
LEITURAS: Is 55,1-3 / Sl 144 / Rm 8,35.37-39 / Mt 14,13-21
Jesus “viu as multidões e encheu-se de compaixão”. As multidões eram formadas por pessoas que iam procurar Jesus, que levavam os seus doentes e queriam ouvi-lo. Eram pessoas concretas, famintas da verdade, do pão e da vida. A ação de Jesus mostra que Ele tem um sentimento que transforma, que age primeiro em prol da necessidade básica das pessoas: saúde e pão. O evangelista narra que Jesus foi para um lugar deserto, longe da cidade, depois de ouvir que João Batista tinha sido morto. Ele não fugia das pessoas, mas preparava-se para a missão. Acontece que a multidão foi atrás dEle e Jesus curou e fez o milagre da partilha para matar a fome dos famintos.
Este texto da multiplicação dos pães e dos peixes nos mostra como Jesus introduz os discípulos na missão de cuidar das pessoas com uma estratégia baseada na solidariedade que supera o egoísmo. O texto diz que era tarde, no deserto e o povo estava faminto. A fome não é vontade de Deus, mas resultado de um sistema de acúmulo por parte de alguns e da lógica do mercado financeiro. Já na segunda parte do livro do profeta Isaías, de um profeta que atuou no século VI antes de Cristo, talvez discípulo de Isaías, vemos que existia esta prática e que não fazia parte dos planos de Deus. Quando o texto diz “vocês que não têm dinheiro, venham, comprem e comam”, significa que o profeta está defendendo o direito fundamental de cada pessoa: comer e viver. Deus não criou o mundo e a humanidade para que seus filhos e filhas passassem fome ou, pior, morressem em consequência da fome.
Jesus sente compaixão vendo as vítimas da fome e do egoísmo. Por isso pede aos discípulos para “dar-lhes de comer”. Fazendo a partilha, os discípulos entenderam que este era o caminho para saciar a fome de todos. De fato, o texto diz que “dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos”. Os números são simbólicos: 5 mil homens para indicar a multidão; 12 cestos para indicar as 12 tribos de Israel e todos os povos da terra.
Os cristãos de hoje são chamados pelo Mestre para agir neste mundo pelos direitos elementares de todos os irmãos e irmãs. São Paulo aponta situações nas quais os cristãos e outras pessoas podem encontrar-se: “tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo ou espada…”. Ao mesmo tempo indica que no “amor de Cristo … em tudo isto somos vencedores”. A vitória vem com a ação concreta como fez Jesus. Viu, sentiu compaixão, repartiu o pão.
Fraternalmente,
Frei Valmir Ramos, OFM









