Definitório Geral com o Papa Francisco: “Vimos o afeto do Papa por nós, franciscanos no mundo!”

No dia 7 de janeiro, o Papa Francisco recebeu em audiência, no Palácio Apostólico do Vaticano, o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Massimo Fusarelli, acompanhado por todos os membros do Definitório Geral, juntamente com o Procurador Geral, o Secretário para as Missões e Evangelização, o Secretário Geral da Ordem com o Secretário Pessoal do Ministro.

No final da audiência, que durou 45 minutos, o Ministro compartilhou que viveu um intenso e belo momento de diálogo, de escuta do Papa Francisco sobre a realidade da Ordem nas diferentes partes do mundo, referindo-se também a algumas situações particulares que dizem respeito à Igreja, testemunhando como «em particular o Santo Padre nos exortou a trabalhar com coragem entre os jovens, segundo as suas línguas e a favor das vocações, para não haver renúncias e saber olhar para a frente com confiança e fé no nosso futuro”, acrescentando, a respeito da paternidade e ternura do Papa, que devemos agradecer ao Senhor por este encontro, porque vimos o afeto do Papa por nós, franciscanos no mundo, e porque nos repetiu várias vezes que São Francisco é sedutor no melhor sentido da palavra, atrai e motiva”.

Por fim, o Sumo Pontífice convidou os frades “a viver de maneira evangélica e a trabalhar sabendo que possuem esta grande raiz de inspiração e atração”.

A audiência foi encerrada com a entrega de memórias a cada participante pelo Papa Francisco e uma curta viagem ao Palácio Apostólico.

Fonte: OFM / Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Mensagem do Ministro Geral para o Natal

Roma, 8 de dezembro de 2021

A todos os Frades Menores da Ordem

A todas as Irmãs Pobres da Ordem de Santa Clara

Aos irmãos e amigos da nossa Ordem

Caros Irmãos e Irmãs, o Senhor lhes dê a paz!

Eu gostaria de entrar com vocês nos sentimentos de São Francisco, quando naquele Natal de 1223 satisfez o inquieto impulso de encaminhar-se entre as rochas e os bosques em torno da vila de Greccio. Não sozinho, mas acompanhado pelos seus irmãos e por uma humanidade simples e pobre, feita de camponeses, de gente humilde. O que impulsionou Frei Francisco a viver aquele Natal foi o desejo irresistível de ver com os seus olhos a pobreza em que o Senhor Jesus quis nascer. E isto para crer que Ele – crucificado e ressuscitado – está presente, vivo e glorificado no Espírito Santo, escondido sob parca aparência de pão até o dia de seu retorno.

Clara viverá deste olhar estupefato e amoroso que nutre a sua fé e a concentra na pobreza de Jesus, desde o seu nascimento, ao longo de toda a sua vida, até à cruz. A vida de Clara é transformada e feita em tudo semelhante ao Crucificado pobre, juntamente com suas irmãs.

Ver e crer são dois verbos, sabemo-lo bem, centrais na vida de São Francisco.

Ver lembra-nos a “fisicidade” da fé de Francisco: não lhe basta pensar, mas ele quer ver com os olhos, tocar com as suas mãos, sentir o cheiro com o nariz, ouvir com seus ouvidos, degustar com a sua língua. Em suma, toda a sua pessoa, os seus sentidos, são colocados em movimento pelo desejo, por aquilo que mais profundamente o move. A fé é simplesmente vida para ele.

Pergunto-me se ainda tenho forte em mim o desejo de ver e de tocar o Senhor. Talvez outra coisa me move muito mais. Então tenho necessidade, como Francisco, de sair da minha zona de conforto e de colocar-me a caminho para um lugar diferente e talvez hostil, a que aludem o bosque e as rochas de Greccio. É aqui que posso escutar de novo aquele desejo que habita em mim, no gemido próprio da criação, nossa casa comum: ver o Senhor Jesus no mistério da sua pobreza e fraqueza, abrir-me e abrir- -nos ainda no Espírito a um renovado encontro com Ele.

Francisco viveu este encontro de modo “físico”: toca o corpo do Senhor no Evangelho, lido e escutado a cada dia; ele o vê no leproso, nos seus irmãos, nos sacerdotes pobrezinhos, nos pecadores; a pobreza de Jesus no paradoxo da condição humana, magnífica, mas ao mesmo tempo destinada à morte. Finalmente libertado do amargor e do medo, olhou nos olhos esta fragilidade.

Do encontro com Jesus floresce para ele a alegria da fé, o olhar novo do homem ressuscitado que vê a presença de Deus em todas as criaturas e por isso o louva e lhe restitui todo bem.

Crer: a fé é acesa por aquele encontro que me tocou e deixou o seu sinal na carne da minha vida. O nosso crer individual nasce e é guardado pelo grande “sim” da fé da Igreja. É este o ato que aquele ver, aquele tocar e deixar-se alcançar realiza. Procuremos o eco deste “sim” mesmo na misteriosa viagem que, por caminhos diversos, tantas pessoas fazem em direção ao Mistério.

O ver sem crer poderia deixar a minha fé à mercê da emoção do momento.

Um crer sem ver poderia reduzir a fé a uma ideia que simplesmente não tem nada mais a ver com a minha vida e cai, mesmo quando exteriormente continuo a realizar os atos religiosos.

A alegria é o sinal que mostra que nossa fé ainda está viva; a tristeza e o lamento são a câmara de gás da fé que lentamente se narcotiza, perde o contato com a “fisicidade” da nossa carne, da vida e se torna só intelectual ou moralista. Ou desaparece.

Estejamos vigilantes, irmãos e irmãs benditos, porque isto pode acontecer também a nós e de fato acontece, quando: dou como garantida a fé e não cuido de modo criativo da vida de oração no silêncio e na contemplação, perco o contato com a palavra de Deus, deixo que a Eucaristia se torne uma rotina, não recorro alegremente ao Sacramento da Reconciliação, separo a fé da vida, não perdoo e não gasto a minha vida pelos outros, me distancio dos pobres e me adapto a uma vida cômoda e garantida.

Ver e crer, eis os passos de Francisco, desarmadores na sua simplicidade e profundidade.

