Dom Paulo: “Frades cultivem a vida fraterna!”

O terceiro dia iniciou com a exposição do Santíssimo Sacramento e Laudes, seguido do café da manhã. Às 09h00 demos início a primeira colocação, tendo como base para reflexão o evangelho de Mateus 24, 42-51.

Nesta primeira parte, Dom Paulo reforçou que o radicalismo evangélico é impossível sem uma forte intimidade com Jesus Cristo. Sem isso, não existe fidelidade pelo Reino. Trouxe o seráfico pai como exemplo, quando disse que Francisco experimentou em sua própria vida, essa procura intensa e íntima com o Cristo.

Às quinze horas nos reunimos na capela para a oração da Hora Média e logo em seguida partimos para sedunda colocação do dia. O pregador provocou a todos nós, frades, a cultivarmos a vida fraterna. É nela que externalizamos nossas fraquezas e é por ela que nos purificamos, nos amadurecemos e crescemos na fé.

No início da noite celebramos a eucaristia e Dom Paulo reforçou a importância do carisma franciscano para a Igreja, da audácia em viver a proposta deixada por Francisco. Após o jantar tivemos a noite livre para conversas e partilhas com o Pregador.

Paz e Bem!

Frei Alef Henrique Pavini, OFM

Segundo dia do retiro é marcado pelo convite a buscar a misericóridia de Deus, por meio do sacramento da penitência!

Iniciamos o dia com a exposição do Santíssimo Sacramento e oração das Laudes na capela. Após o café tivemos a primeira colocação do dia com o tema “a vocação dos Doze e a nossa vocação” à luz de Mateus 9,35 / 10,10. 

Jesus chama seus discípulos e os envia para libertar as pessoas dos espíritos impuros, curar as doenças, ressuscitar os mortos e purificar os leprosos. Somos também chamados e enviados por Jesus para colaborarmos no anúncio do Reino de Deus. O retiro é uma ocasião para revermos as etapas de nossa vocação e com autenticidade e fidelidade renovar nosso seguimento do Senhor dentro do carisma franciscano.

Dom Paulo Beloto convidou-nos à um exame de consciência e aproveitarmos o retiro para nos encontrarmos com a misericórdia de Deus pelo sacramento da confissão. Às quinze horas nos reunimos na capela para a oração da Hora Média,  depois prosseguimos com uma reflexão sobre a importância da oração e da Eucaristia na vida do consagrado.

Às dezoito horas celebramos a missa com partilha sobre a nossa vivência eucarística.  Depois do jantar, encerramos o dia rezando a Coroa Franciscana das Alegrias de Nossa Senhora.

Paz e Bem!

Frei Joaquim Camilo Alves, OFM

Frades se reúnem no Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP, para o Retiro Custodial

Na manhã desta terça-feira (20), no Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP, parte dos frades franciscanos de nossa Custódia deram início ao Retiro Custodial deste ano. O retiro era previsto para o início de julho, mas por conta da situação da pandemia do COVID-19, os responsáveis acharam por bem adiar, sendo definido como data a semana presente.

O pregador convidado é Dom Paulo Beloto, Bispo Diocesano de Franca/SP.  Dom Paulo neste primeiro dia destacou a importância do batismo e motivou os frades a darem mais importância a data do próprio batismo, pois é por meio dele que nos tornamos pessoas novas, no Cristo, centro da fé cristã.

Infelizmente não puderam vir todos os frades de nossa fraternidade custodial, devido a pandemia, pois parte dos frades pertencem ao grupo de risco. Contudo, a secretaria de comunicação de nossa Custódia providenciou a transmissão de todos os momentos do retiro, via canal Fraternizar SCJ, sendo restrito apenas aos frades.

O retiro perdura até a parte da manhã de sexta-feira (23) e após o almoço, os frades se reunirão para uma assembleia consultiva, para resolverem questões próprias da entidade. Assim sendo, rogamos a Deus que abençoe a todos os frades reunidos, bem como a todos os que não puderam estar presentes, e que pela ação do Espírito Santo, estejam abertos a este tempo de pausa e reflexão sobre a própria vida e vocação.

