6º Domingo da Páscoa: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada!”

LEITURAS: At 15,1-2.22-29 / Sl 66 / Ap 21,10-14.22-23 / Jo 14,23-29

O amor verdadeiro a Jesus está vinculado à observância de sua Palavra, do seu Evangelho. Para São João, Jesus é a Palavra do Pai que se encarnou e “fala” com sua vida, seu ensinamento e suas ações. Observar a Palavra de Jesus será o sinal mais autêntico do amor por Ele. É confortante, maravilhoso saber que através do amor a Jesus chegamos ao Pai, pois Ele é o caminho que nos leva ao Pai. Ainda mais confortante é saber que quem ama, observa a Palavra de Jesus, torna-se morada de Deus: “viremos e faremos nele a nossa morada”. Esta é uma referência clara do Espírito Santo “que o Pai enviará”. Que dignidade Deus nos concede!

São João coloca este ensinamento de Jesus no contexto de sua despedida, quando Ele estava reunido com os discípulos para a última ceia. Antes de deixar o seu mandamento, que é o mandamento do amor, Jesus lavou os pés dos discípulos num gesto concreto que indica amor verdadeiro. Ao mesmo tempo Ele anuncia que deve ser traído, preso, morto. Os discípulos estão meio confusos. Aí ele anuncia: “A minha paz vos dou”. No idioma de Jesus “paz” significa vida em abundância, saúde, gosto pela vida, serenidade, paz interior e exterior. É uma expressão que indica a salvação messiânica quando o Deus da vida está com o seu povo para derrotar todos os mecanismos de morte e ameaças contra vida e a dignidade humana.

Os discípulos entenderam bem este ensinamento somente mais tarde e tiveram que aprender durante a missão que o Espírito Santo está guiando a Igreja. Por isso, vemos na primeira leitura que tiveram que reunir-se para decidir sobre a acolhida dos irmãos que não eram judeus. Entenderam que deveriam deixar as tradições e exigências do judaísmo daquele tempo para abraçar o Evangelho de Jesus. E ainda mais porque o Espírito Santo era enviado a todos, judeus e estrangeiros considerados pagãos. Somente assim abriram-se os horizontes dos discípulos até o autor do Apocalipse anunciar a sua visão da Igreja como “Nova Jerusalém” com doze colunas e doze portas. As colunas representam os Apóstolos que deveriam anunciar Jesus e seu Evangelho para todos os povos. As portas em todas as direções indicam a abertura da Igreja para todos os povos.

Hoje os cristãos todos são chamados a observar a Palavra e a colocar-se a serviço dentro das sociedades para que as pessoas, morada de Deus, possam ser mais respeitadas e possam viver em paz.

Frei Valmir Ramos, OFM

5º Domingo da Páscoa: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros!”

LEITURAS: At 14,21b-27 / Sl 144 / Ap 21,1-5a / Jo 13,31-33a.34-35

As palavras de Jesus deste Evangelho são ditas no contexto da última ceia: Jesus lavou os pés dos discípulos, anunciou a traição e imediatamente a glorificação do Filho do Homem, isto é, de Jesus encarnado e nascido de uma mulher. É a introdução de um longo discurso de despedida que Jesus faz aos seus discípulos em que o evangelista concentra uma série de ensinamentos de d’Ele.

Depois de indicar que o amor se vive concretamente através do serviço, Jesus deixa o seu novo mandamento: “amai-vos uns aos outros”. O mandamento é novo por se tratar de uma atitude sempre nova, uma vez que o verdadeiro amor é vivo. E Jesus indica o tamanho do amor que Ele pede: “como eu vos amei, amai-vos uns aos outros”. A ação concreta do maior amor de Jesus que os discípulos conheciam é a de entregar a própria vida. Mas mesmo antes disso, Jesus tinha expresso seu amor por todas as pessoas, a começar pelos doentes, pelos excluídos, pelas mulheres discriminadas, pelas crianças, pelos pecadores, pelos pobres, pelos famintos, pelos pagãos… seu amor era preferencialmente pelos mais frágeis da sociedade de seu tempo.

