Frei Emanuel Fernandes, OFM e Frei Pedro Neto, OFM, celebram a Festa de Nossa Sra. dos Anjos em Assis/Itália

Frei Pedro Alves Neto, OFM e Frei Emanuel Fernandes Pereira, OFM em frente a Basílica de Santa Maria dos Anjos em Assis/Itália

Hoje, 02 de agosto, celebramos uma das festas franciscana mais importante, pois ela tem dois caráteres celebrativo nas quais se unem no sentido mais puro e de grande graça concedida a todos nós, filhos de Deus. Foi São Francisco, o poverello de Assis, quem nos presenteia essa festa dupla:

  • Celebra-se a Festa de Santa Maria dos Anjos, padroeira da pequenina igrejinha que está na planície da cidade de Assis, na Itália, cidade de São Francisco. Para nós franciscano, é a queridíssima Igrejinha da Porciúncula. Porciúncula, vem do latim Portiuncŭla (partizinha) diminutivo de Portio (parte/porção), no italiano (particella e particola), e especificamente, no caso da igrejinha, piccola particella di terra (pequena partezinha/porçãozinha de terra). Lugar caríssimo para São Francisco e seus confrades. Foi ali que nasceu o movimento franciscano, e onde morreu São Francisco, e é ali onde emana toda a fidelidade e amor fraternal (irmãos) e sororal (irmãs).
  • O outro caráter em que se celebra é a Indulgencia Plenária ou conhecido franciscanamente como o Perdão de Assis concedido a todos e todas que entram nesse lugar, pois, tendo São Francisco, certo dia, em uma de suas orações na Porciúncula, pediu a Deus pela alma dos pecadores e teve uma visão de Cristo e de Maria rodeados de anjos. Francisco pediu a Jesus o perdão dos pecados para todos que visitassem a Igrejinha da Porciúncula. Tendo Jesus concedido, Francisco parte em visita ao Papa Honório III para a concessão de sua permissão para celebrar o perdão de Assis.

E com alegria, dois de nossos frades da Custódia, Frei Pedro e Frei Emanuel, partilham conosco desse momento maravilhoso para nossa vocação e espiritualidade. Os Freis estão lá em Assis desde domingo e acompanham os festejos dedicado a esse santo lugar e contribuem conosco de suas experiências.

A festa de hoje, de Nossa Senhora dos Anjos, é precedida de um novenário no qual são preparadas belas orações e procissões das luzes com a Madonna degli Angeli todas as noites. No dia 02 de agosto, dia da grande festa, um dos pontos principais, além das Santas Missas e as orações canônicas (Liturgia das Horas), acontece, também, a chegada de multidões, principalmente os que fazem a Marcia Francescana (Marcha Franciscana) advindas de todos os lugares da Itália.

A Marcia Francescana é organizada anualmente pelas Províncias Franciscanas, onde numerosos frades e irmãs franciscanas organizam com os jovens, adultos e famílias. O itinerário é diverso, cada um saindo de suas regiões e parando em lugares estratégicos onde são acolhidos, descansam, comem, banham-se e seguem, caminhando em muitas partes e outras em veículos, tudo isso durante nove dias, iniciando dia 25 de julho, até o dia da festa, 02 de agosto.

É importante ressaltar que, durante as paradas tem uma muito significativa, onde passam por La Verna (Monte Alverne), lugar em que São Francisco foi impresso pelos Sagrados Estigmas/Chagas de Jesus. Lá repousam, rezam e fazem um dia de retiro para fortalecer a fé e vocação.

E por fim, para alimentarmos nossa formação e informação, nesse lugar, Porciúncula, Francisco celebrou com seus irmãos os Capítulos Gerais e dali aconteceu a expansão da Ordem para além-fronteiras. Por isso, vos deixo um importantíssimo trecho de um texto franciscano, do hagiógrafo do Santo, Tomás de Celano, onde Francisco exortou:

“Meus filhos, vede, não abandoneis nunca este lugar. Se dele vos expulsarem por uma porta, entrai logo por outra, porque este lugar é verdadeiramente santo e Deus tem nele a sua morada. Foi aqui, sendo nós ainda poucos, que o Altíssimo nos multiplicou; aqui iluminou Ele com a sua sabedoria os corações dos seus filhos pobrezinhos; aqui acendeu o fogo do seu amor em nossas vontades. Quem neste lugar orar com devoção alcançará o que pedir, e quem o profanar será punido com maior severidade. Por isso, meus filhos, considerai como digno de todo o vosso respeito este lugar onde Deus habita e nele ao Senhor erguei o coração com vozes de louvor e ação de graças.” (1Cel, 106)

Caríssimo irmão e irmã, desejamos boas festas franciscana do Perdão de Assis e de Santa Maria dos Anjos que, juntos, mostram o rosto materno de Deus e sua misericórdia que emana a todas e todos nós sem cessar. De Assis, nossos confrades, Pedro e Emanuel, saúdem a cada um e cada uma, rezam por nós e nos desejam boa vida em Cristo Jesus.

PAZ e BEM!

Texto: Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM
Entrevistados: Frei Pedro Neto, OFM e  Frei Emanuel Fernandes Pereira, OFM

Santa Maria dos Anjos: 2 de agosto, dia do Perdão de Assis!

Imagem Ilustrativa (Fonte): CFFB

No calendário litúrgico franciscano, o dia 2 de agosto é dedicado à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Anjos, popularmente conhecida como “Porciúncula”. Na introdução do texto litúrgico do missal e da liturgia das horas, se diz o seguinte:

“O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula. Aí deu início à Ordem dos Frades Menores e preparou a fundação das Clarissas; e aí completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi aí também que o Santo Pai alcançou a célebre Indulgência , que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas igrejas. Para celebrar tantos e tão grandes favores ali recebidos de Deus, instituiu-se também esta Festa Litúrgica, como aniversário da consagração da pequenina ermida”.