Fraternalmente,

Frei Alef Henrique Pavini, OFM

29º Domingo do Tempo Comum: “O Ensinamento de Jesus é para que os seus seguidores sejam livres da dependência d poder econômico e do poder político!”

Jesus revela aos judeus, tantos fariseus que eram muito nacionalistas, quanto herodianos que colaboravam com o Império romano, que existe um único Deus poderoso. O profeta Isaías já havia anunciado, como vemos na primeira leitura: “Eu sou o Senhor, não existe outro”. Acontece que os judeus estavam enganados pelo poder do dinheiro e do imperador romano. Eles pensavam que poderiam confiar no imperador que se autodenominava deus. E não foi apenas um dos imperadores romanos que pensava assim. Por isso, no território do Império que se estendia pela Ásia Menor, construíam os templos para adorar o imperador. Daí que no Apocalipse encontramos a expressão “trono de satanás” (cf. Ap 2,13) fazendo referência a um desses templos.

Quando os fariseus, ofendidos pelo ensinamento de Jesus, fazem uma aliança com os herodianos, aparece claramente a intenção de liquidar com Jesus, pois o veem como inimigo maior. Jesus, conhecendo suas intenções, impõe uma grande derrota a eles justamente através da palavra com a qual queriam condená-lo. Isto é bem claro no diálogo transmitido pelos evangelistas: os fariseus falam em “pagar” a César e Jesus fala em “devolver” ao imperador o que é dele e a Deus o que é de Deus.

Não foi a primeira nem a única vez que as pessoas colocaram a confiança no dinheiro e nos poderosos desse mundo. A história dos povos e a nossa de hoje indicam que o ser humano precisa crescer na confiança no único e verdadeiro Deus. Jesus ensina que a confiança no dinheiro é idolatria. Ele mostra que nenhum poderoso deste mundo é Deus. De fato, todos que colocaram a sua confiança no dinheiro e nos poderosos desse mundo caíram por terra.

Hoje é importante compreender que não se trata simplesmente de diferenciar as duas dimensões: a política e a religiosa. O ensinamento de Jesus é para que o seus seguidores sejam livres da dependência do poder econômico e do poder político, pois estes poderes exploram, oprimem e matam outros seres humanos. No Reino de Deus todos têm vida em abundância (cf. Jo 10,10) e existe paz porque todos se respeitam e são solidários. Devolver a Deus o que é dEle é empenhar-se concretamente para defender a vida de todos e construir o seu Reino neste mundo.

Na segunda leitura, São Paulo faz menção às virtudes cristãs: fé, esperança e caridade. Ele elogia os cristãos de Tessalônica por terem deixado os ídolos e abraçado Jesus Cristo para “servir o Deus vivo e verdadeiro”. Este serviço implica a construção do Reino com fé, esperança e caridade.

Os cristãos de hoje são chamados a enxergar a presença de Deus na história e discernir a sua ação para defender seus filhos e filhas das garras dos enganadores deste mundo. O Espírito Santo é a força dos cristãos e de todos aqueles que defendem a vida dos seres humanos e da natureza.

Frei Valmir Ramos, OFM

 

SAV se reúne em Olímpia/SP para planejamento dos próximos encontros

A poetisa Martha Medeiros – na poesia fita métrica – diz que “uma pessoa é gigante quando se interessa por nossa vida, quando busca alternativas para o nosso crescimento, quando sonha junto conosco”. É justamente nesse contexto que, no crepuscular do dia, iniciamos as nossas atividades permeadas de muito Espírito Fraterno, bem como de muita alegria. Aspectos que são inerentes à vocação de um Frade Menor.

