SAV: Fraternidade, minoridade, oração e alegria, marcam o Iº Encontro Vocacional Franciscano, em Marília/SP

“E depois que o Senhor me deu irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do santo Evangelho.” (Testamento de São Francisco – 1226)

Aconteceu neste final de semana (20 a 22 de maio), na Fraternidade Nossa Senhora de Fátima, em Marília/SP, o 1º Encontro Vocacional Franciscano deste ano. O mesmo contou com a presença assídua de 10 jovens, dos frades do SAV (Serviço de Animação Vocacional), com a ajuda e colaboração dos frades da fraternidade local, e dos aspirantes.

Estes jovens que participaram do Encontro Vocacional vieram de várias regiões onde nossa Custódia se faz presente no serviço de evangelização e missão, a saber: Regional Triângulo Mineiro; Regional Nordeste; Regional Norte e Regional Centro Oeste. Destarte, fora um momento singular na vida de cada um que participou, pois fora uma oportunidade de melhor discernir o chamado do Senhor em sua caminhada e na busca de viver o Evangelho a modo de São Francisco de Assis. 

O encontro tem como eixo norteador fomentar reflexões sobre a vida vocacional segundo os ensinamentos de São Francisco e é destinado àqueles que sentem um chamado maior de Deus para perfazerem seu caminho numa vontade de aprofundar a sua caminhada na fé. E tem como objetivo levar o jovem vocacionado a adentrar e vivenciar a experiência do carisma franciscano na vida em fraternidade, de oração, de partilha e acima de tudo, um pouco de conhecimento da Ordem dos Frades Menores.

O encontro teve uma programação de intensas atividades, as quais envolveram os jovens na realidade de nosso carisma. Portanto, teve já início no dia 20 (sexta-feira), onde a fraternidade local e a equipe dos frades que compõe o SAV acolheram os vocacionados num fraterno convívio servindo um delicioso jantar e em seguida um momento de espiritualidade muito bem preparado pelos aspirantes. 

Frades, Aspirantes e Vocacionados com as Irmãs Clarissas do Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP

Já no dia 21 (sábado) esses jovens tiveram a alegria de poderem celebrar a eucaristia, conhecerem e dialogarem com as nossas irmãs Clarissas, pertencentes à segunda Ordem que nosso Pai Seráfico fundou juntamente com Santa Clara de Assis, momento este de grande valia para entendermos a completude e riqueza que há em nosso carisma franciscano espalhado por todo mundo.

Dando sequência às atividades realizadas deste dia, tivemos ainda um café da manhã no Bosque Municipal Rangel Pietraroia da cidade de Marília/SP, e os vocacionados foram interpelados e exortados por uma formação acerca do Testamento de São Francisco assessorada por Frei Everton Piôtto, OFM, então vigário do Santuário de Nossa Senhora Aparecida da cidade de Olímpia/SP.

À tarde foram realizados serviços à fraternidade local, onde cada um pode doar um pouco de si no trabalho e cuidado com a Casa Comum, após tivemos esporte e a noite, rezamos a Coroa Franciscana meditando os mistérios das Alegrias de Nossa Senhora e finalizamos nos confraternizando no recreio fraterno. O encontro encerrou-se no dia 22 (Domingo), onde rezamos o Ofício Divino das Comunidades e celebramos a eucaristia, e posterior almoçamos. 

Entretanto, durante estes dias, os vocacionados foram convidados a refletir sobre o encontro consigo mesmo e com os irmãos, o encontro de São Francisco com o Crucificado, o encontro de São Francisco com o leproso e o encontro com Clara de Assis.

Enfim, o Senhor necessita de operários para messe, pois a messe é grande e os operários são poucos (cf. Lc 10,1-9). E rogamos ao Senhor que caminha sobre as águas que envie discípulos missionários para tua Igreja e para a Ordem, e acima de tudo dê perseverança aos que estão neste caminho como Frades Menores, para que leve ao mundo e por onde estiver o carisma franciscano na alegria e no amor. Contamos com suas orações pelas vocações franciscanas. Paz e Bem!

