2º Domingo do Advento: “É tempo de viver e implantar a justiça de Deus!”

O evangelista Marcos inicia seu escrito definindo quem é Jesus: é “o Cristo, o Filho de Deus”. Para ele é importante começar dizendo que aquele menino nascido em Belém, crescido na Galileia, que recebeu o nome de Jesus, é o Salvador e não há outro. Imediatamente após este anúncio aparece João Batista realizando a sua missão, isto é, preparar os caminhos do Senhor. De acordo com o evangelista, João Batista era aquele mensageiro anunciado pelo profeta Isaías, na primeira leitura, quando dizia: “Eis o vosso Deus! Eis que o Senhor Deus vem com poder… como um pastor ele apascenta o seu rebanho… carrega os cordeirinhos no colo e tange docilmente as ovelhas-mães”.

João Batista realiza o batismo de conversão, quer dizer, ele acolhe as pessoas que buscam a misericórdia de Deus e mudam sua conduta. No batismo dele a água é o elemento de purificação de cada batizado. Mas, João anuncia um outro batismo que será feito por aquele que veio para salvar a humanidade. João mesmo diz que é alguém forte, que ele nem é digno de se “abaixar para desamarrar suas sandálias”. E ainda anuncia que este alguém batizará com o Espírito Santo. Isto significa que João Batista anuncia que o Salvador já está no meio do seu povo e que é tempo de viver e implantar a justiça de Deus. Daí a necessidade de conversão dos pecados.
Com a chegada de Jesus chegou também um novo tempo. Deus veio morar no meio do seu povo. Por isso é que vemos São Pedro escrevendo às comunidades da Igreja sobre o dia do Senhor. Num primeiro momento parece que ele fala do fim do mundo. No entanto, quando ele escreve sobre “um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça” ele se refere ao Reino de Deus implantado já neste mundo. A destruição mencionada é referência ao que os reinos daquele tempo faziam quando guerreavam, saqueando, matando as pessoas e destruindo com fogo as casas e templos.
Para os nossos dias é preciso levar em conta que o Menino Jesus nasceu longe do centro, onde reinava o poder e acumulava riqueza. Ele nasce pobre, vive no deserto e anuncia a salvação pela prática da justiça do Reino de Deus. O apelo dos profetas Isaías e João Batista é de preparar a chegado do Salvador corrigindo o que não agrada a Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

1º Domingo do Advento: “Jesus vem morar no meio da humanidade!”

Jesus que vem morar no meio da humanidade pede “ficai atentos”. No Evangelho deste Domingo, Marcos evangelista usa a palavra grega “kairós” que é traduzida por “momento”. A abrangência do termo “kairós” vai além do seu significado literal. Os cristãos usam este termo para indicar o “tempo de Deus”, que não é cronológico, pois não pode ser medido. É o tempo da salvação de Deus. O pedido de Jesus para ficar atentos é para todos, pois todos precisam empenhar-se em “praticar a justiça com alegria”, como vemos na 1ª leitura. O profeta mostra como o povo queria colocar a culpa em Deus pelos sofrimentos, mas, de fato a culpa é daqueles que deixaram de observar a vontade de Deus e se tornaram malvados. A imagem do oleiro é forte e contém o pedido a Deus de “refazer” os seus filhos e filhas.

O tempo do Advento é uma oportunidade para todos os cristãos refletirem sobre o mistério da vinda de Jesus. Ele veio em um momento histórico, em um tempo determinado, quando Herodes era rei, e nasceu como um menino em lugar determinado. O motivo de sua vinda só pode ser encontrado no grande amor de Deus por seus filhos e filhas, como vemos na 1ª primeira leitura. O profeta reconhece as infidelidades dos humanos, mas, mesmo assim anseia pela vinda de Deus: “Ah, se rompesses os céus e descesses!” Concluímos que é pelo amor infinito de Deus que Jesus nasceu entre nós e deu início ao tempo de salvação.

