Eleita nova presidência da Conferência dos Religiosos do Brasil

Ir. Eliane Cordeiro ao lado de Ir. Maria Inês – Fonte (Imagem): Site da CRB 

Marília Siqueira (Cidade do Vaticano)

No dia 21 de julho de 2022 foi eleita a nova presidenta da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) para o triênio 2022-2025, com a participação de 401 religiosas e religiosos na 26ª Assembleia Geral Eletiva. Trata-se de Ir. Eliane Cordeiro de Souza, 67 anos, Mercedária da Caridade, que substitui Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, religiosa da Congregação das Mensageiras do Amor Divino, que havia sido reeleita em 2019. O novo triênio tem por eixo norteador a centralidade em Jesus Cristo, a missionariedade e a sinodalidade. 

Irmã Eliane foi conselheira geral da congregação, provincial do Brasil e coordenadora da regional da CRB (RJ). Tem formação em gestão e orientação educacional em escolas públicas e privadas. É pós-graduada em educação popular e especializada em assessoria bíblica. Atualmente se dedica à coordenação do Centro Social Padre Zegrí: Projeto Convivência e Fortalecimento de Vínculos, que atende crianças carentes.

Após a divulgação do resultado, Irmã Eliane fez votos de que “permaneçamos no amor e na força de Deus, porque somos chamadas e chamados para amar e servir na caminhada dos pobres, vivendo os desafios da fraternidade”. E concluiu, referindo-se ao Evangelho de João 17,22: “Para que sejam um, como nós somos um”.

A centralidade da assembleia

Ressignificar a vida religiosa consagrada em uma Igreja sinodal: O convite de Jesus é para que “permaneçamos em seu amor” (cf. Jo 15,9), dentro de uma lógica de sinodalidade e profecia, o  convite para sairmos ao encontro de todos quantos se aproximarem de nós, a promovermos diálogos fecundos, a cultivarmos esperança e fraternidade onde estivermos. Estas são as diretrizes gerais da 26ª Assembleia Geral Eletiva (AGE) da CRB.

A 26ª Assembleia definiu horizonte e prioridades

Na busca de ressignificar a vida religiosa consagrada no discipulado de Jesus Cristo, em sinodalidade, missionariedade e contínua conversão, à luz da Palavra, convocadas e convocados a permanecer no seu amor, escutar e responder, com esperança, os gritos e os clamores dos tempos, para tornar visível o Reino de Deus.

Prioridades do eixo discipulado: Cultivar a vivência encarnada da Palavra de Deus como um itinerário de conversão, em atitude de escuta, discernimento e compromisso. Promover a mística do cuidado consigo, com as/os outras/os e com a casa comum, inspiradas/os na Trindade.

Prioridades do eixo sinodalidade: Viver a sinodalidade, a partir da escuta ativa e criativa, favorecendo a irmandade, humanizando e ressignificando o modo de ser, estar e agir nas comunidades, na Igreja e na sociedade. Fortalecer relações interculturais, intercongregacionais e intergeracionais, e efetivar parcerias com outros organismos eclesiais e sociais.

Prioridades do Eixo Missionariedade: Assegurar a presença profética e transformadora junto às infâncias e juventudes e às diversas formas de pobreza e vulnerabilidade nas periferias existenciais, sociais e geográficas. Assumir a ecologia integral e o bem-viver como um estilo de vida, na defesa da Casa Comum e dos povos originários.

A mensagem do cardeal da Amazônia

O arcebispo de Manaus Dom Leonardo Ultich Steiner, carinhosamente chamado pelo povo “Cardeal da Amazônia”, fez uma saudação especial aos religiosos e religiosas, congregações e institutos presentes na vida da Igreja na Amazônia,  os quais “na ousadia, perseverança e profecia seguem ao lado dos nossos povos na construção de um mundo mais justo, fraterno, solidário e comprometido com o Reino de Deus”, diz Dom Leonardo.

Como presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia da CNBB, Dom Leonardo manifestou o desejo de que a Assembleia Geral Eletiva da CRB Nacional, “seja de fato expressão de sinodalidade, experiência tão bonita que vivenciamos em toda a Amazônia e que segue ecoando e gerando frutos em nossas igrejas particulares”.

Fonte: Vatican News

Falece aos 87 anos o franciscano, Cardeal Dom Frei Cláudio Hummes, OFM

Cardeal Dom Frei Cláudio Hummes preside celebração do Pacto das Catacumbas | Foto Guilherme Cavali

O arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, comunicou o falecimento do cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero, na manhã desta segunda-feira, 4 de julho, aos 87 anos. Segundo dom Odilo, dom Cláudio Hummes “suportou com paciência e fé em Deus” a prolongada enfermidade que o vitimou. 

“Convido todos a elevarem preces a Deus em agradecimento pela vida operosa do falecido Cardeal Hummes e de sufrágio em seu favor, para que Deus o acolha e lhe dê a vida eterna, como creu e esperou. Deus acolha em suas moradas eternas nosso irmão falecido, cardeal Cláudio Hummes, e faça brilhar para ele a luz eterna”, afirmou o cardeal Odilo.

O velório será realizado na Catedral Metropolitana de São Paulo, onde serão celebradas Missas em diversos horários a serem oportunamente divulgados. A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota de pesar.  

Trajetória

O cardeal Cláudio Hummes, franciscano da Ordem dos Frades Menores, nasceu no município de Montenegro (RS), em 8 de agosto de 1934. Filho de Pedro Adão Hummes e Maria Frank Hummes, recebeu de batismo os prenomes Auri Afonso. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1º de fevereiro de 1952, onde emitiu os primeiros votos no dia 2 de fevereiro de 1953 e professou solenemente no dia 2 de fevereiro de 1956, quando então mudou seu nome para “Cláudio”.  