A propósito da Porciúncula, o Santo Padre se expressou recentemente nos seguintes termos: “O caminho espiritual de São Francisco teve início em São Damião, mas o verdadeiro lugar amado, o coração pulsante da Ordem, onde a fundou e onde, por fim, entregou sua vida a Deus, foi a Porciúncula, a ‘pequena porção’, o cantinho junto à Mãe da Igreja; junto a Maria que, por sua fé tão firme e por seu viver tão inteiramente do amor e no amor com o Senhor, todas as gerações a chamarão bem-aventurada.”

A Porciúncula foi o berço da fraternidade Franciscana e nesta tão bela ermida o Santo de Assis viveu as maiores experiências de sua vida como frade menor, na Porciúncula teve início à Ordem dos Frades Menores e a ali preparou a fundação das Clarissas, neste lugar ele completou felizmente o curso de sua vida e missão sobre a terra. Foi aí, também, que o Santo de Assis alcançou a célebre Indulgência Plenária da Porciúncula que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas Igrejas. Era seu desejo poder celebrar tantos e tão grandes feitos ali recebidos do Senhor da misericórdia.

Frei Régis Daher, OFM


ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS ANJOS.

Ó Nossa Senhora, dos Anjos, na pequena Igreja da Porciúncula,

São Francisco recebeu as vossas bênçãos generosas juntamente com sua Ordem. Ele depositara na vossa presença materna uma grande confiança e devoção, sendo atendido em seus pedidos. Continuai a dispensar os vossos favores sobre nós e sobre nossas necessidades particulares.

Nós vos suplicamos, dai-nos a graça da penitência e de Deus o perdão dos pecados, a correção de nossas más inclinações e fortalecimento nos momentos de fraqueza. Quantos recusam a salvação e preferem caminhar nas trevas do erro! Tudo é possível para aquele que crer, para aquele que se arrepender!

Vós, ó Mãe, manifestastes a São Francisco o grande desejo de reconciliar os pecadores com Jesus, que se entregou em uma cruz para nos salvar. Rogai por nós, agora e na hora de nossa morte. Por isso, com todos os anjos do céu, vos saudamos: Ave Maria …

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Frades estão reunidos em Franca/SP para a “Semana de Formação Custodial”

Franca (SP) – Como de costume, nossa Custódia organiza anualmente, na última semana do mês de julho, uma Semana de Formação. Essa tem um caráter de atualização e convivência para todos os frades. Atualiza cada confrade no conhecimento, oferecendo formação teológica, pastoral, franciscana e humana. E não poderia faltar, o espírito da fraterna convivência na qual estreitam os laços de amizade, irmandade e conforto, concretizando, assim, nossa vivência carismática.

Para nos nortear durante essa Semana de Formação, um outro frade de outra entidade é convidado para facilitar a temática. Esse ano contamos com a presença fraterna de Frei Gustavo Wayand Medella, OFM, frade da Província Franciscana da Imaculada Conceição. do Brasil, atual Vigário Provincial. O confrade aborda a temática: “A Evangelização Franciscana hoje”, trazendo como materiais base para os estudos: Exortações Apostólica do Papa Francisco ‘A Alegria do Evangelho’ e ‘Fratelli Tutti’, e o documento da Ordem dos Frades Menores ‘O Reino de Deus está próximo’.

Os conteúdos são muito intrínsecos e atuais para a vivência pessoal e pastoral dentro de nossas fraternidades e frentes de evangelização. As exortações nos levam a refletir e nos exortam para sermos sempre ousados e sairmos de nossos comodismos e nos impulsionam a uma missionariedade de continuo encontro com o outro, levando promoção humana, soluções para uma continua busca de sanar dificuldades e transitar nas diversas crises reais existentes, portando a novidade de Cristo, seja no social, humano, ecológico, eclesial, político e econômico. Sermos sal da terra e luz no mundo, chamado continuo de Deus para nós discípulos missionários.

A exortação apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, em particular, nos motiva a não deixarmos morrer o espírito missionário, medula da nossa caminhada enquanto peregrinos e colaboradores do Reino, e nos ajuda a compreender que o essencial não nos sejam tolhidos para que não nos desanimem. Assim, o Papa Francisco exclama:

  • “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário!” (EG 80)
  • “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (EG 83)
  • “Não deixemos que nos roubem a esperança!” (EG 86)
  • “Não deixemos que nos roubem a comunidade!” (EG 92)
  • “Não deixemos que nos roubem o Evangelho!” (EG 97)
  • “Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!” (EG 101)
  • “Não deixemos que nos roubem a força missionária!” (EG 109)

A Semana de Formação foi iniciada na última segunda-feira (25) e segue até sexta-feira (29), onde se culminará o encerramento com o almoço. A noite, haverá a solene Celebração Eucarística, na qual todos os confrades, com alegria, se reunirão com o povo de Deus, na Paróquia São Judas Tadeu, e na oportunidade, Frei Lucas de Oliveira Santos, OFM, professará definitivamente seus votos de obediência, sem nada de próprio e em castidade na Ordem dos Frades Menores.

Pedimos a iluminação de Deus para que nos guie e nos dê sabedoria para discernirmos com tranquilidade e consciência nossa missão e vocação, e nos abençoe para que sua presença seja contínua em nossas vidas. Que São Francisco interceda por cada um de nós, seus confrades, e nos aponte sempre Aquele que nos chamou e nos ama.

Que a PAZ e o BEM reine em nossos corações!

Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM

Custódia se faz presente pelo JPIC em evento “Casa em Ruínas” no Rio de Janeiro/RJ

10 Anos depois da Rio +20 – “A nossa casa ainda está em ruínas”

O JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação) de nossa Custódia, em comunhão com o JPIC da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, esteve neste último final de semana (24 a 26/06) reunidos no Rio de Janeiro/RJ.

O evento denominado “Casa em Ruínas”, refletiu as temáticas deixadas pela Rio +20, que foi assim conhecida porque marcou os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.

“Dez anos depois da Rio +20, o que mudou?”, esse foi o questionamento norteador aos franciscanos, franciscanas e formadores de opinião do Rio de Janeiro/RJ e afins que se propuseram a fazer uma análise de conjuntura político-ecológica da atualidade, com o objetivo da renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, e a localização dos franciscanos e franciscanas como participantes dessa pauta.