Nesta dinamicidade e clima de Fraternidade, deu-se início a nossa reunião de Planejamento do Serviço de Animação Vocacional, na quarta-feira, dia 14 de outubro de 2020 às 9h30, com uma oração de acolhida e de abertura desse encontro de Planejamento, que foi bem conduzido por Frei José Luiz da Costa, OFM. Esse realizou-se de 14 a 16 de outubro. Se fizeram presentes os seguintes Frades do nosso território Custodial: Frei José Aécio, Frei José Luiz (Olímpia/SP); Frei Israel, Frei Lucas (Franca/SP); Frei Emanuel (Uberlândia/MG); Frei Alef Pavini (Marília/SP); e, Frei Carlos Eduardo (Garça/SP).  Logo após, seguimos a pauta com os encaminhamentos, bem como os andamentos e as partilhas acerca dos encontros vocacionais, vocacionados, missão franciscana, ordenações etc.

Deste modo, com esperança no Senhor e acolhendo-nos uns aos outros na Fraternidade e na Minoridade, agradecemos a Deus que em Cristo cumpre a promessa de fazer nascer o doador da justiça, da paz e do bem sem fim. Que o Espírito de todos os tempos, que é o mesmo insuflador das virtudes no Planejamento do SAV, ajude cada um a celebrar a promoção da vida, a qual se realiza nos corações dedicados a receber com bons frutos o Deus de Amor e Ternura.

Frei Carlos Eduardo de Sousa, OFM

Rumo à JMJ Lisboa 2023: apresentado o logotipo!

Foi apresentado nesta sexta-feira (16/10) o logotipo da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

No dia 16 de outubro se comemora a eleição papal de São João Paulo II, fundador deste encontro internacional de jovens que tem marcado gerações em todo o mundo.

O novo logotipo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi inspirado pelo tema escolhido pelo Papa Francisco para a edição da JMJ, que terá lugar em Lisboa («Maria levantou-se e partiu apressadamente», Lc 1, 39) e pelos traços da cultura e religiosidade portuguesas.

A autora é Beatriz Roque Antunes, jovem designer portuguesa de 24 anos. Estudou Design em Londres e atualmente trabalha numa agência de comunicação, em Lisboa.

“Como nos diz a passagem que é o tema da JMJ Lisboa 2023, Maria não se acomoda e vai visitar a prima. É esse o convite aos jovens: que não se acomodem, que façam acontecer, que construam e não deixem o destino do mundo nas mãos dos outros. Precisamos todos que os jovens tomem o mundo nas suas mãos”, diz a vencedora do concurso.

O elemento central do logotipo é a Cruz. Esta é atravessada por um caminho onde surge o Espírito Santo. Trata-se de um convite aos jovens para que não se acomodem e sejam protagonistas da construção de um mundo mais justo e fraterno. As cores (verde, vermelho e amarelo) evocam a bandeira portuguesa. 

Cruz: A Cruz de Cristo, sinal do amor infinito de Deus pela humanidade, é o elemento central, de onde tudo nasce.

Caminho: Tal como indica o relato da Visitação que dá tema à JMJ Lisboa 2023, Maria parte, pondo-se a caminho para viver a vontade de Deus, e dispondo-se a servir Isabel. Este movimento sublinha o convite feito aos jovens para renovarem ‘o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade’ (Christus Vivit, 20). A acompanhar o caminho surge, ainda, uma forma dinâmica que evoca o Espírito Santo.   

Terço: A opção pelo terço celebra a espiritualidade do povo português na sua devoção a Nossa Senhora de Fátima. Este é colocado no caminho para invocar a experiência de peregrinação que é tão marcante em Portugal.

Maria: Maria foi desenhada jovem para representar a figura do Evangelho de São Lucas (Lc 1, 39) e potenciar uma maior identificação com os jovens. O desenho exprime a juvenilidade própria da sua idade, característica de quem ainda não foi mãe, mas carrega em si a luz do mundo. Esta figura aparece levemente inclinada, para mostrar a atitude decidida da Virgem Maria.

A partir de hoje, também está online o site da JMJ, que está disponível em www.lisboa2023.org.