Neste Natal de 2021, vivamos ainda a espera do Senhor que nutre a fé. Ele está presente no lusco-fusco deste tempo que nos pede escuta, discernimento e decisão:

– o medo difundido da pandemia que parece não ter fim e nos está modificando, inclusive o lugar que a ciência e a tecnologia ocupam como nunca e em nenhum lugar;

– a solidariedade que tantos colocaram em campo nesta emergência, como não pensávamos;

– o amontoar-se de tantos migrantes e refugiados em tantas fronteiras, com o senso de impotência que isto nos dá;

– os sinais concretos de acolhida e de abertura ao outro, pagando pessoalmente;

– o sofrimento de nossa irmã terra, arranhada pela fadiga de tantas mulheres, homens e crianças na sua dignidade física e moral;

– os sinais de resistência e de responsabilidade para com o futuro da nossa casa comum, sobretudo dos mais jovens;

– os focos de guerra, de terror e de repressão espalhados pelo mundo, tantos de que não se tem notícia;

– o trabalho silencioso de quem se torna de muitos modos operador e mediador de paz e de justiça.

Este elenco poderia continuar. Somos chamados a celebrar o Natal com os olhos capazes de ver esta realidade em nós e em torno de nós. Cada um, a partir de si mesmo, dê um passo em direção àquele bosque de Greccio entre as rochas para ver um Menino que nasce exatamente nesta realidade pobre.

Neste Natal, creio que sou e somos chamados a ver e crer em um mundo novo.

No-lo pede o tempo que vivemos, o qual termina com toda segurança, mesmo religiosa.

No-lo pede a própria dinâmica da fé, que é caminho, busca, adesão sempre renovada.

No-lo pede a nossa vida religiosa, que hoje exige uma profunda ressignificação nos diferentes contextos em que vivemos no mundo.

No-lo pede também o medo que talvez ainda temos de Deus: recordemos que Ele nos dá tudo e não nos tira nada; oferece-nos a si mesmo como um pai que faz com seus filhos; revela-nos o seu rosto de misericórdia e de graça para que a nossa humanidade viva.

No-lo pede o fato de que hoje a fé perde sentido para a vida de tantas pessoas no mundo e frequentemente também para nós que escolhemos o seguimento do Senhor.

Francisco surpreende-nos como sempre e indica-nos a estrada que leva a Greccio, isto é, aos lugares remotos, distantes das grandes rotas, para redescobrir exatamente aí a possibilidade de um crer novo, rico também hoje de vida e de futuro, a buscar como peregrinos na noite.

O meu voto para este Natal de 2021 está todo aqui: que possamos abrir os olhos no Espírito Santo e crer no mistério da pobreza de Jesus e da sua Santíssima Mãe. E a partir destes “olhos espirituais” deixar reacender a chama da fé. Acesos pelo fogo do Espírito Santo, nós nos tornaremos sempre mais incandescentes contra todo imobilismo gélido do coração. Seremos assim, nas diversas partes do mundo que habitamos, aquele sinal profético que somos chamados a ser por vocação, presença de Cristo crucificado e ressuscitado para cada irmão e irmã que o Senhor nos permite encontrar. Eis o sinal profético que Francisco e Clara foram no calor da sua fé, que foi busca humilde – e não sua posse – da Presença do Vivente em todas as criaturas.

Eis o sinal que podemos ser cada vez que não tivermos medo de ainda ver e crer.

Bom Natal, irmãos e irmãs, e recordemos uns aos outros o Senhor que vem.

Seu irmão e servo,

Fr. Máximo Fusarelli, OFM (Ministro Geral)

Fonte: OFM

Frades iniciam Capítulo Custodial nesta segunda-feira

Imagem Ilustrativa (Fonte): Arquivo Custodial – Capítulo Custodial (2016)

É com alegria e júbilo, que nós, frades da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus, presentes no interior de São Paulo, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, daremos início na próxima segunda-feira (22) ao nosso Capítulo Custodial, que acontecerá em Brodowski/SP e se estende até a sexta-feira (26).

O ambiente que nos acolherá será a “Casa de Retiro Dom Luis”, localizada em Brodowski/SP, território da Arquidiocese de Ribeirão Preto/SP e que também nos acolheu em capítulos anteriores (2016 e 2018).

Capela da Casa de Retiro Dom Luis de Brodowski/SP | Imagem (Fonte): Arquivo Custodial – Capítulo Custodial (2016)

O Capítulo Custodial é um encontro fraterno, e visto pelos Estatutos Gerais como uma assembleia. O trabalho desta assembleia, dará as indicações de direção da missão e vida de nossos frades, bem como de nossa Custódia.

“Em tempos de crises, abracemos o futuro: somos todos irmãos, não tenhais medo!” é a temática que norteará o nosso Capítulo, junto com o lema, retirado do Evangelho de São Lucas: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele!” (Lc 10, 33-34). Estarão reunidos neste momento ímpar da Fraternidade Custodial, 43 frades, sendo 39 capitulares e 4 frades de profissão temporária.

O Visitador Geral eleito para nos conduzir durante este encontro de irmãos, foi o Frei Wanderley Gomes de Figueiredo, OFM, frade da Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS). É chamado de “Visitador Geral” por ser um representante diretamente do Ministro Geral, bem como, por realizar a visita em nome da Ordem dos Frades Menores (OFM). É o Definitório Geral da Ordem que elege o mesmo, com o serviço de visitar a todos os frades de uma Custódia ou Província. (Cf. CCGG, Art. 213). Desde o começo deste ano, ele realizou as visitas canônicas em nossas fraternidades, onde admoestou, confortou e na humildade e caridade nos corrigiu como irmãos.


Conhecendo um pouco do Visitador Geral

Visitador Geral – Frei Wanderley Gomes de Figueiredo, OFM

Frei Wanderley Gomes de Figueiredo, OFM, filho de Bento Evangelista de Figueiredo e de Justina Gomes de Figueiredo (In Memorian), nasceu no dia 5 de maio de 1967 em Rosário Oeste/MT. Entrou para a Ordem dos Frades Menores na Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS) e fez o seu noviciado no ano de 1987 em Campo Grande/MS. Professou Solene no dia 14 de agosto de 1993 e Ordenou Diácono em 17 de maio de 1997 em Campo Grande/MS. Foi Ordenado Sacerdote no dia 19 de março de 1998 em sua cidade natal. É licenciado em Filosofia, Teologia e Psicologia; possui mestrado em Teologia com especialização em Espiritualidade Franciscana. Tem especialização em Bioética e Pastoral da Saúde, bem como, especialização em Gestalt-Terapia. Já foi Visitador Geral da Província Franciscana de Santa Cruz (MG) em 2011/2012 e 2015. Atualmente reside na Fraternidade Franciscana Santa Isabel da Hungria em Campo Grande/MS.


Para o Custódio, Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM, “o Capítulo Custodial sempre é tempo de renovar-se e de deixar ser renovado”. Suas expectativas “são de gratidão pelas conquistas, apoio recebido ao longo do triênio e sentimento de dever cumprido ao concluir este triênio, mesmo tendo sido desafiados pela pandemia”. Finaliza dizendo: “Que não tenhamos medo em abraçar o futuro e estarmos certos de que não estamos sozinhos, pois somos todos irmãos”.