Nessa discussão, tomaram parte também o Frei João Paulo Gabriel Mendes de Moraes, OFM, coordenador do JPIC da Fraternidade Custodial, Marta Ballarim, vinda do Patronato São Francisco de Assis de Garça/SP, representando as obras sociais de nossa Custódia, Frei José Aécio de Oliveira Filho, OFM, mestre do Aspirantado e Postulantado, junto dos postulantes, Ariel Altman e Felipe Augusto, que mesmo estando de férias, se dispuseram a participar do evento e refletir temáticas tão pertinentes ao carisma Franciscano e às lutas sociais necessárias nos dias de hoje.

De nossa Custódia, esteve também o Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, OFM, SINFRAJUPE (Serviço Inter-franciscano de Justiça e Paz e Ecologia) e membro da equipe do JPIC, que também teve um espaço na mesa, onde nos falou sobre os problemas do extrativismo e a organização social eclesial.

O encontro aconteceu em três momentos diferentes, sendo o primeiro na PUC-Rio, o segundo no Convento Santo Antônio, no Largo da Carioca e por fim, o terceiro momento foi uma subida à Favela da Rocinha, onde foi celebrada a Eucaristia, trazendo as experiências vividas e os clamores de frades, leigas e leigos engajados na luta e defesa da casa comum.

Fraternalmente,

Frei João Paulo Gabriel Mendes de Moraes, OFM (Coordenador – JPIC)

JUFRA de Bebedouro/SP e de Ribeirão Preto/SP celebram juntos o dia dos Jufristas

Neste dia 06 de março em que a Família Franciscana celebra Santa Rosa de Viterbo, padroeira da JUFRA, a Juventude Franciscana de Ribeirão Preto/SP e de Bebedouro/SP celebraram juntos o seu dia.

Iniciaram o encontro às 9h com a Celebração da Santa Missa que foi Presidida por Frei Israel Costa Cardoso, OFM, na Matriz Paroquial de Santo Antônio Maria Claret e Frei Galvão. Nesta, contou-se também com a presença dos Assistentes Espirituais das duas fraternidades: Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM (Bebedouro/SP) e Frei Lucas de Oliveira Santos, OFM (Ribeirão Preto/SP).

Após a celebração da eucaristia, os irmãos e irmãs se reuniram para um momento de dinâmicas e de entrosamento entre si. Em seguida, almoçaram e nesta contaram com a presença de toda a Fraternidade dos Frades de Ribeirão Preto/SP.

Uma mensagem foi refletida e lida na qual reflete a espiritualidade da Fraternidade da Juventude Franciscana e que disponibilizamos por ser tão verdadeira e motivadora para cada um e cada uma que abraça essa vida e pretende conhecê-la.

Eis o texto:


“SER JUFRISTA”

Ser Jufrista é recordar! O que dizer de um dia que remete a tantas recordações… Recordações pessoais, coletivas, de perto, de longe, tranquilas e até um tanto turbulentas… Mas sempre fraternas!

Ser Jufrista é lembrar na pele! São memórias que renascem e que nos fazem sentir o calor de um abraço de um irmão/irmã que talvez já nem faça parte da fraternidade; o frio da manhã quando é preciso acordar cedo para os eventos “Jufrais”; o cheiro do café da mãe de uma irmã da fraternidade; o som de um pássaro que cantava em um retiro; o gosto da comida nas confraternizações; as cores e a criatividade na confecção das camisas que identificam nossa JUFRA local.. todos os sentidos ficam aguçados com essas memórias que esse dia suscita.

Ser Jufrista é recomeçar! É certo que por mais que saibamos e tentemos seguir nossos ideais, sempre nos deparamos com momentos em que o cansaço, as frustrações, a correria do dia-a-dia nos desmotiva a continuar. Aí a gente lembra: Pouco ou nada fizemos, vamos recomeçar… E tudo se renova! Buscamos uma força que parece brotar lá do fundo da gente e vai crescendo, crescendo e quer sair de nós, não cabe em nós. Sentimos a necessidade de dividir com os irmãos e irmãs e contagiar todo mundo. Isso é ser Jufrista!

Ser Jufrista é encarar desafios! Quantos de nós nunca se imaginou em um serviço na fraternidade e quando se deu conta já fazia parte de uma equipe regional, nacional… Se isso ainda não aconteceu com você, meu irmão e minha irmã, prepare-se!

Ser Jufrista é conhecer o outro! É perceber a unidade nas diferenças. Lembremo-nos do irmão que faz uma ata como ninguém; daquele que sempre chega atrasado, mas que alegra a turma toda; do irmão que toca; da irmã que canta e encanta; daquele que está sempre disposto a ajudar; daquela que sempre tem uma palavra a dizer…

Nossa fraternidade é linda!

Ser Jufrista é sair em missão! Nossos trabalhos nas Jornadas de Direitos Humanos, nossas manifestações nos Gritos dos Excluídos, nossas mobilizações em tantos projetos, nossas orações em cada campanha, nossa participação nos eventos da JUFRA desde os encontros na fraternidade, passando pelos congressos regionais e nacionais até internacional. Quanto pé na estrada, hein?! Quanta luta!

Ser Jufrista é ser vigilante! Não tem nada mais cansativo que ficar horas aprovando estatuto e concluindo pautas até tarde nos encontros por aí a fora… Formadores que viram madrugadas preparando encontros e irmãos que mandam mensagens às três da manhã pra desejar um feliz dia do Jufrista! Equipes que ficam horas em reuniões para que tudo saia certo nos materiais e nos encontros da JUFRA. Mas tudo vale a pena… Pois aquilo que fazemos com amor não nos enfraquece, ao contrário, nos acrescenta.

Ser Jufrista… é algo tão peculiar, mas também tão simples. Tão pessoal e também tão grupal. E a cada momento, a cada vivência, nos definimos de maneira própria, singular. E pra você? O que é ser Jufrista? Pense nisso! Que nesse dia possamos nos reconhecer com tudo que somos, com tudo que temos como jovem franciscano. E que com nosso jeito de ser possamos transformar o mundo a nossa volta!”