Fonte: Vatican News

28° Domingo do Tempo Comum: “O Reino é dom gratuito que Deus oferece aos seus filhos e filhas!”

A imagem do banquete era usada já no Antigo Testamento para indicar o “dia da salvação” ou, como vemos na primeira leitura, o dia em que Deus “enxugaria todas as lágrimas… faria desaparecer toda desonra sobre o povo”. Deste banquete participaria todos os povos que, no Evangelho deste Domingo, são aqueles que aceitaram o convite e se vestiram adequadamente, isto é, se revestiram das obras do Reino. O Reino é dom gratuito que Deus oferece aos seus filhos e filhas, contudo, cada um deve responder a esta graça com atitude de coração pobre, de criança que confia, de alguém de busca primeiro o Reino e a sua justiça e faz a vontade do Pai.

Alguns elementos se destacam na parábola de Jesus sobre o banquete: os primeiros convidados não responderam ao convite, pois estavam ocupados com seus compromissos e negócios, ou pior, maltrataram e mataram os mensageiros do Rei (esta é uma menção do que aconteceu com os profetas enviados por Deus e com os primeiros cristãos, perseguidos e mortos pelos judeus e pelos romanos); o Rei “enviou seus exércitos e incendiou a cidade” (menção à destruição de Jerusalém no ano 70 d.C.); todos os outros convidados, “bons e maus” encheram a sala (é menção aos que abraçaram a fé cristã, pobres, doentes e pecadores que se encontravam pelas margens da sociedade); “um homem que não estava vestido com o traje nupcial” (menção daqueles cristãos que pretendem o Reino sem praticar a justiça, o amor e a misericórdia).

O texto completo de Mateus se conclui com a máxima: “muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Na Bíblia a eleição ou escolha é um ato gratuito de Deus para constituir um povo santo, consagrado a Ele (cf Dt 26,19). Este povo deveria colocar-se a serviço de Deus que o elegeu e o consagrou. Caso contrário, é possível ver uma “rejeição” no momento do julgamento: “não vos conheço” (cf Mt 25,12), pois os que tinham sido eleitos não praticaram a justiça do Reino e não acudiram aos necessitados.

Para nós cristãos de hoje ressoa o convite de Jesus para participarmos do seu banquete revestidos das obras do Reino. Para isto é preciso despojarmo-nos de qualquer privilégio, da arrogância, da pretensão de sermos justo, da sede de poder e do egoísmo que nos faz pensar somente em satisfazer os nossos próprios interesses.

Frei Valmir Ramos, OFM

Intenção do Papa para o mês de outubro: Por mais mulheres em cargos de decisão na Igreja!

Por esta intenção, o Papa Francisco pede que rezemos neste mês de outubro, mês missionário.

O Santo Padre destaca o papel dos leigos e leigas, a quem ele considera verdadeiros protagonistas do anúncio do Evangelho, e pede que especialmente as mulheres participem de cargos de decisão.

Como todo mês, a intenção é acompanhada de um vídeo preparado pela Rede Mundial de Oração do Papa. Nesta ocasião, o vídeo foi produzido em colaboração com o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e conta com a participação de altas funcionárias do Vaticano e jornalistas do Vatican News.

Ampliar os espaços de presença feminina relevante na Igreja

“Ninguém foi batizado como padre ou bispo. Todos nós fomos batizados como leigos”, recorda o Papa no vídeo, afirmando que ”leigos e leigas são protagonistas da Igreja”.

E nesta presença laical, afirma Francisco, “deve-se sublinhar o feminino, pois as mulheres costumam ser deixadas de lado”.

“Devemos promover a integração das mulheres em lugares onde são tomadas decisões importantes”, defende o Pontífice. 

Comentando esta intenção, o Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, padre Frédéric Fornos SJ, destaca que desde 2013 – ano da eleição de Francisco – “muito foi feito, mas muito mais deve ser feito”. 

O jesuíta cita uma frase do Papa Francisco da Exortação apostólica “Evangelii gaudium”: “As reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente” (EG 104). 