Hoje os cristãos são chamados a preparar um Natal com empenho renovado na vivência da justiça de Deus. É bom lembrarmos que Deus olha por todos os filhos e filhas com os mesmos olhos de amor. Com estes olhos os cristãos são chamados a reconhecer os “sinais dos tempos” que indicam a necessidade de empenho junto aos mais pobres e sofredores. As injustiças presentes no mundo ameaçam a vida e geram um grito de dor dos filhos e filhas que sofrem em nossos dias. A “vigilância” que pede Jesus nos faz estar atentos para cumprir a missão de cada um que Ele mesmo confiou. A espera pela sua vinda nos faz sair do comodismo e da indiferença.

Sem deixar-se contaminar pelo poder do consumismo intensificado neste período, os cristãos são chamados então a celebrar o tempo de salvação e não apenas festejar uma data. O empenho alegre com a justiça será essencial par manter a comunhão com Jesus Cristo sendo fiel a Deus como sugere São Paulo na 2ª leitura.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo: “A humilde realeza de Jesus Cristo que contrasta com as realezas deste mundo!”

Com este texto o Evangelista Mateus encerra o ensinamento de Jesus iniciado no capítulo 5. Todo ensinamento de Jesus gira em torno da vida eterna, quer dizer uma vida que não é apenas futuro, mas também presente. Por isso Jesus conta a parábola do Filho do Homem, o rei que, sentado em seu trono, julga os que foram solidários, deram vida, e os que se omitiram e foram indiferentes diante das ameaças à vida.

No último Domingo do Tempo Comum celebramos a humilde realeza de Jesus Cristo, que contrasta com as realezas deste mundo por colocar-se a serviço da vida e não na busca de domínio e de poder temporal. Jesus é um rei que serve o seu povo. O serviço aos irmãos levado ao extremo até a morte de cruz foi sua missão. Contudo, não ficou morto, mas venceu até o último inimigo que é a morte como vemos na 2ª leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios. Ele ressuscitou para que todos os filhos e filhas do Pai ressuscitassem com Ele.

A primeira leitura revela que Deus é como o pastor que cuida bem de suas ovelhas, vai atrás daquelas sumidas, daquelas doentes, das mais frágeis, sem descuidar das mais fortes. A imagem é bonita de um compromisso que Deus tem para com o seu povo.

Jesus é o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. E a vida é o que Ele tem de mais precioso. No entanto, Ele não volta atrás diante das ameaças, pois é um rei bem diferente dos reis deste mundo. Os povos que se organizam em nações constituem os seus reis que, normalmente são poderosos e desfrutam de poder e riquezas quase sempre ilícitas e injustas. São reis que oprimem o povo e desrespeitam a vida.

O ensinamento de Jesus, porém, indica aos cristãos a necessidade de empenhar-se como Ele se empenhou pelos irmãos mais pequeninos, quer dizer os sofredores. No Evangelho ela fala dos que passam fome, sede, dos migrantes, dos sem agasalho, dos doentes, dos presos por dívidas ou escravizados. Na prática são os que mais tem a vida ameaçada por falta de alimento, de água, de agasalho, de segurança, de remédios, de recursos para sobreviver e, normalmente são os mais explorados por outros com mais recursos. Então são como as ovelhas mais frágeis de um rebanho que mais precisam de cuidados.

Jesus ressuscitado transmite aos cristãos a missão de cuidar para que todos estes mais frágeis tenham vida. Este ensinamento não foi apenas para os ouvintes de Jesus, mas ecoa para todos os seus seguidores que não podem ficar indiferentes enquanto Jesus mesmo sofre nos mais sofredores, doentes, marginalizados, discriminados e perseguidos. É preciso colocar-se a serviço da vida transitória para participar da vida eterna que começa aqui. Este é o único critério para todas as nações, sem falar de religiões, para o julgamento final.

Frei Valmir Ramos, OFM

33º Domingo do Tempo Comum: “Ser sóbrios na fé significa não permitir que a verdade do Evangelho seja ofuscada!”

 

A parábola do Evangelho está no contexto do anúncio da realização plena do Reino de Deus com a vinda gloriosa de Jesus. Reflete o momento em que a comunidade cristã esperava a segunda vinda de Jesus, a chamada “parusia”. Como sabemos, a parábola é um recurso para transmitir um ensinamento. Jesus usa termos conhecidos, porém o significado vai muito além do que parecia.