Foi ordenado presbítero no dia 3 de agosto de 1958. Em seguida, enviado a Roma, ali doutorou-se em filosofia na atual Universidade Antonianum, em 1963. Também especializou-se em Ecumenismo pelo Instituto Ecumênico de Bossey, de Genebra, Suíça.  

De volta ao Brasil, foi professor de filosofia na Escola de Filosofia da O.F.M. e na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (RS). De 1968 a 1972, foi diretor da Faculdade de Filosofia de Viamão (RS). De 1972 a 1975, foi Superior Provincial dos Franciscanos. 

Em 22 de março de 1975, foi eleito bispo coadjutor de Santo André (SP), com direito à sucessão. Em 25 de maio de 1975, aos 40 anos de idade, recebeu a ordenação episcopal, na Catedral de Porto Alegre (RS), sendo sagrante principal o cardeal Aloísio Lorscheider. No mesmo ano, assumiu como bispo titular e ali permaneceu por 21 anos.  

Em 29 de maio de 1996, foi nomeado arcebispo de Fortaleza (CE) e, em 15 de abril de 1998, foi transferido para a Sé de São Paulo, tomando posse em 23 de maio. Em 2001, foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II, permanecendo ainda como arcebispo de São Paulo até 2006, quando então foi chamado para Roma para ocupar o cargo de Prefeito da Congregação para o Clero, onde permaneceu até ser substituído por limite de idade, no final de 2010. 

Novamente de volta ao Brasil, foi nomeado presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cargo que exerceu até março de 2022. Em 2014, ajudou a criar a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), da qual foi o primeiro presidente. Foi relator-geral do Sínodo para a Amazônia, em 2019, e, de julho de 2020 a março de 2022, presidiu a recém-criada Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama). 

Entre 1979 e 1983, dom Cláudio Hummes foi membro da Comissão Episcopal da CNBB para o Ecumenismo e para os Leigos. Assessorou a Pastoral Operária de 1979 a 1990. Na década de 1990, foi membro da Comissão Episcopal da CNBB para a Família e a Cultura, ele foi um dos responsáveis por organizar o II Encontro Mundial das Famílias com o Papa João Paulo II, no Rio de Janeiro, em 1997. Ele também abençoou o terreno e deu início às obras da Secretaria Executiva Nacional da Pastoral Familiar (Secren), em Brasília (DF). 

Mais recentemente, foi legado pontifício do Papa Francisco para o XVII Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Belém, em 2016. Em 2019, foi relator da Assembleia Especial dos Bispos para a Região Pan-Amazônica.  

Foi o ordenante principal das sagrações episcopais de 20 bispos. 

O cardeal presidiu a celebração, em outubro de 2019, que reeditou o Pacto das Catacumbas, na catacumba de Santa Domitilia, em Roma. Trata-se de um ato, cujo um dos organizadores foi dom Hélder Câmara, realizado às vésperas da conclusão do Concílio Vaticano II, em 1965. Dom Hélder foi um dos redatores do documento assinado por cerca de 40 bispos latino-americanos à época. Em 2019, durante o Sínodo para a Amazônia, recebeu o nome “Pacto das Catacumbas pela Casa Comum” e foi organizado por dom Erwin Kräutler, e reafirmou a opção pelos pobres assumida pelos prelados da América Latina.

No Vaticano  

Foi membro da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e da Congregação para os Bispos. E também dos Pontifícios Conselhos para a Cultura, para os Leigos, para a Família, para o Diálogo Inter-Religioso, Cor Unum, da Pontifícia Comissão para a América Latina e do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos. 

Conclaves 

Em 2005, por ocasião do Conclave que elegeria Bento XVI à Cátedra de Pedro, o cardeal Cláudio Hummes disse que o futuro Papa deveria preocupar-se com três coisas: a discussão das novidades da ciência na área da bioética e da biogenética; a ampliação do diálogo inter-religioso e a pobreza no mundo.  

Em 2007, esteve próximo do cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio quando este foi o relator do documento conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida. Para dom Cláudio, Bergoglio “foi um dos mais importantes atores” daquela conferência e “deixou muito dele mesmo, da sua experiência e da sua visão de evangelização” no Documento de Aparecida, cujas reflexões “através desse Papa é universalizado para a Igreja inteira”. 

A relação de amizade com Bergoglio também deu origem a uma curiosidade em relação à escolha do nome pontifício, em 2013. Quando a contagem dos votos indicava a eleição de Bergoglio para a sucessão papal, dom Cláudio Hummes soprou aos ouvidos do cardeal argentino: “Não se esqueça dos pobres”. Com esse recado, Bergoglio, simbolicamente, mesmo sendo jesuíta, escolheu o nome Francisco, pela primeira vez na história da Igreja. 


Nota de pesar pelo falecimento do Cardeal Cláudio Hummes 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) une-se em solidariedade aos familiares, à arquidiocese de São Paulo, aos Franciscanos e aos amigos do cardeal Cláudio Hummes, falecido nesta segunda-feira, 4 de julho de 2022. E manifesta o pesar pela Páscoa deste irmão, renovando a confiança na ressurreição.  

Cardeal Cláudio Hummes marcou a Igreja no Brasil com sua atuação, de forma particular durante o ministério episcopal, que soma quase cinco décadas. Foi bispo coadjutor e bispo titular de Santo André, em São Paulo, e arcebispo das arquidioceses de Fortaleza, no Ceará, e de São Paulo.  