Neste capítulo, um dos momentos de grande importância, será a eleição do novo governo custodial. Serão eleitos frades para os seguintes serviços: Custódio, Vigário Custodial e Conselheiros (4 frades); formando assim a Animação Custodial para o triênio de 2022-2024.

A nossa Fraternidade Custodial acolhe mais uma vez com muito carinho o Visitador Geral, Frei Wanderley Figueiredo, OFM e deseja a ele votos de um profícuo serviço em prol da Ordem dos Frades Menores e de nossa Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus.

Que o Seráfico Pai São Francisco nos abençoe neste encontro de irmãos; que Maria, Rainha da Ordem interceda por cada um dos frades reunidos neste Capítulo Custodial e que o Espírito Santo, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, nos ilumine nas escolhas e decisões que serão tomadas!

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Ordem Franciscana Secular (OFS) elege novo governo geral

De 13 a 21 de novembro é celebrado o XVI Capítulo Geral da Ordem Franciscana Secular. Ontem, dia 17 de novembro, na presença de Frei Massimo Fusarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, os 57 Capitulares elegeram o novo Governo da OFS para o próximo sexênio.

Durante a celebração da Santa Missa, Frei Massimo iniciou a sua homilia dizendo: “A oração que abriu a nossa celebração, fez-nos pedir a graça de reconhecer Cristo nos pobres e necessitados: reconhecer é um dom que vem de Deus, como diz São Francisco no Testamento: ‘O Senhor me concedeu …’ por outro lado acrescentou que o grito do Evangelho no dia da festa de Santa Isabel lembra aos capitulares que “ser abençoado significa receber uma graça, entre elas a de reconhecer Cristo nos necessitados”.

No final da homilia, Frei Massimo convidou os Capitulares a se apaixonarem por Cristo, a amar a realidade, a ouvir a voz de Deus e a “deixar-se transformar pela presença do Senhor…. na escuta orante da Palavra de Deus: é aqui que podemos ser gradualmente transformados pela força do Espírito para nos tornarmos diligentes e incansáveis ​​na caridade”.

Para os próximos seis anos, as capitulares elegeram Tibor Kauser, da Hungria, e Mary Stronach, dos Estados Unidos, como Ministro Geral e Vice-ministra Geral, respectivamente. Juntamente com eles foram eleitos os membros do Conselho de Presidência: para a Ásia-Oceania Francis Park; para a África francófona e as ilhas Adolfo Assagba, para a África inglesa e portuguesa Eremenciana Chinyama; para a Europa do Norte Dina Shabalina; para a Europa do Sul e Mediterrâneo Noemi Paola Riccardi; pela América do Norte e Central Ana María Raffo; pela América do Sul Noemí Diana Silvia e pela Jufra Luis Feliz Chocojay.

Com o tema do Capítulo Geral “animar e orientar uma liderança servidora”, o novo Ministro e seu Conselho se comprometem na missão de animar a grande Fraternidade Franciscana Secular no mundo, vivendo “no mundo o Evangelho no estilo do Poverello, sine glossa e assumir o Evangelho como forma e regra de vida”, segundo a exortação do Papa Francisco ao receber os Capitulares na audiência de 15 de novembro de 2021.

Fontes: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil / OFM

Papa Francisco aos pobres em Assis: “Esperança e resistência partilhadas”

Jane Nogara (Vatican News)

Por ocasião do Encontro de oração e testemunho da quinta edição do Dia Mundial dos Pobres o Papa Francisco foi a Assis nesta sexta-feira, 12 de novembro. Depois de ouvir os testemunhos de alguns presentes e do momento especial de oração o Papa dirigiu algumas palavras aos presentes.

Francisco iniciou agradecendo a presença de todos em Assis e recordando que a cidade de Assis “tem impresso o rosto de São Francisco” que recebeu o chamado para viver o Evangelho à letra. E disse que embora a sua santidade de alguma forma nos assusta porque parece impossível imitá-la, devemos recordar certos momentos da sua vida que valem mais do que os sermões. E falou dos pequenos sacrifícios os “fioretti” que o Santo fazia, que foram reunidos para mostrar a beleza da sua vocação: “somos atraídos por esta simplicidade de coração e de vida: é a própria atração de Cristo, do Evangelho”. O Papa recordou uma dessas passagens quando Francisco vivendo na pobreza extrema conseguia alguma coisa para comer embora fosse pouca ele sempre a considerava como “um tesouro do qual não se sentia digno”, e dizia:

“É precisamente isto que considero um grande tesouro, porque não há nada, mas o que temos nos foi dado pela Providência (…) Este é o ensinamento que São Francisco nos dá: saber contentar-se com o pouco que temos e partilhá-lo com os outros”

Homens e mulheres pedras vivas da Igreja

Ao recordar que o encontro se realizava na Porciúncula, uma das pequenas igrejas que São Francisco pensou em restaurar, o Papa disse: “Ele nunca teria pensado que o Senhor lhe pedisse para dar a sua vida para renovar não a igreja feita de pedras, mas a de pessoas, de homens e mulheres que são as pedras vivas da Igreja. E se estamos aqui hoje é precisamente para aprender com o que São Francisco fez”.

Marginalização espiritual

São Francisco “passava muito tempo nesta pequena igreja a rezar”, continuou o Papa, “recolhia-se aqui em silêncio e escutava o Senhor, o que Deus queria dele. Também nós viemos aqui para isto: queremos pedir ao Senhor que ouça o nosso grito e venha em nosso auxílio. Não esqueçamos que a primeira marginalização de que os pobres sofrem é espiritual”. O Papa recordou e agradeceu a todos os que ajudam os pobres, e disse que fica muito feliz quando “as pessoas param para falar e às vezes rezar com eles”.

Em seguida falou da acolhida.

“Acolher significa abrir a porta, a porta da casa e a porta do coração, e permitir àqueles que batem à porta de entrar. E que podem sentir-se à vontade, sem medo. Onde existe um verdadeiro sentido de fraternidade, existe também a experiência sincera de acolhimento”

A fraqueza pode se tornar uma força que melhora o mundo

Neste ponto do discurso o Papa falou sobre o encontro.