A ausência física daquele homem que viajou pode ser entendida como a ausência física de Jesus mesmo que permanece sempre com seus discípulos de outro modo. Os discípulos são convidados a “não dormir” mas serem “sóbrios” porque chegará o “dia do Senhor”, como vemos o alerta à comunidade de Tessalônica na 2ª leitura. Isto significa vivenciar a fé ativamente, mesmo dormindo as horas necessárias para o descanso cotidiano. Ser sóbrio na fé significa não permitir que a verdade do Evangelho seja ofuscada por doutrinas ou ideologias.

O talento era uma moeda de grande valor e é usado no Evangelho para indicar os “dons” recebidos de Deus. Na parábola os “servos” indicam os cristãos que devem fazer o Reino de Deus frutificar. Por isso, a “administração” significa ter uma participação ativa na construção do Reino de Deus. Isto é cobrado de cada seguidor de Jesus. Aquele “servo” que enterrou o talento agiu como se a fé fosse algo a ser guardada num cofre e reservada para si de modo egoísta. Jesus então ensina que a fé é vida que se manifesta nas ações concretas de amor para com os outros. Isto é multiplicar os dons.

Na 1ª leitura temos o louvor à mulher que, além de trabalhar, “estende a mão ao pobre e ajuda o indigente”, “que teme a Deus”. Esta mulher é aquela que multiplica os talentos. Aí o livro da Sabedoria, escrito numa sociedade machista, reconhece a grande dignidade da mulher os olhos de Deus.

Hoje todos nós cristãos somos chamados a vivenciar nossa fé de modo que o Evangelho continue brilhando no mundo: “vocês são filhos da luz, filhos do dia” diz São Paulo na 2ª leitura. De fato, o amor verdadeiro vivenciado em as ações concretas e corajosas dos cristãos mostram a presença viva de Jesus no mundo. Além disso revela a verdade sobre Deus que é Amor e não castigo e severidade de quem os filhos e filhas devem ter medo.

Frei Valmir Ramos, OFM

32º Domingo do Tempo Comum: “O pedido de Jesus é que toda a comunidade esteja vigilante!”

 

No ensinamento de Jesus através da parábola vemos a utilização simples do costume daquele povo na época: na noite antes do casamento o noivo ia até a casa da família da noiva com seus amigos “padrinhos”. Lá era recebido pela noiva com suas damas “madrinhas”. O evangelista escreve a partir do contexto da Igreja primitiva que esperava a secunda vinda de Jesus glorioso. Então os que tinham sido fiéis à sua Palavra entrariam com Ele no Reino, aqui simbolizado pelas “núpcias eternas”. Como podemos ver, na parábola não aparece a noiva, que pode ser entendida de imediato como a própria comunidade eclesial. Na 2ª leitura vemos a carta endereçada à comunidade de Tessalônica que reaviva a esperança na ressurreição, que no Evangelho é simbolizada pelas núpcias do banquete eterno.

O pedido de Jesus é que toda a comunidade esteja vigilante. Significa pedir que esteja vivenciando na prática o ser cristão e não apenas dizer-se cristão. Podemos então entender que as virgens prudentes são semelhantes àquele homem prudente, sábio, sensato, que construiu a sua casa sobre a rocha, como diz Jesus em Mt 7,24: “quem ouve estas minhas palavras e as pões em prática é como o homem sensato”. Significa alguém que usa a sabedoria que vem de Deus, que é o próprio Deus, como vemos na 1ª leitura, para viver com Ele e agir de acordo com a sua vontade.

As virgens prudentes são pessoas que pensam em Jesus dia e noite e querem participar de sua vida mantendo-se unidas a Ele. Isto significa manter acesa a luz de sua Palavra e ter atitude que condiz com o nome de cristão. Ter o nome e agir de modo contrário ao Evangelho é arriscar ouvir uma resposta dura: “na verdade eu não vos conheço”.

Para a nossa comunidade cristã de hoje, o Evangelho faz o apelo para não descuidar da “luz do mundo” que ilumina o caminho da humanidade na direção da vida, da paz, da harmonia entre as pessoas e entre as nações. Ao mesmo tempo interpela os cristãos a uma atitude coerente com o Evangelho agindo em prol dos sofredores nos quais Jesus continua sofrendo a sua paixão. Tudo isso significa manter-se unidos a Jesus, esposo da Igreja, amigo dos pobres, marginalizados e sofredores, para ser reconhecidos por Ele nas núpcias do banquete eterno.

