
Franca (SP) – No dia 25 de julho de 2026, sob o manto protetor de Santa Maria dos Anjos, a Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus reuniu seus Frades, leigos e leigas em oração, memória e profecia para a realização do Capítulo Custodial das Esteiras 2026. O encontro, organizado pela Equipe de Formação Permanente da Custódia, celebrou não apenas mais um capítulo de discernimento fraterno, mas também os 80 anos de incansável evangelização desta presença franciscana no Noroeste do estado de São Paulo e Triângulo Mineiro.

Com o tema “Irmãos Menores em missão — memória e profecia” e o lema inspirador “Corações ardentes, pés a caminho”, o capítulo adotou como método a Escuta do Espírito Santo, caminho pastoral idealizado pelo Papa Francisco para guiar o discernimento eclesial, no caminho sinidal. A escolha não foi por acaso: em tempos de urgência evangelizadora, a Custódia do Sagrado Coração de Jesus quis colocar-se em atitude de escuta, reconhecendo que só o Espírito pode abrir caminhos novos para uma missão que já dura oito décadas.
A programação teve início às 09h30, com a acolhida fraterna, oração e invocação ao Espírito Santo, conduzida pela Equipe de Formação Permanente. O ambiente do Convento Santa Maria dos Anjos, em Franca-SP, tornou-se desde o primeiro momento um espaço de recolhimento e abertura ao que o Senhor tinha a dizer.

Às 10h00, o capítulo foi convidado a mergulhar na memória através da intervenção do Frei Valmir, que revisitou o Primeiro Capítulo das Esteiras de julho de 2024. Foi um momento de gratidão e de reconhecimento de que a história da Custódia não começou ontem: cada capítulo constrói sobre os ombros dos que vieram antes, e cada decisão tomada em comunhão ecoa no tempo.

Em seguida, às 10h15, o Frei Joaquim conduziu a Recordação da Vida Custodial, trazendo à memória os frades, os leigos, as paróquias, as frentes de missões e os incontáveis rostos que fizeram parte destes 80 anos de evangelização. Foi um momento de lágrimas e sorrisos, de saudade e esperança, porque a memória, quando é grata, não nos prende ao passado, mas nos impulsiona para o futuro.
Após o intervalo e uma dinâmica integrativa conduzida por Frei Manoel e Ana Mancera, o capítulo retornou às 14h00 para o momento central do dia: a Escuta do Espírito Santo.

Os Frades Professos Temporários apresentaram, de forma dinamizada, a passagem dos Discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), lema central de condução do Capítulo e texto que iluminou toda a jornada. Como aqueles dois discípulos que caminhavam desanimados para fora de Jerusalém, os irmãos reconheceram em si mesmos os mesmos sentimentos de perplexidade, cansaço e, ao mesmo tempo, o desejo ardente de que o Senhor caminha ao seu lado.
A proclamação da Palavra, feita por Frei João Paulo, ressoou no silêncio do convento como um convite: “Permanecei conosco, Senhor, porque já é tarde e o dia declina.” (Lc 24,29).
A metodologia da Escuta do Espírito se desdobrou em três rodadas profundas e transformadoras:

Primeira Rodada: Corações Ardentes — Memória Grata: Cada frade e leigos foram convidados a compartilhar o que mais ressoou em seu coração ao longo do dia. Que memórias surgiram? Que gratidão brotou? O que o Senhor fez nestes 80 anos da Custódia que merece ser reconhecido e celebrado? Foi um tempo de partilha íntima, onde os corações, como os dos discípulos de Emaús, começaram a se aquecer à presença do Ressuscitado.
Segunda Rodada: Pés a Caminho — Profecia: A partir do calor da memória grata, os irmãos foram desafiados a olhar para frente: onde sentimos que o Espírito nos chama a caminhar? Quais são os sinais dos tempos que a Custódia precisa ler com os olhos da fé? Que profecia o Senhor quer fazer brotar destes 80 anos de história? A profecia, aqui, não é adivinhação do futuro, mas coragem de anunciar a Palavra onde ela mais precisa ser ouvida.

Terceira Rodada: Irmãos Menores em Missão — Consenso: Na última rodada, os grupos foram convidados a sintetizar o que foi partilhado e a buscar pontos de consenso. Onde a Custódia sente unidade de propósito? Que compromissos concretos emergem desta escuta? Foi o momento de passar do “eu” e do “nós pequeno” para o “nós” da missão custodial.
O Silêncio que Fala: Escutar o Espírito. Por fim, após as partilhas em grupo, veio um momento precioso: 20 minutos de silêncio orante, onde cada irmão foi convidado a escutar, individualmente, o que o Espírito Santo suscitava em seu coração. Duas perguntas nortearam este tempo de recolhimento: O que mais ressoou em nós? Onde sentimos o consenso, a alegria e a paz, mesmo nas diferenças?

Foi um silêncio fecundo, que não é vazio, mas cheio da presença de Deus. O silêncio franciscano, o silêncio de São Francisco na Porciúncula, tornou-se, mais uma vez, lugar de encontro com o Senhor.
Por último, após o café da tarde, os grupos, divididos em 6, se reuniram em plenária para apresentar, em até quatro minutos cada, os principais frutos da escuta. Foi o momento em que a Custódia, como corpo místico e fraterno, pôde ouvir a si mesma e reconhecer a voz do Espírito que falava através da diversidade de carismas, experiências e sensibilidades.

A Equipe de Formação Permanente conduziu o fechamento, destacando os principais pontos que emergiram da jornada: memórias a serem guardadas, profecias a serem anunciadas, caminhos a serem trilhados.
Às 17h00, o Custódio, Frei Fernando, presidiu o encerramento do capítulo. Foi um momento de oração, de bênção e de envio. Como os discípulos de Emaús que, ao reconhecerem o Senhor na fração do pão, “levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém” (Lc 24,33), os participantes saíram do Convento Santa Maria dos Anjos com os corações ardentes e os pés a caminho, prontos para retornar às suas missões, às suas paróquias, aos seus irmãos, as realidades de missão e ao mundo sedento de Evangelho.

O Capítulo Custodial das Esteiras 2026 não foi apenas um encontro administrativo ou programático. Foi, acima de tudo, um ato de fé. Ao completar 80 anos de evangelização, a Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus mostrou que sabe olhar para trás com gratidão, para dentro com honestidade e para frente com esperança. A Escuta do Espírito Santo, como método, não é uma técnica: é uma conversão pastoral. É reconhecer que a Igreja não se sustenta por seus próprios esforços, mas pela ação do Espírito que, como Jesus na estrada de Emaús, caminha ao nosso lado, interpreta as Escrituras para nós e se faz reconhecer-se na fração do pão.
Que estes 80 anos sejam apenas o começo de uma nova primavera franciscana. Que os corações ardentes dos frades e seus irmãos e irmãs leigos colaboradores e companheiros de missão, “chamas vivas e pés a caminho”, sigam trilhando os mesmos passos do Poverello de Assis: pobres, humildes, reconciliadores e, acima de tudo, irmãos.
PAZ e BEM!
Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM (Coordenador – Equipe de Comunicação)









