O Senhor continua chamando jovens para segui-Lo mais de perto. Vale a pena abrir o coração, rezar, participar da vida da Igreja e buscar um acompanhamento vocacional sério. A vocação não é um peso, mas um caminho de felicidade, plenitude e realização. Nem sempre será fácil, mas quando Deus chama, Ele também concede a graça necessária para perseverar.

Aos jovens, deixo as palavras de São Francisco de Assis: “Comecemos, irmãos, porque até agora pouco ou nada fizemos!”

Quem coloca sua vida nas mãos de Deus nunca caminha sozinho. O Senhor continua realizando maravilhas na vida daqueles que confiam n’Ele e se dispõem a responder com generosidade ao seu chamado.


CONVITE


Agradecidos a Deus pelo vida deste irmão, desejamos perseverança em sua vida e vocação. Que Deus, por intercessão de São Francisco e Santa Clara, ajude o Frei Cristiano, OFM cotidianamente em vosso trabalho e missão.

Equipe de Comunicação