Frei Valmir Ramos, OFM

Em novembro, Papa pede que avanços da inteligência artificial sejam “humanos”

“A inteligência artificial está na raiz da mudança de época que estamos vivendo. A robótica pode tornar possível um mundo melhor se estiver unida ao bem comum. Porque se o progresso tecnológico aumenta as desigualdades, não é um progresso real. Os avanços futuros devem estar orientados para o respeito pela dignidade da pessoa e da Criação. Rezemos para que o progresso da robótica e da inteligência artificial esteja sempre a serviço do ser humano… podemos dizer, que ‘seja humano’.”

No vídeo de intenção de oração para o mês de novembro, o Papa Francisco reforça a necessidade de que os avanços tecnológicos sejam orientados pelo bem comum de todos. Na mensagem, o Pontífice traz a preocupação de que a robótica e a inteligência artificial possam aumentar as desigualdades, interrompendo um “progresso real” da humanidade. Assim, confia a toda Igreja Católica por meio da Rede Mundial de Oração do Papa, orações para que, em meio à mudança histórica pela qual vivemos, o progresso tecnológico esteja sempre “a serviço do ser humano”, respeitando a sua dignidade e zelando pela Criação.

Entendendo a Inteligência Artificial

Não é novidade que, nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) avançou de forma exponencial em diferentes áreas do conhecimento. Em sua essência, ela permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana, que tomam decisões de forma independente em base a uma infinidade de dados digitais. Atualmente, 37% das organizações no mundo implementaram as chamadas “máquinas inteligentes” de alguma forma, um aumento de 270% nos últimos 4 anos. A inteligência artificial, assim, faz parte de uma nova onda que os economistas chamam de quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

As tecnologias pelo bem comum

O Papa Francisco esclarece que esse avanço, como o da robótica, “pode ​​tornar possível um mundo melhor se estiver vinculado ao bem comum”, porque a inteligência artificial é capaz de resolver muitas questões que têm o ser humano como centro, como por exemplo: avaliar a capacidade de aprendizagem dos alunos para detectar oportunidades de melhoria; ajudar pessoas com deficiência visual ou auditiva a desenvolver melhores ferramentas de comunicação (como conversão de texto em fala ou tradução de fala em texto); ou ainda agilizar a coleta, o processamento e a disseminação de dados e informações de saúde para melhorar o diagnóstico e o tratamento dos pacientes, especialmente aqueles que vivem em áreas remotas.

O mesmo acontece no campo da ecologia. Graças à inteligência artificial é possível analisar dados sobre as mudanças climáticas e desenvolver modelos que podem ajudar a prever desastres naturais. Também serve para criar cidades inteligentes e sustentáveis, reduzindo gastos urbanos, melhorando a resiliência das estradas e aumentando a eficiência energética, por exemplo. No Vídeo do Papa, que ganhou apoio do Instituto Italiano de Tecnologia e da empresa multinacional de energia, a ENEL, as imagens mostram possibilidades de usar o progresso para o bem comum.

A serviço do ser humano

O engenheiro Francesco Starace, CEO da Enel, comenta que, “como o Papa Francisco reafirma, é nossa tarefa garantir que os benefícios resultantes sejam distribuídos de forma equitativa e gerem oportunidades e bem-estar. Para nortear positivamente nossas ações e escolhas em relação ao presente e ao futuro, é necessário colocar o respeito às pessoas e ao meio ambiente em primeiro lugar, adotando uma visão baseada na sustentabilidade”.

Já o Pe. Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, observa que “esta intenção de oração reforça a ideia de que o benefício que a humanidade obteve (e continuará a obter) com o progresso tecnológico deve sempre contemplar também um ‘desenvolvimento adequado de responsabilidades e valores’. Assim afirmava o Papa nas encíclicas Laudato si’ e, agora, na Fratelli tutti: ‘Como seria bom se, ao aumento das inovações científicas e tecnológicas, correspondessem também uma equidade e uma inclusão social cada vez maiores!’”, disse o diretor, que finalizou: “Sabemos que a inteligência artificial, a robótica e outras tecnologias abrem grandes desafios para a ética e a justiça social. É por isso que o mais recente pedido do Papa é importante: rezar para que o progresso seja sempre humano.”

