Solenidade de Todos os Santos: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus!”

LEITURAS: Ap 7,2-4.9-14 / Sl 23 / 1Jo 3,1-3 / Mt 5,1-12

Santos, filhos e filhas de Deus fiéis ao mandamento do amor.

Deus mesmo revela-se ao seu povo no Antigo Testamento e faz um convite a todos: “sede santos como eu sou Santo” (cf Lv 11,44). O termo “santo” vem de uma palavra em hebraico e significa o que é separado daquilo que não é de Deus. A ideia é a de almejar e alcançar a perfeição de Deus. No Evangelho segundo Mateus, em seguida ao texto desta celebração, encontramos a expressão “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5,48). O significado de “perfeito” é relacionado à integridade, à fidelidade a Deus e à sua vontade.

Refletindo assim entendemos a celebração dos Santos, isto é, de pessoas que colocaram-se a caminho em busca da perfeição e foram fiéis a Deus e à missão de realizar ações concretas de amor ao próximo. Alguns foram testemunhas entregando a vida no martírio, outros na construção do Reino, na evangelização, outros no amor misericordioso e sem limites para com os sofredores, outros ainda dedicando-se às coisas de Deus no silêncio e na mais alta humildade. Em uma palavra, santos são aquelas pessoas capazes de viver plenamente a fidelidade e o amor a Deus e ao próximo.

Jesus indicou o caminho de santidade ensinando as bem-aventuranças. Em Mateus lemos: “pobres de espírito”, “aflitos”, “mansos”, “famintos e sedentos de justiça”, “misericordiosos”, “puros de coração”, “promotores da paz”, “perseguidos por causa da justiça”, “fiéis na perseguição”. Se no Antigo Testamento Deus convidou o seu povo a ser santo e deixar os ídolos, no Evangelho Jesus convida os cristãos a seguirem o caminho das bem-aventuranças para serem santos e participarem do Reino de Deus. É um caminho de comportamento sensível às necessidades dos outros, sem fechar-se no egoísmo, sem prepotência, sem desejo de vingança e, ao contrário, fiel a Deus e sentindo-se responsável pela vida em plenitude de todos os outros.

Em nossos dias existem muitos santos e santas “anônimos” no mundo. São pessoas que vivem a vontade de Deus, fazem tudo pelos outros, entregam-se para que outros tenham vida plena, dedicam-se silenciosamente na construção da paz, agem sempre com coração diante das pessoas, mesmo as pecadoras… Temos muitos mártires santos, mulheres e homens que deram sua vida por fidelidade à fé, por não abrir mão do projeto de Deus e dos valores do Evangelho, por defender a vida de outras pessoas e da natureza, nossa Casa Comum. Todas estas pessoas são santas, “uma multidão incontável” como lemos na 1ª leitura. Todos aqueles reconhecidos pela Igreja e todos estes recebem o “dom de serem filhos de Deus” que São João anunciou na 2ª leitura e, por isso mesmo, bem-aventurados.  

A palavra de Jesus continua ressoando a todos os cristãos: “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste”. Por isso mesmo todos são chamados a viver plenamente o amor para com Deus, para com os irmãos e irmãs e para com a Irmã Mãe Terra.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”

“Centenário Franciscano” será anunciado dia 19 de novembro em Greccio

Imagem Ilustrativa (Fonte): Piero Casentini

A Conferência da Família Franciscana publicou ontem, 3 de novembro, uma carta sobre a celebração do Centenário Franciscano. Ela partiu do encontro dos Ministros Gerais das Famílias Franciscanas, que se reuniram em Assis, no dia 2 de outubro passado, para planejar a celebração dos aniversários franciscanos em um único Centenário Franciscano.

Esse Centenário Franciscano, celebrado em diversos centenários, será anunciado no dia 19 de novembro de 2021 no Santuário de Greccio (Rieti), lugar onde “São Francisco quis ver com seus próprios olhos a pobreza em que nasceu Jesus, para ensinar-nos a beleza de um Deus que assume nossa condição humana”.

“Os anos que estamos vivendo estão marcados pela recordação de importantes passagens do itinerário da vida de São Francisco em seu último ano”, explicaram na carta Deborah Lockwood, presidente da Conferência Franciscana Internacional da Ordem Terceira Regular; Tibor Kauser, Ministro Geral da Ordem Franciscana Secular; Frei Massimo Fusarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores; Frei Roberto Genuin, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; Frei Carlos Alberto Trovarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais; e Frei Amando Trujillo Cano, Ministro Geral da Ordem Terceira Regular.

A Família Franciscana chama de único Centenário Franciscano os eventos que, de 2023 a 2026, em torno do Ano Santo de 2025, incluirá: os 800 anos da Regra, o Presépio de Greccio (2023), os Estigmas (2024), o Cântico das Criaturas (2025) e a Páscoa de Francisco (2026). “Busca ser um centenário articulado e celebrado em diferentes centenários”, explicam os ministros.