Em outro documento, “Querida Amazônia”, o Pontífice escreve que muitas mulheres, impelidas pelo Espírito Santo, mantêm a Igreja de pé, em muitas partes do mundo, com admirável dedicação e fervorosa fé. É fundamental que participem cada vez mais em suas instâncias de decisão. Isso exige uma mudança profunda de mentalidade, exige a nossa conversão, que implica oração.

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: “Precisamos de cristãos corajosos que saibam dizer ‘isto não deve ser feito’!”

Papa Francisco (Fonte: Vatican News)

“A oração de Elias” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (07/10), realizada na Sala Paulo VI, por causa da chuva que começou a cair cedo na Cidade Eterna.

O Pontífice retomou as catequeses sobre o tema da oração, interrompidas para dar espaço ao ciclo de catequeses dedicado ao cuidado da criação. “Conheçamos um dos personagens mais fascinantes de toda a Sagrada Escritura: o profeta Elias”, disse o Papa. “Ele vai além dos limites do seu tempo e podemos ver a sua presença também em alguns episódios do Evangelho. Ele aparece ao lado de Jesus, junto com Moisés, no momento da Transfiguração. O próprio Jesus refere-se à sua figura para dar crédito ao testemunho de João Batista”, sublinhou Francisco.

Elias, incapaz de compromissos mesquinhos

O Papa frisou que “a Escritura apresenta Elias como um homem de fé cristalina: no seu próprio nome, que poderia significar “Javé é Deus”, está incluído o segredo da sua missão. Ele será assim para o resto de sua vida: um homem integérrimo, incapaz de compromissos mesquinhos. O seu símbolo é o fogo, a imagem do poder purificador de Deus. Será o primeiro a ser posto à prova e permanecerá fiel. Ele é o exemplo de todas as pessoas de fé que passam por tentações e sofrimentos, mas não deixam de viver à altura do ideal para o qual nasceram”.

A oração é a linfa que alimenta constantemente a sua existência. Por esta razão, é um dos personagens mais queridos à tradição monástica, de tal forma que alguns o elegeram padre espiritual da vida consagrada a Deus. Elias é o homem de Deus, que se levanta como defensor da primazia do Altíssimo. No entanto, também ele é obrigado a enfrentar as próprias fragilidades. É difícil dizer quais experiências lhe foram mais úteis: se a derrota dos falsos profetas no Monte Carmelo, ou a perplexidade em que constata que ele «não é melhor do que os seus pais».

A oração é deixar-se conduzir por Deus

Segundo Francisco, na alma de quem reza, o sentido da própria debilidade é mais precioso do que momentos de exaltação, quando parece que a vida é uma cavalgada de vitórias e sucessos”, e acrescentou:

Na oração acontece sempre isso. Momentos de oração que nos puxam para cima, nos enche de entusiasmo, e momentos de oração de dor, aridez e provações. A oração é assim: deixar-se conduzir por Deus e deixar-se também golpear, pelas situações ruins e até mesmo pelas tentações. Esta realidade que a oração é assim se encontra em muitas outras vocações bíblicas, também no Novo Testamento; pensemos, por exemplo, em São Pedro e São Paulo, a vida deles era assim: momentos de exultação e momentos de abaixamento, de sofrimentos.

“Elias é o homem de vida contemplativa e, ao mesmo tempo, de vida ativa, preocupado com os acontecimentos do seu tempo, capaz de se lançar contra o rei e a rainha, depois que eles mandaram matar Nabot para tomar posse da sua vinha”, disse ainda o Pontífice. 

Precisamos do espírito de Elias

Quanto precisamos de fiéis, de cristãos zelosos que agem diante de pessoas que têm responsabilidade gerencial com a coragem de Elias, para dizer: “Isto não deve ser feito! Isto é um assassinato”! Precisamos do espírito de Elias.