Fonte: Vatican News

Solenidade de todos os Santos e Santas: “Santos, filhos e filhas de Deus, fiéis ao mandato do amor!”

Deus mesmo revela-se ao seu povo no Antigo Testamento e faz um convite a todos: “sede santos como eu sou Santo” (cf Lv 11,44). O termo “santo” vem de uma palavra em hebraico e significa o que é separado daquilo que não é de Deus. A ideia é a de almejar e alcançar a perfeição de Deus. No Evangelho que lemos em Mateus, seguindo o texto desta celebração, encontramos a expressão “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5,48). O significado de “perfeito” é relacionado à integridade, à fidelidade a Deus e à sua vontade.

Refletindo assim entendemos a celebração dos Santos, isto é, de pessoas que colocaram-se a caminho em busca da perfeição e foram fiéis a Deus e à missão de realizar ações concretas de amor ao próximo. Alguns foram testemunhas entregando a vida no martírio, outros na construção do Reino, na evangelização, outros no amor misericordioso e sem limites para com os sofredores, outros ainda dedicando-se às coisas de Deus no silêncio e na mais alta humildade. Em uma palavra, santos são aqueles capazes de viver plenamente a fidelidade e o amor a Deus e ao próximo.
Jesus indicou o caminho de santidade ensinando as bem-aventuranças. Em Mateus lemos: “pobres de espírito”, “aflitos”, “mansos”, “famintos e sedentos de justiça”, “misericordiosos”, “puros de coração”, “promotores da paz”, “perseguidos por causa da justiça”, “fiéis na perseguição”. Se no Antigo Testamento Deus convidou o seu povo a ser santo e deixar os ídolos, no Evangelho Jesus convida os cristãos a seguirem o caminho das bem-aventuranças para serem santos e participarem do Reino de Deus. É um caminho de comportamento sensível às necessidades dos outros, sem fechar-se no egoísmo, sem prepotência, sem desejo de vingança e, ao contrário, fiel a Deus e sentindo-se responsável pela vida em plenitude de todos os outros.
Em nossos dias temos muitos santos e santas “anônimos” no mundo. São pessoas que vivem a vontade de Deus, fazem tudo pelos outros, entregam-se para que outros tenham vida plena, dedicam-se silenciosamente na construção da paz, agem sempre com coração diante das pessoas, mesmo as pecadoras… Temos muitos mártires santos, mulheres e homens que deram sua vida por fidelidade à fé, por não abrir mão do projeto de Deus e dos valores do Evangelho, por defender a vida de outras pessoas e da natureza, a Casa Comum. Todos estes são santos, “uma multidão incontável” como lemos na 1ª leitura. Todos aqueles reconhecidos pela Igreja e todos estes recebem o “dom de serem filhos de Deus” que São João anunciou na 2ª leitura e, por isso mesmo, bem-aventurados.
A palavra de Jesus continua ressoando a todos os cristãos: “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste”. Por isso todos são chamados a viver plenamente o amor para com Deus, para com os irmãos e irmãs e para com a Irmã Mãe Terra.

Frei Valmir Ramos, OFM

Papa Francisco criará 13 novos cardeais

Papa Francisco no Angelus  (Vatican Media)

Silvonei José (Vatican News)

O Papa Francisco anunciou neste domingo um novo Consistório para o dia 28 de novembro para a criação de 13 novos cardeais, quatro dos quais têm mais de 80 anos e, portanto, não participarão num eventual conclave. 

Dois dos novos cardeais pertencem à Cúria Romana: são o secretário do Sínodo dos Bispos, o maltês Mario Grech, e o italiano Marcello Semeraro, ex-bispo de Albano e novo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. A eles o Papa uniu seis pastores de Igrejas no mundo: o arcebispo de Kigali, Ruanda, Antoine Kambanda; o arcebispo de Washington, EUA, Wilton Gregory; o arcebispo de Capiz, Filipinas, José Fuerte Advincula; o arcebispo de Santiago, Chile, Celestino Aós Braco; o vigário apostólico de Brunei, Cornelius Sim; o arcebispo de Siena, Itália, Augusto Paolo Lojudice. Com eles o Papa nomeou também o atual Guardião do Sagrado Convento de Assis, o padre Mauro Gambetti.