Segundo a carta, tal distribuição dos centenários “parece oferecer-nos a todos a preciosa possibilidade de fazer memória viva e desafiante do carisma evangélico que o Espírito suscitou na Igreja através de São Francisco. Queremos viver este Centenário Franciscano em profunda comunhão como Família, em todos os países e contextos do mundo em que estamos presentes”.

Para isso, os Ministros Gerais instituíram uma Comissão do Centenário Franciscano e convidaram para participar os Ministro Provinciais das Famílias da Itália Central, ao Custódio do Sacro Convento de Assis e quatro representantes dos Conselhos Gerais. “Reconhecemos a importância deste Centenário, que não se restringe somente a algumas celebrações nos Santuários da Itália Central, mas que busca ajudar-nos – em todo o mundo – a retomar e aprofundar juntos os pontos essenciais de nossa identidade carismática franciscana”.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


A oração do Papa e de todos os fiéis por quem sofre de depressão

Pelas pessoas que sofrem de depressão: por esta intenção, o Papa Francisco pede as orações dos fiéis neste mês de novembro.

Em “O Vídeo do Papa, o Pontífice demonstra sua preocupação com o estresse e a depressão que acometem a muitos, resultado de uma sobrecarga de trabalho.

“A tristeza, a apatia, o cansaço espiritual acabam dominando a vida das pessoas que estão sobrecarregadas com o ritmo de vida atual”, afirma o Papa. Nesta situação, uma ajuda pode ser a escuta silenciosa e a oração, aliada a um “imprescindível acompanhamento psicológico”.

Esta edição de “O Vídeo do Papa” foi feita com o apoio da Associação de Ministros Católicos de Saúde Mental (Association Of Catholic Mental Health Ministers), que oferece apoio espiritual a pessoas com doenças mentais e incentiva ações de prevenção de qualquer tipo de discriminação que as impeçam de participar plenamente na vida da Igreja.

Depressão e ansiedade, os transtornos mais comuns

Um estudo publicado este ano estima que uma em cada dez pessoas no mundo convive com algum tipo de transtorno de saúde mental, ou seja, cerca de 792 milhões de pessoas, que representam 11% da população. Dos diferentes transtornos existentes, o estudo destaca a depressão (264 milhões, 3%) e a ansiedade (284 milhões, 4%) como os transtornos mais comuns na vida das pessoas.

A ONU, por sua vez, alerta que a depressão, quando recorrente e de intensidade moderada ou grave, pode se tornar um grave problema de saúde. Na pior das hipóteses, pode levar ao suicídio, que atualmente tira a vida de mais de 700.000 pessoas por ano e ocupa o quarto lugar em causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

A pandemia de COVID-19 também testou a resiliência mental e emocional de inúmeras pessoas, afetando seu equilíbrio psicológico.

“Rezemos para que as pessoas que sofrem de depressão ou de esgotamento extremo recebam o apoio de todos e recebam uma luz que as abram à vida”, convida Francisco, citando as palavras de Jesus:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos darei descanso.”

Fonte: Vatican News

Papa Francisco na Audiência Geral: caminhar segundo o espírito é deixar-se guiar por Ele

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas, na Audiência Geral, desta quarta-feira (03/11), que teve como tema “Caminhar segundo o Espírito”.

“Crer em Jesus significa segui-lo, ir atrás dele no seu caminho, como fizeram os primeiros discípulos. Ao mesmo tempo, significa evitar o caminho oposto, o do egoísmo, da busca do próprio interesse, que o Apóstolo Paulo chama de “desejo da carne”. O Espírito é o guia deste caminho na estrada de Cristo, um caminho maravilhoso, mas também cansativo que começa no Batismo e dura a vida inteira”, disse o Pontífice.

Deixar-se guiar pelo Espírito Santo

“Caminhar segundo o Espírito”, exorta São Paulo, significa “deixar-se guiar” por Ele. “É como dizer: coloquemo-nos na mesma linha e deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo.” A seguir, o Papa acrescentou:

São expressões que indicam uma ação, um movimento, um dinamismo que nos impede de parar nas primeiras dificuldades, mas nos provoca a confiar na “força que vem do alto”. Percorrendo este caminho, o cristão adquire uma visão positiva da vida. Isso não significa que o mal presente no mundo tenha desaparecido, ou que os impulsos negativos do egoísmo e do orgulho tenham sumido; ao contrário, significa acreditar que Deus é sempre mais forte do que as nossas resistências e maior do que os nossos pecados.

