
Bogotá/Colômbia – Entre os dias 18 e 22 de outubro, Secretários para a Formação e os Estudos das entidades franciscanas das Américas reuniram-se em Bogotá, na Colômbia, para discernir os desafios e as possibilidades da formação na Ordem dos Frades Menores.
O encontro da UCLAF — União das Conferências Latino-Americanas dos Frades Menores — contou com a presença de frades secretários de diversas entidades da Ordem nas Américas, do Definidor Geral para a América Latina, Frei César Külkamp, OFM, e do Secretário Geral para a Formação e os Estudos, Frei Darko, OFM. A Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus foi representada por Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM, Secretário para a Formação e os Estudos da entidade.

Mais do que compartilhar experiências, os participantes foram convidados a olhar com lucidez para o presente e a tomar decisões sobre o futuro da formação franciscana. Cada entidade apresentou os caminhos que, aberta à criatividade do Espírito, deseja percorrer. As partilhas evidenciaram a riqueza das realidades locais, mas também uma convicção comum: os desafios atuais não podem ser enfrentados de maneira isolada.
Conhecer, reconhecer e escolher
A partir da carta do Ministro Geral dirigida aos participantes, Frei César propôs três verbos como itinerário de discernimento: conhecer, reconhecer e escolher.
Conhecer é olhar para o tempo e para o chão em que vivemos, identificando tanto as potencialidades quanto os desafios de cada realidade. Reconhecer é admitir que as mudanças culturais, sociais e eclesiais nos interpelam e que não podemos responder a elas com alienação, fechamento ou atitudes provincialistas. Escolher, enfim, é assumir decisões concretas e criativas, capazes de renovar os processos formativos sem perder a identidade carismática da Ordem.

Esse caminho exige mais do que boas intenções. Diante do redimensionamento da Ordem e das novas necessidades dos formandos, é preciso avaliar com honestidade os modelos existentes, fortalecer a colaboração entre as entidades e criar iniciativas que favoreçam uma formação integral, intercultural e profundamente enraizada no carisma franciscano.
Desafios que pedem respostas concretas
Entre os desafios que se apresentam estão a diversidade de contextos e línguas, a diminuição de recursos e de pessoal em algumas entidades, a necessidade de preparar formadores e a dificuldade de sustentar, em todos os lugares, processos formativos consistentes. Somam-se a isso o risco de cada entidade caminhar sozinha e a tentação de reduzir a formação à simples transmissão de conteúdos.

As partilhas em grupo favoreceram o intercâmbio cultural e a reflexão sobre estratégias para responder a essas realidades com profecia e coragem. O encontro apontou para a importância de construir alianças formativas: promover projetos comuns, ampliar a cooperação entre entidades, compartilhar recursos e experiências e criar espaços de acompanhamento e formação para os próprios formadores.
Essas alianças não significam simplesmente delegar a formação a outra entidade. Supõem corresponsabilidade, confiança e disposição para aprender com realidades diferentes. A universalidade da Ordem não apaga as particularidades locais; convida a colocá-las a serviço de uma fraternidade mais ampla. Como recorda o Evangelho: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).
Decidir para cuidar do futuro
Um dos frutos do encontro foi o encaminhamento de sugestões ao Capítulo Geral, especialmente sobre a elaboração da Ratio Formationis da Ordem, cuja última atualização ocorreu em 2003. A reflexão sobre esse documento é uma oportunidade importante para discernir os princípios e as orientações que devem sustentar a formação franciscana nos próximos anos.

A decisão, porém, não se limita à elaboração de um texto. Ela precisa traduzir-se em escolhas institucionais: investir na formação dos formadores, estabelecer processos de colaboração duradouros e acompanhar a aplicação das orientações, respeitando as diferenças culturais e as necessidades de cada entidade.
A Regra da Ordem situa a vida dos Frades Menores no seguimento de Cristo e na vivência do Evangelho (Regra Bulada, cap. I). Por isso, formar não é apenas preparar para tarefas ou funções: é ajudar cada irmão a amadurecer na vocação, na vida fraterna e na missão. Esse compromisso pede discernimento, coragem para mudar o que já não responde às necessidades do tempo e fidelidade criativa ao carisma recebido.

Que o Espírito Santo continue suscitando propostas novas e fortalecendo os laços entre as entidades. Assim, a Ordem poderá responder com coragem aos desafios de hoje, construindo caminhos de unidade que acolham as diferenças e expressem, na vida fraterna, a universalidade da vocação franciscana.
Fraternalmente,
Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM (Secretário para a Formação e os Estudos)