Gleice Francisca


Imagem Ilustrativa (Fonte): Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Viva Santa Rosa de Viterbo! Viva os jufristas! Parabéns!

PAZ e BEM!

Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM (Assistente da JUFRA – Bebedouro/SP)

Frades de Profissão Temporária participam da Semana Interprovincial de Formação Franciscana

Aconteceu durante esta semana (17 a 21 de janeiro de 2022), a “Semana Interprovincial de Formação Franciscana”, destinada aos frades de profissão temporária das seguintes entidades: Província Santa Cruz (MG), Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil (GO, TO e DF), Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS) e da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus.

Este encontro teve por objetivo estudar e aprofundar assuntos acerca da Espiritualidade Franciscana, além de uma maior integração dos frades das entidades acima referida, estreitando os laços fraternos.

A “Semana Interprovincial de Formação Franciscana” era para ter acontecido de maneira presencial, no Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP. Contudo, devido ao grande aumento dos casos de COVID-19, a organização achou por bem realizá-la de maneira remota (online).

Imagem (Fonte): Captura de Tela (Meet) – Frei Aldir Crocoli, OFMCap, em um dos momentos da formação.

A Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus foi a anfitriã da formação e convidou o Frei Aldir Crocoli, OFMCap, da Província Capuchinha do Rio Grande do Sul, que é Doutor em Franciscanismo. Durante esta semana, Frei Aldir, OFMCap, trabalhou e aprofundou de forma dinâmica, os capítulos 1, 7, 9 e 14 da Regra não-Bulada.

Foi possível perceber através deste estudo orientado por Frei Aldir, OFMCap, a grande riqueza desta regra, e que nas maioria das vezes, acabamos por ler sem realizar o devido aprofundamento. O estudo contribuiu para aprofundarmos o nosso conhecimento acerca da Cristologia Franciscana, bem como sobre a importância do conhecermos afundo a forma de vida em que nós, frades, escolhemos de livre e espontânea vontade viver, seguindo assim, os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Imagem (Fonte): Captura de Tela (Meet) – Frei Aldir Crocoli, OFMCap, durante os agradecimentos.

Os temas abortados por Frei Aldir, OFMCap, nos provocou a uma reflexão que é impossível não levá-la para o nosso cotidiano, como frades menores, seja em relação a convivência fraterna junto dos nos irmãos da Ordem ou junto com o povo de Deus. Assim sendo, agradecemos a Deus por tal dádiva e rogamos a Ele que continue abençoando este exímio frade, Frei Aldir, OFMCap, por nos conduzir com maestria durante os estudos desta semana. Que Deus nos dê a graça da santa perseverança!

Frei Douglas Brito Ribeiro Atanazio de Sousa, OFM (Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora – MT e MS)

Papa Francisco aos pobres em Assis: “Esperança e resistência partilhadas”

Jane Nogara (Vatican News)

Por ocasião do Encontro de oração e testemunho da quinta edição do Dia Mundial dos Pobres o Papa Francisco foi a Assis nesta sexta-feira, 12 de novembro. Depois de ouvir os testemunhos de alguns presentes e do momento especial de oração o Papa dirigiu algumas palavras aos presentes.

Francisco iniciou agradecendo a presença de todos em Assis e recordando que a cidade de Assis “tem impresso o rosto de São Francisco” que recebeu o chamado para viver o Evangelho à letra. E disse que embora a sua santidade de alguma forma nos assusta porque parece impossível imitá-la, devemos recordar certos momentos da sua vida que valem mais do que os sermões. E falou dos pequenos sacrifícios os “fioretti” que o Santo fazia, que foram reunidos para mostrar a beleza da sua vocação: “somos atraídos por esta simplicidade de coração e de vida: é a própria atração de Cristo, do Evangelho”. O Papa recordou uma dessas passagens quando Francisco vivendo na pobreza extrema conseguia alguma coisa para comer embora fosse pouca ele sempre a considerava como “um tesouro do qual não se sentia digno”, e dizia:

“É precisamente isto que considero um grande tesouro, porque não há nada, mas o que temos nos foi dado pela Providência (…) Este é o ensinamento que São Francisco nos dá: saber contentar-se com o pouco que temos e partilhá-lo com os outros”

Homens e mulheres pedras vivas da Igreja

Ao recordar que o encontro se realizava na Porciúncula, uma das pequenas igrejas que São Francisco pensou em restaurar, o Papa disse: “Ele nunca teria pensado que o Senhor lhe pedisse para dar a sua vida para renovar não a igreja feita de pedras, mas a de pessoas, de homens e mulheres que são as pedras vivas da Igreja. E se estamos aqui hoje é precisamente para aprender com o que São Francisco fez”.

Marginalização espiritual

São Francisco “passava muito tempo nesta pequena igreja a rezar”, continuou o Papa, “recolhia-se aqui em silêncio e escutava o Senhor, o que Deus queria dele. Também nós viemos aqui para isto: queremos pedir ao Senhor que ouça o nosso grito e venha em nosso auxílio. Não esqueçamos que a primeira marginalização de que os pobres sofrem é espiritual”. O Papa recordou e agradeceu a todos os que ajudam os pobres, e disse que fica muito feliz quando “as pessoas param para falar e às vezes rezar com eles”.

Em seguida falou da acolhida.

“Acolher significa abrir a porta, a porta da casa e a porta do coração, e permitir àqueles que batem à porta de entrar. E que podem sentir-se à vontade, sem medo. Onde existe um verdadeiro sentido de fraternidade, existe também a experiência sincera de acolhimento”

A fraqueza pode se tornar uma força que melhora o mundo

Neste ponto do discurso o Papa falou sobre o encontro.