Desde o início do seu ministério episcopal, contribuiu na missão desta Conferência Episcopal nas dimensões do Ecumenismo, dos leigos, da família, da cultura e, mais recentemente na realidade da Amazônia. Também atuou por vários anos à frente da Pastoral Operária. 

Toda a dedicação de dom Cláudio à ação pastoral no Brasil o fez ser chamado para o cardinalato e para colaborar na Cúria Romana, tanto em Assembleias Sinodais, quanto nas diversas Congregações das quais foi membro e, de forma especial, na Congregação para o Clero, da qual foi prefeito entre 2006 e 2010. 

A CNBB recorda o que foi destacado pelo Papa Bento XVI, quando dom Cláudio renunciou a função à frente da Congregação para o Clero, por limite de idade. O pontífice agradeceu pelo “bem realizado no longo e fiel serviço à Igreja” e salientou que Hummes dedicou “incansavelmente, com alegria e competência, toda tua energia pela causa do Reino de Deus”. Resta parafrasear o hoje Papa Emérito, pois assim o fez dom Cláudio até aqui.  

Nos últimos anos, o seu empenho permitiu novo impulso à presença da Igreja na Amazônia, ao favorecer, por meio da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), maior articulação, escuta às dores e alegrias dos povos e o protagonismo das comunidades. Esse caminho foi coroado com o Sínodo para Amazônia e a publicação da exortação apostólica Querida Amazônia. A criação da Conferência Eclesial da Amazônia, da qual dom Cláudio esteve à frente até quando sua saúde permitiu, também revela o esforço para realizar os sonhos apontados pelo Papa Francisco para a região amazônica.  

Roguemos a Deus que acolha o eminentíssimo cardeal Cláudio Hummes em seu Reino e lhe dê o descanso eterno. Possamos imitar seu testemunho de comprometimento com a causa do Reino, com a comunhão eclesial e com o cuidado com os pobres e com a casa comum.

Em Cristo, 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
1º Vice-presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
2º Vice-presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral

Fonte: CNBB

Morre, em Belo Horizonte/MG, o Pe. Johan Konings, um dos tradutores da versão oficial da Bíblia lançada pela CNBB

Faleceu neste sábado, 21 de maio, às 16h, em Belo Horizonte (MG), em decorrência de um aneurisma cerebral, o padre jesuíta Johan Konings, filósofo, filólogo e doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina (Bélgica). Ele era professor titular da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE e autor de vários livros. Padre Johan encontrava-se internado, desde ontem, no hospital Madre Tereza, na capital mineira.

O velório será realizado no domingo, 22, a partir das 8 horas, no auditório Dom Luciano Mendes de Almeida, da FAJE (Av. Dr. Cristiano Guimarães, 2127, bairro Planalto, Belo Horizonte). Às 13 horas, haverá um momento de oração e, às 15 horas, celebração da Eucaristia. O sepultamento será no Cemitério Parque Bosque da Esperança, às 16:30.

O trabalho de tradução, que levou 11 anos, foi oficialmente lançado no dia 21 de novembro de 2018, durante a reunião do Conselho Permanente da CNBB, em Brasília (DF).Natural da Bélgica e radicado no Brasil desde 1972, padre Johan Konings foi membro da equipe, composta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se dedicou à coordenação de Tradução e Revisão oficial da Bíblia que é referência para a Igreja no Brasil.

Padre Johan Konings, o segundo da dir. para a esq., participa do lançamento da Bíblia traduzida pela CNBB em 21 de novembro de 2018, na sede da entidade em Brasília-DF | Fotos: Ascom CNBB

Ele também participou como perito na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em Roma, em 2008, com o tema “A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja”.

O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, padre Jânison de Sá  afirmou que a Igreja do Brasil perde um grande biblista no dia de hoje. De acordo com o assessor da CNBB, padre Johan Konings era um apaixonado pela Palavra de Deus e se dedicou ao estudo da Bíblia procurando contagiar seus alunos no estudo e aprofundamento da Palavra e também nas assessorias e formações que realizava.

“Padre Johan Konings era um apaixonado pela Palavra de Deus e se dedicou ao estudo da Bíblia procurando contagiar seus alunos no estudo e aprofundamento da Palavra”, padre Jânison.

Padre Jânison destaca ainda que o professor trabalhou incansavelmente na tradução da Bíblia para a CNBB, buscando uma linguagem litúrgico-catequética acessível aos catequistas, catequizandos e a todo o povo de Deus. “Esta missão ele assumiu ainda no final dos anos noventa. Somos gratos ao padre Konings por uma vida doada a serviço da Palavra na ação evangelizadora de nossa Igreja”, expressou o assessor da CNBB.

Johan Konings folheando, pela primeira vez, a edição da Bíblia da CNBB na qual trabalhou incansavelmente na tradução | Foto: Ascom CNBB

Uma vida dedicada à Palavra

Nascido na Bélgica em 1941, possui licenciatura em Filosofia (1961) e Filologia Bíblica (1967). Doutorou-se em Teologia (1977), pela Katholieke Universiteit Leuven. Depois de sua chegada ao Brasil, em 1972, lecionou, no campo da Teologia e da Exegese Bíblica, em Porto Alegre (PUCRS) e no Rio de Janeiro (PUCRJ), até tornar-se, desde 1986, professor de Novo Testamento na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) em Belo Horizonte-MG, que em 2011 lhe conferiu o título de Professor Emérito.

Dedicou-se principalmente à exegese dos Evangelhos, especialmente ao de João, e à hermenêutica e tradução da Bíblia. Foi organizador da Tradução Ecumênica da Bíblia (1994) e da tradução do Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral (Denzinger-Hünermann), primeira edição (2007) e segunda edição atualizada em 2013. Era membro da Society of New Testament Studies (SNTS) e da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB).