“Encontrar-se é a primeira coisa, ou seja, ir ao encontro uns dos outros com o coração aberto e a mão estendida. Sabemos que cada um de nós precisa do outro, e mesmo a fraqueza, se experimentada em conjunto, pode tornar-se uma força que melhora o mundo”

O Pontífice em seguida abordou a questão dos que afirmam que os responsáveis pela pobreza são os pobres…. além da “hipocrisia dos que querem se enriquecer para além das medidas, se coloca a culpa sobre os ombros dos mais fracos”. E para contrastar o Papa afirmou com veemência:

“É tempo que seja restituída a palavra aos pobres, porque durante demasiado tempo os seus pedidos não foram ouvidos. É tempo que se abram os olhos para ver o estado de desigualdade em que vivem tantas famílias. É tempo de arregaçar as mangas para restituir dignidade através da criação de empregos. É tempo que se volte a se escandalizar diante da realidade de crianças famintas, escravizadas, tiradas das águas quando naufragam, vítimas inocentes de todo o tipo de violência. É tempo que cessem as violências contra as mulheres e as mulheres sejam respeitadas e não tratadas como mercadoria. É tempo que se rompa o círculo da indiferença para retornar a descobrir a beleza do encontro e do diálogo”.

Coragem e sinceridade

Em seguida o Papa comentou os testemunhos das pessoas pobres agradecendo sua coragem e sinceridade. “Coragem, porque quiseram partilhar com todos nós, mesmo que façam parte da sua vida pessoal; sinceridade, porque se mostraram como são e abriram o seu coração com o desejo de serem compreendidos”.

Esperança e resistência

“Percebi um grande sentido de esperança. A marginalização, o sofrimento da doença e da solidão, a falta de muitos meios necessários não os impediu de olharem com os olhos cheios de gratidão para as pequenas coisas que lhes permitiram de resistir”

Por fim o Papa falou sobre resistir além da esperança: “Esta é a segunda impressão que eu percebi e que deriva da esperança. O que significa resistir? Ter a força para continuar apesar de tudo. A resistir não é uma ação passiva, pelo contrário, requer coragem para empreender um novo caminho sabendo que dará frutos”.

Concluindo disse: “Peçamos ao Senhor que nos ajude sempre a encontrar a serenidade e a alegria. Aqui na Porciúncula, São Francisco ensina-nos a alegria que vem de olhar para quem está próximo como a um companheiro de viagem que nos compreende e nos apoia, tal como nós somos para ele ou ela”.

Fonte: Vatican News

“Centenário Franciscano” será anunciado dia 19 de novembro em Greccio

Imagem Ilustrativa (Fonte): Piero Casentini

A Conferência da Família Franciscana publicou ontem, 3 de novembro, uma carta sobre a celebração do Centenário Franciscano. Ela partiu do encontro dos Ministros Gerais das Famílias Franciscanas, que se reuniram em Assis, no dia 2 de outubro passado, para planejar a celebração dos aniversários franciscanos em um único Centenário Franciscano.

Esse Centenário Franciscano, celebrado em diversos centenários, será anunciado no dia 19 de novembro de 2021 no Santuário de Greccio (Rieti), lugar onde “São Francisco quis ver com seus próprios olhos a pobreza em que nasceu Jesus, para ensinar-nos a beleza de um Deus que assume nossa condição humana”.

“Os anos que estamos vivendo estão marcados pela recordação de importantes passagens do itinerário da vida de São Francisco em seu último ano”, explicaram na carta Deborah Lockwood, presidente da Conferência Franciscana Internacional da Ordem Terceira Regular; Tibor Kauser, Ministro Geral da Ordem Franciscana Secular; Frei Massimo Fusarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores; Frei Roberto Genuin, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; Frei Carlos Alberto Trovarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais; e Frei Amando Trujillo Cano, Ministro Geral da Ordem Terceira Regular.

A Família Franciscana chama de único Centenário Franciscano os eventos que, de 2023 a 2026, em torno do Ano Santo de 2025, incluirá: os 800 anos da Regra, o Presépio de Greccio (2023), os Estigmas (2024), o Cântico das Criaturas (2025) e a Páscoa de Francisco (2026). “Busca ser um centenário articulado e celebrado em diferentes centenários”, explicam os ministros.

Segundo a carta, tal distribuição dos centenários “parece oferecer-nos a todos a preciosa possibilidade de fazer memória viva e desafiante do carisma evangélico que o Espírito suscitou na Igreja através de São Francisco. Queremos viver este Centenário Franciscano em profunda comunhão como Família, em todos os países e contextos do mundo em que estamos presentes”.

Para isso, os Ministros Gerais instituíram uma Comissão do Centenário Franciscano e convidaram para participar os Ministro Provinciais das Famílias da Itália Central, ao Custódio do Sacro Convento de Assis e quatro representantes dos Conselhos Gerais. “Reconhecemos a importância deste Centenário, que não se restringe somente a algumas celebrações nos Santuários da Itália Central, mas que busca ajudar-nos – em todo o mundo – a retomar e aprofundar juntos os pontos essenciais de nossa identidade carismática franciscana”.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


Carta do Ministro Geral por ocasião do V Dia Mundial dos Pobres

Imagem ilustrativa (Fonte): Frei Dito (Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil)

18 de outubro – Festa de São Lucas evangelista

– Aos Ministros provinciais, aos Custódios e aos Presidentes das Fundações

– A todos os Frades da Ordem dos Frades Menores

Caros Irmãos,  o Senhor lhes dê a paz!

No dia 14 de novembro próximo, se celebra a V Jornada Mundial dos Pobres, e exatamente dois dias antes, sexta-feira, 12 de novembro, o Papa Francisco será peregrino na Porciúncula, na Basílica de Santa Maria dos Anjos, para encontrar 500 pobres provenientes de diversas partes da Europa, para escutá-los e dialogar com eles. O Senhor Papa dá-nos ainda testemunho de um gesto muito eloquente.

Estarei presente com outros irmãos neste momento. Estarei lá em nome de todos vocês.

Recebida a notícia desta visita, juntamente com uma grande alegria, senti por todos nós, frades, a forte provocação de um gesto que será realizado exatamente no lugar onde todos nós nascemos.

O Papa não se limita a escrever uma mensagem, mas encontra a carne, o próprio corpo dos pobres, que é sacramento de Cristo, que por nosso amor se fez pobre e quis identificar-se com eles.