“Encontrar-se é a primeira coisa, ou seja, ir ao encontro uns dos outros com o coração aberto e a mão estendida. Sabemos que cada um de nós precisa do outro, e mesmo a fraqueza, se experimentada em conjunto, pode tornar-se uma força que melhora o mundo”

O Pontífice em seguida abordou a questão dos que afirmam que os responsáveis pela pobreza são os pobres…. além da “hipocrisia dos que querem se enriquecer para além das medidas, se coloca a culpa sobre os ombros dos mais fracos”. E para contrastar o Papa afirmou com veemência:

“É tempo que seja restituída a palavra aos pobres, porque durante demasiado tempo os seus pedidos não foram ouvidos. É tempo que se abram os olhos para ver o estado de desigualdade em que vivem tantas famílias. É tempo de arregaçar as mangas para restituir dignidade através da criação de empregos. É tempo que se volte a se escandalizar diante da realidade de crianças famintas, escravizadas, tiradas das águas quando naufragam, vítimas inocentes de todo o tipo de violência. É tempo que cessem as violências contra as mulheres e as mulheres sejam respeitadas e não tratadas como mercadoria. É tempo que se rompa o círculo da indiferença para retornar a descobrir a beleza do encontro e do diálogo”.

Coragem e sinceridade

Em seguida o Papa comentou os testemunhos das pessoas pobres agradecendo sua coragem e sinceridade. “Coragem, porque quiseram partilhar com todos nós, mesmo que façam parte da sua vida pessoal; sinceridade, porque se mostraram como são e abriram o seu coração com o desejo de serem compreendidos”.

Esperança e resistência

“Percebi um grande sentido de esperança. A marginalização, o sofrimento da doença e da solidão, a falta de muitos meios necessários não os impediu de olharem com os olhos cheios de gratidão para as pequenas coisas que lhes permitiram de resistir”

Por fim o Papa falou sobre resistir além da esperança: “Esta é a segunda impressão que eu percebi e que deriva da esperança. O que significa resistir? Ter a força para continuar apesar de tudo. A resistir não é uma ação passiva, pelo contrário, requer coragem para empreender um novo caminho sabendo que dará frutos”.

Concluindo disse: “Peçamos ao Senhor que nos ajude sempre a encontrar a serenidade e a alegria. Aqui na Porciúncula, São Francisco ensina-nos a alegria que vem de olhar para quem está próximo como a um companheiro de viagem que nos compreende e nos apoia, tal como nós somos para ele ou ela”.

Fonte: Vatican News

“Centenário Franciscano” será anunciado dia 19 de novembro em Greccio

Imagem Ilustrativa (Fonte): Piero Casentini

A Conferência da Família Franciscana publicou ontem, 3 de novembro, uma carta sobre a celebração do Centenário Franciscano. Ela partiu do encontro dos Ministros Gerais das Famílias Franciscanas, que se reuniram em Assis, no dia 2 de outubro passado, para planejar a celebração dos aniversários franciscanos em um único Centenário Franciscano.

Esse Centenário Franciscano, celebrado em diversos centenários, será anunciado no dia 19 de novembro de 2021 no Santuário de Greccio (Rieti), lugar onde “São Francisco quis ver com seus próprios olhos a pobreza em que nasceu Jesus, para ensinar-nos a beleza de um Deus que assume nossa condição humana”.

“Os anos que estamos vivendo estão marcados pela recordação de importantes passagens do itinerário da vida de São Francisco em seu último ano”, explicaram na carta Deborah Lockwood, presidente da Conferência Franciscana Internacional da Ordem Terceira Regular; Tibor Kauser, Ministro Geral da Ordem Franciscana Secular; Frei Massimo Fusarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores; Frei Roberto Genuin, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; Frei Carlos Alberto Trovarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais; e Frei Amando Trujillo Cano, Ministro Geral da Ordem Terceira Regular.

A Família Franciscana chama de único Centenário Franciscano os eventos que, de 2023 a 2026, em torno do Ano Santo de 2025, incluirá: os 800 anos da Regra, o Presépio de Greccio (2023), os Estigmas (2024), o Cântico das Criaturas (2025) e a Páscoa de Francisco (2026). “Busca ser um centenário articulado e celebrado em diferentes centenários”, explicam os ministros.

Segundo a carta, tal distribuição dos centenários “parece oferecer-nos a todos a preciosa possibilidade de fazer memória viva e desafiante do carisma evangélico que o Espírito suscitou na Igreja através de São Francisco. Queremos viver este Centenário Franciscano em profunda comunhão como Família, em todos os países e contextos do mundo em que estamos presentes”.

Para isso, os Ministros Gerais instituíram uma Comissão do Centenário Franciscano e convidaram para participar os Ministro Provinciais das Famílias da Itália Central, ao Custódio do Sacro Convento de Assis e quatro representantes dos Conselhos Gerais. “Reconhecemos a importância deste Centenário, que não se restringe somente a algumas celebrações nos Santuários da Itália Central, mas que busca ajudar-nos – em todo o mundo – a retomar e aprofundar juntos os pontos essenciais de nossa identidade carismática franciscana”.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


Carta do Ministro Geral por ocasião do V Dia Mundial dos Pobres

Imagem ilustrativa (Fonte): Frei Dito (Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil)

18 de outubro – Festa de São Lucas evangelista

– Aos Ministros provinciais, aos Custódios e aos Presidentes das Fundações

– A todos os Frades da Ordem dos Frades Menores

Caros Irmãos,  o Senhor lhes dê a paz!

No dia 14 de novembro próximo, se celebra a V Jornada Mundial dos Pobres, e exatamente dois dias antes, sexta-feira, 12 de novembro, o Papa Francisco será peregrino na Porciúncula, na Basílica de Santa Maria dos Anjos, para encontrar 500 pobres provenientes de diversas partes da Europa, para escutá-los e dialogar com eles. O Senhor Papa dá-nos ainda testemunho de um gesto muito eloquente.

Estarei presente com outros irmãos neste momento. Estarei lá em nome de todos vocês.

Recebida a notícia desta visita, juntamente com uma grande alegria, senti por todos nós, frades, a forte provocação de um gesto que será realizado exatamente no lugar onde todos nós nascemos.

O Papa não se limita a escrever uma mensagem, mas encontra a carne, o próprio corpo dos pobres, que é sacramento de Cristo, que por nosso amor se fez pobre e quis identificar-se com eles.