Como Jesus sabe que logo não estará mais fisicamente com os seus discípulos, pede a eles que vivam o amor. A expressão usada pelo evangelista é clara: “conhecerão que sois meus discípulos se tiverdes amor uns aos outros”. Isto significa que para ser cristão não basta ser batizado ou ser consagrado ou ser padre. É preciso viver o amor concretamente como Jesus viveu. O seu gesto de lavar os pés pode ter deixado os discípulos que pensavam em privilégios meio confusos, como também hoje pode deixar confusos os que buscam privilégios na Igreja e através dela. Porém foi o gesto que revelou o amor desinteressado e abriu caminho para que os discípulos compreendessem o novo mandamento.

A leitura do Apocalipse fala de “um novo céu e uma nova terra”. Esta também é uma palavra atual, pois num mundo em que as pessoas estão perdidas entre falsos valores e falsas notícias, entre corrida pelo poder e pelos privilégios, Jesus ressuscitado chama os cristãos para viver concretamente o amor pelas pessoas sem engano e servindo aos mais frágeis das sociedades. O novo só acontecerá se houver amor verdadeiro e serviço desinteressado.

Frei Valmir Ramos, OFM

4º Domingo da Páscoa: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem!”

LEITURAS: At 13,14.43-52 / Sl 99 / Ap 7,9.14b-17 / Jo 10,27-30

No Evangelho de João, Jesus tinha acabado de dizer “eu sou o bom pastor” (cf. Jo 10,11) e agora diz “as minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. É bom recordar que na Bíblia, a imagem do pastor era utilizada para indicar os chefes do povo, aqueles que tinham a missão de cuidar e proteger o povo. Acontece que eram negligentes e interesseiros. Jesus se distingue como o “Bom Pastor” por que não é mercenário, não abandona suas ovelhas, nem olha para os seus próprios interesses. Ao contrário, dá sua vida por elas.

Jesus reúne suas “ovelhas” num único “rebanho”, e como único pastor as conduz para junto do Pai que ama a todos os seus filhos e filhas de todas as raças e nações. Escutar a voz de Jesus significa acolhê-lo como Filho de Deus, enviado para salvar a todos, e colocar seus ensinamentos em prática. Quando Jesus diz “eu as conheço” é porque as “ovelhas” estão vigilantes e realizando o seu projeto, como vemos no Evangelho de Mateus (cf. Mt 25,12). O seguimento de Jesus então significa adesão a Ele e à sua Palavra para fazer a vontade do Pai.

A leitura do Apocalipse apresenta a visão do autor que contempla Jesus ressuscitado com todo o seu rebanho de “gente de todas as nações” que formava “uma multidão imensa”. É a visão da glória de Jesus partilhada com seus seguidores, sendo muitos deles martirizados porque foram fiéis ao Evangelho. Lavar as vestes no “sangue do cordeiro” é uma imagem de purificação através do sacrifício da própria vida por causa de Jesus e do seu Evangelho. Aí aparece mais uma vez a imagem do pastor que conduz suas ovelhas às “fontes de água viva”, que indica a vida eterna.

Os cristãos hoje precisam abrir bem os ouvidos para escutar o que Jesus está dizendo em nossos dias, para viver e anunciar a palavra exigente do Evangelho. Paulo e Barnabé o fizeram de modo audacioso, dentro das sinagogas, onde os poderosos mantinham os seus interesses. Eles instigaram as poderosas da sociedade para caluniarem e perseguirem os missionários do Evangelho. Hoje também os cristãos precisam ser audaciosos, pois se buscarem somente os aplausos da sociedade e dos poderosos não serão “luz para as nações”. Para afugentar o medo, nenhum seguidor ou seguidora de Jesus pode esquecer-se que o amor do Pai conserva a união do rebanho e lhe garante a vida eterna mesmo passando pelo martírio.

Frei Valmir Ramos, OFM

3º Domingo da Páscoa: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo!”

LEITURAS: At 5,27b-32.40b-41 / Sl 29 / Ap 5,11-14 / Jo 21,1-19

Jesus ressuscitado aparece mais uma vez aos discípulos que ainda estão crescendo na fé. Este capítulo do Evangelho segundo João é um acréscimo à obra que pode ter sido inserido pelo próprio autor ou por um discípulo dele. É mais uma página maravilhosa do Evangelho mostrando a presença de Jesus com os seus e a missão universal que Ele ressuscitado dá aos discípulos.