Elias nos mostra, deste modo, “que não deve haver dicotomia na vida de quem reza, não há diferença: se está perante o Senhor e se vai ao encontro dos irmãos para os quais Ele envia”.

“E vice-versa: os fiéis agem no mundo depois de, primeiro, terem silenciado e rezado; caso contrário, a sua ação é impulsiva, desprovida de discernimento, é uma corrida ofegante sem meta. Quando os fiéis fazem assim, cometem muitas injustiças, porque não foram primeiro diante do Senhor para rezar, discernir o que devem fazer”.

Regressar a Deus com a oração

O Papa disse ainda que “as páginas da Bíblia sugerem que também a fé de Elias progrediu: ele cresceu na oração, refinou-a pouco a pouco. Para ele, o rosto de Deus tornou-se mais nítido ao longo do caminho, até atingir o seu ápice naquela experiência extraordinária, quando Deus se manifestou a Elias no monte. Ele se manifesta não na tempestade impetuosa, não no tremor de terra nem no fogo devorador, mas no «murmúrio de uma brisa suave». Ou melhor, uma tradução que reflete bem essa experiência: em um fio de silêncio sonoro. É assim que Deus se manifesta a Elias”.

É com este sinal humilde que Deus se comunica com Elias, que naquele momento é um profeta fugitivo que perdeu a paz. Deus vai ao encontro de um homem cansado, de um homem que pensava ter falhado em todas as frentes, e com aquela brisa suave, com aquele fio de silêncio sonoro, traz de volta a calma e a paz ao seu coração.

“Esta é a vicissitude de Elias, mas parece escrita para todos nós”, disse ainda Francisco. “Em certas noites podemos sentir-nos inúteis e solitários. É então que a oração virá e baterá à porta do nosso coração. Todos nós podemos tocar uma orla do manto de Elias. E mesmo que tivéssemos feito algo de errado, ou se nos sentíssemos ameaçados e apavorados, regressando a Deus com a oração, voltarão também como que por milagre a serenidade e a paz. Isto é o que nos ensina o exemplo de Elias”, concluiu o Papa.

Fonte: Vatican News

Publicada “Fratelli tutti”, a Encíclica social do Papa Francisco

Quais são os grandes ideais mas também os caminhos concretos para aqueles que querem construir um mundo mais justo e fraterno nas suas relações quotidianas, na vida social, na política e nas instituições? Esta é a pergunta à qual pretende responder, principalmente, “Fratelli tutti”: o Papa define-a como uma “Encíclica Social” (6) que toma o seu título das “Admoestações” de São Francisco de Assis, que usava essas palavras “para se dirigir a todos os irmãos e irmãs e lhes propor uma forma de vida com sabor do Evangelho” (1). A Encíclica tem como objetivo promover uma aspiração mundial à fraternidade e à amizade social. No pano de fundo, há a pandemia da Covid-19 que – revela Francisco – “irrompeu de forma inesperada quando eu estava escrevendo esta carta”. Mas a emergência sanitária global mostrou que “ninguém se salva sozinho” e que chegou realmente o momento de “sonhar como uma única humanidade”, na qual somos “todos irmãos”. (7-8).

No primeiro de oito capítulos, intitulado “As sombras dum mundo fechado”, o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma “cultura de muros” que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, “Um estranho no caminho”. Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é “analfabeta” no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós “somos feitos para o amor” (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo “uma dimensão universal” (83) é também retomado no terceiro capítulo, “Pensar e gerar um mundo aberto”: nele, Francisco exorta cada um de nós a “sair de si mesmo” para encontrar nos outros “um acrescentamento de ser” (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a “comunhão universal” (95). Afinal – recorda a Encíclica – a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua “missão educativa primária e imprescindível” (114).