Deixar-se guiar pelo Espírito. Paulo sente esta exortação necessária também para si. Mesmo sabendo que Cristo vive nele, está convencido de não ter ainda alcançado a meta, o ápice da montanha. O Apóstolo dos Gentios não se coloca acima de sua comunidade, não diz: eu sou o chefe e vocês são os outros, mas caminha com todos, dando exemplo concreto da necessidade de obedecer a Deus, correspondendo cada vez mais e melhor à guia do Espírito. “Como é bonito encontrar pastores que caminham com o seu povo, que não se distanciam”, acrescentou o Papa. Pastores que não dizem: “Eu sou mais importante, eu sou um pastor. Eu sou um padre”, “Eu sou um bispo”, com o nariz empinado, mas pastores que caminham com o povo. Isso é muito bonito e faz bem à alma”, ressaltou.

Assumir as dificuldades uns dos outros

“Caminhar segundo o Espírito” não é apenas uma ação individual: diz respeito também à comunidade como um todo. Construir a comunidade seguindo o caminho indicado pelo Apóstolo é emocionante, mas desafiador.

Os “desejos da carne”, as tentações que todos nós temos, ou seja, inveja, preconceito, hipocrisia e ressentimento continuam presentes, e recorrer a preceitos rígidos pode ser uma tentação fácil, mas ao fazê-lo se sai do caminho da liberdade e, em vez de subir ao cume, se volta para baixo. Percorrer o caminho do Espírito exige em primeiro lugar dar espaço à graça e à caridade. Dar espaço à graça de Deus sem medo.

Paulo, depois de fazer ouvir a sua voz de maneira severa, convida os Gálatas a assumirem as dificuldades uns dos outros e, se alguém cometer um erro, usar a mansidão. “Uma atitude bem diferente da fofoca para esfolar o próximo. Não, isso não é de acordo com o Espírito. Segundo o Espírito, é ter doçura com o irmão em corrigi-lo e cuidar de si mesmo para não cair nesses pecados, ou seja, ter humildade. Como é fácil criticar os outros! Há pessoas que parecem ter se formado em fofoca. Todos os dias criticam os outros. Olhe para você”, disse ainda o Papa.

A regra suprema da correção fraterna é o amor

Segundo o Papa, “é bom nos perguntarmos o que nos leva a corrigir um irmão ou uma irmã, e se não somos, de alguma forma, corresponsáveis​​ pelo seu erro”.

O Espírito Santo, além de nos dar o dom da mansidão, nos convida à solidariedade, a carregar os fardos dos outros. Quantos fardos estão presentes na vida de uma pessoa: doença, falta de trabalho, solidão, dor…! Quantas outras provações exigem a proximidade e o amor dos irmãos.

O Santo Padre sublinhou que “a regra suprema da correção fraterna é o amor, desejar o bem de nossos irmãos e irmãs, tolerar os problemas dos outros, os defeitos dos outros em silêncio na oração a fim de encontrar o caminho certo para ajudá-lo a se corrigir. Isso não é fácil”. “A maneira mais fácil é fofocar, tirar a pele do outro como se eu fosse perfeito. Isso não deve ser feito. Mansidão, paciência, oração e proximidade”, concluiu Francisco.

Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP, acolheu os jovens vocacionados para o último encontro vocacional do ano

“E Sejam chamados Frades Menores” 

Aconteceu no Convento Santa Maria dos Anjos de Franca /SP, dos dias 29 a 31 de Outubro, o último Encontro Vocacional Franciscano deste ano. Dez jovens foram acolhidos em nossa Fraternidade para refletirem sobre sua vocação, bem como conhecer mais a vida de São Francisco de Assis.

O objetivo deste encontro foi proporcionar aos jovens uma experiência concreta da vida daqueles que desejam seguir mais de perto os passos de Francisco: na fraternidade, no trabalho, na oração, na vivência do dia-a-dia e na simplicidade do nosso modo de vida.

O encontro contou com a presença dos Frades que fazem parte do SAV: Frei José Aécio, Frei José Luiz, Frei Emanuel, Frei Eduardo, Frei Pedro, Frei Lucas Oliveira e Frei Cristiano. Os formandos das etapas do Aspirantado e Postulantado também marcaram presença no Encontro. Ressaltamos a presença significativa do Secretário para a Formação e os Estudos, Frei Valdemir Nelo Rufino, OFM e do nosso Custódio, Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM, que acolheram os vocacionados e apresentaram a eles um pouco da realidade da nossa Custódia.

Durante este ano, o Serviço de Animação Vocacional (SAV) de nossa Custódia reuniu-se com estes jovens de forma virtual por conta da pandemia (COVID-19), e agora foi possível acolhê-los e conhecê-los pessoalmente.

Rendemos Graças a Deus pelo SIM generoso e alegre de cada vocacionado, que desejam somar forças e engrossar as fileiras de nossa Família Franciscana, em Obediência, sem Nada de próprio e em Castidade!

PAZ e BEM!

Daniel Barreto (Aspirante)

Papa Francisco no Angelus: a Palavra de Deus deve ser “ruminada”, deve atingir todos os âmbitos da vida

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo (31/10), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice ressaltou que o Evangelho fala de um escriba que se aproxima de Jesus e lhe pergunta: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus responde, citando as Escrituras e afirma que o primeiro mandamento é amar a Deus. A partir daí, como consequência natural, segue o segundo mandamento: amar o próximo como a si mesmo.

Segundo Francisco, “ouvindo esta resposta, o escriba não só a reconhece como justa, mas ao fazê-lo repete quase as mesmas palavras proferidas por Jesus: “Muito bem, Mestre! É verdade que amá-lo com todo o coração, com toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, é melhor do que todos os holocaustos e os sacrifícios”.

A Palavra de Deus deve ser “ruminada”

“Por que ao dar seu assentimento, o escriba sente a necessidade de repetir as mesmas palavras de Jesus? Esta repetição parece ainda mais surpreendente se pensarmos que estamos no Evangelho de Marcos, que tem um estilo muito conciso. Então, qual é o sentido desta repetição? Perguntou o Papa.

É um ensinamento para nós que ouvimos, porque a Palavra do Senhor não pode ser recebida como uma notícia qualquer: ela deve ser repetida, assimilada, custodiada. A tradição monástica usa um termo ousado, mas muito concreto: a Palavra de Deus deve ser “ruminada”. Podemos dizer que é tão nutritiva que deve atingir todos os âmbitos da vida: envolver, como diz Jesus hoje, todo o coração, toda a alma, toda a mente, toda a força. Ela deve ressoar, ecoar dentro de nós. Quando há este eco interior, significa que o Senhor habita no coração. E nos diz, como àquele bom escriba do Evangelho: “Você não está longe do Reino de Deus.”

Familiarizar-se com o Evangelho

De acordo com o Papa, “o Senhor não procura hábeis comentadores das Escrituras, mas sim corações dóceis que, ao acolherem a sua Palavra, se deixam mudar por dentro. Por isso, é tão importante familiarizar-se com o Evangelho, tê-lo sempre à mão, ter um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, para lê-lo e relê-lo, apaixonar-se por ele”.

Quando fazemos isso, Jesus, a Palavra do Pai, entra em nosso coração, torna-se íntimo e nós damos fruto nele. Tomemos o Evangelho de hoje como exemplo: não basta lê-lo e entender que é preciso amar a Deus e ao próximo. É necessário que este mandamento, o “grande mandamento”, ressoe dentro de nós, seja assimilado, se torne a voz de nossa consciência. Então não permanece letra morta, na gaveta do coração, porque o Espírito Santo faz germinar em nós a semente dessa Palavra, e a Palavra de Deus age, é sempre em movimento, é viva e eficaz. Assim, cada um de nós pode se tornar uma “tradução” viva, diferente e original, da única Palavra de amor que Deus nos doa. Vemos isso na vida dos santos, por exemplo: nenhum é igual ao outro, são todos diferentes, mas todos com a mesma Palavra de Deus.

O Papa convidou a tomar “o exemplo do escriba. Repitamos as palavras de Jesus, façamos que ressoem em nós: «Amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com toda a força e ao próximo como a mim mesmo». E perguntemo-nos: este mandamento orienta realmente a minha vida? Isso se reflete em meus dias? Nos fará bem hoje à noite, antes de dormir, fazer um exame de consciência sobre esta Palavra, ver se hoje amamos o Senhor e doamos um pouco de bem a quem encontramos. Que todo encontro seja para doar um pouco de bem, um pouco de amor que vem dessa Palavra. Que a Virgem Maria, na qual o Verbo de Deus se fez carne, nos ensine a acolher no coração as palavras vivas do Evangelho”.

Fonte: Vatican News

Carta do Ministro Geral por ocasião do V Dia Mundial dos Pobres

Imagem ilustrativa (Fonte): Frei Dito (Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil)

18 de outubro – Festa de São Lucas evangelista

– Aos Ministros provinciais, aos Custódios e aos Presidentes das Fundações

– A todos os Frades da Ordem dos Frades Menores

Caros Irmãos,  o Senhor lhes dê a paz!

No dia 14 de novembro próximo, se celebra a V Jornada Mundial dos Pobres, e exatamente dois dias antes, sexta-feira, 12 de novembro, o Papa Francisco será peregrino na Porciúncula, na Basílica de Santa Maria dos Anjos, para encontrar 500 pobres provenientes de diversas partes da Europa, para escutá-los e dialogar com eles. O Senhor Papa dá-nos ainda testemunho de um gesto muito eloquente.

Estarei presente com outros irmãos neste momento. Estarei lá em nome de todos vocês.

Recebida a notícia desta visita, juntamente com uma grande alegria, senti por todos nós, frades, a forte provocação de um gesto que será realizado exatamente no lugar onde todos nós nascemos.

O Papa não se limita a escrever uma mensagem, mas encontra a carne, o próprio corpo dos pobres, que é sacramento de Cristo, que por nosso amor se fez pobre e quis identificar-se com eles.

Na memória, voltei às palavras de São João XXIII, terciário franciscano, que um mês antes da abertura do Concílio, disse com espírito profético: A Igreja apresenta-se como ela é e quer ser, como Igreja de todos, particularmente a Igreja dos pobres. (Radiomensagem aos fiéis de todo o mundo, 11 de setembro de 1962)

Esta consciência da Igreja de cada tempo encontra uma testemunha extraordinária em São Francisco, como nos recordou o Papa em sua Mensagem ao nosso recente Capítulo Geral: Renovar a própria visão: é isto que aconteceu ao jovem Francisco de Assis. Ele próprio o atesta, contando a experiência que, no seu Testamento, ele coloca no início da própria conversão: o encontro com os leprosos, quando “aquilo que era amargo se lhe transformou em doçura de alma e de corpo” (Test 1-4). Na raiz da vossa espiritualidade está este encontro com os últimos e com os sofredores, no sinal do “fazer misericórdia”. Deus tocou o coração de Francisco através da misericórdia oferecida ao irmão e continua a tocar os nossos corações através do encontro com os outros, sobretudo com as pessoas mais necessitadas. A renovação da nossa visão só pode partir de novo deste olhar novo com o qual contemplar o irmão pobre e marginalizado, sinal, quase sacramento da presença de Deus. Deste olhar renovado, desta experiência concreta de encontro com o próximo e com as suas chagas pode nascer uma renovada energia para olhar para o futuro como irmãos e como menores, como vocês são, segundo o belo nome de “frades menores” que São Francisco escolheu para si e para vocês.

Pergunto-me, na escuta da minha consciência e da voz do Senhor, o que faço com cada um de vocês:

– Até que ponto sou consciente de que o encontro com os pobres está no coração da minha vida de frade menor nos passos de Jesus, “Ele que era rico acima de todas as coisa e quis neste mundo, juntamente com a beatíssima Virgem, escolher a pobreza” (2Fi 5)?

– Quantos momentos e ocasiões de encontro, de partilha tive com pobres concretos? Sinto que isto me “perturbou” e recolocou no caminho? Ou não?

– Muitas vezes não me defendo, pensando que esta seja uma dimensão muito social e pouco religiosa? Mas, segundo a palavra dos profetas nas Escrituras, os pobres não são talvez o espelho no qual vemos se ainda somos crentes? Deus os amou e quis que o seu Filho fosse um deles. O mesmo vale para os apóstolos e para tantos amigos do Senhor ao longo da história, não últimos São Francisco e Santa Clara e Santa Isabel. Poderá o encontro com o rosto real de alguns pobres e sofredores concretos, com o odor, com a sua presença muitas vezes desagradável, com as perguntas que nos fazem, poderá finalmente mover-nos e comover-nos? Induzir-nos à conversão? Fazer-nos sair das nossas tocas, frequentemente muito cômodas?

Por isso, como ministro e servo de vocês e em comunhão com o Definitório geral, por meio desta carta, amadureci na oração a ideia de pedir a todos os Frades da Ordem e às diversas fraternidades do mundo que se realize no mês de novembro pelo menos um momento concreto de encontro com os pobres. Não sozinhos, mas como fraternidade, ao menos dois a dois (cf. Lc 10, 1), para buscar um simples encontro de presença, proximidade e serviço com algum deles, para bater à porta deles, como escreveu o Santo Padre na sua Mensagem para esta V Jornada. Ouçamo-lo:

Não podemos esperar que os pobres batam aa nossa porta, é urgente que os alcancemos nas suas casas, nos hospitais e nas residências de assistência, pelas estradas e nos cantos escuros onde às vezes se escondem, nos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que experimentam e quais desejos eles têm no coração. Fazemos nossas as palavras de Dom Primo Mazzolari: “Eu gostaria de pedir-vos para não perguntar se há pobres, quem são e quantos são, porque temo que semelhantes perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar de uma precisa indicação da consciência e do coração. […] Eu nunca contei os pobres, porque não se podem contar: os pobres se abraçam, não se contam” (“Adesso” n. 7 – 15 de abril de 1949). Os pobres estão no nosso meio. Como seria evangélico se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiremos reconhecê-los realmente e fazer com que eles se tornem parte de nossa vida e instrumento de salvação.

No Capítulo geral, nós nos interrogamos de novo sobre a nossa identidade e a reconhecemos na fraternidade e na minoridade. Podemos discutir longamente e encontrar-nos sempre no mesmo ponto.

Estou e estamos felizes pela presença do Santo Padre na Porciúncula: certamente é uma honra àquele lugar e a todos nós e, ao mesmo tempo, nos impulsiona a sair de nós mesmos e das nossas casas e atividades ordinárias ao encontro dos pobres, e descobrir que a nossa identidade está ali, nos espera, nos dá nova luz, é possível vivê-la hoje com alegria, também no meio das fadigas.

Creio que a todos nós é possível um passo do gênero: aos ministros e a todos os irmãos, aos jovens como aos anciãos, aos frades empenhados na pastoral como aos que estudam, aos noviços e candidatos à vida franciscana como aos seus formadores, aos evangelizadores como aos missionários, a todos os que se sentem firmes na vocação e aos que se fazem tantas perguntas e talvez olhem além.

Isto, porque encontrar os pobres não é uma atividade nem uma ideologia? É uma porta de misericórdia, sempre aberta. Escolhamos atravessá-la juntos, e creio que virá ao nosso encontro uma grande surpresa do Espírito, um importante novo início na nossa vida evangélica. Não importa quão santos ou pecadores sejamos: os pobres acolhem aquele pobre que está em cada um de nós, reconhecem-no e, se nos aproximar-nos deles sem arrogância ou temor, nos ajudam, são eles a fazernos caminhar e a sustentar-nos.

Se o Papa Francisco sonha com uma Igreja dos pobres, eu sonho que na nossa Fraternidade universal saibamos redescobrir e deixar-nos encontrar pelo rosto dos pequenos e dos pobres, com os seus nomes e condições diversas. Creio que, deste encontro vivido a partir de dentro de nossa vocação, nós, frades, receberemos a graça e ainda poderemos escolher de novo tornar-nos novamente pobres, revendo a nossa relação com as coisas, com o dinheiro, com o poder e com os afetos. Deus sabe quanto precisamos disso, para não extinguir-nos em uma vida muito cômoda e garantida, tão distante da condição dos pobres, de modo a não fazer-nos mais sentir a sede de Cristo e de uma humanidade viva e genuína, capaz de gastar-se.

“Os pobres são nossos mestres” (CCGG 93,§ 1): deixemo-nos evangelizar por eles O Senhor espera-nos junto deles e está pronto a presentear-nos com grandes surpresas. Deixemos com que ele o faça, irmãos amados no Senhor, não oponhamos resistência a este desejo, a este sopro do carisma que o Espírito ainda suscita com uma força que nós, sozinhos, não sabemos encontrar. Peço e pedimos a todos por isto.

Peço-lhes em nome de São Francisco: façamos esse passo em direção aos pobres no mês de novembro e ficaremos surpresos! O Senhor precede-nos e espera-nos neste caminho: escolhamos um gesto, andemos a uma casa, a um abrigo, uma enfermaria dos frades doentes, um cárcere, um hospital, um centro de migrantes, uma periferia, uma comunidade de acolhimento e tantos lugares ainda, para visitar Cristo nos seus vigários, os pobres. E deixar-nos encontrar por ele, que quer ainda atrair e acender a nossa vida.

De boa vontade receberei, de quem de vocês que o quiser, uma restituição, um pequeno relato deste encontro com alguns pobres, sobre como isso manteve viva a chama da fé e da vocação: poderemos começar a narrar e escrever o traço da vida franciscana que nos é dado e pedido para este nosso tempo, de modo a poder transmiti-lo, com a vida e com a palavra, à próxima geração.

O Senhor nos abençoe, e São Francisco sustente, neste tempo abençoado e difícil, o nosso desejo de uma nova partida na vocação como irmãos, menores e pobres, à busca do rosto do Senhor nas estradas dos homens e das mulheres de hoje, capazes de encontro e de testemunho.

Abraço-os com grande afeto e fraternidade,

seu ministro e servo,

Frei Massimo Fusarelli, OFM (Ministro Geral)

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

31º Domingo do Tempo Comum: “Tu não estás longe do Reino de Deus!”

LEITURAS: Dt 6,2-6 / Sl 17 / Hb 7,23-28 / Mc 12,28b-34

No Evangelho deste Domingo um escriba pergunta a Jesus sobre “o primeiro de todos os mandamentos”. Ele estava se referindo aos mandamentos de Deus, partindo do decálogo que Deus revelou a Moisés. Para responder Jesus se refere ao credo judaico presente no livro do Deuteronômio que lemos na primeira leitura: “Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Depois, em poucas palavras Jesus resume: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças” (Dt 6,4-5) e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

O amor na Sagrada Escritura é uma força que faz sair de si mesmo e agir para o bem do outro. São João diz que “Deus é amor” (cf 1Jo 4,8). A sua experiência de Deus que vive em comunhão com o Filho Jesus e o Espírito Santo e está presente no meio da comunidade agindo como Pai, Mãe, Pastor, Guia, Luz, Força e Vida, o fez chegar a esta definição, pois o mistério da ação gratuita de Deus pelos seus filhos e filhas não se explica com palavras humanas. De fato, na Sagrada Escritura, a aliança de Deus com o seu povo é um compromisso de amor em que Deus se empenha, cuida, zela de seu povo e espera uma resposta de gratidão e reconhecimento. Ele cumpriu sua promessa de amor e “estabeleceu Jesus como sumo sacerdote perfeito para sempre”. Ao mesmo tempo, Deus espera o empenho de cada filho e filha com o seu semelhante, isto é, que viva a caridade para com o próximo.

O amor a Deus deve ser incondicional, com todo o ser, “coração, alma, entendimento e força”, repete Jesus (cf Dt 6,5), e o amor ao próximo como se ama “a si mesmo” (cf Lv 19,18). Os primeiros cristãos entenderam, mas tinham dificuldades como os fariseus. São João foi categórico escrevendo às comunidades: “quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar” (1Jo 4,20). Jesus faz entender a relação profunda entre os dois amores que, na prática não podem estar desvinculados para não cair na aridez do racionalismo ou da hipocrisia.

O escriba acabou elogiado por Jesus: “não estás longe do reino de Deus”. Isto significa que viver o amor a Deus e ao próximo abre caminho para o Reino de Deus que é construído com ações concretas de caridade. A caridade nos faz colocar-nos na pele dos sofredores deste mundo e agir impulsionados pelo amor gratuito que vem de Deus. Por isso, toda ação ou projeto dos cristãos não pode deixar de basear-se em uma mística que leva sempre a Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”

Papa Francisco na Audiência Geral: o Espírito muda o coração, a burocracia impede o acesso à graça do Espírito

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas na Audiência Geral, desta quarta-feira (27/10), na Sala Paulo VI, no Vaticano, sobre o tema “O fruto do Espírito”.

“A pregação de São Paulo é totalmente centrada em Jesus e no seu mistério pascal. Aos Gálatas, tentados a basear a sua religiosidade na observância de preceitos e tradições, ele recorda o centro da salvação e da fé: a morte e ressurreição do Senhor”, sublinhou Francisco.

Segundo o Papa, “ainda hoje, muitos procuram a certeza religiosa em vez do Deus vivo e verdadeiro, concentrando-se em rituais e preceitos em vez de abraçar o Deus do amor com todo o seu ser. Esta é a tentação dos novos fundamentalistas, daqueles que têm medo de seguir adiante no caminho e voltam atrás porque se sentem inseguros. Buscam a segurança de Deus e não o Deus da segurança“. São Paulo pede aos Gálatas para que voltem ao essencial, ao Deus que nos dá a vida em Cristo crucificado. Ele testemunha isto em primeira pessoa: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim».

Obras da carne e fruto do Espírito

A seguir, o Papa fez a seguinte pergunta: “O que acontece quando encontramos Jesus Crucificado na oração? Acontece o que aconteceu sob a cruz: Jesus entrega o Espírito, ou seja, doa a sua própria vida.”

O Espírito, que flui da Páscoa de Jesus, é o princípio da vida espiritual. É Ele que muda o coração: não as nossas obras. É Ele que muda o coração, não as coisas que fazemos, mas a ação do Espírito Santo em nós! É ele quem guia a Igreja, e nós somos chamados a obedecer à sua ação, que vai para onde e como ele quiser. Além disso, foi a constatação de que o Espírito Santo descia sobre todos e que a sua graça agia sem exclusão que convenceu também os mais relutantes dos Apóstolos de que o Evangelho de Jesus era destinado a todos e não a uns poucos privilegiados.

“Aqueles que procuram segurança, o pequeno grupo, se afastam do Espírito, não deixam a liberdade do Espírito entrar neles. Assim, a vida da comunidade regenera-se no Espírito Santo; e é sempre graças a Ele que alimentamos a nossa vida cristã e continuamos a nossa luta espiritual.”

Segundo o Papa, o combate espiritual é outro grande ensinamento da Carta aos Gálatas. O Apóstolo apresenta duas frentes opostas: por um lado as «obras da carne», por outro o «fruto do Espírito». “Quais são as obras da carne?”, perguntou Francisco. “São comportamentos contrários ao Espírito de Deus. Carne é uma palavra que indica o homem na sua dimensão terrena, fechado em si mesmo, numa vida horizontal, onde os instintos mundanos são seguidos e a porta se fecha ao Espírito, que nos eleva e nos abre a Deus e aos outros. Mas a carne também nos lembra que tudo isto envelhece e passa, apodrece, enquanto o Espírito dá vida. Paulo enumera as obras da carne, que se referem ao uso egoísta da sexualidade, a práticas mágicas que são idolatrias e ao que mina as relações interpessoais, como «contendas, ciúmes, iras, rixas, discórdias, partidos…» Tudo isso é fruto da carne, de um comportamento apenas humano, doentiamente humano. Um ser humano tem seus valores, mas isso é doentiamente humano.

O fruto do Espírito, ao contrário, é «caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança». Os cristãos, que no batismo se revestiram «de Cristo», são chamados a viver deste modo. Pode ser um bom exercício espiritual ler a lista de São Paulo e observar a própria conduta, para verificar se corresponde, se a nossa vida está verdadeiramente de acordo com o Espírito Santo, se dá estes frutos. Por exemplo, os três primeiros são amor, paz e alegria: por eles se reconhece se uma pessoa é habitada pelo Espírito. Uma pessoa que está em paz, que é alegre e ama. Com esses três traços, vemos o Espírito.

Tanta burocracia para dar um sacramento

Segundo o Papa, “este ensinamento do Apóstolo é um grande desafio para as nossas comunidades”. Por vezes, aqueles que se aproximam da Igreja têm a impressão de estarem perante uma grande quantidade de comandos e preceitos. Isto não é a Igreja, pode ser qualquer associação. Na realidade, a beleza da fé em Jesus Cristo não pode ser apreendida com base em demasiados mandamentos e numa visão moral que, desenvolvendo-se em muitas correntes, pode fazer-nos esquecer a fecundidade original do amor, alimentado pela oração que doa a paz e pelo testemunho jubiloso”.

“A vida do Espírito expressa nos sacramentos não pode ser abafada por uma burocracia que impede o acesso à graça do Espírito, autor da conversão do coração. Quantas vezes nós padres ou bispos, fazemos tanta burocracia para dar um sacramento, para acolher as pessoas, e as pessoas dizem: “Não, eu não gosto disso”, e vão embora. Não veem em nós, muitas vezes, a força do Espírito que regenera, que nos faz novos.”

Rumo à Cop26

Depois da catequese, o Papa saudou os peregrinos de língua inglesa, “especialmente os jovens de vários países envolvidos na COP26 de Glasgow e grupos dos Estados Unidos”. “Sobre todos vocês e suas famílias invoco a alegria e a paz do Senhor”, disse Francisco.

“Sim à vida”

Saudando os fiéis poloneses, Francisco recordou que a pedido de uma fundação no país chamada “Sim à vida”, ele abençoou nesta quarta-feira os sinos com o nome “A voz dos nascituros”.

Eles têm como destino o Equador e a Ucrânia. Para essas nações e para todos, são um sinal de compromisso em favor da defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural. Que o seu som”, afirmou o Papa, “anuncie ao mundo o «Evangelho da vida», desperte a consciência dos homens e a memória dos nascituros. Confio à sua oração cada criança concebida, cuja vida é sagrada e inviolável.

Fonte: Vatican News

30º Domingo do Tempo Comum: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”

LEITURAS: Jr 31,7-9 / Sl 125 / Hb 5,1-6 / Mc 10,46-52

Jesus está indo para Jerusalém com seus discípulos. Passando por Jericó realiza um sinal da presença do tempo messiânico em que Deus está agindo no meio do seu povo com um amor infinito. De fato, o que lemos na 1ª leitura do profeta Jeremias é anúncio do retorno do exílio, lá onde o povo de Deus estava sem terra e sem cidadania. A ação de Deus muda a tristeza em alegria, a escravidão em liberdade, a escuridão em luz.

Às margens da estrada de Jericó está um filho de Deus que é cego e, por isso, precisa pedir esmolas para sobreviver. Ele conhece a promessa de Deus que enviaria um salvador da descendência de Davi, quer dizer pertencente ao povo hebreu. Quando ele soube que Jesus estava passando com a multidão gritou por “piedade”. Para as pessoas daquele tempo, a cegueira era por causa de algum pecado do cego ou de seus pais. Por isso Bartimeu grita por piedade.

A cena construída por Marcos é extraordinária, mostrando a fé daquele homem que provoca um movimento cheio de vida. “Jogou o manto e deu um pulo” escreveu Marcos, para indicar a convicção de Bartimeu sobre a identidade de Jesus e sua confiança no seu Mestre. Segue o diálogo com Jesus no qual o cego não pede uma esmola, mas a saúde, a dignidade, a vida. Na prática o cego vê o que os outros não veem. Ele enxerga a presença do Salvador da humanidade vindo da periferia do mundo hebreu, de um lugar insignificante e caminhando no meio do seu povo.

Jesus, por sua vez, acolhe o pedido de Bartimeu e lhe diz: “vai a tua fé te curou”. O verbo utilizado por Marcos que o nosso texto traduz como “curou” significa salvar, libertar, curar. Esta é a missão do Messias esperado pelo povo e isto é o que Jesus vai realizando durante a sua vida pública. O cego que agora vê segue Jesus pelo caminho rumo a Jerusalém. Sua decisão é a de acompanhar o Mestre até as últimas consequências.

Hoje os cristãos são chamados a viver uma fé ativa em Jesus que continua no meio do seu povo, agora porém, ressuscitado falando através do Evangelho, alimentando com a Palavra e a Eucaristia, curando, libertando e salvando. O seguimento de Jesus, contudo, exige dos cristãos um compromisso em restituir a dignidade, a saúde e defender a vida de todos aqueles que se encontram marginalizados à beira da estrada.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”