Fonte: CNBB

Caderno “Encantar a Política” oferece reflexões sobre a política como expressão da caridade em vista das eleições 2022

Um conjunto de organismos da Igreja no Brasil, entre os quais as Comissões Episcopais Pastorais para o Laicato e para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançaram o caderno “Encantar a Política”.

O projeto retoma questões centrais das encíclicas do Papa Francisco – Laudato SíFratelli Tutti e da exortação pós-sinodal Evangelii Gaudium, que tratam, entre outros temas, da alegria do Evangelho, do cuidado com a casa comum (meio ambiente) e abordam a Política como decorrência ética do mandamento do amor.

A publicação está organizada em cinco capítulos: a) A universalidade do Amor Cristão; b) A amizade social e a ética na política; c) As grandes causas do Evangelho; d) Cuidar da Casa Comum; e d) 2022 – Eleições e Democracia.



Cidadania eclesial e civil

Na apresentação da publicação, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirma que a publicação é fruto de uma oferta que marca o sentido do protagonismo dos cristãos leigos e leigas, pela propriedade de sua cidadania eclesial, qualificando e contribuindo com a sua cidadania civil.

Trata-se, segundo o presidente da CNBB, de mais uma possibilidade formativa enquanto contribuição importante no âmbito da educação política cidadã, pela verdade na política, reunindo densas lições de nosso amado Papa Francisco, para inspirar estudos, reflexões e atitudes que tenham no horizonte este propósito: ajudar cada pessoa a se reconhecer importante, essencial, na edificação de um mundo com as feições do Reino de Deus, todos à procura dele em plenitude.

O presidente da CNBB defende que “nenhum cristão pode permanecer alheio à tarefa de contribuir para que  a sociedade se torne mais justa, solidária e fraterna: é compromisso de fé dedicar atenção à política, buscando resgatar a sua nobre vocação – singular expressão da caridade”.

A quem se destina

O caderno “Encantar a Política” é fruto do trabalho de uma rede de organizações, serviços, pastorais sociais e organismos da Igreja, Rede Brasileira de Fé e Política, e quer abrir os horizontes da Boa Política para mais gente da Igreja.

É voltado especialmente a pessoas atuantes nas comunidades e paróquias, como animadoras e animadores de celebrações, catequistas, ministras e ministros da Palavra, participantes de grupos e movimentos, e agentes de pastoral em geral.

Fonte: CNBB

15 anos de Aparecida: um Documento que conserva toda sua validade

Celebração presidida por Bento XVI em Aparecida em maio de 2007

Padre Modino (CELAM)

Aparecida, um documento que permanece vivo nas ações do Papa Francisco, um documento atual, surgido de uma Conferência celebrada aos pés da Padroeira do Brasil de 13 a 31 de maio de 2007, com 266 participantes. Disso está sendo feito memória nos dias 12 e 13 de maio de 2022 no mesmo local, algo que tem começado coma inauguração de um Espaço Memorial e a reza do terço, lembrando o presidido pelo Papa Bento XVI 15 anos atrás.

O Espaço Memorial é uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Santuário Nacional, que lembra as conferências realizadas pelo Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), com livros, fotos, paramentos e outros objetos. A inauguração esteve presidida por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, que após a acolhida do reitor do Santuário Nacional, que insistiu em ver Aparecida como a Casa da Mãe, mostrou sua alegria diante deste importantíssimo evento.

Dom Walmor insistiu em que esse espaço memória não faz referência unicamente ao passado, e sim algo que mostra “a força espiritual e missionária da Conferência de Aparecida e o Documento de Aparecida”, destacando que mesmo sem aparecer o termo, no Documento de Aparecida “nós encontramos um programa de sinodalidade da mais alta qualidade, da mais alta pertinência”.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O rezo do Terço foi presidido pelo cardeal Odilo Scherer, contando com a presença de bispos, os mais de 500 presbíteros que estão participando do seu 18º Encontro Nacional, a Vida Religiosa e leigos e leigas. Juntos meditaram os mistérios do Santo Rosário, sendo rezados por diferentes pessoas, tudo intercalado com cantos, textos bíblicos e do Documento de Aparecida, e reflexões do Arcebispo de São Paulo que foi atualizando esta devoção secular à luz daquilo que hoje o mundo vive.

O cardeal Scherer afirmou que “a nós é pedido que nos renovemos no fervor missionário”, o que se concretiza no anuncio com alegria de uma Palavra que precisa ser testemunhada. O purpurado também fez um chamado à paz frente a uma violência que “acaba sendo uma grande injustiça para as pessoas”, que na guerra gera fome e sofrimento. Isso o fez mostrar a necessidade de “nós cuidar para que este mundo seja cada vez mais sadio, com menos sofrimentos”, chamado a ser testemunhas da caridade, da compaixão, da misericórdia de Deus.

No final da oração do terço, Dom Miguel Cabrejos fez uma leitura de uma mensagem onde ele descreveu os 15 anos desde Aparecida como um tempo de impulso missionário. O presidente do Celam disse ver o Documento de Aparecida, citando as palavras do Papa Francisco, como algo que “nasceu precisamente desta tecelagem entre o trabalho dos Pastores e a simples fé dos peregrinos, sob a proteção materna de Maria”.

Dom Miguel Cabrejos

Aparecida foi “um autêntico Kairos que gerou um profundo impulso missionário”, segundo o presidente do episcopado peruano, que destacou a dimensão missionária como um dos eixos norteadores de Aparecida, a partir do método de ver-julgar-atuar, e a opção preferencial pelos pobres e pelo cuidado da Criação. A partir daí ele afirmou que “a Igreja precisa de um choque forte que a impeça de se acomodar no conforto, estagnação e tibieza, às margens do sofrimento dos pobres do continente”.

