Encontro do Regional Triângulo Mineiro reflete sobre a missão da Ordem como futuro de Deus

Uberlândia (MG) – Com espírito de fraternidade, escuta e esperança, os Frades do Regional Triângulo Mineiro reuniram-se na Fraternidade Franciscana de Uberlândia/MG, para um momento de convivência, oração e discernimento sobre os caminhos da missão franciscana no mundo de hoje. O encontro teve como horizonte a preparação para o Capítulo Geral de 2027, que terá como eixo a evangelização e o desafio de abrir novos caminhos para a Ordem “rumo ao futuro de Deus.”

Teve início às 9h, com a acolhida da fraternidade e um momento de convivência acompanhado de café. Em seguida, às 9h30, os irmãos reuniram-se para a Liturgia das Horas – Terça, conduzida pela fraternidade acolhedora. A oração colocou o encontro sob a ação de Deus, recordando que toda missão franciscana nasce da escuta do Evangelho e da abertura ao Espírito.

Às 9h45, teve início a leitura e reflexão da “Ficha de Preparação para o Capítulo Geral de 2027”, apresentada como instrumento de discernimento para as fraternidades. O tema proposto: “Irmãos Menores em missão: seguir a Cristo e anunciar o Evangelho hoje, rumo ao futuro de Deus”  convidou os participantes a olhar para a realidade contemporânea marcada pelas tecnologias, pelo pluralismo, pelas transformações culturais e pelas fragilidades humanas, buscando discernir como a presença franciscana pode ser profética em nosso tempo.

A metodologia proposta foi desenvolvida em três movimentos: reconhecer, interpretar e escolher. Mais do que produzir respostas imediatas, o exercício buscou favorecer uma escuta fraterna e espiritual dos sinais dos tempos, permitindo que cada irmão pudesse perceber onde o Espírito Santo continua agindo e chamando a Ordem a uma renovada presença missionária.

Reconhecer: escutar os sinais dos tempos

Na primeira etapa, os irmãos foram convidados a reconhecer os desafios presentes na realidade em que vivem. As reflexões tocaram questões culturais, tecnológicas e sociais, bem como as fragilidades que atingem particularmente os jovens, os pobres, os excluídos e aqueles que vivem nas periferias existenciais.

O exercício levou os participantes a perceber que determinadas linguagens, ações e estruturas utilizadas no passado podem já não responder adequadamente às necessidades do mundo atual. A pergunta franciscana tornou-se, então, uma provocação: como anunciar o Evangelho de modo significativo sem perder a essência do carisma?

Interpretar: olhar a realidade à luz do carisma

Na segunda etapa, o olhar voltou-se para a identidade franciscana. A reflexão sobre “Irmãos Menores em missão: por uma presença franciscana profética em nosso tempo” conduziu os participantes a redescobrir a riqueza da minoridade, da fraternidade e do serviço.

A minoridade apareceu não como uma ideia abstrata, mas como um modo concreto de estar no mundo: ser menor, aproximar-se, servir, acolher, dialogar e caminhar com os últimos. Diante de uma sociedade marcada pelo individualismo e pela busca de poder, a fraternidade franciscana é chamada a tornar-se sinal de outra possibilidade de vida: uma comunidade onde a simplicidade, a alegria, a acolhida e a misericórdia sejam testemunhos vivos do Evangelho.

Também ganhou destaque o compromisso com os pobres, os excluídos, as periferias existenciais e o cuidado da Casa Comum, reconhecendo nesses espaços importantes lugares de encontro com Cristo e de realização da vocação franciscana.

Escolher: rumo ao futuro de Deus

Na terceira etapa, os irmãos foram convidados a olhar para o futuro não simplesmente como algo que está por vir, mas como espaço da ação contínua de Deus, que chama seus filhos e filhas a participarem ativamente de sua obra.

A síntese do discernimento reafirmou que Cristo e o Evangelho precisam permanecer no centro da vida e da missão franciscana. Ao mesmo tempo, tornou-se evidente a necessidade de renovar linguagens, métodos e formas de presença, para que o anúncio do Evangelho possa alcançar as pessoas de hoje.

Os participantes reconheceram a necessidade de abandonar comodismos, estruturas ultrapassadas e atitudes que enfraquecem a fraternidade. Contudo, a reflexão também chamou atenção para uma mudança ainda mais profunda: antes de transformar estruturas externas, é necessário reestruturar nossas estruturas cognitivas, permitindo uma mentalidade marcada pela abertura, pela acolhida, pelo diálogo e pelo discernimento.

Nesse sentido, os próprios espaços e prédios devem ser repensados não apenas como estruturas físicas, mas como lugares capazes de gerar fraternidade, comunidade, formação, acolhida e serviço, respondendo às necessidades concretas das pessoas com uma linguagem fraterna e misericordiosa.

Uma fraternidade enviada em missão

A síntese construída durante o encontro apontou que a missão franciscana exige coragem para decidir, criatividade para responder aos sinais dos tempos e fidelidade para permanecer enraizada no Evangelho.

Em um mundo marcado por tantas incertezas, a vida fraterna vivida com autenticidade pode tornar-se um dos mais belos testemunhos do Evangelho. Uma fraternidade alegre, simples, acolhedora e próxima dos pobres pode anunciar, com a própria vida, que existe outro modo de viver, baseado na comunhão, no serviço e no cuidado.

Ao final do discernimento, permaneceu forte a compreensão de que os franciscanos são chamados a anunciar Cristo como esperança, paz e sentido para o mundo de hoje, sem medo de atravessar as novas fronteiras culturais e existenciais.

O encontro do Regional Triângulo Mineiro tornou-se, assim, um verdadeiro exercício de sinodalidade franciscana: irmãos reunidos para escutar, discernir e escolher caminhos. Um caminho que não busca simplesmente preservar o que já existe, mas permitir que o Evangelho continue encontrando novos caminhos através da vida dos menores.

À luz das palavras de Jesus — “Eu estarei sempre convosco, até o fim dos tempos” (Mt 28,20) —, os irmãos seguem confiantes de que o futuro não é construído apenas por estratégias humanas, mas discernido na presença de Deus.

A manhã foi concluída às 12h, com o almoço fraterno, expressão simples e concreta daquilo que os irmãos haviam celebrado e refletido: ninguém caminha sozinho quando se reconhece como irmão e quando Cristo permanece no centro da missão.

O discernimento realizado em Uberlândia será integrado ao processo de preparação para o Capítulo Geral de 2027, contribuindo para que a voz das fraternidades ajude a Ordem a reconhecer os sinais do Espírito e a avançar, com esperança, “rumo ao futuro de Deus”.

Fraternalmente,

Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM (Guardião | Fraternidade – Uberaba/MG)