O direito a viver com dignidade não pode ser negado a ninguém, afirma ainda o Papa, e uma vez que os direitos são sem fronteiras, ninguém pode ser excluído, independentemente do local onde nasceu (121). Deste ponto de vista, o Papa lembra também que é preciso pensar numa “ética das relações internacionais” (126), porque cada país é também do estrangeiro e os bens do território não podem ser negados àqueles que têm necessidade e vêm de outro lugar. O direito natural à propriedade privada será, portanto, secundário em relação ao princípio do destino universal dos bens criados (120). A Encíclica também coloca uma ênfase específica na questão da dívida externa: embora se mantenha o princípio de que toda a dívida legitimamente contraída deve ser paga, espera-se, no entanto, que isto não comprometa o crescimento e a subsistência dos países mais pobres (126).

Ao tema das migrações é, ao invés, dedicado em parte o segundo e todo o quarto capítulo, “Um coração aberto ao mundo inteiro”: com as suas “vidas dilaceradas” (37), em fuga das guerras, perseguições, catástrofes naturais, traficantes sem escrúpulos, arrancados das suas comunidades de origem, os migrantes devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados. Nos países destinatários, o justo equilíbrio será entre a proteção dos direitos dos cidadãos e a garantia de acolhimento e assistência aos migrantes (38-40). Especificamente, o Papa aponta algumas “respostas indispensáveis” especialmente para aqueles que fogem de “graves crises humanitárias”: incrementar e simplificar a concessão de vistos; abrir corredores humanitários; oferecer alojamento, segurança e serviços essenciais; oferecer possibilidade de trabalho e formação; favorecer a reunificação familiar; proteger os menores; garantir a liberdade religiosa. O que é necessário acima de tudo” – lê-se no documento -, é uma legislação (go­vernance) global para as migrações que inicie projetos a longo prazo, indo além das emergências individuais, em nome de um desenvolvimento solidário de todos os povos (129-132).

O tema do quinto capítulo é “A política melhor”, ou seja, a que representa uma das formas mais preciosas da caridade porque está ao serviço do bem comum (180) e conhece a importância do povo, entendido como uma categoria aberta, disponível ao confronto e ao diálogo (160). Este é o popularismo indicado por Francisco, que se contrapõe ao “populismo” que ignora a legitimidade da noção de “povo”, atraindo consensos a fim de instrumentalizar ao serviço do seu projeto pessoal (159). Mas a melhor política é também a que protege o trabalho, “uma dimensão indispensável da vida social” e procura assegurar que cada um tenha a possibilidade de desenvolver as suas próprias capacidades (162). A verdadeira estratégia contra a pobreza, afirma a Encíclica, não visa simplesmente a conter os necessitados, mas a promovê-los na perspectiva da solidariedade e da subsidiariedade (187). A tarefa da política, além disso, é encontrar uma solução para tudo o que atenta contra os direitos humanos fundamentais, tais como a exclusão social; tráfico de órgãos, e tecidos humanos, armas e drogas; exploração sexual; trabalho escravo; terrorismo e crime organizado. Forte o apelo do Papa para eliminar definitivamente o tráfico de seres humanos, “vergonha para a humanidade”, e a fome, porque é “criminosa” porque a alimentação é “um direito inalienável” (188-189).

A política da qual há necessidade, sublinha ainda Francisco, é aquela centrada na dignidade humana e que não está sujeita à finança porque “o mercado por si só, não resolve tudo”: os “estragos” provocados pela especulação financeira mostraram-no (168). Assumem, portanto, particular relevância os movimentos populares: verdadeiros “torrentes de energia moral”, devem ser envolvidos na sociedade, de uma forma coordenada. Desta forma – afirma o Papa -, pode-se passar de uma política “para” os pobres para uma política “com” e “dos” pobres (169). Outro desejo presente na Encíclica diz respeito à reforma da ONU: perante o predomínio da dimensão econômica, de fato, a tarefa das Nações Unidas será dar uma real concretização ao conceito de “família de nações”, trabalhando para o bem comum, a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos humanos. Recorrendo incansavelmente à “negociação, aos mediadores e à arbitragem” – afirma o documento pontifício – a ONU deve promover a força da lei sobre a lei da força (173-175).