A construção do Reino de Deus interrompida na cruz não pode parar. No Evangelho de João, Jesus tinha aparecido a Maria Madalena, aos discípulos reunidos com medo dos judeus, e agora aparece aos discípulos que tinham retomado a vida de antes e estavam trabalhando. Talvez Pedro não tivesse bem claro que Jesus o tinha chamado para ser “pescador de homens” (cf. Mc 1,17). As imagens do texto são significativas: a pesca com redes significa a vinda do Reino, significa também a missão dos Apóstolos; a barca é símbolo da Igreja; lançar as redes significa evangelizar pelo mundo; a abundância de peixes relembra a multiplicação dos pães, a água viva, a plenitude do Espírito dado por Jesus; a “pesca milagrosa” é sinal da presença de Jesus na missão que, sem Ele ao centro, não dá frutos; o convite de Jesus “vinde comer” e o seu gesto de distribuir o pão e o peixe é uma referência à ceia eucarística e também expressão d’Aquele que não admite que uma pessoa sofra de fome; “apascentar o rebanho” significa a missão dada a Pedro de conduzir a Igreja dos seguidores de Jesus.

Pedro e os demais discípulos assumiram a missão e anunciavam Jesus ressuscitado com vemos na primeira leitura. Este anúncio parece subversivo, pois vai contra a vontade dos poderosos da religião e da política. Daí a perseguição, os açoites, a proibição de falar d’Aquele que era anunciado como “Guia Supremo e Salvador”. Aí neste período os discípulos entenderam bem o significado do convite de Jesus: “segue-me”, pois do mesmo modo que Jesus foi perseguido, agora eles sofrem perseguição.

Para os cristãos de hoje o Ressuscitado pergunta: “tu me amas?” e continua dizendo: “apascenta as minhas ovelhas”. É a urgência de continuar construindo o Reino de Deus onde ainda prevalece o egoísmo, a violência, a fome, a exclusão de irmãos e irmãs ameaçados em sua dignidade, onde a sede de poder permite matar, arruinar a vida, onde a mentira parece ter vantagem diante da verdade. A missão dada por Jesus, a quem é atribuído “o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”, exige mais solidariedade dos cristãos.

Frei Valmir Ramos, OFM

2º Domingo da Páscoa: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio!”

LEITURAS: At 5,12-16 / Sl 117 / Ap 1,9-11a.12-13.17-19 / Jo 20,19-31

“A paz esteja convosco!”. O Deus da paz, nascido “príncipe da paz”, agora ressuscitado saúda seus discípulos desejando a paz com o sentido de “salvação”, de vitória sobre o mundo, sobre a injustiça, sobre a morte. A vitória de Jesus revela o poder do “Deus dos vivos, não dos mortos” (Mc 12,27), que é o Senhor da vida.

Já ressuscitado, o seu corpo não tem mais os limites da vida terrena. Os discípulos estavam fechados e o Ressuscitado apareceu no meio deles. Sua presença será constante e em todos os lugares onde estiverem seus seguidores. Foi difícil para os discípulos entenderem o que estava acontecendo. O final do Evangelho de Marcos traz uma síntese das aparições de Jesus ressuscitado dizendo que apareceu a Maria Madalena, a dois discípulos que iam para o campo e depois aos onze (cf Mc 16,9-14). Ainda assim Tomé quer ver as chagas de Jesus de Nazaré. Ele, como os demais discípulos, percorreu um caminho de crescimento na fé para chegar ao reconhecimento de Jesus ressuscitado como “meu Senhor e meu Deus”.

Jesus ressuscitado cumpre a promessa feita aos discípulos de que enviaria o Espírito. A narração deste trecho do Evangelho segundo João indica que foi no mesmo dia da ressurreição que Jesus “soprou” sobre os discípulos. É o “sopro” de Deus, a força criadora de Deus, o Espírito Santo. De fato, a compreensão bíblica do Espírito de Deus parte da palavra que significa “sopro”, um vento que dá vida. O gesto de Jesus transforma a vida dos discípulos e faz nascer a sua nova família, a Igreja, que vai se fortalecer e continuar a missão que Jesus recebeu do Pai: “como o Pai me enviou, eu também vos envio”. De fato, os discípulos iniciaram a missão de anunciar o Evangelho de Cristo, que é Ele mesmo, sua vida e seus ensinamentos. A Igreja recebe e a missão que Jesus recebeu do Pai: dar vida e defender a vida ameaçada.

