
A Diocese de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha (MG), em comunhão com a Comissão Episcopal Regional de Ecologia Integral e Mineração do Leste 2 da CNBB, celebrou o Dia Mundial da Água com um encontro marcado pela oração, reflexão e compromisso com a vida. Realizado nos dias 21 e 22 de março, o evento reuniu lideranças, comunidades e fiéis para reafirmar que a água é dom de Deus e direito fundamental de todos.

A celebração contou também com a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Abadia da Água Suja, sinal de fé, devoção e resistência do povo, fortalecendo espiritualmente a caminhada em defesa da vida e dos territórios.

A data, instituída pela Organização das Nações Unidas, convida toda a humanidade a refletir sobre a importância da preservação da água e do cuidado com esse bem essencial para a vida e para o equilíbrio dos ecossistemas. Mais do que uma celebração, o encontro reforçou um apelo urgente: cuidar da água é cuidar da vida.

No entanto, esse chamado se torna ainda mais concreto diante das ameaças que atingem o Vale do Jequitinhonha. A expansão da mineração de lítio na região, incluindo a atuação da mineradora canadense Sigma Lithium, tem gerado intensos impactos socioambientais, com risco de contaminação e esgotamento hídrico, afetando comunidades tradicionais e o ecossistema local. A extração a céu aberto provoca desmatamento, poeira, ruídos de explosões, assoreamento de rios e o desaparecimento de nascentes, agravando a já severa escassez de água na região.

Inspirados pela encíclica Laudato Si’ e pelo espírito da Fratelli Tutti, reafirmamos que tudo está interligado. A água, como bem comum, nos une na responsabilidade de promover justiça, fraternidade e solidariedade, especialmente com os mais pobres, que são os primeiros a sofrer com sua falta.

Dentro da missão da Igreja, a dimensão da Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) nos recorda que defender a água é defender a dignidade humana e a própria obra de Deus. À luz do testemunho de São Francisco de Assis, que chamava a água de “irmã”, somos convidados a cultivar uma relação de respeito, gratidão e cuidado com a Casa Comum.

Que esta celebração, fortalecida pela fé do povo e pela presença de Nossa Senhora, renove em nós o compromisso de sermos guardiões da vida, denunciando as ameaças e anunciando caminhos de cuidado, partilha e responsabilidade, para que as futuras gerações também possam experimentar este dom precioso que é a água.
Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, OFM