Fraternalmente,

Frei Vinícius Alves de Oliveira, OFM

75 anos: Com júbilo, frades celebram missa de abertura do jubileu em Franca/SP

Foto oficial, tirada logo após a celebração eucarística (Frades, Postulantes e Aspirantes)

A Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus celebrou nesta segunda-feira (18) a abertura dos festejos dos seus 75 anos de presença e missão no interior de São Paulo e Triângulo Mineiro. Já fazem todo esse tempo, quando dez missionário da Província Franciscana, presente do território de Nápoles/Itália, vieram para o solo brasileiro.

Para tanto, o custódio Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM, junto com alguns confrades das Fraternidades espalhadas pela extensão de nossa Custódia, celebraram uma solene missa nesta intenção especial. A celebração se deu na Paróquia São Judas Tadeu, em Franca/SP, onde está a sede Custodial.

Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM (Custódio) proferindo a homilia

Na homilia, Frei Fernando enfatizou a importância histórica desse evento, recordando desde seu percurso inicial, do desejo de um antigo bispo de Jaboticabal/SP em ter missionários em sua diocese. Lembrou também que nesse tempo estava acontecendo a 2ª Guerra Mundial. Foi no ano de 1947 que os dez primeiros missionária partiram do Porto de Nápoles/Itália e, após 15 dias em alto mar, chegaram ao Porto do Rio de Janeiro/RJ (Brasil).

Neste clima de festa jubilar e também em ocasião pela oitava da Páscoa do Senhor Ressuscitado, Frei Fernando, em suas palavras, encorajou os confrades a olhar para o passado com gratidão, a ver os frutos que hoje são colhidos, que um dia foram plantados por estes missionários; e com a alegria do Senhor que nos sustenta olhar para o presente, com esperança na certeza de um futuro iluminado e edificante.


Íntegra da homilia – Missa de Abertura do Jubileu (75 anos)


Foto dos 10 primeiros frades missionários vindos de Nápoles/Itália e foto do último Capítulo Custodial (2021)

No momento das oferendas, rito que dá lugar a apresentação dos preciosos frutos dos trabalhos humanos, pão e vinho, e que se tornarão Corpo e Sangue do Senhor, foi-se também um momento de oferecer a Deus nossas gratidão e apresentar por meio de símbolos, como a Regra e Vida da Ordem dos Frades Menores, uma foto da Fraternidade Custodial, um par de sandália Franciscana, um banner e a vida de cada frade; a disponibilidade e coragem da Custódia em continuar a semear e cuidar do Reino de Deus instaurado no povo confiado a nós para evangelizar.

Por fim, passado todo o ritual da celebração eucarística, um belo poema foi recitado, apresentando, assim, um pouco da história inicial da Custódia, e que disponibilizamos a você, caro leitor, logo abaixo:


75 ANOS – Custódia SCJ

  • Irmãs e irmãos em Cristo
  • Jesus, o nosso amém!
  • Recebam a nossa saudação
  • De alegria, paz e bem!
  • Nesta noite tão formosa
  • Nesta noite cheia de luz
  • Onde vivemos a Páscoa
  • A vitória do bom Jesus
  • Comemoramos com alegria
  • Data, para nós singular
  • 75 anos de história
  • De nossa custódia vamos falar
  •  A muito tempo atrás
  • Em grande precisão
  • Um bispo pedira ajuda
  • Para compor uma missão
  • De nas terras brasileiras
  •  Abençoadas, altaneiras
  • Em São Paulo, uma região
  • Assumir com força e coragem
  • Na paroquia evangelização
  • Com os pobres e no social
  • Com orfanatos, educação.
  • Sendo ao nosso povo
  • Seguras e boas mãos
  • O pedido foi para Roma
  • E depois ao provincial
  • De Nápoles, aos frades menores
  • Numa graça sem igual
  • Ao chamado escutaram
  • E aceitaram tal e qual.
  • Em 45 o tal pedido
  • Um ano depois a concessão
  • Ganhara, Nápoles, Jaboticabal
  • Como terra de missão
  • Recebendo do ministro geral
  • O dileto e santo aval
  • Para a evangelização.
  • Frei Roque Biscione,
  • Frei Justino di Giorgio,
  • Frei Eugênio de Rosa,
  • Frei Marcelo Manilia,
  • Frei Januário Pinto,
  • Frei Benedito Faticato,
  • Frei Frederico Curatolo
  • Frei Leonardo Ferraro,
  • Frei Angelo Ruggiero
  • Frei Berardo Paolino.
  • Foram dez, os primeiros
  • Que aceitaram a missão
  • Vindo de tão longe
  • Para viver neste chão
  • Nesta vinha do senhor
  • Nessa messe, plantação.
  • Assumiram as paróquias
  • Que de vigários carecia
  • Por essas terras espalharam
  • Paz, amor e alegria.
  • O veio social da Custódia
  • Desde cedo já bramia
  • Num Brasil que Crescia
  • Naqueles anos o progresso
  • Mesmo dificultoso
  • O bendito acesso
  • Os primeiros frades levavam
  • Jesus nesse expresso
  • O tempo foi passando
  • A missão foi crescendo
  • E logo os primeiros frades
  • Do Brasil, aparecendo
  • Via-se ali
  • Nossa história se fazendo
  •  Até 2012
  • Era, esta, vinculada
  • A província napolitana
  • E numa atitude ousada
  • Nos tornamos independentes
  • Assumimos tal empreitada
  • Em 2013 uma aproximação
  • Muito santa começou
  • Com a Fundação N. Sra. de Fatima
  • E em 2016 se consolidou
  • Integração plena
  • O triangulo se achegou
  • Minas e São Paulo
  • Uma só se tornou.
  • Duas histórias se juntaram
  • Uma só se tornando
  • Dores divididas
  • Alegrias partilhando
  • Somos mais de 50 frades
  • Nesta noite celebramos
  • De nossa custódia querida
  • Seus 75 anos
  • E já que contamos a história
  • De nossa Custódia querida
  • lembremos então agora
  • Os que são história em vida
  • Frei Carmine e frei Filomeno
  • Figuras tão enaltecidas
  • Também não esqueçamos
  • O querido esmoler de Deus
  • O Frei Berardo Paolino
  • Que Vivia aqui entre os seus
  • Por fim, agradecemos
  • Ao nosso Deus Querido
  • Que Nos deu a santa graça
  • Dos 75 anos cumpridos
  • Parabéns por essa historia
  • Aos que vivem e tenham existido
  • Peçamos ao pai Seráfico
  • Olhai por nossa custódia
  • Rogai por nós a Deus
  • Que venham mais anos de história
  • Que o futuro vire presente
  • Que o presente seja memória
  • De pé, com alegria
  • Cantemos com o coração
  • Batendo nossas palmas
  • Com tamanha emoção
  • Que o órgão dê as notas
  • Do parabéns em canção

Frei João Paulo Gabriel Mendes de Moraes, OFM com a Benção Apostólica, lida pelo Custódio, Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM

Após a apresentação do jogral, acolhemos a Benção Apostólica enviada por ocasião do jubileu dos 75 anos e lida pelo nosso Custódio. Seguidamente, o Secretário Custodial, Frei Alef Pavini, OFM, leu as mensagens enviadas pelas irmãs Clarissas de Marília/SP, bem como do nosso Ministro Geral, Frei Massimo Fusarelli, OFM. Terminada as homenagens, encerramos a celebração com a benção de São Francisco.

Agradecemos a Deus pela dádiva de nossas vocações, bem como pela vida e vocação dos frades que nos antecederam nesta árdua missão, como religiosos franciscanos. Que o seráfico pai São Francisco nos ajude perseverarmos neste santo propósito que abraçamos em nossas vidas.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Créditos/Imagens: K2 Fotografias (Ribeirão Preto/SP)


Transmissão | Missa de Abertura – Jubileu dos 75 anos

Falece Ir. Marlene Inácia, OSC, Madre Fundadora e Vigária do Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP

IRMÃ MARLENE INÁCIA DE JESUS HÓSTIA, OSC
♦  27/12/1949     –     †  02/09/2021

Na noite desta última quinta-feira (02), a Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC, Madre Fundadora e atual Madre Vigária das irmãs clarissas do Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP, fez sua páscoa definitiva. Nossa Fraternidade Custodial se une em oração pela sua alma, bem como se solidariza com as demais irmãs que continuam a sua missão terrena.