Na memória, voltei às palavras de São João XXIII, terciário franciscano, que um mês antes da abertura do Concílio, disse com espírito profético: A Igreja apresenta-se como ela é e quer ser, como Igreja de todos, particularmente a Igreja dos pobres. (Radiomensagem aos fiéis de todo o mundo, 11 de setembro de 1962)

Esta consciência da Igreja de cada tempo encontra uma testemunha extraordinária em São Francisco, como nos recordou o Papa em sua Mensagem ao nosso recente Capítulo Geral: Renovar a própria visão: é isto que aconteceu ao jovem Francisco de Assis. Ele próprio o atesta, contando a experiência que, no seu Testamento, ele coloca no início da própria conversão: o encontro com os leprosos, quando “aquilo que era amargo se lhe transformou em doçura de alma e de corpo” (Test 1-4). Na raiz da vossa espiritualidade está este encontro com os últimos e com os sofredores, no sinal do “fazer misericórdia”. Deus tocou o coração de Francisco através da misericórdia oferecida ao irmão e continua a tocar os nossos corações através do encontro com os outros, sobretudo com as pessoas mais necessitadas. A renovação da nossa visão só pode partir de novo deste olhar novo com o qual contemplar o irmão pobre e marginalizado, sinal, quase sacramento da presença de Deus. Deste olhar renovado, desta experiência concreta de encontro com o próximo e com as suas chagas pode nascer uma renovada energia para olhar para o futuro como irmãos e como menores, como vocês são, segundo o belo nome de “frades menores” que São Francisco escolheu para si e para vocês.

Pergunto-me, na escuta da minha consciência e da voz do Senhor, o que faço com cada um de vocês:

– Até que ponto sou consciente de que o encontro com os pobres está no coração da minha vida de frade menor nos passos de Jesus, “Ele que era rico acima de todas as coisa e quis neste mundo, juntamente com a beatíssima Virgem, escolher a pobreza” (2Fi 5)?

– Quantos momentos e ocasiões de encontro, de partilha tive com pobres concretos? Sinto que isto me “perturbou” e recolocou no caminho? Ou não?

– Muitas vezes não me defendo, pensando que esta seja uma dimensão muito social e pouco religiosa? Mas, segundo a palavra dos profetas nas Escrituras, os pobres não são talvez o espelho no qual vemos se ainda somos crentes? Deus os amou e quis que o seu Filho fosse um deles. O mesmo vale para os apóstolos e para tantos amigos do Senhor ao longo da história, não últimos São Francisco e Santa Clara e Santa Isabel. Poderá o encontro com o rosto real de alguns pobres e sofredores concretos, com o odor, com a sua presença muitas vezes desagradável, com as perguntas que nos fazem, poderá finalmente mover-nos e comover-nos? Induzir-nos à conversão? Fazer-nos sair das nossas tocas, frequentemente muito cômodas?

Por isso, como ministro e servo de vocês e em comunhão com o Definitório geral, por meio desta carta, amadureci na oração a ideia de pedir a todos os Frades da Ordem e às diversas fraternidades do mundo que se realize no mês de novembro pelo menos um momento concreto de encontro com os pobres. Não sozinhos, mas como fraternidade, ao menos dois a dois (cf. Lc 10, 1), para buscar um simples encontro de presença, proximidade e serviço com algum deles, para bater à porta deles, como escreveu o Santo Padre na sua Mensagem para esta V Jornada. Ouçamo-lo:

Não podemos esperar que os pobres batam aa nossa porta, é urgente que os alcancemos nas suas casas, nos hospitais e nas residências de assistência, pelas estradas e nos cantos escuros onde às vezes se escondem, nos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que experimentam e quais desejos eles têm no coração. Fazemos nossas as palavras de Dom Primo Mazzolari: “Eu gostaria de pedir-vos para não perguntar se há pobres, quem são e quantos são, porque temo que semelhantes perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar de uma precisa indicação da consciência e do coração. […] Eu nunca contei os pobres, porque não se podem contar: os pobres se abraçam, não se contam” (“Adesso” n. 7 – 15 de abril de 1949). Os pobres estão no nosso meio. Como seria evangélico se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiremos reconhecê-los realmente e fazer com que eles se tornem parte de nossa vida e instrumento de salvação.

No Capítulo geral, nós nos interrogamos de novo sobre a nossa identidade e a reconhecemos na fraternidade e na minoridade. Podemos discutir longamente e encontrar-nos sempre no mesmo ponto.

Estou e estamos felizes pela presença do Santo Padre na Porciúncula: certamente é uma honra àquele lugar e a todos nós e, ao mesmo tempo, nos impulsiona a sair de nós mesmos e das nossas casas e atividades ordinárias ao encontro dos pobres, e descobrir que a nossa identidade está ali, nos espera, nos dá nova luz, é possível vivê-la hoje com alegria, também no meio das fadigas.

Creio que a todos nós é possível um passo do gênero: aos ministros e a todos os irmãos, aos jovens como aos anciãos, aos frades empenhados na pastoral como aos que estudam, aos noviços e candidatos à vida franciscana como aos seus formadores, aos evangelizadores como aos missionários, a todos os que se sentem firmes na vocação e aos que se fazem tantas perguntas e talvez olhem além.

Isto, porque encontrar os pobres não é uma atividade nem uma ideologia? É uma porta de misericórdia, sempre aberta. Escolhamos atravessá-la juntos, e creio que virá ao nosso encontro uma grande surpresa do Espírito, um importante novo início na nossa vida evangélica. Não importa quão santos ou pecadores sejamos: os pobres acolhem aquele pobre que está em cada um de nós, reconhecem-no e, se nos aproximar-nos deles sem arrogância ou temor, nos ajudam, são eles a fazernos caminhar e a sustentar-nos.

Se o Papa Francisco sonha com uma Igreja dos pobres, eu sonho que na nossa Fraternidade universal saibamos redescobrir e deixar-nos encontrar pelo rosto dos pequenos e dos pobres, com os seus nomes e condições diversas. Creio que, deste encontro vivido a partir de dentro de nossa vocação, nós, frades, receberemos a graça e ainda poderemos escolher de novo tornar-nos novamente pobres, revendo a nossa relação com as coisas, com o dinheiro, com o poder e com os afetos. Deus sabe quanto precisamos disso, para não extinguir-nos em uma vida muito cômoda e garantida, tão distante da condição dos pobres, de modo a não fazer-nos mais sentir a sede de Cristo e de uma humanidade viva e genuína, capaz de gastar-se.

“Os pobres são nossos mestres” (CCGG 93,§ 1): deixemo-nos evangelizar por eles O Senhor espera-nos junto deles e está pronto a presentear-nos com grandes surpresas. Deixemos com que ele o faça, irmãos amados no Senhor, não oponhamos resistência a este desejo, a este sopro do carisma que o Espírito ainda suscita com uma força que nós, sozinhos, não sabemos encontrar. Peço e pedimos a todos por isto.

Peço-lhes em nome de São Francisco: façamos esse passo em direção aos pobres no mês de novembro e ficaremos surpresos! O Senhor precede-nos e espera-nos neste caminho: escolhamos um gesto, andemos a uma casa, a um abrigo, uma enfermaria dos frades doentes, um cárcere, um hospital, um centro de migrantes, uma periferia, uma comunidade de acolhimento e tantos lugares ainda, para visitar Cristo nos seus vigários, os pobres. E deixar-nos encontrar por ele, que quer ainda atrair e acender a nossa vida.

