Manaus vive “uma realidade de morte”, mas também de solidariedade

A dramática situação da pandemia em Manaus

Andressa Collet (Vatican News)

A situação aqui em Manaus nesta segunda-feira (18) continua muito complicada”, confirma o padre Luis Miguel Modino, um missionário espanhol há 15 anos no Brasil, sendo já 5 no Amazonas, que tem acompanhado de perto a dramática situação vivida pelo colapso na rede de saúde local por falta de oxigênio e leitos aos pacientes internados em hospitais de Manaus por causa da Covid-19. O sacerdote é assessor de comunicação do Regional Norte 1 da CNBB e atualmente também atua no mesmo setor junto ao Celam e à Repam.

“A realidade é uma realidade de morte; e de morte de pessoas próximas. Nos últimos dias, a gente constantemente fica sabendo de pessoas conhecidas, ou próximas que estão morrendo. É verdade que muita gente está se empenhando em tentar ajudar e, entre elas, está evidentemente a nossa Igreja católica.”

Nesta segunda-feira (18), o Amazonas já passou dos 230 mil casos testados positivos ao coronavírus e mais de 6 mil pessoas que morreram vítimas da doença. Manaus é a cidade mais prejudicada. A taxa de ocupação de leitos para a doença é de 98,85%, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, e as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19 estão lotadas em 90,29%.

Além de Manaus, o apoio está sendo estendido a toda a população do Estado do Amazonas, porque a situação começa a ficar complicada inclusive pelas cidades do interior, explica o padre Modino: “ontem à tarde, na cidade de Itacoatiara, que é uma das maiores cidades do interior do Amazonas, a situação era crítica: faltava oxigênio no hospital da cidade e o risco de vir a falecer muitas pessoas era grande.”

A corrida por oxigênio e a solidariedade

O Amazonas começou a abastecer o estoque de oxigênio para atender à demanda dos hospitais que carecem do insumo para impedir a morte de pacientes internados com Covid-19 e outras doenças. O próprio Regional Norte 1 da CNBB está se articulando com outras sedes regionais, como por exemplo a do Rio de Janeiro, para enviar oxigênio ao Amazonas; além de promover uma campanha para arrecadar fundos para a compra de oxigênio, que foi intitulada Amazonas e Roraima contam com sua solidariedade:

“Até agora mesmo, nesta segunda-feira de manhã, já foram arrecadados mais ou menos 170 mil reais, mas com certeza vai chegar muito dinheiro nas próximas horas porque muitas paróquias, dioceses, empresas e pessoas físicas aqui no Brasil estão se solidarizando e muito. Existe um sistema dificuldade muito grande para conseguir oxigênio aqui em Manaus e a logística aqui na Amazônia sempre foi complicada. E, no Estado do Amazonas, onde a maioria das comunicações são através dos rios, essa logística é ainda mais complicada. Também temos aproveitadores, aqui em Manaus: o preço do oxigênio praticamente dobrou na última semana.”

Todo apoio é válido

A solidariedade, porém, como destaca o padre Modino, é um instrumento valioso nesse cenário, já que muitas paróquias e áreas missionárias de Manaus estão se mobilizando como podem para amenizar o sofrimento da população já tão provada pelas consequências da pandemia.

“Gente que está preparando comida – as quentinhas – para distribuir na porta dos hospitais e na porta dos serviços de pronto-atendimento, que são pequenos hospitais que existem aqui em Manaus. Distribuindo comida para os familiares que estão na porta, esperando notícias dos doentes. Ninguém pode entrar no hospitais, mas as pessoas continuam esperando na porta – muitas vezes durante horas por notícias que não chegam.”

Padre Modino, finaliza seu testemunho direto de Manaus, pedindo uma corrente de solidariedade e de orações:

“A gente pede orações. Temos certeza de que isso está acontecendo no Brasil e no mundo, de muita gente estar rezando por Manaus para que esta situação possa melhorar e para que a gente possa cuidar daqueles que estão sofrendo tanto. Também as famílias que, nesses últimos dias, estão perdendo seus entes queridos – são muitas pessoas que estão morrendo, mais do que aparecem nas estatísticas. Como exemplo, podemos dizer que na sexta-feira (15), em Manaus, foram sepultadas 213 pessoas e, dessas, 30 faleceram em casa sem atendimento médico. A média de sepultamento semanal antes do início da pandemia era de 28 a 30 pessoas; o que nos diz que, provavelmente, na sexta-feira (15), faleceram em Manaus, vítimas da Covid, mais de 180 pessoas. Quando nas estatísticas só apareceram 50. Isso pode nos ajudar também a sermos conscientes da tragédia que estamos vivenciando em Manaus nos últimos dias, mas ao mesmo tempo também somos chamados a ser sinal de esperança e acompanhar tanta gente que está sofrendo.”

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