Na memória, voltei às palavras de São João XXIII, terciário franciscano, que um mês antes da abertura do Concílio, disse com espírito profético: A Igreja apresenta-se como ela é e quer ser, como Igreja de todos, particularmente a Igreja dos pobres. (Radiomensagem aos fiéis de todo o mundo, 11 de setembro de 1962)

Esta consciência da Igreja de cada tempo encontra uma testemunha extraordinária em São Francisco, como nos recordou o Papa em sua Mensagem ao nosso recente Capítulo Geral: Renovar a própria visão: é isto que aconteceu ao jovem Francisco de Assis. Ele próprio o atesta, contando a experiência que, no seu Testamento, ele coloca no início da própria conversão: o encontro com os leprosos, quando “aquilo que era amargo se lhe transformou em doçura de alma e de corpo” (Test 1-4). Na raiz da vossa espiritualidade está este encontro com os últimos e com os sofredores, no sinal do “fazer misericórdia”. Deus tocou o coração de Francisco através da misericórdia oferecida ao irmão e continua a tocar os nossos corações através do encontro com os outros, sobretudo com as pessoas mais necessitadas. A renovação da nossa visão só pode partir de novo deste olhar novo com o qual contemplar o irmão pobre e marginalizado, sinal, quase sacramento da presença de Deus. Deste olhar renovado, desta experiência concreta de encontro com o próximo e com as suas chagas pode nascer uma renovada energia para olhar para o futuro como irmãos e como menores, como vocês são, segundo o belo nome de “frades menores” que São Francisco escolheu para si e para vocês.

Pergunto-me, na escuta da minha consciência e da voz do Senhor, o que faço com cada um de vocês:

– Até que ponto sou consciente de que o encontro com os pobres está no coração da minha vida de frade menor nos passos de Jesus, “Ele que era rico acima de todas as coisa e quis neste mundo, juntamente com a beatíssima Virgem, escolher a pobreza” (2Fi 5)?

– Quantos momentos e ocasiões de encontro, de partilha tive com pobres concretos? Sinto que isto me “perturbou” e recolocou no caminho? Ou não?

– Muitas vezes não me defendo, pensando que esta seja uma dimensão muito social e pouco religiosa? Mas, segundo a palavra dos profetas nas Escrituras, os pobres não são talvez o espelho no qual vemos se ainda somos crentes? Deus os amou e quis que o seu Filho fosse um deles. O mesmo vale para os apóstolos e para tantos amigos do Senhor ao longo da história, não últimos São Francisco e Santa Clara e Santa Isabel. Poderá o encontro com o rosto real de alguns pobres e sofredores concretos, com o odor, com a sua presença muitas vezes desagradável, com as perguntas que nos fazem, poderá finalmente mover-nos e comover-nos? Induzir-nos à conversão? Fazer-nos sair das nossas tocas, frequentemente muito cômodas?

Por isso, como ministro e servo de vocês e em comunhão com o Definitório geral, por meio desta carta, amadureci na oração a ideia de pedir a todos os Frades da Ordem e às diversas fraternidades do mundo que se realize no mês de novembro pelo menos um momento concreto de encontro com os pobres. Não sozinhos, mas como fraternidade, ao menos dois a dois (cf. Lc 10, 1), para buscar um simples encontro de presença, proximidade e serviço com algum deles, para bater à porta deles, como escreveu o Santo Padre na sua Mensagem para esta V Jornada. Ouçamo-lo:

Não podemos esperar que os pobres batam aa nossa porta, é urgente que os alcancemos nas suas casas, nos hospitais e nas residências de assistência, pelas estradas e nos cantos escuros onde às vezes se escondem, nos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que experimentam e quais desejos eles têm no coração. Fazemos nossas as palavras de Dom Primo Mazzolari: “Eu gostaria de pedir-vos para não perguntar se há pobres, quem são e quantos são, porque temo que semelhantes perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar de uma precisa indicação da consciência e do coração. […] Eu nunca contei os pobres, porque não se podem contar: os pobres se abraçam, não se contam” (“Adesso” n. 7 – 15 de abril de 1949). Os pobres estão no nosso meio. Como seria evangélico se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiremos reconhecê-los realmente e fazer com que eles se tornem parte de nossa vida e instrumento de salvação.

No Capítulo geral, nós nos interrogamos de novo sobre a nossa identidade e a reconhecemos na fraternidade e na minoridade. Podemos discutir longamente e encontrar-nos sempre no mesmo ponto.

Estou e estamos felizes pela presença do Santo Padre na Porciúncula: certamente é uma honra àquele lugar e a todos nós e, ao mesmo tempo, nos impulsiona a sair de nós mesmos e das nossas casas e atividades ordinárias ao encontro dos pobres, e descobrir que a nossa identidade está ali, nos espera, nos dá nova luz, é possível vivê-la hoje com alegria, também no meio das fadigas.

Creio que a todos nós é possível um passo do gênero: aos ministros e a todos os irmãos, aos jovens como aos anciãos, aos frades empenhados na pastoral como aos que estudam, aos noviços e candidatos à vida franciscana como aos seus formadores, aos evangelizadores como aos missionários, a todos os que se sentem firmes na vocação e aos que se fazem tantas perguntas e talvez olhem além.

Isto, porque encontrar os pobres não é uma atividade nem uma ideologia? É uma porta de misericórdia, sempre aberta. Escolhamos atravessá-la juntos, e creio que virá ao nosso encontro uma grande surpresa do Espírito, um importante novo início na nossa vida evangélica. Não importa quão santos ou pecadores sejamos: os pobres acolhem aquele pobre que está em cada um de nós, reconhecem-no e, se nos aproximar-nos deles sem arrogância ou temor, nos ajudam, são eles a fazernos caminhar e a sustentar-nos.