Na leitura dos Atos dos Apóstolos vemos os discípulos atuando em nome do Ressuscitado e realizando “muitos sinais e maravilhas”, curando os doentes e libertando os “atormentados por maus espíritos”. A missão que estão realizando é sustentada pelo poder do Espírito Santo dado por Jesus vivo para sempre.

O autor do Apocalipse “vê” o Ressuscitado que afirma ser “o Primeiro e o Último, aquele que vive”. Ele recebe assim a revelação do Deus da vida que fez de seu Filho o vencedor sobre a morte e garantiu a vida para toda a humanidade.

Aos seguidores de Jesus nos dias de hoje compete continuar a missão interrompida na cruz. O Ressuscitado mesmo será a força da Igreja que precisa sair do medo, ir ao encontro das pessoas, enfrentar as ameaças e defender a vida e a dignidade de todos. Nesta missão o Espírito Santo será sempre a sua força.

Frei Valmir Ramos, OFM

75 anos: Com júbilo, frades celebram missa de abertura do jubileu em Franca/SP

Foto oficial, tirada logo após a celebração eucarística (Frades, Postulantes e Aspirantes)

A Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus celebrou nesta segunda-feira (18) a abertura dos festejos dos seus 75 anos de presença e missão no interior de São Paulo e Triângulo Mineiro. Já fazem todo esse tempo, quando dez missionário da Província Franciscana, presente do território de Nápoles/Itália, vieram para o solo brasileiro.

Para tanto, o custódio Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM, junto com alguns confrades das Fraternidades espalhadas pela extensão de nossa Custódia, celebraram uma solene missa nesta intenção especial. A celebração se deu na Paróquia São Judas Tadeu, em Franca/SP, onde está a sede Custodial.

Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM (Custódio) proferindo a homilia

Na homilia, Frei Fernando enfatizou a importância histórica desse evento, recordando desde seu percurso inicial, do desejo de um antigo bispo de Jaboticabal/SP em ter missionários em sua diocese. Lembrou também que nesse tempo estava acontecendo a 2ª Guerra Mundial. Foi no ano de 1947 que os dez primeiros missionária partiram do Porto de Nápoles/Itália e, após 15 dias em alto mar, chegaram ao Porto do Rio de Janeiro/RJ (Brasil).

Neste clima de festa jubilar e também em ocasião pela oitava da Páscoa do Senhor Ressuscitado, Frei Fernando, em suas palavras, encorajou os confrades a olhar para o passado com gratidão, a ver os frutos que hoje são colhidos, que um dia foram plantados por estes missionários; e com a alegria do Senhor que nos sustenta olhar para o presente, com esperança na certeza de um futuro iluminado e edificante.


Íntegra da homilia – Missa de Abertura do Jubileu (75 anos)


Foto dos 10 primeiros frades missionários vindos de Nápoles/Itália e foto do último Capítulo Custodial (2021)

No momento das oferendas, rito que dá lugar a apresentação dos preciosos frutos dos trabalhos humanos, pão e vinho, e que se tornarão Corpo e Sangue do Senhor, foi-se também um momento de oferecer a Deus nossas gratidão e apresentar por meio de símbolos, como a Regra e Vida da Ordem dos Frades Menores, uma foto da Fraternidade Custodial, um par de sandália Franciscana, um banner e a vida de cada frade; a disponibilidade e coragem da Custódia em continuar a semear e cuidar do Reino de Deus instaurado no povo confiado a nós para evangelizar.

Por fim, passado todo o ritual da celebração eucarística, um belo poema foi recitado, apresentando, assim, um pouco da história inicial da Custódia, e que disponibilizamos a você, caro leitor, logo abaixo:


75 ANOS – Custódia SCJ

  • Irmãs e irmãos em Cristo
  • Jesus, o nosso amém!
  • Recebam a nossa saudação
  • De alegria, paz e bem!
  • Nesta noite tão formosa
  • Nesta noite cheia de luz
  • Onde vivemos a Páscoa
  • A vitória do bom Jesus
  • Comemoramos com alegria
  • Data, para nós singular
  • 75 anos de história
  • De nossa custódia vamos falar
  •  A muito tempo atrás
  • Em grande precisão
  • Um bispo pedira ajuda
  • Para compor uma missão
  • De nas terras brasileiras
  •  Abençoadas, altaneiras
  • Em São Paulo, uma região
  • Assumir com força e coragem
  • Na paroquia evangelização
  • Com os pobres e no social
  • Com orfanatos, educação.
  • Sendo ao nosso povo
  • Seguras e boas mãos
  • O pedido foi para Roma
  • E depois ao provincial
  • De Nápoles, aos frades menores
  • Numa graça sem igual
  • Ao chamado escutaram
  • E aceitaram tal e qual.
  • Em 45 o tal pedido
  • Um ano depois a concessão
  • Ganhara, Nápoles, Jaboticabal
  • Como terra de missão
  • Recebendo do ministro geral
  • O dileto e santo aval
  • Para a evangelização.
  • Frei Roque Biscione,
  • Frei Justino di Giorgio,
  • Frei Eugênio de Rosa,
  • Frei Marcelo Manilia,
  • Frei Januário Pinto,
  • Frei Benedito Faticato,
  • Frei Frederico Curatolo
  • Frei Leonardo Ferraro,
  • Frei Angelo Ruggiero
  • Frei Berardo Paolino.
  • Foram dez, os primeiros
  • Que aceitaram a missão
  • Vindo de tão longe
  • Para viver neste chão
  • Nesta vinha do senhor
  • Nessa messe, plantação.
  • Assumiram as paróquias
  • Que de vigários carecia
  • Por essas terras espalharam
  • Paz, amor e alegria.
  • O veio social da Custódia
  • Desde cedo já bramia
  • Num Brasil que Crescia
  • Naqueles anos o progresso
  • Mesmo dificultoso
  • O bendito acesso
  • Os primeiros frades levavam
  • Jesus nesse expresso
  • O tempo foi passando
  • A missão foi crescendo
  • E logo os primeiros frades
  • Do Brasil, aparecendo
  • Via-se ali
  • Nossa história se fazendo
  •  Até 2012
  • Era, esta, vinculada
  • A província napolitana
  • E numa atitude ousada
  • Nos tornamos independentes
  • Assumimos tal empreitada
  • Em 2013 uma aproximação
  • Muito santa começou
  • Com a Fundação N. Sra. de Fatima
  • E em 2016 se consolidou
  • Integração plena
  • O triangulo se achegou
  • Minas e São Paulo
  • Uma só se tornou.
  • Duas histórias se juntaram
  • Uma só se tornando
  • Dores divididas
  • Alegrias partilhando
  • Somos mais de 50 frades
  • Nesta noite celebramos
  • De nossa custódia querida
  • Seus 75 anos
  • E já que contamos a história
  • De nossa Custódia querida
  • lembremos então agora
  • Os que são história em vida
  • Frei Carmine e frei Filomeno
  • Figuras tão enaltecidas
  • Também não esqueçamos
  • O querido esmoler de Deus
  • O Frei Berardo Paolino
  • Que Vivia aqui entre os seus
  • Por fim, agradecemos
  • Ao nosso Deus Querido
  • Que Nos deu a santa graça
  • Dos 75 anos cumpridos
  • Parabéns por essa historia
  • Aos que vivem e tenham existido
  • Peçamos ao pai Seráfico
  • Olhai por nossa custódia
  • Rogai por nós a Deus
  • Que venham mais anos de história
  • Que o futuro vire presente
  • Que o presente seja memória
  • De pé, com alegria
  • Cantemos com o coração
  • Batendo nossas palmas
  • Com tamanha emoção
  • Que o órgão dê as notas
  • Do parabéns em canção

Frei João Paulo Gabriel Mendes de Moraes, OFM com a Benção Apostólica, lida pelo Custódio, Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM

Após a apresentação do jogral, acolhemos a Benção Apostólica enviada por ocasião do jubileu dos 75 anos e lida pelo nosso Custódio. Seguidamente, o Secretário Custodial, Frei Alef Pavini, OFM, leu as mensagens enviadas pelas irmãs Clarissas de Marília/SP, bem como do nosso Ministro Geral, Frei Massimo Fusarelli, OFM. Terminada as homenagens, encerramos a celebração com a benção de São Francisco.

Agradecemos a Deus pela dádiva de nossas vocações, bem como pela vida e vocação dos frades que nos antecederam nesta árdua missão, como religiosos franciscanos. Que o seráfico pai São Francisco nos ajude perseverarmos neste santo propósito que abraçamos em nossas vidas.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Créditos/Imagens: K2 Fotografias (Ribeirão Preto/SP)


Transmissão | Missa de Abertura – Jubileu dos 75 anos

Mensagem Urbi et Orbi: Deixemo-nos vencer pela paz de Cristo! A paz é possível

Bianca Fraccalvieri (Vatican News)

“Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa! Jesus, o Crucificado, ressuscitou!”