Em suas palavras, ele se referiu à conversão pastoral e outros aspectos da V Conferência Geral do Celam, tais como ser discípulos missionários e assumir a Missão Permanente como uma tarefa impagável. Juntamente com isto, ele o relacionou com o atual processo sinodal e a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, chamando a “reafirmar nossa identidade de discípulos missionários, a ser uma Igreja em saída, sinodal e misericordiosa”, algo que leva a “fortalecer a missão, a comunhão eclesial, a colegialidade e a sinodalidade”.

Hoje, Aparecida produz “uma grande esperança, um espírito de profecia, de grande compromisso, porque ainda há desafios a serem enfrentados e outros que se abrem”, algo motivado pelo contexto histórico, segundo Dom Miguel Cabrejos. O prelado destacou que Aparecida promove o conceito do povo de Deus, que somos todos Igreja, assim como a interculturalidade, o cuidado com a casa comum e a ecologia integral. Neste sentido, ele disse não ter dúvidas de que Aparecida inspirou os quatro sonhos da Querida Amazônia: social, cultural, ecológico e eclesial.

Uma riqueza reunida em Aparecida, que, segundo Dom Miguel Cabrejos, nos abre para entender que “toda evangelização deve ser um processo, as obras pastorais devem ser um processo, não eventos que são organizados, terminados e pronto”. Tudo isso olhando para o futuro, para o evento de Guadalupano de 2031 e para o ano da Redenção em 2033, caminhando sinodalmente, algo já presente na vida das primeiras comunidades cristãs.

Aparecida se entende a partir da decisão pessoal do Papa Bento XVI na escolha do lugar, segundo Dom Jaime Spengler, que vê no Santuário Nacional “um lugar todo especial na história também do nosso povo. Aparecida é a referência para muitos de nosso povo, a casa da mãe”. Segundo o vice-presidente primeiro da CNBB, “na casa da mãe, a gente fala livremente, na casa da mãe, nós verdadeiramente nos sentimos em casa”, algo experimentado pelos bispos participantes da V Conferência do Celam.

Dom Jaime Spengler

O arcebispo de Porto Alegre insistiu em que “foi esse sentir-se em casa, na casa da mãe, com os irmãos e irmãs que frequentam o santuário que, por assim dizer forjou a beleza, a grandeza desse documento que marca, não só a história da Igreja latino-americana, mas que também de alguma forma delineou o próprio pontificado do Papa Francisco”.

Aparecida mantem a sua atualidade, segundo o cardeal Odilo Scherer, “embora depois de Aparecida até nossos dias já tem surgido muitas outras questões que não estão contempladas suficientemente no Documento de Aparecida e necessitam de novas declarações, novas posturas, enfim nova reflexão da Igreja”.

Cardeal Odilo Scherer

Ele destaca que “as questões essenciais do Documento de Aparecida conservam toda sua validade”. O vice-presidente primeiro do Celam vê como questão de fundo, “o renovado encontro com Jesus Cristo para uma fé viva, profunda e verdadeira”. Junto com isso, “a necessidade de renovar a Igreja a partir de uma renovação missionária, a Igreja precisa se renovar na missão”, algo sempre atual, com toda sua validade, assim como “aquela atenção que Aparecida pediu aos pobres, pediu para a juventude, se mostra totalmente atual”.

O purpurado destacou também a atualidade da “presença da Igreja no meio dos nossos povos, que é histórica”, uma presença que “precisa ser aprofundada, precisa ser renovada e cultivada, de maneira que através sobretudo de uma renovada presença laical no meio da sociedade, a Igreja, o evangelho, possa chegar a todos os âmbitos da vida social, da vida cultural, da vida pública, da vida política, econômica e assim por diante”, para que esses povos possam ter “vida abundante em Jesus Cristo”.

Fonte: Vatican News

Mensagem ao Povo Brasileiro: fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil

A 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou a tradicional Mensagem ao Povo Brasileiro. O texto apresenta “uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil”. Os bispos lembraram da solidariedade para a superação da pandemia, agradeceram às famílias e agentes educativos pelo cuidado no campo da educação e dedicaram reflexões sobre a realidade do país, cujo quadro atual “é gravíssimo”. Para os bispos, “o Brasil não vai bem!”.

Diante da complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, a CNBB espera que os governantes “promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988”.

A mensagem também aborda o processo eleitoral deste ano, envolto “de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança”. Também chama atenção para as ameaças ao pleito, além de reforçar um apelo pela democracia brasileira.

“Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve”

Ao final do texto, os bispos convidam a todos, particularmente a juventude, “a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna”.

Confira o texto na íntegra:


– Nº. 0099/22

MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO

59ª. Assembleia Geral da CNBB

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

Guiados pelo Espírito Santo e impulsionados pela Ressurreição do Senhor, unidos ao Papa Francisco, nós, bispos católicos, em comunhão e unidade, reunidos para a primeira etapa da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de modo on-line e com a representação de diversos organismos eclesiais, dirigimos ao povo brasileiro uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil.

Enche o nosso coração de alegria perceber a explosão de solidariedade, que tem marcado todo o País na luta pela superação do flagelo sanitário e social da COVID-19. A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidárias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes. O Sistema Único de Saúde-SUS mostrou sua fundamental importância e eficácia para a proteção social dos brasileiros. A consciência lúcida da necessidade dos cuidados sanitários e da vacinação em massa venceu a negação de soluções apresentadas pela ciência. Contudo, não nos esquecemos da morte de mais de 660.000 pessoas e nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, trazendo ambas em nossas preces.