Se o Papa Francisco sonha com uma Igreja dos pobres, eu sonho que na nossa Fraternidade universal saibamos redescobrir e deixar-nos encontrar pelo rosto dos pequenos e dos pobres, com os seus nomes e condições diversas. Creio que, deste encontro vivido a partir de dentro de nossa vocação, nós, frades, receberemos a graça e ainda poderemos escolher de novo tornar-nos novamente pobres, revendo a nossa relação com as coisas, com o dinheiro, com o poder e com os afetos. Deus sabe quanto precisamos disso, para não extinguir-nos em uma vida muito cômoda e garantida, tão distante da condição dos pobres, de modo a não fazer-nos mais sentir a sede de Cristo e de uma humanidade viva e genuína, capaz de gastar-se.

“Os pobres são nossos mestres” (CCGG 93,§ 1): deixemo-nos evangelizar por eles O Senhor espera-nos junto deles e está pronto a presentear-nos com grandes surpresas. Deixemos com que ele o faça, irmãos amados no Senhor, não oponhamos resistência a este desejo, a este sopro do carisma que o Espírito ainda suscita com uma força que nós, sozinhos, não sabemos encontrar. Peço e pedimos a todos por isto.

Peço-lhes em nome de São Francisco: façamos esse passo em direção aos pobres no mês de novembro e ficaremos surpresos! O Senhor precede-nos e espera-nos neste caminho: escolhamos um gesto, andemos a uma casa, a um abrigo, uma enfermaria dos frades doentes, um cárcere, um hospital, um centro de migrantes, uma periferia, uma comunidade de acolhimento e tantos lugares ainda, para visitar Cristo nos seus vigários, os pobres. E deixar-nos encontrar por ele, que quer ainda atrair e acender a nossa vida.

De boa vontade receberei, de quem de vocês que o quiser, uma restituição, um pequeno relato deste encontro com alguns pobres, sobre como isso manteve viva a chama da fé e da vocação: poderemos começar a narrar e escrever o traço da vida franciscana que nos é dado e pedido para este nosso tempo, de modo a poder transmiti-lo, com a vida e com a palavra, à próxima geração.

O Senhor nos abençoe, e São Francisco sustente, neste tempo abençoado e difícil, o nosso desejo de uma nova partida na vocação como irmãos, menores e pobres, à busca do rosto do Senhor nas estradas dos homens e das mulheres de hoje, capazes de encontro e de testemunho.

Abraço-os com grande afeto e fraternidade,

seu ministro e servo,

Frei Massimo Fusarelli, OFM (Ministro Geral)

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Carta do Ministro Geral e do Definitório para a Festa de São Francisco

Renovemos nossa visão, abracemos nosso futuro

Queridos irmãos e irmãs!

Que o Senhor lhes dê paz!

Recentemente, nossa Ordem Franciscana celebrou seu Capítulo Geral e esta é a primeira vez que nos dirigimos a vocês como irmãos do Definitório Geral. Começamos nosso trabalho como Fraternidade Definidora e estamos estudando exaustivamente os mandatos e diretrizes que o Capítulo Geral  nos confiou, para traçar as linhas-guia para a animação da Ordem durante o próximo sexênio. Esperamos fazer chegar a você estas propostas o mais rápido possível.

Entre fragilidade e mudança

Uma imagem franciscana que nos ajuda nesses tempos que vivemos é o regresso de Francisco da Terra Santa. Segundo algumas tradições, ele viveu um confinamento em uma pequena ilha da laguna de Veneza, onde experimentou a fragilidade de seu mundo, a crise da Fraternidade, suas lutas internas, um combate entre escuridão e desolação. No entanto, Francisco manteve uma resposta de gratidão, juntamente com uma visão fundada na esperança. (cf. Rnb 23).

Também hoje, a Ordem está dividida entre a esperança e o desânimo, entre o crescimento em algumas áreas e o declínio em outras. Nos movemos entre o caminho de renovação de nossa identidade de Frades Menores e o clericalismo que nos dá poder e segurança e nos faz acreditar que não temos necessidade de ninguém, afastando-nos de nossa vocação e missão de Frades Menores. Por isso, devemos deixar-nos tocar mais uma vez pelo lema do Capítulo Geral: “Levanta-te… e Cristo te iluminará (Ef 5,14)”.

Estamos em um momento de mudança, que envolve a todos e também acreditamos que devemos nos colocar neste clima de profunda transformação, encontrando caminhos novos e positivos. Este não é apenas um desafio, mas sim, um dom desses tempos em que vivemos. O presente nos desafia, nos coloca em situação de sobrevivência e vulnerabilidade.

É uma experiência profunda a de nossa existência que nos convida a caminhar, da melhor maneira, e a aprofundar no nosso estilo de vida que professamos, para que reconheçamos que às vezes nos esquecemos e não vivemos segundo a inspiração carismática que nos chama a ser Frades Menores. Sentir-nos vulneráveis nos permite reconhecer nossas fraquezas pessoais e fraternais e ir entre as pessoas com humildade, simplicidade e alegria.

Para nos animarmos e nos apoiarmos na esperança nesses tempos de mudança, fragilidade e vulnerabilidade, nos podem ajudar algumas atitudes:

  1. Reconhecer e aceitar nossa fragilidade humana, na nossa fraternidade e no mundo que nos rodeia.
  2. Reconhecer a bondade, a beleza, a justiça, os valores gravados nos corações dos homens e mulheres do nosso tempo, para crescer e desfrutar enquanto acompanhamos os outros em suas alegrias pelo que o Altíssimo está fazendo em suas vidas, famílias e comunidades, onde vivem e trabalham.
  3. Ouça o convite para mudar, para poder amar sem medo, iniciar processos de libertação e ir aos locais de fratura, onde a vida sofre e grita com toda a sua força. Esses gritos sobem ao céu e Deus os ouve.

Alguns convites

No Documento Final do Capítulo Geral, há cinco convites que nos são propostos e que constituem um itinerário para todos nós: um convite à gratidão, um convite para renovar nossa visão, um convite à conversão e à penitência, um convite para missão e evangelização e um convite a abraçar o nosso futuro. Para nós “Frades Menores”, tais convites não são opcionais, pelo contrário, apresentam-se como critérios necessários para perseverar em um caminho de fidelidade junto às cinco prioridades da Ordem conhecidas de todos.