Uma breve biografia de Ir. Marlene Inácia, OSC

Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC, filha de João Inácio da Silva e de Inácia Josefa da Conceição, nasceu em Alagoa Nova/PB no dia 27 de dezembro de 1949 e foi batizada no dia 22 de janeiro de 1950, recebendo o nome de “Marlene Inácia da Conceição”. Cresceu na cidade de São João do Meriti/RJ e entrou para o Mosteiro Nossa Senhora dos Anjos (Mosteiro da Gávea) no Rio de Janeiro/RJ no dia 03 de março de 1975. Sua vestição monástica aconteceu no dia 18 de abril de 1976. Professou os primeiros votos em 25 de março de 1978 e os votos perpétuos no dia 19 de abril de 1981.

Ir. Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC

Ao longo de sua vida vocacional, foi pioneira e colaborou na fundação de dois mosteiros, o Mosteiro Nossa Sra. de Guadalupe de Caicó/RN no ano 1984 e o Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP em 1999, sendo ela uma das 14 irmãs que vieram para dar início a este Mosteiro, a pedido do então Custódio, Frei Irineu Andreassa, OFM (atual Bispo de Ituiutaba/MG).

Frei Irineu Andreassa, OFM, já como bispo da Diocese de Lages/SC (sua primeira diocese), solicitou em 2011 a colaboração das Irmãs Clarissas de Marília/SP para revitalizar o Mosteiro Nazaré de Lages/SC, onde Irmã Marlene, OSC juntamente com um grupo de irmãs, partiram para esta árdua missão. Após um tempo, retornou para residir no Mosteiro de Marília/SP.

Em 2020 o Mosteiro Monte Alverne de Uberlândia/MG foi filiado ao Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP. Na oportunidade, Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC também esteve presente no grupo de irmãs que partiram rumo o Mosteiro de Uberlândia/MG.

Após um tempo, Irmã Marlene, OSC retornou e atualmente residia no Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP, exercendo o serviço de Madre Vigária.


Partilha vocacional de Irmã Marlene Inácia, OSC

Material produzido em agosto (mês vocacional) no ano de 2020, no Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP


Agradecemos a Deus pela dádiva que Ele concedeu a nossa Custódia de poder conviver com a Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC, irmã clarissa que viveu boa parte de sua vida terrena em nossa território custodial e regamos a Ele que acolha esta vossa serva na vida Eterna.

Que São Francisco e Santa Clara interceda pelo seu descanso eterno!

R.I.P.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Fonte: Arquivos – Mosteiro Maria Imaculada (Marília/SP)

Carta do Ministro Geral para a Solenidade de Santa Clara

Vivamos segundo a perfeição do Santo Evangelho

Em 2021, recordamos os 800 anos da Regra não bulada, um precioso texto que ainda nos fala, em maneira extraordinária, da inspiração evangélica de S. Francisco e, ao mesmo tempo, nos faz olhar para Santa Clara.

No prólogo lemos (RnB Prólogo 2):

Esta é a vida, que Frei Francisco pediu do Senhor Papa lhe fosse concedida e confirmada; e ele a concedeu e a confirmou para ele e para os seus irmãos presentes e futuros.

E na conclusão escutamos:

Peço a todos os irmãos que aprendam a carta e o significado das coisas que nesta vida foram escritas para a salvação de nossa alma, e de chamá-la frequentemente à memória.

São Francisco fala de uma vida, a qual entrega aos seus irmãos e que encontra sua fonte e inspiração no seguir o ensinamento e os rastros do Senhor nosso Jesus Cristo (RnB 1,1).

A ligação que, na Regra não bulada amarra o Evangelho à vida e a vida ao Evangelho, é constante em Francisco, que o propõe também a Clara e às suas irmãs em dois breves e intensos escritos:

Pois, por divina inspiração … tendes escolhido viver segundo a perfeição do santo Evangelho, quero e prometo de sempre ter a vós como meus irmãos, por meio meu e por meio deles, cuidado diligente e solicitude especial (Forma de vida 1-2).