Do sexto capítulo, “Diálogo e amizade social”, emerge também o conceito de vida como “a arte do encontro” com todos, também com as periferias do mundo e com os povos originais, porque “de todos se pode aprender alguma coisa, nin­guém é inútil, ninguém é supérfluo” (215). Particular, então, a referência do Papa ao “milagre da amabilidade”, uma atitude a ser recuperada porque é “uma estrela na escuridão” e uma “libertação da crueldade, da ansiedade que não nos deixa pensar nos outros, da urgência distraída” que prevalecem em época contemporânea (222-224). Reflete sobre o valor e a promoção da paz, o sétimo capítulo, intitulado “Percursos dum novo encontro”, no qual o Papa sublinha que a paz é “proativa” e visa formar uma sociedade baseada no serviço aos outros e na busca da reconciliação e do desenvolvimento mútuo. A paz é uma “arte” em que cada um deve desempenhar o seu papel e cuja tarefa nunca termina (227-232). Ligado à paz está o perdão: devemos amar todos sem exceção – lê-se na Encíclica -, mas amar um opressor significa ajudá-lo a mudar e não permitir que ele continue a oprimir o seu próximo (241-242). Perdão não significa impunidade, mas justiça e memória, porque perdoar não significa esquecer, mas renunciar à força destrutiva do mal e da vingança. Nunca esquecer “horrores” como a Shoah, os bombardeamentos atómicos em Hiroshima e Nagasaki, perseguições e massacres étnicos – exorta o Papa – devem ser sempre recordados, novamente, para não nos anestesiarmos e manterem viva a chama da consciência coletiva. E também é importante fazer memória do bem. (246-252).

Parte do sétimo capítulo se detém, então, sobre a guerra: “uma ameaça constante”, que representa a “negação de todos os direitos”, “o fracasso da política e da humanidade”, “a vergonhosa rendição às forças do mal”. Além disso, devido às armas nucleares, químicas e biológicas que afetam muitos civis inocentes, hoje já não podemos pensar, como no passado, numa possível “guerra justa”, mas temos de reafirmar fortemente “Nunca mais a guerra! A eliminação total das armas nucleares é “um imperativo moral e humanitário”; em vez disso – sugere o Papa – com o dinheiro do armamento deveria ser criado um Fundo Mundial para acabar de vez com a fome (255-262). Francisco expressa uma posição igualmente clara sobre a pena de morte: é inadmissível e deve ser abolida em todo o mundo. “O homicida não perde a sua dignidade pessoal – escreve o Papa – e o próprio Deus Se constitui seu garante” (263-269). Ao mesmo tempo, a necessidade de respeitar “a sacralidade da vida” (283) é reafirmada onde “partes da humanidade parecem sacrificáveis “, tais como os nascituros, os pobres, os deficientes, os idosos (18).

No oitavo e último capítulo, o Pontífice se detém sobre “Religiões ao serviço da fraternidade no mundo” e reitera que o terrorismo não se deve à religião, mas a interpretações erradas de textos religiosos, bem como a políticas de fome, pobreza, injustiça e opressão (282-283). Um caminho de paz entre a religiões é, portanto, possível; por isso, é necessário garantir a liberdade religiosa, direito humano fundamental para todos os crentes (279). Uma reflexão, em particular, a Encíclica  faz sobre o papel da Igreja: ela não relega a sua missão à esfera privada e, embora não fazendo política, não renuncia à dimensão política da existência, à atenção ao bem comum e à preocupação pelo desenvolvimento humano integral, segundo os princípios evangélicos (276-278).

Enfim, Francisco cita o “Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, assinado por ele mesmo em 4 de fevereiro de 2019 em Abu Dhabi, junto com o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib: desta pedra miliar do diálogo inter-religioso, o Pontífice retoma o apelo para que, em nome da fraternidade humana, o diálogo seja adoptado como caminho, a colaboração comum como conduta, e o conhecimento mútuo como método e critério (285).

Vatican News Service – IP – SP

Fonte: Vatican News