Agradecemos ainda, de modo particular às famílias e outros agentes educativos, que não se descuidaram da educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos, apesar de todas as dificuldades. Com certeza, a pandemia teria consequências ainda mais devastadoras, se não fosse a atuação das famílias, educadores e pessoas de boa vontade, espírito solidário e abnegado. A Campanha da Fraternidade 2022 nos interpela a continuar a luta pela educação integral, inclusiva e de qualidade.

A grave crise sanitária encontrou o nosso País envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. A COVID-19, antes de ser responsável, acentuou todas essas crises, potencializando-as, especialmente na vida dos mais pobres e marginalizados.

O quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o País, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, os criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum. Num sistema voraz de “exploração e degradação” notam-se a dilapidação dos ecossistemas, o desrespeito com os direitos dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, a perseguição e criminalização de líderes socioambientais, a precarização das ações de combate aos crimes contra o meio ambiente e projetos parlamentares desastrosos contra a casa comum.

Tudo isso desemboca numa violência latente, explícita e crescente em nossa sociedade. A crueldade das guerras, que assistimos pelos meios de comunicação, pode nos deixar anestesiados e desapercebidos do clima de tensão e violência em que vivemos no campo e nas cidades. A liberação e o avanço da mineração em terras indígenas e em outros territórios, a flexibilização da posse e do porte de armas, a legalização do jogo de azar, o feminicídio e a repulsa aos pobres, não contribuem para a civilização do amor e ferem a fraternidade universal.

Diante deste cenário esperamos que os governantes promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988, já tão desfigurada por meio de Projetos de Emendas Constitucionais. Não se permita a perda de direitos dos trabalhadores e dos pobres, grande maioria da população brasileira. A lógica do confronto que ameaça o estado democrático de direito e suas instituições, transforma adversários em inimigos, desmonta conquistas e direitos consolidados, fomenta o ódio nas redes sociais, deteriora o tecido social e desvia o foco dos desafios fundamentais a serem enfrentados.

Nesse contexto, iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança. Nossas escolhas para o Executivo e o Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos. Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a “boa política”, como nos diz o Papa Francisco. Necessitamos de uma política salutar, que não se submeta à economia, mas seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, como as conquistas da Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar 135 de 2010, que afasta do pleito eleitoral candidatos condenados em decisões colegiadas, e da Lei 9.840 de 1999, que criminaliza a compra de votos. Não existe alternativa no campo democrático fora da política com a ativa participação no processo eleitoral.

Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro. Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em garantir a transparência e a integridade das eleições.

Duas ameaças merecem atenção especial. A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo. A autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental. A segunda é a disseminação das fake news, que através da mentira e do ódio, falseia a realidade. Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco.

Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve. Todos os cristãos somos chamados a preocuparmo-nos com a construção de um mundo melhor, por meio do diálogo e da cultura do encontro, na luta pela justiça e pela paz.

Agradecemos os muitos gestos de solidariedade de nossas comunidades, por ocasião da pandemia e dos desastres ambientais. Encorajamos as organizações e os movimentos sociais a continuarem se unindo em mutirão pela vida, especialmente por terra, teto e trabalho. Convidamos a todos, irmãos e irmãs, particularmente a juventude, a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, obtenha de Deus as bênçãos para todos nós.

Brasília – DF, 29 de abril de 2022

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente 

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral 


Fonte: CNBB

Coletiva da 59ª Assembleia Geral: Dom Edmar Peron partilha processo de tradução da 3ª edição do Missal Romano

A tradução da terceira edição típica do Missal Romano para o português foi um dos temas da entrevista coletiva deste segundo dia da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O bispo de Paranaguá (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, dom Edmar Peron, falou aos jornalistas sobre o trabalho da Comissão para a Tradução dos Textos Litúrgicos (Cetel) para oferecer à Igreja no Brasil a versão em Português da última edição do “livro que garante a unidade entre o que a Igreja celebra e crê”. A tarefa da Cetel, segundo o bispo, conta com uma dupla fidelidade na tradução: “ao latim e à língua portuguesa”.

“O Missal garante a unidade porque o celebrar é justamente expressar a fé que nós meditamos continuamente. Ele é o livro que, favorecendo a boa celebração, também favorece a participação ativa, consciente e frutuosa das pessoas”, disse dom Edmar aos jornalistas.

De acordo com o bispo, a terceira edição do Missal Romano tem como referência São João Paulo II, que, ainda como Papa, reuniu o conteúdo que havia sido publicado e determinado desde o pontificado de Paulo VI e o enviou para todas as conferências episcopais, com o objetivo de que fossem traduzidas para as próprias línguas.

“Às vezes imaginamos como se ele fosse um livro de regras, mas muito pelo contrário: as celebrações ficam livres por causa do missal. É um livro que vai ensinar todo mundo a rezar, por que o centro dele é a Oração Eucarística. Ele é um livro, algo concreto, com orações, textos a serem cantados, gestos a serem realizados, para manter a unidade da fé e favorecer a participação”, destacou.

Para que a tradução do latim para o português fosse possível, a Igreja no Brasil contou com a colaboração de especialistas da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel), de modo a não ferir nenhuma das duas línguas, descobrindo as palavras mais adequadas para ajudar e melhorar a maneira de celebrar e de rezar.

“Nesta etapa da Assembleia, os bispos estão sendo consultados sobre as Orações Eucarísticas e, em agosto, na etapa presencial, será realizada a votação. Em seguida, todo o material será enviado para Roma, para que seja aprovado ou não. O que nós tivermos mudado, por exemplo, se acrescentamos um gesto, precisará estar no consentimento de Roma. Então: o que foi modificado precisa de um consentimento, e o que foi traduzido precisa ser confirmado”, esclareceu dom Edmar.