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Aos nove cardeais com menos de oitenta anos de idade, o Papa Francisco uniu também quatro novos cardeais com mais de oitenta anos. São eles: Felipe Arizmendi Esquivel, arcebispo emérito de San Cristóbal de Las Casas (México); o Núncio Apostólico Silvano Tomasi, ex-observador permanente nas Nações Unidas em Genebra, que depois trabalhou no Dicastério para o Desenvolvimento humano integral; o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia e pároco do Divino Amor, padre Enrico Feroci.

Os cardeais usam a cor púrpura, o que indica a sua disponibilidade ao sacrifício “usque ad sanguinis effusionem”, até o derramamento de sangue, ao serviço do Sucessor de Pedro, e mesmo que residam nas regiões mais remotas do mundo tornam-se titulares de uma paróquia na Cidade Eterna porque estão incardinados na Igreja da qual o Papa é Bispo.

Eis a lista dos nomes dos novos cardeais:

Dom Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos;

Dom Marcello Semeraro, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos;

Dom Antoine Kambanda, arcebispo de Kigali, Ruanda;

Dom Wilton Gregory, arcebispo de Washington;

Dom José Advincula, arcebispo de Capiz, Filipinas;

Dom Celestino Aós Braco, arcebispo de Santiago de Santiago do Chile;

Dom Cornelius Sim, bispo titular de Puzia di Numidia e Vigário Apostólico de Brunei, Kuala Lumpur;

Dom Augusto Paolo Lojudice, arcebispo de Siena-Colle Val d’Elsa-Montalcino;

Frei Mauro Gambetti, franciscano conventual, Guardião da Comunidade franciscana de Assis.

Juntamente a eles o Papa uniu aos membros do Colégio dos Cardeais:

Dom Felipe Arizmendi Esquivel, bispo emérito de San Cristóbal de las Casas, México;

Dom Silvano M. Tomasi, arcebispo titular de Asolo, Núncio Apostólico;

Frei Raniero Cantalamessa, capuchinho, Pregador da Casa Pontifícia;

Mons. Enrico Feroci, pároco em Santa Maria do Divino Amore em Castel di Leva.

Fonte: Vatican News

30º Domingo do Tempo Comum: “O amor a Deus está vinculado com o amor ao próximo!”

Jesus é chamado de Mestre por um doutor de Lei. Por parte dos fariseus isto seria uma ironia em relação a Jesus que não era doutor da Lei, mas estava ensinando nas sinagogas e no templo de Jerusalém. No Evangelho deste Domingo o doutor lhe pergunta sobre “o maior mandamento da Lei”. Ele estava se referindo à Lei de Deus, partindo do decálogo que Deus revelou a Moisés. Em poucas palavras Jesus resume toda a Lei e os profetas: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento… e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O maior mandamento se resume no amor.

O amor na Sagrada Escritura é uma força que faz sair de si mesmo e agir para o bem do outro. São João diz que “Deus é amor” (cf 1Jo 4,8). A sua experiência de Deus que vive em comunhão com o Filho Jesus e o Espírito Santo e está presente no meio da comunidade agindo como Pai, Mãe, Pastor, Guia, Luz, Força e Vida, o fez chegar a esta definição, pois o mistério da ação gratuita de Deus pelos seus filhos e filhas não se explica com palavras humanas. De fato, na Sagrada Escritura, a aliança de Deus com o seu povo é um compromisso de amor em que Deus se empenha, cuida, zela por seu povo e espera uma resposta de gratidão e reconhecimento. Ao mesmo tempo, Deus espera o empenho de cada filho e filha com o seu semelhante. É o que vemos expresso na primeira leitura onde aparece o mandamento do amor ao próximo em atitude de “não prejudicar o estrangeiro, nem oprimir, nem maltratar, nem explorar com juros, nem confiscar o necessário do pobre”.
O amor a Deus está vinculado com o amor ao próximo, isto é viver a caridade. O amor a Deus deve ser incondicional, com todo o ser, “coração, alma e entendimento” repete Jesus (cf Dt 6,5) e o amor ao próximo como se ama “a si mesmo” (cf Lv 19,18). Os primeiros cristãos entenderam, mas tinham dificuldades como os fariseus. São João foi categórico escrevendo às comunidades: “quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar” (1Jo 4,20). Jesus faz entender a relação profunda entre os dois amores que, na prática não podem estar desvinculados para não cair na aridez do racionalismo ou da hipocrisia.
Os cristãos são amados por Deus, por Jesus que é a revelação do grande amor do Pai e que, por sua vez, viveu o amor até as últimas consequências abraçando a morte de cruz, e pelo Espírito Santo que é dom e força criadora de Deus. Cabe a cada um corresponder a este amor infinito de Deus amando-o e amando o próximo desinteressadamente como si mesmo. A caridade nos faz colocar-nos na pele dos sofredores deste mundo e agir impulsionados pelo amor gratuito.

Frei Valmir Ramos, OFM

29º Domingo do Tempo Comum: “O Ensinamento de Jesus é para que os seus seguidores sejam livres da dependência d poder econômico e do poder político!”

Jesus revela aos judeus, tantos fariseus que eram muito nacionalistas, quanto herodianos que colaboravam com o Império romano, que existe um único Deus poderoso. O profeta Isaías já havia anunciado, como vemos na primeira leitura: “Eu sou o Senhor, não existe outro”. Acontece que os judeus estavam enganados pelo poder do dinheiro e do imperador romano. Eles pensavam que poderiam confiar no imperador que se autodenominava deus. E não foi apenas um dos imperadores romanos que pensava assim. Por isso, no território do Império que se estendia pela Ásia Menor, construíam os templos para adorar o imperador. Daí que no Apocalipse encontramos a expressão “trono de satanás” (cf. Ap 2,13) fazendo referência a um desses templos.

Quando os fariseus, ofendidos pelo ensinamento de Jesus, fazem uma aliança com os herodianos, aparece claramente a intenção de liquidar com Jesus, pois o veem como inimigo maior. Jesus, conhecendo suas intenções, impõe uma grande derrota a eles justamente através da palavra com a qual queriam condená-lo. Isto é bem claro no diálogo transmitido pelos evangelistas: os fariseus falam em “pagar” a César e Jesus fala em “devolver” ao imperador o que é dele e a Deus o que é de Deus.

Não foi a primeira nem a única vez que as pessoas colocaram a confiança no dinheiro e nos poderosos desse mundo. A história dos povos e a nossa de hoje indicam que o ser humano precisa crescer na confiança no único e verdadeiro Deus. Jesus ensina que a confiança no dinheiro é idolatria. Ele mostra que nenhum poderoso deste mundo é Deus. De fato, todos que colocaram a sua confiança no dinheiro e nos poderosos desse mundo caíram por terra.

Hoje é importante compreender que não se trata simplesmente de diferenciar as duas dimensões: a política e a religiosa. O ensinamento de Jesus é para que o seus seguidores sejam livres da dependência do poder econômico e do poder político, pois estes poderes exploram, oprimem e matam outros seres humanos. No Reino de Deus todos têm vida em abundância (cf. Jo 10,10) e existe paz porque todos se respeitam e são solidários. Devolver a Deus o que é dEle é empenhar-se concretamente para defender a vida de todos e construir o seu Reino neste mundo.

Na segunda leitura, São Paulo faz menção às virtudes cristãs: fé, esperança e caridade. Ele elogia os cristãos de Tessalônica por terem deixado os ídolos e abraçado Jesus Cristo para “servir o Deus vivo e verdadeiro”. Este serviço implica a construção do Reino com fé, esperança e caridade.

Os cristãos de hoje são chamados a enxergar a presença de Deus na história e discernir a sua ação para defender seus filhos e filhas das garras dos enganadores deste mundo. O Espírito Santo é a força dos cristãos e de todos aqueles que defendem a vida dos seres humanos e da natureza.

Frei Valmir Ramos, OFM