Eu, Frei Francisco pequenino, quero seguir a vida e a pobreza do altíssimo Senhor nosso Jesus Cristo e de sua santíssima Mãe e perseverar nela até o fim. E vos peço, minhas senhoras, e vos aconselho que vivais sempre nessa santíssima vida e pobreza (Última vontade 1-2).

É um conselho que Francisco dirige àquelas que ele chama de minhas senhoras e junto está o núcleo carismático que une numa mesma forma de vida – vivida em modalidades e condições diferentes – os irmãos e as irmãs. O Pobre promete de ter cuidado diligente e solicitude especial pelas irmãs exatamente dentro dessa comunhão no carisma, que une irmãos e irmãs no sentido mais genuíno.

Se na Regra não bulada tem confluído o percurso dos primeiros anos de experiência evangélica dos frades, sedimentando-se naquele texto através de um contínuo confronto entre a vida, que é movimento por definição, e a regra, que lhe fixa os fundamentos, Francisco sabe que Clara intui e vive essa circularidade de vida e Evangelho e a propõe sem medo.

Aquilo que nos une é, então, exatamente essa ligação entre vida e Evangelho, onde uma ilumina o outro e dele recebe inspiração contínua. Se for verdadeiro, de fato, que o Evangelho orienta a vida à conversão, é também verdadeiro que a vida nos ajuda a escutar a palavra evangélica no caminho sempre novo da existência, imersa na mudança da história.

A palavra evangélica ilumina e transforma a vida e é, por vez, iluminada pela palavra da vida dos varões e mulheres que encontramos, os pequenos e os pobres de nosso tempo, da criação e também de todos os que encontramos no caminho de busca do sentido e da verdade.

Temos necessidade de um pouco mais de vida verdadeiramente acolhida, vivida, amada, doada, partilhada a fim de acolher a palavra evangélica, sem a qual o livro de nossa existência permanece selado.

Não nos podemos embrulhar a nós mesmos na busca de nossa identidade franciscana clariana, sem o confronto e o diálogo contínuo com o caminho na vida, nosso e de muitos outros, neste tempo único.

O Evangelho nos chama à conversão e acende em nós o chamado à radicalidade da fé, feito de busca da face do Senhor nov seguimento de Jesus; o dom da vida chamanos à radicalidade do dom de si mesmo como cifra decisiva para uma existência plena.

O seguimento radical de Cristo pobre e crucificado associou Francisco e Clara, no espaço de uma fraternidade vivida na minoridade e na pobreza, como a de quem renuncia a apoios e garantias.

O claustro de Clara vivido com suas irmãs em São Damião e aquele de Francisco vivido com os seus irmãos nas estradas do mundo, nos pedem de buscar juntos aquilo que verdadeiramente nos une e de ser, com a vida, palavra profética para nosso tempo.

Percebo profundamente que essa é nossa comum vocação na Igreja de hoje para o mundo, que Deus ama: escutar e acolher a palavra evangélica, para que a vida seja transformada e permita exprimir a força do Espírito que nela habita e a deseja levar rumo à sua plenitude que é a vida eterna, o amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo, eterna dança aberta a todas as criaturas. E essa plenitude tem o nome de vidas libertadas e remidas, capazes o=por isso de tornar-se
verdadeiramente fraternas e fermento de Fraternidade para muitas e muitos, hoje.

Caras Irmãs Pobres!

Nesta primeira mensagem que a vós dirijo com simplicidade, peço-vos de fazermos juntos esse percurso entre a vida e o Evangelho e custodiar-nos como irmãos menores, vossos irmãos, na confiança que é possível ainda hoje de viver nossa vocação, tão bonita e carregada de esperança para este tempo.

Empenhar-me-ei em ter para convosco, em nome de São Francisco, aquele cuidado e solicitude que estão fundados na vida segundo o Evangelho, nossa comum e extraordinária vocação. Sejamos memória uns para com as outras desse fogo.

Enquanto confio à vossa fiel intercessão o caminho de nossa Ordem, que no recente Capítulo geral encontrou um ponto importante de inspiração e novo recomeço, prometo-vos de recordar-vos cada dia ao Senhor, para que nossas vidas sejam evangelizadas e transformadas pela potência do Espírito do Senhor e se tornem muita transparência de Sua Misericórdia.

A Virgem feita Igreja nos acompanhe neste caminho. Com minha fraterna saudação e abraço a todas vós, com a Bênção de São Francisco e o cuidado de Santa Clara.

Roma, 11 de agosto de 2021
Solenidade de Santa Clara

Fr. Massimo Fusarelli, OFM
Ministro Geral e Servo

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Falece Irmã Verônica, OSC, clarissa do Mosteiro Monte Alverne de Uberlândia/MG

IRMÃ MARIA VERÔNICA DA SAGRADA FACE, OSC
♦  24/06/1929     –     †  26/02/2021

Na noite desta última sexta-feira (26), a Irmã Maria Verônica da Sagrada Face, OSC, uma das irmãs clarissas do Mosteiro Monte Alverne de Uberlânida/MG fez sua páscoa definitiva. Nossa Fraternidade Custodial se une em oração pela sua alma, bem como se solidariza com as demais irmãs que permanecem a sua missão terrena.


Uma breve cronologia de Irmã Verônica, OSC

Irmã Maria Verônica da Sagrada Face, OSC nasceu em Selbach/RS no dia 24 de junho de 1929 e foi batizada dois dias após, recebendo o nome de “Therezinha Welter”. Toda sua formação familiar foi seguida a partir da cultura alemã, pois seus pais eram netos de alemães. Até a Segunda Guerra Mundial, só convivia com pessoas dessa nacionalidade, pois formavam uma colônia onde até na escola só se falava a língua alemã. Durante a guerra, toda a colônia foi obrigada a abandonar esses costumes e a duras penas aprenderam o português e a cultura do País. É a 13ª de 15 irmãos, que receberam sólida formação moral e religiosa dos pais.

Em 1951 entrou para a Vida Religiosa no Mosteiro da Gávea no Rio de Janeiro/RJ, percebendo sua vocação para a vida contemplativa já com 21 anos de idade. Sempre foi orientada espiritualmente pelo Padre Karson que a apresentou através de correspondência ao Mosteiro das Clarissas, o primeiro no Brasil, fundação das Irmãs de Düsseldorf. Destemida, teve a coragem de deixar seus pais e irmãos, indo sozinha, de ônibus para o Rio de Janeiro/RJ, numa época em que as estradas e os meios de comunicação eram bastante precários. Sabia que, deixando seus pais, jamais tornaria a vê-los. Mas o Senhor a conduzia e fazia arder seu jovem coração, num amor irredutível e radical.

Em 1973, após a morte da Madre Juliana, que a recebera no Mosteiro e de quem tomara a si os  cuidados durante um longo período de doença grave,  seguiu para Forquilhinha/SC, para completar o número das Fundadoras de um novo Mosteiro, que, mais tarde, em 1982 foi transferido para Lages, no mesmo Estado.

Irmã Verônica, OSC com Frei Ezimar, OFM e o nosso Ministro Geral, Frei Michael Perry, OFM (Da esquerda para a direita: Frei Ezimar, Irmã Verônica e Frei Michael)

Em Lages/SC, foi eleita Abadessa por três triênios, e, em 1996, foi eleita convidada para Abadessa do Mosteiro de Uberlândia/MG, e era muito querida e buscada por todos, que recebem dela orientação e conselhos e a valiosa intercessão.

Desde sua entrada para a Vida Consagrada Religiosa, vive em total doação ao Senhor e aos irmãos, levando no coração o mundo inteiro para apresentá-lo dia e noite a Deus nas orações, nos sacrifícios e na entrega total de si mesma, num amor incondicional e fiel.


Uma breve narrativa de Irmã Verônica, tempos antes de falecer…

“Aqui em Uberlândia/MG, comemorei meus Jubileus de Ouro e de Diamante na Vida Religiosa. Agora, já  posso desfrutar mais tempo da oração e adoração, porque meus trabalhos ficaram reduzidos por conta da idade. A saúde, entretanto, está muito bem, sinto-me muito viva e participante. Gosto de estar com as Irmãs, na vida fraterna, nos Capítulos, na Formação permanente, e no cuidado do jardim, minha grande paixão, depois de Jesus. O convívio com as flores são para mim um importante meio de contato com o Criador. Gosto de agradar as Irmãs fazendo proezas na cozinha: pão de queijo, bolo, pães, arrumo o Refeitório, cuido dos panos de pratos, das frutas,  descasco os legumes. São belíssimas oportunidades de oferecer a Jesus almas para serem salvas. […]

[…] Mas as Irmãs sempre cuidadosas zelam pelo meu descanso e não permitem excessos. Toda minha oração é para o mundo, “sustentáculo dos membros frágeis do Corpo Místico de Deus. Discípula, missionária, samaritana. A cada momento vou descobrindo novas formas de oração, sempre muito íntimas com Jesus, pelos sacerdotes, pelas almas, pelos benfeitores,  pela Federação Sagrada Família e pela Ordem, pelos meus familiares e os familiares das Irmãs das Irmãs, pela intenções que nos são recomendadas diariamente. Hoje procuro assemelhar minha vida a este poema que encontrei: Um dia, o sol ao se por atrás dos montes disse: vou embora, porém, quem me substituirá? E uma humilde lamparina respondeu: farei o melhor que puder. Eu me identifico com esta lamparina. E me pergunto: Qual foi o plano de Deus quando me criou? E como eu vivo este plano? Peço orações para ser fiel até o fim e cumprir a missão que Ele em Seu infinito amor me designou”

R.I.P.

Irmã Miriã Gabriela da Santa Cruz, OSC

Fonte: Arquivos – Mosteiro Monte Alverne (Uberlândia/MG)

Clarissas de Marília/SP elegem seu novo conselho

“Manifestem umas as outras, com confiança, as suas necessidades.” (Nossa Mãe Santa Clara)

Neste sentimento de pertença, responsabilidade e confiança mútuas, seguimos nossas eleições para o novo Conselho de nosso Mosteiro, interrompida no último mês de junho, onde nossa Madre Francis Maris, foi reeleita para mais um triênio como Abadessa e mãe de nossa comunidade. Sendo a terceira eleição consecutiva, foi necessária uma postulação à Santa Sé para esta confirmação.

Após recebermos a resposta afirmativa, marcamos a continuação das eleições para o dia 7 de novembro, tendo a presença de nosso Custódio, Frei Fernando, OFM e de nosso Capelão, Frei Joaquim, OFM. Faltava a escolha das conselheiras, ou discretório, previstas três irmãs: primeira Conselheira, que é a Vigária, e mais duas, de acordo com o número de Irmãs de Profissão Solene deste nosso Mosteiro Maria Imaculada, a qual contamos com 11 Irmãs, além das 4 formandas.

Com a invocação do Divino Espírito Santo, cantando o “Veni Creator”, iniciamos as eleições com a escolha da primeira Conselheira (Vigária) e as outras duas discretas, para o próximo triênio, junto com nossa Abadessa reeleita.

Foram escolhidas as seguintes Irmãs:

Abadessa: Madre Francis Maris da Imaculada, OSC

1ª Conselheira (Vigária): Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC (Madre Fundadora)

2ª Conselheira: Irmã Clara de Santa Maria dos Anjos, OSC

3ª Conselheira: Irmã Maria Micaela do Coração Misericordioso de Jesus, OSC

Com a graça do Bom Deus, confiando em seu Amor e Misericórdia, todas recebemos a absolvição geral e a bênção da obediência ao novo Conselho.

Pedimos vossas orações, por intercessão da Rainha de Nossa Ordem Seráfica, Maria Santíssima, para que nossa comunidade cresça em número e santidade, cumprindo com fidelidade e generosidade nossa missão de Intercessoras e Orantes Oficiais da Igreja, a exemplo dos nossos pais Francisco e Clara, em pobreza, com alegria e em fraternidade!

Com gratidão e orações, suas Irmãs Clarissas do Mosteiro Maria Imaculada!

Ir. Clara de Santa Maria dos Anjos, OSC