Segundo o prelado, “o missal, assim como a Bíblia, precisa ser meditado, ou seja, o que está escrito precisa ser acolhido. A grande mudança nesta terceira edição é a linguagem, que é mais atual. Nós estamos todos ansiosos para que este processo pós agosto seja o mais rápido possível. Eu ficaria contente se para o Tríduo Pascal do próximo ano nós tivéssemos o Missal em sua terceira edição”, projetou.

O tema está em pauta neste início da tarde. Dom Edmar apresenta aos bispos o trabalho realizado pela Cetel em trecho aberto da Assembleia. Acompanhe:

Fonte: CNBB

Aberta a 59ª Assembleia Geral da CNBB: Relevante experiência sinodal à luz de Aparecida

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou, nesta manhã, a primeira etapa de sua 59ª Assembleia Geral, de forma virtual. Mais de 300 bispos estão conectados via plataforma Zoom para o encontro. O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, abriu a assembleia situando o encontro no horizonte celebrativo dos 70 anos de criação da Conferência Episcopal e dos 15 anos da Conferência de Aparecida, além do processo sinodal vivido pela Igreja.

“Deus nos concede a graça de participar dessa relevante experiência sinodal que é a Assembleia Geral da CNBB”, afirmou dom Walmor.

O presidente da CNBB destacou o tema central do encontro deste ano: “Igreja Sinodal – Comunhão, Participação e Missão”, para “resgatar aquilo de mais genuíno e forte que é a identidade missionária da nossa Igreja”. Tal reflexão será feita, segundo dom Walmor, “retomando sempre o horizonte inspirador e interpelante do documento de Aparecida nesses 15 anos da celebração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho”.

E destacou o número 13 do texto: “[…] encontramo-nos diante do desafio de revitalizarmos o nosso modo de ser católico e nossas opções pessoais pelo Senhor, para que a fé cristã se enraíze mais profundamente no coração das pessoas e dos povos latino-americanos“.

“A nossa pauta da etapa virtual da 59ª Assembleia Geral Ordinária da CNBB, portanto,  já emoldura bem o caminho evangelizador que estamos percorrendo como Igreja, esperançosamente pascal, com riquezas grandes e um corajoso enfrentamento dos desafios vividos neste tempo e da complexa realidade contemporânea”, disse dom Walmor Oliveira.

Para o presidente da CNBB, participar da Assembleia Geral é para o episcopado “uma experiência importante e bonita de reavivar o dom da graça recebido”.

Comunhão e discernimento fecundo

O núncio apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro, também uma mensagem ao episcopado no início da assembleia. O prelado comunicou, inicialmente, a saudação do Papa Francisco, e destacou o compromisso do episcopado e de toda a Igreja no Brasil com a evangelização e com a renovação “seguindo o convite do Papa”.

“Desejo, antes de tudo, transmitir a saudação do Santo Padre Francisco, sua oração e seu desejo de que essa 59ª sessão da Assembleia Geral da CNBB, com a graça do Senhor, seja um momento de comunhão e de discernimento fecundo para a vida da Igreja no Brasil e para a sociedade brasileira em seu conjunto”, disse o núncio apostólico, que renovou a “expressão do amor e da proximidade do Papa Francisco”.

O representante do Papa no país também recordou os compromissos da sociedade brasileira neste ano como “motivos de atenção nacional e internacional”. Falou ainda da retomada das atividades eclesiais e comunitárias com a redução dos números da pandemia, destacando as visitas Ad Limina dos bispos à Santa Sé, o Congresso Eucarístico Nacional e o Ano Vocacional.

Núncio apostólico no Brasil, Dom Giambatistta Diquattro

Nesta etapa virtual da 59ª Assembleia Geral da CNBB serão tratados os assuntos que exigem dos bispos reflexão e discernimento. As votações e outras temáticas específicas serão tratadas na etapa presencial, em agosto. 

Fonte: CNBB

SAV da Família Franciscana oferece formação da CF 2022 em Bate-Papo Vocacional

A realidade vocacional é sempre desafiante e complexa em qualquer tempo e espaço. Para tanto, o SAV (Serviço de Animação Vocacional) se desdobra para bem atender e tratar de modo personalizado cada realidade vocacional que chega. Deus continua chamando e envia seus filhos para serem cuidados e lapidados conforme sua Palavra. Nessa perspectiva, o Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Família Franciscana ofereceu neste sábado (05) uma formação sobre a Campanha da Fraternidade deste ano para seus membros e seus jovens, moças e rapazes, assistidos.   

Fruto de dois anos atrás, as atividades relacionadas ao serviço entre a nossa Custódia (OFM) junto com as Irmãs de Congregações de carisma franciscano tem dado muito certo. Experiência bastante enriquecedora e frutífera na qual os vocacionados e vocacionadas das entidades são chamadas(os) e motivadas(os) a vivenciarem a comunhão entre si, e também uma relação interpessoal que os humanizam dentro dos objetivos da formação.

O evento aconteceu via online, através do Google Meet. Iniciou-se com orações preparada pelo coordenador do SAV, Frei Eduardo Augusto Schiehl, OFM, que em seguida convidou os participantes a se apresentarem. Para refletirem juntos sobre a temática, foi convidada para assessorar e apresentada pelo Frei, a ilustre jovem Mailla Oliveira, natural e residente de Ribeirão Preto/SP, Jufrista (pertencente a Fraternidade da Juventude Franciscana) e também trabalha como assessora de Pastoral no Colégio Salesiano.