Assim o Papa Francisco saudou os fiéis presentes na Praça São Pedro e todos os que acompanharam a missa de Páscoa conectados pelos meios de comunicação em todo o mundo.

Cerca de 100 mil fiéis participaram da cerimônia, que pôde finalmente ser celebrada na Praça, após dois anos de pandemia, com os tradicionais enfeites florais para acolher o anúncio da ressurreição de Cristo. 

Também os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra

Após a Missa, o Papa se dirigiu à sacada central da Basílica Vaticana, de onde dirigiu a a mensagem Urbi et Orbi (à cidade de Roma e a todo o mundo) e concedeu a Bênção Apostólica. Ele estava acompanhado pelos cardeais Renato Raffaele Martino e Michael Czerny.

O Pontífice repetiu as palavras de Cristo contidas no Evangelho de João, diante dos olhos incrédulos dos discípulos: «A paz esteja convosco!».

“Também os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra”, disse o Papa. Com todo o sangue e violência que vimos, temos dificuldade em acreditar que Jesus tenha verdadeiramente ressuscitado. “Terá porventura sido uma ilusão?”, questionou Francisco, que imediatamente respondeu: “Não. Não é uma ilusão!”.

E hoje, mais do que nunca precisamos Dele, no final de uma Quaresma que parece não ter fim. Ao invés de sairmos juntos do túnel da pandemia, demonstramos que existe ainda em nós o espírito de Caim, que vê Abel não como um irmão, mas como um rival.

Por isso temos necessidade do Ressuscitado para acreditar na vitória do amor, para esperar na reconciliação. Só Ele o pode fazer.

Crianças vítimas da guerra, mas também da fome

O Papa então dirigiu o seu olhar para todas as realidades que necessitam do anúncio pascal. Falando da “martirizada” Ucrânia, usou termos como crueldade e insensatez e pediu mais uma vez que não se habitue à guerra. De modo especial, citou o sofrimento das crianças não só ucranianas, mas também “as que morrem de fome ou por falta de cuidados médicos, as que são vítimas de abusos e violências e aquelas a quem foi negado o direito de nascer”.

Pediu paz no Médio Oriente, em particular entre israelenses e palestinos, no Líbano, na Síria e no Iraque. Paz também para a Líbia e para o Iêmen, para Mianmar e para o Afeganistão. Paz para todo o continente africano, particularmente na região do Sahel, na Etiópia, na República Democrática do Congo.

Na América Latina, a “guerra” social

Olhando para o continente americano, a oração do Papa é para que “Cristo ressuscitado acompanhe e assista as populações da América Latina, que, em alguns casos, viram piorar as suas condições sociais nestes tempos difíceis de pandemia, agravadas também por casos de criminalidade, violência, corrupção e tráfico de drogas”.

Falou também do Canadá, para que o Senhor ressuscitado acompanhe o caminho de reconciliação que a Igreja Católica no país está percorrendo com os povos autóctones.

A paz é possível!

Francisco concluiu recordando que cada guerra traz consigo consequências que envolvem toda a humanidade: do luto ao drama dos refugiados, até à crise econômica e alimentar de que já se veem os primeiros sintomas.

Cristo, todavia, nos exorta a não nos render ao mal e à violência.

“Deixemo-nos vencer pela paz de Cristo! A paz é possível, a paz é um dever, a paz é responsabilidade primária de todos!”

Fonte: Vatican News

Domingo de Páscoa: “Eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos!”

LEITURAS: At 10,34a.37-43 / Sl 117 / Cl 3,1-4 / Jo 20,1-9

A vida venceu a morte!

Os discípulos chegaram ao túmulo vazio “viram e creram”. A passagem do Evangelho de João indica os primeiros movimentos do Domingo da Ressurreição que levam os discípulos à fé na Ressurreição de Jesus.