Relendo esses cinco convites, como um itinerário, percebemos que somos chamados, a partir da gratidão pelos bens recebidos, a criar ação constante de agradecimento, e a restituir continuamente a Deus todos os bens. Entre esses bens, reconhecemos o crescimento da Ordem em alguns continentes como África e Ásia e, por todas as partes, o testemunho sincero de tantos irmãos ao lado dos necessitados. Esta gratidão vem a partir do dom do Espírito que renova nossa maneira de ver o mundo e sua história, reconhecendo os sinais dos tempos e a presença de Deus.

No entanto, para que seja verdadeira, esta visão renovada deve abrir nossos olhos à necessidade de conversão e penitência, para que verdadeiramente possamos renovar muitas de nossas atitudes que necessitam ser purificadas. As áreas que precisam de renovação e conversão são as de nossa vida fraterna e minoridade, já que, como diz o Documento Final do Capítulo, fraternitas e minoritas são os dois pulmões de nossa identidade. A fraternidade e a minoridade devem ser vividas, certamente, entre nós, em nossas comunidades, e sobretudo devem caracterizar-se por nossa proximidade com as pessoas que encontramos, para sermos irmãos e menores de todo o mundo. Os pobres e os que sofrem e os que vivem na necessidade são os destinatários privilegiados do nosso desejo de ser irmãos e menores, reconhecendo-os como nossos mestres (cf. CCGG 93§1). Como nos disse o Papa em sua mensagem ao Capítulo: “O olhar renovado, capaz de abrir-nos para o futuro de Deus, o recebemos de nossa proximidade com os pobres, as vítimas da escravidão moderna, os refugiados e os excluídos deste mundo. Eles são vossos mestres. Abrace-os como fez São Francisco!”

Do olhar dos pobres e dos vencidos

Os irmãos capitulares nos convidam, dentro do contexto da pandemia que vivemos como humanidade, a fazer um esforço para ler a realidade, a história, a cultura, a economia e a Igreja desde o lugar onde vivem os pobres, os que não valem nada, os marginalizados. Assim, com um novo olhar profundo, crente, encarnado e teológico, podemos abraçar e deixar-nos abraçar pelos pobres e os desfavorecidos. Por isso precisamos purificar e transformar nossa visão, ao modo de Jesus, do Poverello de Assis e dos milhares de Irmãos e irmãs que nestes 800 anos souberam se colocar no verso da história, com uma verdadeira atitude franciscana.

Como São Francisco, isso nos abre o caminho da itinerância, para viver como “peregrinos e estrangeiros neste mundo” (Rb 6,2), livres para a missão e evangelização, como fraternidade contemplativa em missão, com o olhar fixo no futuro, dirigindo nossos passos para a outra margem, assim como Jesus convidou seus discípulos. Não devemos ter medo de seguir novos caminhos, respondendo às exigências de um mundo em constante mudança. Não podemos nos contentar em repetir o que sempre foi feito, com todo respeito a uma história que foi grande justamente porque soube se renovar constantemente ao longo de oito séculos.

Particularmente, nosso tempo requer uma atenção específica à “casa comum”, do ponto de vista da ecologia integral, segundo o que nos ensina o Papa Francisco. A novidade dessa perspectiva encontra-se no fato de ler de forma interconectada toda a realidade, desde a relação com Deus à atenção ao meio ambiente, ao compromisso pela justiça e paz, e cremos que este é um desafio de grande urgência para nós. Se nosso estilo de vida, que inclui uma certa busca de conforto, não é coerente com esta perspectiva, deveríamos reconhecer que aqui também precisamos de penitência e conversão. É importante ter presentes as Encíclicas papais Fratelli Tutti e Laudato Si’, que suscitam em nós a disponibilidade de nos colocarmos em caminho, a estudar e nos comprometermos com o bem da vida. Estas, além disso, são um sinal profético que mostra como é realmente possível um modo de viver e relacionar-se à luz do Evangelho e da práxis de São Francisco e Santa Clara, segundo o espírito que nos leva a ser bons administradores e não proprietários, a conviver e não acumular.

A esperança renasce quando aprendemos a não ter medo de recomeçar quantas vezes seja possível. Sigamos em frente todos juntos: atrás de nós há uma rica história, que nos próximos anos também celebraremos por meio dos centenários franciscanos, e diante de nós há um futuro que desejamos receber com esperança. Queremos oferecer ao nosso mundo uma palavra de confiança e esperança, da qual tem uma grande necessidade.

Convidamos todos os que se inspiram em São Francisco a optar por estar sempre grato Àquele que molda a vida de cada um de nós e de todas as pessoas que encontramos, de uma forma ou de outra, ao longo do caminho da vida e da história. Somos convidados a participar de forma responsável numa cultura de cuidado, garantindo que nossas fraternidades e todos os ambientes pastorais sejam saudáveis ​​e importantes, onde nenhum sinta que sua vida, integridade e dignidade estejam ameaçadas.

Somos convidados a ser construtores de pontes de comunicação e diálogo. Queremos estar ao lado de quem foi abandonado social, cultural e eclesialmente, igualmente com aqueles que são forçados pelas realidades econômicas e políticas a se tornarem migrantes, trabalhando ao lado de tantos homens e mulheres de boa vontade, assim como das organizações leigas verdadeiramente comprometidas com este fim. Assim, nossa vida franciscana será sempre uma vida de encarnação e compromisso fraterno e político com os bem-aventurados do reino de Deus. (Mt 5,1-12. 25,31-46)

Conclusão

Queridos irmãos e irmãs, não olhem para a Cúria Geral como um lugar distante: estamos aqui por vocês e queremos estar perto de vocês. Faremos nossa parte para buscar o contato com vocês e com as Entidades da Família Franciscana e confiamos em sua vontade de entrar em contato conosco.

Seguindo o exemplo do Papa Francisco que conclui seu discurso sempre pedindo para rezar por ele, também pedimos que vocês rezem por nós.

Com um abraço fraterno, desejamos uma boa Festa de São Francisco!

Ministro Geral e Irmãos Definidores (Roma – 2021)

Tradução Livre: Setor de Comunicação – Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil