4º Domingo do Advento: “Os cristãos são chamados a fazer gerar o salvador onde vivem!”

Maria, jovem de fé, esperava o Messias prometido por Deus através dos profetas. O que ela não esperava é que Deus a escolhesse para ser a mãe do Messias. O evangelista Lucas narra a visita do anjo focando o diálogo com Maria. A cena se desenvolve com o anúncio, a reflexão daquela jovem que fica intrigada, o esclarecimento do modo como o Espírito agiria em prol da salvação de toda a humanidade e finalmente a disponibilidade para gerar o Filho de Deus.

A saudação “alegra-te cheia de graça” faz referência à alegria messiânica que deveria inundar todo o povo de Deus. Um povo que esperava o cumprimento da promessa feita a Davi através do profeta Natan: “suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho”. A jovem Maria é noiva de José descendente de Davi. O filho prometido será rei e “reinará para sempre” diz o profeta Natan.

“Eis aqui a serva do Senhor, faça em mim segundo a tua Palavra”. Esta resposta de Maria diante do grande mistério é sinal de sua profunda confiança em Deus que não abandona o seu povo. A jovem não vê claramente como será a ação de Deus, mas oferece sua disponibilidade para que a Palavra dEle seja realizada. A abertura de Maria faz com que ela inicie sua participação no plano de Deus para salvar a humanidade. Ela torna-se a mãe do Messias, do Salvador, o faz presente na história dos filhos e filhas de Deus.

Os cristãos de hoje são chamados a fazer gerar o Salvador no mundo em que vivem. Certamente o Salvador não nascerá como nasceu em Belém, pois agora Ele está vivo e presente no meio do seu povo. Mas, como as pessoas se dobram diante dos ídolos deste mundo, é necessário ainda gerar o Salvador. São Francisco de Assis viu bem esta necessidade e convidou todos os fiéis a serem também mães do Salvador “trazendo-o no coração e no corpo através do amor divino e da consciência pura e sincera; dando-o à luz por santas ações que devem brilhar como exemplo para os outros” (1CtFi).

Maria é o exemplo do verdadeiro carisma, isto é, dom de Deus para o bem de toda a comunidade. A Igreja pode espelhar-se nela para servir a humanidade hoje tão necessitada de um leme e de luzes dos verdadeiros valores.

Frei Valmir Ramos, OFM

3º Domingo do Advento: “Somos chamados a preparar a vinda do Senhor!”

O evangelista João identifica Jesus como “luz do mundo”. A luz que brilha nas trevas da humanidade, luz que ilumina cada filho e filha de Deus. João Batista é então a “testemunha” da luz. Na carta aos Efésios, São Paulo afirma que Cristo é a luz “que brilhou sobre nós” (Ef 5,14), por isso ele pede aos Tessalonicenses que vivam como “filhos da luz” (1Ts 5,5).

É neste contexto que a liturgia deste Domingo interpela os cristãos a esperar vigilantes a vinda do Senhor que brilhará no mundo e “fará brotar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Is 61,11). Na primeira leitura vemos o profeta anunciando aquele que viria “para dar a boa notícia aos humildes, curar as feridas da alma, libertar os cativos, proclamar o tempo da graça do Senhor”. Este anúncio se concretiza com o nascimento de Jesus que no início de sua pregação usa este texto para revelar-se como o libertador enviado por Deus (Lc 4,16-20). Este é motivo pelo qual o apóstolo pede aos tessalonicenses: “irmãos estais sempre alegres… não apagueis o Espírito”. A presença do Salvador deve transformar a vida dos cristãos em alegria profunda, contagiosa, que é capaz de reavivar sempre a esperança.

João Batista prepara e anuncia a chegada do Salvador, luz do mundo, com humildade e firmeza. No texto do Evangelho vemos como João Batista responde com palavras claras que ele não é o Messias, mas apenas aquele que prepara a sua vinda e o apresenta ao seu povo. O profeta não tem pretensões de ser o primeiro, de ser protagonista, de aparecer diante do povo. Ao contrário, ele quer desaparecer para que brilhe o Filho de Deus.

Hoje todos somos chamados a viver como quem prepara a vinda do Senhor. Isto implica um comportamento de humildade, sem ambiguidades, como seguidores de Jesus que nasce na pobreza, na humildade e na pequenez humana. João Batista diz que “não é digno de desamarrar as correias de suas sandálias” o que significa reconhecer humildemente sua pequenez e não colocar-se no lugar no Messias. Nenhum cristão, nem a Igreja, pode pretender assumir o lugar de Cristo. Todos somos chamados ao seu seguimento e a testemunhar com alegria, fé e obras a sua presença no mundo.

Frei Valmir Ramos, OFM

2º Domingo do Advento: “É tempo de viver e implantar a justiça de Deus!”

O evangelista Marcos inicia seu escrito definindo quem é Jesus: é “o Cristo, o Filho de Deus”. Para ele é importante começar dizendo que aquele menino nascido em Belém, crescido na Galileia, que recebeu o nome de Jesus, é o Salvador e não há outro. Imediatamente após este anúncio aparece João Batista realizando a sua missão, isto é, preparar os caminhos do Senhor. De acordo com o evangelista, João Batista era aquele mensageiro anunciado pelo profeta Isaías, na primeira leitura, quando dizia: “Eis o vosso Deus! Eis que o Senhor Deus vem com poder… como um pastor ele apascenta o seu rebanho… carrega os cordeirinhos no colo e tange docilmente as ovelhas-mães”.

João Batista realiza o batismo de conversão, quer dizer, ele acolhe as pessoas que buscam a misericórdia de Deus e mudam sua conduta. No batismo dele a água é o elemento de purificação de cada batizado. Mas, João anuncia um outro batismo que será feito por aquele que veio para salvar a humanidade. João mesmo diz que é alguém forte, que ele nem é digno de se “abaixar para desamarrar suas sandálias”. E ainda anuncia que este alguém batizará com o Espírito Santo. Isto significa que João Batista anuncia que o Salvador já está no meio do seu povo e que é tempo de viver e implantar a justiça de Deus. Daí a necessidade de conversão dos pecados.
Com a chegada de Jesus chegou também um novo tempo. Deus veio morar no meio do seu povo. Por isso é que vemos São Pedro escrevendo às comunidades da Igreja sobre o dia do Senhor. Num primeiro momento parece que ele fala do fim do mundo. No entanto, quando ele escreve sobre “um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça” ele se refere ao Reino de Deus implantado já neste mundo. A destruição mencionada é referência ao que os reinos daquele tempo faziam quando guerreavam, saqueando, matando as pessoas e destruindo com fogo as casas e templos.
Para os nossos dias é preciso levar em conta que o Menino Jesus nasceu longe do centro, onde reinava o poder e acumulava riqueza. Ele nasce pobre, vive no deserto e anuncia a salvação pela prática da justiça do Reino de Deus. O apelo dos profetas Isaías e João Batista é de preparar a chegado do Salvador corrigindo o que não agrada a Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

1º Domingo do Advento: “Jesus vem morar no meio da humanidade!”

Jesus que vem morar no meio da humanidade pede “ficai atentos”. No Evangelho deste Domingo, Marcos evangelista usa a palavra grega “kairós” que é traduzida por “momento”. A abrangência do termo “kairós” vai além do seu significado literal. Os cristãos usam este termo para indicar o “tempo de Deus”, que não é cronológico, pois não pode ser medido. É o tempo da salvação de Deus. O pedido de Jesus para ficar atentos é para todos, pois todos precisam empenhar-se em “praticar a justiça com alegria”, como vemos na 1ª leitura. O profeta mostra como o povo queria colocar a culpa em Deus pelos sofrimentos, mas, de fato a culpa é daqueles que deixaram de observar a vontade de Deus e se tornaram malvados. A imagem do oleiro é forte e contém o pedido a Deus de “refazer” os seus filhos e filhas.

O tempo do Advento é uma oportunidade para todos os cristãos refletirem sobre o mistério da vinda de Jesus. Ele veio em um momento histórico, em um tempo determinado, quando Herodes era rei, e nasceu como um menino em lugar determinado. O motivo de sua vinda só pode ser encontrado no grande amor de Deus por seus filhos e filhas, como vemos na 1ª primeira leitura. O profeta reconhece as infidelidades dos humanos, mas, mesmo assim anseia pela vinda de Deus: “Ah, se rompesses os céus e descesses!” Concluímos que é pelo amor infinito de Deus que Jesus nasceu entre nós e deu início ao tempo de salvação.

Hoje os cristãos são chamados a preparar um Natal com empenho renovado na vivência da justiça de Deus. É bom lembrarmos que Deus olha por todos os filhos e filhas com os mesmos olhos de amor. Com estes olhos os cristãos são chamados a reconhecer os “sinais dos tempos” que indicam a necessidade de empenho junto aos mais pobres e sofredores. As injustiças presentes no mundo ameaçam a vida e geram um grito de dor dos filhos e filhas que sofrem em nossos dias. A “vigilância” que pede Jesus nos faz estar atentos para cumprir a missão de cada um que Ele mesmo confiou. A espera pela sua vinda nos faz sair do comodismo e da indiferença.

Sem deixar-se contaminar pelo poder do consumismo intensificado neste período, os cristãos são chamados então a celebrar o tempo de salvação e não apenas festejar uma data. O empenho alegre com a justiça será essencial par manter a comunhão com Jesus Cristo sendo fiel a Deus como sugere São Paulo na 2ª leitura.

Frei Valmir Ramos, OFM