Ainda estava escuro e Maria Madalena, que é a primeira testemunha ocular da Ressurreição, foi ao túmulo de Jesus. O texto é repleto de movimento dela e dos discípulos. O que à primeira vista parece muito simples, na verdade pode indicar um processo de crescimento dos personagens deste texto. Maria Madalena é uma discípula que vai reverenciar o seu Mestre e prestar suas homenagens. Esta mulher marginalizada torna-se a primeira anunciadora da Ressurreição. Vai correndo aos discípulos porque viu o túmulo vazio. Os discípulos, certamente tristes e desiludidos, ao ouvirem que o túmulo está vazio correm para verificar. Eles ainda não entendiam o que estava acontecendo e não acreditavam, mas veem os lençóis dobrados no chão e na cabeceira. No vazio do sepulcro começaram a perceber a presença do Ressuscitado.

Pedro tornou-se um gigante na fé e coluna da Igreja sustentada por aquele que venceu a morte. Na primeira leitura vemos como Pedro anuncia que mataram Jesus em uma cruz em Jerusalém, “mas Deus o ressuscitou no terceiro dia”. O anúncio dos Apóstolos e dos discípulos e discípulas era acompanhado pela força do Ressuscitado e fez com que multidões se tornassem seguidoras de Jesus. A forma de entrar para a família do Ressuscitado sempre foi através do batismo. Nele morremos com Cristo e ressuscitamos com Cristo. São Paulo, na segunda leitura, adverte os colossenses e todos os cristãos que é preciso pensar e buscar as coisas do alto. Isto indica que a Ressurreição de Jesus é o núcleo da fé cristã e exige um comportamento de defesa da vida, da paz que preserva a vida, do respeito mútuo que evita todo tipo de violência.

Hoje existem muitos sinais de Ressurreição apesar de tanta violência e guerra. Estes sinais indicam que a vida vence a morte. Os violentos se iludem como os poderosos se iludiram pregando Jesus numa cruz. A Páscoa se repete silenciosamente, pois a vida é mais forte do que a morte.

Frei Valmir Ramos, OFM

Sábado Santo: “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!”

LEITURAS (algumas escolhidas para reflexão): Rm 6,3-11 / Lc 24,1-12

Cristo ressuscitou, aleluia!

Depois de apresentar os momentos mais importantes da história da salvação em que Deus criou tudo por um amor infinito, a liturgia nos faz reviver a alegria da ressurreição de Jesus. De fato, desde a criação da humanidade, vemos Deus presente com os seus filhos e filhas para dar-lhes vida, para libertá-los da opressão, para garantir-lhes vida plena e para dar-lhes vitória sobre a morte.

No Domingo, as mulheres discípulas de Jesus que tinham acompanhado a sua morte vão ao túmulo para oferecer-lhe a dignidade e a honra ao Mestre que entregou a sua vida pelos seus. O perfume é um sinal de exalação da presença de uma pessoa que passou a ser usado no rito fúnebre como testemunho de respeito e amor pelo ente querido que morreu. Acontece que as mulheres não entraram no túmulo e não viram Jesus. “Dois homens com roupas brilhantes” perguntam por que estão “procurando entre os mortos aquele que está vivo?” e anunciam: “Ele não está aqui, ressuscitou!”.

São Lucas narra que as mulheres “lembraram das palavras de Jesus, voltaram do túmulo e anunciaram aos Onze e a todos os outros” que Jesus tinham ressuscitado. Os discípulos não acreditaram nelas, contudo Pedro correu ao túmulo, mas “viu apenas os lençóis” que cobriam o corpo de Jesus. Agora o túmulo está vazio e as mulheres são as primeiras testemunhas da vitória da vida sobre a morte. O testemunho delas será confirmado pelas aparições do Ressuscitado aos discípulos. Aí então todos se encherão de alegria.

A grande vitória da vida sobre a morte deixa o Domingo repleto da alegria da Páscoa cristã. A ressurreição abateu o poder da morte que Jesus venceu passando pela cruz. O testemunho de Paulo na carta aos Romanos é contundente dizendo: “sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele”. Por isso, aqueles que morrem com Cristo, viverão com Ele. Esta certeza deve encher os cristãos de
alegria como filhos e filhas amados por Deus e enviados ao mundo como testemunhas de que a vida vence a morte.

A Páscoa dos cristãos hoje deve ser repleta de alegria e, ao mesmo tempo, deve ser uma ocasião de envio ao mundo, tão ferido de morte, para testemunhar que a vida tem mais poder, é dom de Deus e precisa ser defendida com amor.

Frei Valmir Ramos, OFM