De boa vontade receberei, de quem de vocês que o quiser, uma restituição, um pequeno relato deste encontro com alguns pobres, sobre como isso manteve viva a chama da fé e da vocação: poderemos começar a narrar e escrever o traço da vida franciscana que nos é dado e pedido para este nosso tempo, de modo a poder transmiti-lo, com a vida e com a palavra, à próxima geração.

O Senhor nos abençoe, e São Francisco sustente, neste tempo abençoado e difícil, o nosso desejo de uma nova partida na vocação como irmãos, menores e pobres, à busca do rosto do Senhor nas estradas dos homens e das mulheres de hoje, capazes de encontro e de testemunho.

Abraço-os com grande afeto e fraternidade,

seu ministro e servo,

Frei Massimo Fusarelli, OFM (Ministro Geral)

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Carta do Ministro Geral e do Definitório para a Festa de São Francisco

Renovemos nossa visão, abracemos nosso futuro

Queridos irmãos e irmãs!

Que o Senhor lhes dê paz!

Recentemente, nossa Ordem Franciscana celebrou seu Capítulo Geral e esta é a primeira vez que nos dirigimos a vocês como irmãos do Definitório Geral. Começamos nosso trabalho como Fraternidade Definidora e estamos estudando exaustivamente os mandatos e diretrizes que o Capítulo Geral  nos confiou, para traçar as linhas-guia para a animação da Ordem durante o próximo sexênio. Esperamos fazer chegar a você estas propostas o mais rápido possível.

Entre fragilidade e mudança

Uma imagem franciscana que nos ajuda nesses tempos que vivemos é o regresso de Francisco da Terra Santa. Segundo algumas tradições, ele viveu um confinamento em uma pequena ilha da laguna de Veneza, onde experimentou a fragilidade de seu mundo, a crise da Fraternidade, suas lutas internas, um combate entre escuridão e desolação. No entanto, Francisco manteve uma resposta de gratidão, juntamente com uma visão fundada na esperança. (cf. Rnb 23).

Também hoje, a Ordem está dividida entre a esperança e o desânimo, entre o crescimento em algumas áreas e o declínio em outras. Nos movemos entre o caminho de renovação de nossa identidade de Frades Menores e o clericalismo que nos dá poder e segurança e nos faz acreditar que não temos necessidade de ninguém, afastando-nos de nossa vocação e missão de Frades Menores. Por isso, devemos deixar-nos tocar mais uma vez pelo lema do Capítulo Geral: “Levanta-te… e Cristo te iluminará (Ef 5,14)”.

Estamos em um momento de mudança, que envolve a todos e também acreditamos que devemos nos colocar neste clima de profunda transformação, encontrando caminhos novos e positivos. Este não é apenas um desafio, mas sim, um dom desses tempos em que vivemos. O presente nos desafia, nos coloca em situação de sobrevivência e vulnerabilidade.

É uma experiência profunda a de nossa existência que nos convida a caminhar, da melhor maneira, e a aprofundar no nosso estilo de vida que professamos, para que reconheçamos que às vezes nos esquecemos e não vivemos segundo a inspiração carismática que nos chama a ser Frades Menores. Sentir-nos vulneráveis nos permite reconhecer nossas fraquezas pessoais e fraternais e ir entre as pessoas com humildade, simplicidade e alegria.

Para nos animarmos e nos apoiarmos na esperança nesses tempos de mudança, fragilidade e vulnerabilidade, nos podem ajudar algumas atitudes:

  1. Reconhecer e aceitar nossa fragilidade humana, na nossa fraternidade e no mundo que nos rodeia.
  2. Reconhecer a bondade, a beleza, a justiça, os valores gravados nos corações dos homens e mulheres do nosso tempo, para crescer e desfrutar enquanto acompanhamos os outros em suas alegrias pelo que o Altíssimo está fazendo em suas vidas, famílias e comunidades, onde vivem e trabalham.
  3. Ouça o convite para mudar, para poder amar sem medo, iniciar processos de libertação e ir aos locais de fratura, onde a vida sofre e grita com toda a sua força. Esses gritos sobem ao céu e Deus os ouve.

Alguns convites

No Documento Final do Capítulo Geral, há cinco convites que nos são propostos e que constituem um itinerário para todos nós: um convite à gratidão, um convite para renovar nossa visão, um convite à conversão e à penitência, um convite para missão e evangelização e um convite a abraçar o nosso futuro. Para nós “Frades Menores”, tais convites não são opcionais, pelo contrário, apresentam-se como critérios necessários para perseverar em um caminho de fidelidade junto às cinco prioridades da Ordem conhecidas de todos.

Relendo esses cinco convites, como um itinerário, percebemos que somos chamados, a partir da gratidão pelos bens recebidos, a criar ação constante de agradecimento, e a restituir continuamente a Deus todos os bens. Entre esses bens, reconhecemos o crescimento da Ordem em alguns continentes como África e Ásia e, por todas as partes, o testemunho sincero de tantos irmãos ao lado dos necessitados. Esta gratidão vem a partir do dom do Espírito que renova nossa maneira de ver o mundo e sua história, reconhecendo os sinais dos tempos e a presença de Deus.

No entanto, para que seja verdadeira, esta visão renovada deve abrir nossos olhos à necessidade de conversão e penitência, para que verdadeiramente possamos renovar muitas de nossas atitudes que necessitam ser purificadas. As áreas que precisam de renovação e conversão são as de nossa vida fraterna e minoridade, já que, como diz o Documento Final do Capítulo, fraternitas e minoritas são os dois pulmões de nossa identidade. A fraternidade e a minoridade devem ser vividas, certamente, entre nós, em nossas comunidades, e sobretudo devem caracterizar-se por nossa proximidade com as pessoas que encontramos, para sermos irmãos e menores de todo o mundo. Os pobres e os que sofrem e os que vivem na necessidade são os destinatários privilegiados do nosso desejo de ser irmãos e menores, reconhecendo-os como nossos mestres (cf. CCGG 93§1). Como nos disse o Papa em sua mensagem ao Capítulo: “O olhar renovado, capaz de abrir-nos para o futuro de Deus, o recebemos de nossa proximidade com os pobres, as vítimas da escravidão moderna, os refugiados e os excluídos deste mundo. Eles são vossos mestres. Abrace-os como fez São Francisco!”