A Campanha da Fraternidade traz como tema: “Fraternidade e Educação” e seu lema: “Fala com Sabedoria, Ensina com Amor” extraído do livro dos Provérbios 31, 26. O documento (texto-base oferecido pela CNBB para compreender o assunto), nos disse a assessora: “convida a todos a ver a realidade da educação em diversos âmbitos, iluminá-la com a Palavra de Deus, encontrando e redescobrindo meios eficazes que favoreçam processos mais adequados e criativos afim de que ninguém seja excluído de um caminho educativo integral que humanize, promova a vida e estabeleça relações de proximidade, justiça e paz”. Ela continuou dizendo que “A realidade da educação é de grande escassez, exemplos básico é a realidade entre os alunos de escolas privadas e de escolas públicas. Esse último que se encontra em sua maioria no alfabetismo funcional. São aprovados a cada ano que se passa, mas muitos não conseguem ler, formar palavras ou até mesmo conhecem cada letra, mas não leem se não foi por meio de decoração”.

Além do mais, Mailla refletia que o texto-base da CF é muito prático e objetivo, trazendo a realidade nos seus exemplos e buscando orientar a sociedade para uma grande reflexão sobre o assunto. Ela sustentou sua fala colocando a “importância da educação ser sustentada nas mais diversas esferas e entidades responsáveis: família, escola, comunidade, sociedade e etc”. Refletiu também que “é um trabalho de formiguinha na qual todos unidos chegarão ao pote de doce mais facilmente”, ou seja, que a unidade, a comunhão entre a sociedade é mais fácil chegar ao objetivo principal, que nesse caso é a educação de qualidade para todos. A assessora também fez uma menção importantíssima de um provérbio africano que ajuda a refletir esse conteúdo sobre a educação: “É preciso uma aldeia para Educar uma Criança”, isto é, toda uma comunidade bem educada, educarão seus filhos e filhas. Qualquer pessoa que já tenha tido a responsabilidade de criar e/ou educar uma criança, por certo concordará que esse é um dos trabalhos mais difíceis, cansativos e desafiantes que se pode ter. Seja essa uma responsabilidade dos pais, avós, tutores, educadores, etc, a verdade é que a educação de uma criança dificilmente poderá ser desempenhada apenas por uma pessoa.

Eis os desafios, as complexidades e trabalhos a serem feitos. Uma reflexão e estudos profundos são necessários para um desenvolvimento coerente, justo e de imediato. Isso são compromissos que mexem em todas as esferas da sociedade, para tanto, uma consciência plena e empatia com o outro são necessários.

Com alegria, findou-se o encontro de formação no qual alguns participantes deram suas colaborações, ajudando a engrandecer a abordagem da temática, bem como houve perguntas e dúvidas que foram refletidas com a parceria de todos.

Que o Senhor nos dê a paz e faça brilhar nas mentes humanas para, com sabedoria, aprendermos a ser educados na escola da vida, no respeito, na solidariedade, na mútua ajuda e empatia para com o próximo.

PAZ e BEM!

Pelo Serviço do SAV e Comunicação,
Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM

Quarta-Feira de Cinzas: “E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa!”

LEITURAS: Jl 2,12-18 / Sl 50 / 2Cor 5,20-6,2 / Mt 6,1-6.16-18

Com a celebração das cinzas a Igreja católica propõe um caminho de conversão em preparação à celebração mais importante do cristianismo: a Páscoa. No Domingo de Páscoa Jesus ressuscitou vencendo a morte e o pecado e dando vida à toda a humanidade. Desta celebração nasceram todas as outras a partir da Páscoa dominical.

O caminho de conversão deve ser feito buscando sempre mais o próprio Deus, pois converter-se significa retornar a Deus para fazer a sua vontade e não a nossa. Significa deixar o pecado e abraçar o projeto do Reino e a misericórdia de Deus.

No Evangelho desta quarta-feira de cinzas Jesus ensina que praticar a justiça significa praticar as boas obras que tornam a pessoa justa aos olhos de Deus. São obras que revelam o amor ao próximo realizado de modo concreto, o modo honesto de viver e trabalhar. Por isso, deve ser silenciosa, ninguém precisa ficar sabendo, pois Deus mesmo “vê” nossas ações.

Também ensina que a oração, que nos aproxima de Deus e nos mantém em diálogo com Ele, deve ser feita de modo humilde diante de Deus e das pessoas, deve ser muito mais com o coração do que com os lábios, cheia de confiança na bondade de Deus, pedindo sobretudo pela vinda do seu Reino e colocando-se à disposição para ajudá-lo na sua construção. Então não é uma oração egoísta e intimista que olha só para mim mesmo e para meus interesses, mas é aberta para concretizar o amor ao próximo.

Durante o caminho de conversão, o cristão é convidado a fazer penitência que, na prática, significa fazer crescer o amor ao próximo. Um modo de fazer penitência é o jejum, que não significa deixar tudo para comer à noite ou amanhã. O jejum cristão precisa ser solidário, precisa ser na linha da partilha, do amor àqueles que não têm alimentos suficientes ou oportunidades para desenvolver-se plenamente como filhos e filhas de Deus.

O Papa Francisco nos pediu para rezarmos e fazermos jejum suplicando a Deus pela paz no mundo, especialmente nos países em guerra e conflitos que destroem e matam inocentes.


Campanha da Fraternidade 2022 e o Franciscanismo

O tema da CF deste ano chama a atenção para o mundo educacional que tem a missão de formar pessoas mais humanas e justas, capazes de viver em paz. O texto base diz por exemplo no n. 240: “Para educar para o Humanismo Solidário e construir a Civilização do Amor é necessário: promover a cultura do diálogo, globalizar a esperança, buscar uma verdadeira inclusão, criar redes de cooperação”.

Frei Valmir Ramos, OFM