Do olhar dos pobres e dos vencidos

Os irmãos capitulares nos convidam, dentro do contexto da pandemia que vivemos como humanidade, a fazer um esforço para ler a realidade, a história, a cultura, a economia e a Igreja desde o lugar onde vivem os pobres, os que não valem nada, os marginalizados. Assim, com um novo olhar profundo, crente, encarnado e teológico, podemos abraçar e deixar-nos abraçar pelos pobres e os desfavorecidos. Por isso precisamos purificar e transformar nossa visão, ao modo de Jesus, do Poverello de Assis e dos milhares de Irmãos e irmãs que nestes 800 anos souberam se colocar no verso da história, com uma verdadeira atitude franciscana.

Como São Francisco, isso nos abre o caminho da itinerância, para viver como “peregrinos e estrangeiros neste mundo” (Rb 6,2), livres para a missão e evangelização, como fraternidade contemplativa em missão, com o olhar fixo no futuro, dirigindo nossos passos para a outra margem, assim como Jesus convidou seus discípulos. Não devemos ter medo de seguir novos caminhos, respondendo às exigências de um mundo em constante mudança. Não podemos nos contentar em repetir o que sempre foi feito, com todo respeito a uma história que foi grande justamente porque soube se renovar constantemente ao longo de oito séculos.

Particularmente, nosso tempo requer uma atenção específica à “casa comum”, do ponto de vista da ecologia integral, segundo o que nos ensina o Papa Francisco. A novidade dessa perspectiva encontra-se no fato de ler de forma interconectada toda a realidade, desde a relação com Deus à atenção ao meio ambiente, ao compromisso pela justiça e paz, e cremos que este é um desafio de grande urgência para nós. Se nosso estilo de vida, que inclui uma certa busca de conforto, não é coerente com esta perspectiva, deveríamos reconhecer que aqui também precisamos de penitência e conversão. É importante ter presentes as Encíclicas papais Fratelli Tutti e Laudato Si’, que suscitam em nós a disponibilidade de nos colocarmos em caminho, a estudar e nos comprometermos com o bem da vida. Estas, além disso, são um sinal profético que mostra como é realmente possível um modo de viver e relacionar-se à luz do Evangelho e da práxis de São Francisco e Santa Clara, segundo o espírito que nos leva a ser bons administradores e não proprietários, a conviver e não acumular.

A esperança renasce quando aprendemos a não ter medo de recomeçar quantas vezes seja possível. Sigamos em frente todos juntos: atrás de nós há uma rica história, que nos próximos anos também celebraremos por meio dos centenários franciscanos, e diante de nós há um futuro que desejamos receber com esperança. Queremos oferecer ao nosso mundo uma palavra de confiança e esperança, da qual tem uma grande necessidade.

Convidamos todos os que se inspiram em São Francisco a optar por estar sempre grato Àquele que molda a vida de cada um de nós e de todas as pessoas que encontramos, de uma forma ou de outra, ao longo do caminho da vida e da história. Somos convidados a participar de forma responsável numa cultura de cuidado, garantindo que nossas fraternidades e todos os ambientes pastorais sejam saudáveis ​​e importantes, onde nenhum sinta que sua vida, integridade e dignidade estejam ameaçadas.

Somos convidados a ser construtores de pontes de comunicação e diálogo. Queremos estar ao lado de quem foi abandonado social, cultural e eclesialmente, igualmente com aqueles que são forçados pelas realidades econômicas e políticas a se tornarem migrantes, trabalhando ao lado de tantos homens e mulheres de boa vontade, assim como das organizações leigas verdadeiramente comprometidas com este fim. Assim, nossa vida franciscana será sempre uma vida de encarnação e compromisso fraterno e político com os bem-aventurados do reino de Deus. (Mt 5,1-12. 25,31-46)

Conclusão

Queridos irmãos e irmãs, não olhem para a Cúria Geral como um lugar distante: estamos aqui por vocês e queremos estar perto de vocês. Faremos nossa parte para buscar o contato com vocês e com as Entidades da Família Franciscana e confiamos em sua vontade de entrar em contato conosco.

Seguindo o exemplo do Papa Francisco que conclui seu discurso sempre pedindo para rezar por ele, também pedimos que vocês rezem por nós.

Com um abraço fraterno, desejamos uma boa Festa de São Francisco!

Ministro Geral e Irmãos Definidores (Roma – 2021)

Tradução Livre: Setor de Comunicação – Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Frei Valmir Ramos, OFM é eleito Visitador Geral da Província de São Francisco de Quito/Equador

Frei Valmir Ramos, OFM durante o Capítulo Geral da OFM em Roma/Itália – Julho/2021

Alguns dias atrás, o Ministro Geral e o seu Definitório estiveram reunidos na Cúria Geral e na sessão do dia 14 de setembro, elegeram o frade que desempenhará o serviço de Visitador Geral na Província São Francisco de Quito/Equador. O frade eleito foi o nosso confrade Frei Valmir Ramos, OFM, ex-Definidor Geral da OFM para a América Latina.


Visitador Geral: O que é?

O visitador é chamado de “Visitador Geral” por ser um representante/delegado diretamente do Ministro Geral, bem como, por realizar a visita em nome da Ordem dos Frades Menores (OFM). É o Definitório Geral da Ordem que elege o mesmo, com o serviço de visitar a todos os frades de uma Custódia ou Província. (Cf. CCGG, Art. 213)

Durante estas visitas, o Visitador Geral deve admoestar, confortar e se preciso for, corrigir na humildade e caridade os irmãos. Tem a missão de conhecer as condições e todas as iniciativas dos confrades, das fraternidades e Província, pois estará olhando com um olhar de fora da realidade; facilitando a ajuda no que for necessário para os encaminhamentos futuros da entidade. (Cf. CCGG, Art. 213)

Após todas as visitas, o Visitador Geral deve realizar um relatório abordando a realidade, levando em consideração a vida franciscana (vida de oração, vida fraterna, minoridade, formação, trabalho, evangelização, economia, dentre outros), a ser enviado para o Ministro Geral e para o Capítulo Provincial.


Uma breve biografia…

Frei Valmir Ramos, OFM durante o Capítulo Geral da OFM em Roma/Itália – Julho/2021

Frei Valmir Ramos, OFM, nascido no dia 31 de maio de 1965 é natural de Franca/SP. Entrou para a Ordem dos Frades Menores e foi vestido com o habito franciscano no dia 16 de janeiro de 1989. Professou os primeiros votos no dia 02 de fevereiro de 1990 em Catalão/GO. Professou Solene no dia 30 de abril de 1993 e Ordenou Diácono em 11 de agosto de 1993. Foi Ordenado Sacerdote no dia 28 de janeiro de 1994 em sua cidade natal. Serviu a nossa Fraternidade Custodial como Custódio de 2001 a 2010. Foi eleito Definidor Geral para a América Latina no Capítulo Geral de 2015, para o sexênio 2015-2021. Atualmente, está retornando da Cúria Geral da OFM (Roma/Itália) para residir em sua Custódia de origem, a Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus (Interior de São Paulo e Triângulo Mineiro – Brasil).


A Fraternidade Custodial deseja ao confrade, Frei Valmir Ramos, OFM, votos de um profícuo serviço em prol da Ordem dos Frades Menores e da Província São Francisco de Quito/Equador. Que o Seráfico Pai São Francisco o abençoe e que nossa mãe Maria, Rainha da Ordem interceda por ele durante este árduo trabalho!

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Carta do Ministro Geral para a Solenidade de Santa Clara

Vivamos segundo a perfeição do Santo Evangelho

Em 2021, recordamos os 800 anos da Regra não bulada, um precioso texto que ainda nos fala, em maneira extraordinária, da inspiração evangélica de S. Francisco e, ao mesmo tempo, nos faz olhar para Santa Clara.

No prólogo lemos (RnB Prólogo 2):

Esta é a vida, que Frei Francisco pediu do Senhor Papa lhe fosse concedida e confirmada; e ele a concedeu e a confirmou para ele e para os seus irmãos presentes e futuros.

E na conclusão escutamos:

Peço a todos os irmãos que aprendam a carta e o significado das coisas que nesta vida foram escritas para a salvação de nossa alma, e de chamá-la frequentemente à memória.

São Francisco fala de uma vida, a qual entrega aos seus irmãos e que encontra sua fonte e inspiração no seguir o ensinamento e os rastros do Senhor nosso Jesus Cristo (RnB 1,1).

A ligação que, na Regra não bulada amarra o Evangelho à vida e a vida ao Evangelho, é constante em Francisco, que o propõe também a Clara e às suas irmãs em dois breves e intensos escritos:

Pois, por divina inspiração … tendes escolhido viver segundo a perfeição do santo Evangelho, quero e prometo de sempre ter a vós como meus irmãos, por meio meu e por meio deles, cuidado diligente e solicitude especial (Forma de vida 1-2).

Eu, Frei Francisco pequenino, quero seguir a vida e a pobreza do altíssimo Senhor nosso Jesus Cristo e de sua santíssima Mãe e perseverar nela até o fim. E vos peço, minhas senhoras, e vos aconselho que vivais sempre nessa santíssima vida e pobreza (Última vontade 1-2).

É um conselho que Francisco dirige àquelas que ele chama de minhas senhoras e junto está o núcleo carismático que une numa mesma forma de vida – vivida em modalidades e condições diferentes – os irmãos e as irmãs. O Pobre promete de ter cuidado diligente e solicitude especial pelas irmãs exatamente dentro dessa comunhão no carisma, que une irmãos e irmãs no sentido mais genuíno.

Se na Regra não bulada tem confluído o percurso dos primeiros anos de experiência evangélica dos frades, sedimentando-se naquele texto através de um contínuo confronto entre a vida, que é movimento por definição, e a regra, que lhe fixa os fundamentos, Francisco sabe que Clara intui e vive essa circularidade de vida e Evangelho e a propõe sem medo.

Aquilo que nos une é, então, exatamente essa ligação entre vida e Evangelho, onde uma ilumina o outro e dele recebe inspiração contínua. Se for verdadeiro, de fato, que o Evangelho orienta a vida à conversão, é também verdadeiro que a vida nos ajuda a escutar a palavra evangélica no caminho sempre novo da existência, imersa na mudança da história.

A palavra evangélica ilumina e transforma a vida e é, por vez, iluminada pela palavra da vida dos varões e mulheres que encontramos, os pequenos e os pobres de nosso tempo, da criação e também de todos os que encontramos no caminho de busca do sentido e da verdade.

Temos necessidade de um pouco mais de vida verdadeiramente acolhida, vivida, amada, doada, partilhada a fim de acolher a palavra evangélica, sem a qual o livro de nossa existência permanece selado.

Não nos podemos embrulhar a nós mesmos na busca de nossa identidade franciscana clariana, sem o confronto e o diálogo contínuo com o caminho na vida, nosso e de muitos outros, neste tempo único.

O Evangelho nos chama à conversão e acende em nós o chamado à radicalidade da fé, feito de busca da face do Senhor nov seguimento de Jesus; o dom da vida chamanos à radicalidade do dom de si mesmo como cifra decisiva para uma existência plena.

O seguimento radical de Cristo pobre e crucificado associou Francisco e Clara, no espaço de uma fraternidade vivida na minoridade e na pobreza, como a de quem renuncia a apoios e garantias.

O claustro de Clara vivido com suas irmãs em São Damião e aquele de Francisco vivido com os seus irmãos nas estradas do mundo, nos pedem de buscar juntos aquilo que verdadeiramente nos une e de ser, com a vida, palavra profética para nosso tempo.

Percebo profundamente que essa é nossa comum vocação na Igreja de hoje para o mundo, que Deus ama: escutar e acolher a palavra evangélica, para que a vida seja transformada e permita exprimir a força do Espírito que nela habita e a deseja levar rumo à sua plenitude que é a vida eterna, o amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo, eterna dança aberta a todas as criaturas. E essa plenitude tem o nome de vidas libertadas e remidas, capazes o=por isso de tornar-se
verdadeiramente fraternas e fermento de Fraternidade para muitas e muitos, hoje.

Caras Irmãs Pobres!

Nesta primeira mensagem que a vós dirijo com simplicidade, peço-vos de fazermos juntos esse percurso entre a vida e o Evangelho e custodiar-nos como irmãos menores, vossos irmãos, na confiança que é possível ainda hoje de viver nossa vocação, tão bonita e carregada de esperança para este tempo.

Empenhar-me-ei em ter para convosco, em nome de São Francisco, aquele cuidado e solicitude que estão fundados na vida segundo o Evangelho, nossa comum e extraordinária vocação. Sejamos memória uns para com as outras desse fogo.

Enquanto confio à vossa fiel intercessão o caminho de nossa Ordem, que no recente Capítulo geral encontrou um ponto importante de inspiração e novo recomeço, prometo-vos de recordar-vos cada dia ao Senhor, para que nossas vidas sejam evangelizadas e transformadas pela potência do Espírito do Senhor e se tornem muita transparência de Sua Misericórdia.

A Virgem feita Igreja nos acompanhe neste caminho. Com minha fraterna saudação e abraço a todas vós, com a Bênção de São Francisco e o cuidado de Santa Clara.

Roma, 11 de agosto de 2021
Solenidade de Santa Clara

Fr. Massimo Fusarelli, OFM
Ministro Geral e Servo

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil