Custódia se faz presente pelo JPIC em evento “Casa em Ruínas” no Rio de Janeiro/RJ

10 Anos depois da Rio +20 – “A nossa casa ainda está em ruínas”

O JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação) de nossa Custódia, em comunhão com o JPIC da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, esteve neste último final de semana (24 a 26/06) reunidos no Rio de Janeiro/RJ.

O evento denominado “Casa em Ruínas”, refletiu as temáticas deixadas pela Rio +20, que foi assim conhecida porque marcou os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.

“Dez anos depois da Rio +20, o que mudou?”, esse foi o questionamento norteador aos franciscanos, franciscanas e formadores de opinião do Rio de Janeiro/RJ e afins que se propuseram a fazer uma análise de conjuntura político-ecológica da atualidade, com o objetivo da renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, e a localização dos franciscanos e franciscanas como participantes dessa pauta.

Nessa discussão, tomaram parte também o Frei João Paulo Gabriel Mendes de Moraes, OFM, coordenador do JPIC da Fraternidade Custodial, Marta Ballarim, vinda do Patronato São Francisco de Assis de Garça/SP, representando as obras sociais de nossa Custódia, Frei José Aécio de Oliveira Filho, OFM, mestre do Aspirantado e Postulantado, junto dos postulantes, Ariel Altman e Felipe Augusto, que mesmo estando de férias, se dispuseram a participar do evento e refletir temáticas tão pertinentes ao carisma Franciscano e às lutas sociais necessárias nos dias de hoje.

De nossa Custódia, esteve também o Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, OFM, SINFRAJUPE (Serviço Inter-franciscano de Justiça e Paz e Ecologia) e membro da equipe do JPIC, que também teve um espaço na mesa, onde nos falou sobre os problemas do extrativismo e a organização social eclesial.

O encontro aconteceu em três momentos diferentes, sendo o primeiro na PUC-Rio, o segundo no Convento Santo Antônio, no Largo da Carioca e por fim, o terceiro momento foi uma subida à Favela da Rocinha, onde foi celebrada a Eucaristia, trazendo as experiências vividas e os clamores de frades, leigas e leigos engajados na luta e defesa da casa comum.

Fraternalmente,

Frei João Paulo Gabriel Mendes de Moraes, OFM (Coordenador – JPIC)

Semana Laudato si’, novos estilos de vida para responder ao grito da terra

A Semana Laudato si’ está de volta, apresentando eventos com ressonância global, regional e local, cada um vinculado a um objetivo particular da encíclica Laudato si’ e dos sete setores da Plataforma de Iniciativas Laudato si’. Todos eles serão focados no conceito de ecologia integral. Espera-se a participação de centenas de milhares de católicos para intensificar os esforços da Plataforma de Iniciativas: este é um novo instrumento que permite as instituições, as comunidades e as famílias de implementarem plenamente o Documento do Papa.

Biodiversidade, conflitos, crises climáticas, acolhida dos pobres

Entre os tópicos principais que serão explorados estão: como os católicos podem combater o colapso da biodiversidade; o papel dos combustíveis fósseis nos conflitos e na crise climática; como todos os cidadãos podem acolher os pobres na nossa vida diária. Entre os encontros programados, há um centralizado na possibilidade de dar força às vozes indígenas que terá a participação da Irmã Alessandra Smerilli, Secretária do mesmo Dicastério.

O programa: foco em aumentar a força das vozes indígenas

“Resposta ao Grito da Terra” é o tema da segunda-feira, 23 de maio, com um evento que será transmitido ao vivo da Universidade Católica Australiana de Roma. O tema será como reequilibrar os sistemas sociais com a natureza e contará com a participação do Padre Joshtrom Kureethadam: a sua contribuição será importante para dar força às vozes indígenas em vista da conferência da ONU sobre biodiversidade que será realizada este ano. O tema do dia seguinte será “Apoiar a ECO-mmunity: Acolher os pobres”. A quarta-feira será dedicada à economia ecológica, analisada sob o aspecto dos combustíveis fósseis, da violência e da crise climática. Enquanto que na quinta-feira 26, o tema será a adoção de estilos de vida sustentáveis: investimentos coerentes com a fé. Na sexta-feira à tarde terá a pré-estreia de um documentário sobre a “Laudato si”. No sábado à noite, será aprofundado o âmbito da espiritualidade ecológica. Por fim, no domingo 29 de maio será concluído com o tema da resiliência e empoderamento da comunidade como parte do caminho sinodal. Para as 15h deste dia conclusivo está previsto um encontro de oração.

Oradores internacionais

Os outros palestrantes serão: Theresa Ardler, Oficial de Ligação da Pesquisa Indígena na Universidade Católica Australiana, diretora e proprietária da Gweagal Cultural Connections; Vandana Shiva, fundadora da Navdanya Research Foundation for Science, Technology and Ecology na Índia e presidente da Navdanya International; Angela Manno, artista premiada; Greg Asner, diretor do ASU Centre for Global Conservation Discovery and Science.

O programa completo da Semana Laudato si’ Week – está disponível no link LaudatoSiWeek.org – e inclui eventos em Uganda, Itália, Irlanda, Brasil e Filipinas e – com exceção do documentário – será transmitido nos canais Facebook e YouTube do Movimento Laudato si’.

Fonte: Vatican News

Tempo da Criação: uma casa para todos, seguindo o exemplo do Padre Dall’Oglio

Giada Aquilino (Vatican News)

A hospitalidade como uma missão de diálogo, como um compromisso para construir um abrigo para o próximo, “para fazer a nossa parte agora e fazê-la juntos”. Assim Cecilia Dall’Oglio, diretora associada dos programas europeus do Movimento Laudato si’, resume o significado do Tempo da Criação 2021, um tempo de cura e esperança ao qual participam todos os anos os cristãos de todas as confissões: recordando a experiência de vida e de fé de seu irmão, padre Paolo Dall’Oglio, que está desaparecido desde 2013, e o compromisso do jesuíta em refundar o mosteiro de Mar Musa na Síria.

Tema e símbolo, um pensamento para o padre Paolo

A partir de amanhã, 1º de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, os fiéis de todo o mundo estarão se mobilizando para renovar sua relação com o Criador e toda a criação através da celebração, da conversão e do compromisso concreto. O tema deste ano é: “Uma casa para todos? Renovar o oikos de Deus”, explica a representante do Comitê Diretor Ecumênico Mundial para o Tempo da Criação, que também aponta a Tenda de Abraão como o símbolo cardeal de todos os eventos. “Penso que padre Paolo, meu irmão, ficaria muito feliz em ver tantas Tendas de Abraão instaladas em todas as comunidades do mundo, nos lugares simbólicos de todos os continentes, tantas declarações de compromisso dos cristãos do mundo inteiro em construir uma casa para todos, em renovar os oikos de Deus, para que a hospitalidade, que é o carisma, um dos pilares da comunidade de Mar Musa, possa ser uma linha na qual todos nós nos movamos: hospitalidade é também abrir espaços, apertar outras mãos”.

O padre jesuíta Paolo Dall’Oglio

Na sua última entrevista em árabe, Cecilia Dall’Oglio recorda: “Padre Paolo disse ‘o que não fizermos agora, vai levar muito tempo para ser feito’: sinto – acrescenta a irmã – este pedido para que sejamos ousados agora, não pararmos dizendo ‘sempre foi feito assim’. Este Tempo da Criação é verdadeiramente a maior oportunidade para dar este testemunho. Nisto sinto claramente a proximidade do meu irmão, que não queria perder aquele momento oportuno até o dom total de si mesmo”.

Como São Francisco

Focalizando a questão “Uma casa para todos?” do tema central, Cecilia Dall’Oglio destaca o quanto é urgente “iniciar um processo de conversão ecológica”: é necessário, explica, que “nossas comunidades parem e reflitam: que rezem ao Senhor para dar-lhes o dom da sabedoria, da razão, do discernimento para entender se estão realmente, como comunidade, construindo uma casa para todos”. “’Renovar os oikos de Deus’ vem de tomar consciência- acrescenta – de que a terra é do Senhor, como tudo o que está nela. Esta terra, esta casa comum, como o Papa Francisco a chama na Laudato si’, este oikos é feito de relações: sabemos que o Criador deu ao homem uma vocação especial para custodiar, cuidar da sua casa, por isso somos chamados juntos para apoiar as corretas relações ecológicas, sociais, econômicas e políticas”.

Cecilia Dall’Oglio com os jovens de Agesci

Portanto, até 4 de outubro, o Tempo da Criação será “uma oportunidade que não se pode perder para reparar esta casa, como São Francisco foi chamado a fazer. A pandemia, que no momento não está afetando as pessoas da mesma maneira, trazendo à tona desigualdades ainda maiores, nos mostrou mais uma vez como esta casa, nossa casa, está em ruínas”. Foi o que recordou o Papa Francisco mais uma vez, no Angelus do passado domingo, sublinhando como o grito da Terra e o grito dos pobres se “tornam cada vez mais graves e alarmantes”, conforme evidenciado na Encíclica Laudato si ‘de 2015, e exigem “uma ação decisiva e urgente para transformar esta crise em oportunidade”. Por isso é necessário urgentemente como definiram os bispos italianos – em sua Mensagem para o 16º Dia Nacional da Custódia da Criação, também amanhã – “uma transição que transforme profundamente nosso modo de vida”.

O Tempo da Criação encoraja a renovar a relação com Deus e tudo o que nos rodeia

Christina Leaño, diretora associada e co-fundadora do Movimento Laudato si’, também ressalta que este é um compromisso que une os cristãos de todo o mundo. Nos últimos sete anos”, afirma, “trabalhamos lado a lado com parcerias ecumênicas, o Conselho Mundial de Igrejas, representantes da Comunhão Ortodoxa, a Igreja Anglicana, os Luteranos e outros, para nos unirmos como seguidores de Cristo no cuidado de nosso planeta”. O resultado foi uma “motivação mais forte para uma colaboração ecumênica” que se traduziu em ações concretas, “desde peregrinações ao longo de rios locais no Canadá até congregações religiosas empenhadas em reduzir o consumo de carne”, de participações a mobilizações pelo clima de jovens de todo o mundo até a inclusão de temas relativos à criação “nas liturgias dominicais na América Latina”.

A carta de Dom Duffé

No sexto aniversário da encíclica “Laudato si”, em 24 de maio passado, Dom Bruno-Marie Duffé, secretário do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, em uma carta convidou todos os fiéis a promover o Tempo da Criação nas paróquias e comunidades locais, incentivando todas as realidades eclesiais a difundir seu espírito, “ajudando os fiéis a serem conscientes de que viver a vocação de ser guardiães da obra de Deus é parte essencial de uma existência virtuosa, não algo opcional ou mesmo um aspecto secundário da experiência cristã”, como afirmou o Pontífice na encíclica (217). O Tempo da Criação, destacou Dom Duffé, é também “um momento fundamental para os católicos elevarem a voz dos mais vulneráveis e se mobilizarem a seu favor em vista das duas importantes cúpulas da ONU”: a Conferência da das Nações Unidas sobre Biodiversidade (Cop15), programada de 11 a 24 de outubro na China, e a Conferência sobre Mudança Climática (Cop26), em Glasgow, de 31 de outubro a 12 de novembro. O secretário do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral também exortou os fiéis a aderirem a “iniciativas de mobilização como a petição ‘Planeta Saudável, Povo Saudável‘, apelando fortemente para uma ação corajosa para proteger a criação”.

O objetivo da petição, acrescenta Cecília Dall’Oglio é “pedir planos ousados aos governos para tornar realidade as promessas do Acordo de Paris”. Nossos Animadores Laudato si’, presentes em todo o mundo, estão treinando para se tornarem promotores de petições, para que em cada evento realizado para o Tempo da Criação, possam ser coletadas muitas assinaturas e assim serem cada vez mais numerosos ao exigir políticas diferentes”.

Crise e deslocamento climático

Foi o Papa Francisco em seu prefácio às Diretrizes Pastorais sobre o Deslocamento Climático, quem indicou que não sairemos da crise como a do clima ou a crise da Covid “fechando-nos no individualismo, mas somente estando juntos, através do encontro, do diálogo e da cooperação”. O representante do Movimento Laudato si’, que apresentou o documento na Sala de Imprensa da Santa Sé, lembra como ele destaca “a importância de promover campanhas de informação e programas pastorais que ressaltem a gravidade da crise climática e do deslocamento climático, focalizando a face humana da crise e a necessidade de ações urgentes”, combinando assistência humanitária, educação para a reconciliação, proteção dos direitos e da dignidade, oração, liturgia e apoio espiritual e psicológico.

Os jovens de Agesci armaram sua tenda em Assis, diante da Basílica de Santa Clara

A tenda

Entre as iniciativas da edição de 2021 está “Uma tenda para todos”, com um convite para armar barracas em lugares simbólicos. A Agesci, Associação Italiana de Guias e Escoteiros Católicos, o fez na Praça Santa Clara, em Assis. A presidente, Barbara Battilana, recorda que ali mesmo, na Basílica, “está conservado o Crucifixo de São Damião, diante do qual o Pobrezinho de Assis estava rezando quando recebeu o pedido do Senhor para reparar a sua casa”. Para os jovens da Agesci, assegura, “daquele ponto parte um exemplo e uma referência contínua para poder montar as barracas em todos os lugares e transmitir a mensagem de cuidar da nossa casa comum, não como uma empresa individual, mas comunitária”.

“Por outro lado, a Tenda de Abraão”, confirma Cecilia Dall’Oglio, “nos lembra que o Senhor armou sua tenda no meio de nós. Enraizados na fé de Abraão, atravessamos as dificuldades e sabemos como ter uma visão de esperança que nos caracteriza como cristãos. A tenda”, acrescenta, “está aberta em todos os lados porque acolhe, é um espaço de diálogo e é somente no diálogo com todos, inclusive com os não-crentes, que podemos com os outros credos ter sucesso na construção da casa comum. É também o símbolo da essencialidade, da leveza, de uma pegada no chão que não deixa uma marca ecológica pesada para as gerações futuras. A tenda também nos recorda dos que não têm um teto sobre suas cabeças, nos recorda dos refugiados, pensamos em nossos irmãos e irmãs sírios que estão há 10 anos em campos de refugiados no Líbano”, em uma ligação especial que une o Tempo da Criação com o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, em 26 de setembro.

Fonte: Vatican News

Frei Massimo Fusarelli, OFM participa do anúncio do novo nome do Movimento Católico Mundial pelo Clima

Frei Massimo Fusarelli, OFM – Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores

O Movimento Católico Mundial pelo Clima, nascido em 2015, inspirado na publicação da encíclica Laudato Si ’, é um movimento católico composto por mais de 800 organizações e milhares de animadores Laudato Si em todo o mundo.

Em 2020, por ocasião do 5º aniversário de sua fundação, o Movimento iniciou um importante processo de discernimento sobre sua identidade, missão, nome e estruturas. Esse processo foi desenvolvido em espírito sinodal, envolvendo seus membros por meio de várias rodadas de consultas.

Uma das mudanças mais importantes neste processo foi a nova declaração de missão que propõe: “Inspirar e mobilizar a comunidade católica para cuidar de nossa casa comum e alcançar justiça climática e ecológica”.

Nas palavras da Dra. Lorna Gold da Irlanda, Presidente do Conselho de Administração, “é importante destacar que a missão está sendo ampliada para incluir o conceito de justiça ecológica, baseado no espírito de Laudato Si ‘, onde“ tudo está interligado ”. Esta nova Missão reflete uma visão mais ampla e mais coerente com Laudato Si´, que foi a centelha que motivou a fundação do Movimento no início ”.

Junto com a nova Missão, uma nova formulação de Valores, estruturas e identidade foi anunciada.

Em relação à identidade, a grande novidade é a mudança de nome, a partir de agora se chamará Movimento Laudato Si ‘.

“Começamos a trabalhar na mudança do nome em 2019. O principal motivo, além das dificuldades do antigo nome que era longo demais, foi que sentíamos que o Movimento Católico Global pelo Clima não representava mais o que estávamos realmente fazendo. Desde praticamente o seu início, o Movimento desenvolveu suas atividades a partir da visão integral de Laudato Si ’, muito mais ampla do que a crise climática”, disse Tomás Insua, Diretor Executivo e um dos co-fundadores do Movimento em 2015.

A escolha do nome não foi uma tarefa fácil: uma lista de 25 nomes possíveis foi submetida à consulta e votação de centenas de membros do Movimento, cardeais e outros líderes eclesiais. Depois de dois anos de discernimento, veio a confirmação do Papa Francisco: “Enviamos ao Papa uma carta explicando o processo sinodal que havíamos seguido e pedindo sua bênção para mudar nosso nome. A resposta do Papa, na forma de uma mensagem escrita, veio providencialmente na véspera de Pentecostes, durante a Semana Laudato Si ‘deste ano ”, lembrou Yeb Saño, Vice-Presidente do movimento com sede nas Filipinas.

Na nota manuscrita pelo Papa Francisco você pode ler: Pelo Movimento Laudato Si”: Obrigado pela missão de promover a ecologia integral e pela ajuda que oferece à Igreja no mundo inteiro. Feliz Semana Laudato Si ’. Fraternalmente, Francisco “

O Movimento Laudato Si ’, portanto, reconfirma sua identidade como um movimento global que reúne mais de 800 organizações membros e milhares de animadores Laudato Si’ em nível local.

Para mais informações sobre o Movimento e suas atividades, visite “Movimento Laudato Si'”

Leia a declaração completa “Do Movimento Católico Global pelo Clima ao Movimento Laudato Si” – CLIQUE AQUI

Gabriel López Santamaría
Diretor de Comunicação | Movimento Laudato Si’

Fonte: JPIC – OFM

Tradução: Frei Rodrigo de Castro Péret, OFM

Movimento Laudato si’: uma realidade consolidada que se renova

Giada Aquilino (Vatican News)

“Inspirar e mobilizar a comunidade católica para cuidar da nossa casa comum e alcançar a justiça climática e ecológica”. Estes são os objetivos da nova fase que se abre para o Movimento Católico Global pelo Clima, que a partir de hoje muda seu nome para Movimento Laudato si’.

Fundação seis anos atrás

Fundado em 2015 por um grupo de 17 organizações católicas e 12 líderes de realidades universitárias e sociais de todos os continentes, empenhados em ajudar os fiéis a responder às exortações da encíclica do Papa Francisco sobre os cuidados da casa comum, publicada naquele mesmo ano, o Movimento conta hoje com mais de 800 organizações.

Em tempos recentes, passou por “um caminho de discernimento que durou mais de 18 meses”, explica ao Vatican News Tomás Insua, co-fundador e diretor executivo do Movimento: uma reflexão sobre identidade, missão, nome e estruturas. O nome anterior, continua, “além de ser longo era difícil de recordar. Pensando no trabalho de conversão ecológica e na ecologia integral que a Laudato si’ invoca e que catalisa nosso trabalho, em colaboração com vários parceiros eclesiais decidimos nos chamar de Movimento Laudato si'”, depois de examinar uma lista de 25 nomes possíveis.

O novo logotipo do Movimento Laudato si’

Lorna Gold, presidente do Comitê Diretivo, que apresentou a novidade de hoje em uma reunião on-line, destaca como é “importante notar que a missão está sendo ampliada para incluir o conceito de justiça ecológica, baseada no espírito da Laudato si’, no qual ‘tudo está interligado”. A encíclica do Pontífice, prossegue Tomás Insua, “é a base de tudo o que fazemos e organizamos, desde a Semana Laudato si’ ao curso de Animadores Laudato si’, dos nossos Círculos aos estudos específicos”: um compromisso que nunca foi interrompido, nem mesmo durante a emergência pandêmica, tanto que agora temos cerca de 25 mil animadores Laudato si’ no mundo, pessoas envolvidas principalmente nas paróquias, associações e âmbito religioso, mas também pessoas comuns que sentem de modo particular o chamado à ecologia integral, colocando-se a serviço de suas próprias comunidades.

As cúpulas da ONU

 “Hoje há muito o que fazer: neste ano em particular precisamos nos concentrar nas próximas grandes cúpulas da ONU”, diz Tomás Insua com referência à Conferência da ONU sobre a Biodiversidade, a Cop15, agendada de 11 a 24 de outubro na China, e a Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas, a Cop26, em Glasgow, de 31 de outubro a 12 de novembro, antes da qual também haverá um encontro “Fé e Ciência: Rumo à Cop26” em 4 de outubro no Vaticano e em Roma.

Um grupo do Movimento Laudato si’ no Vietnã

As grandes cúpulas da ONU, reflete o diretor executivo do Movimento Laudato si’, “têm o objetivo de reunir a família humana para agir com urgência diante destas grandes crises: os cientistas nos dizem que elas são ainda mais urgentes ano após ano. São muitos os sinais: os incêndios na Sardenha, o calor recorde e incêndios no Canadá, a seca em Madagascar, o grito da terra e dos pobres que são ainda mais altos. Portanto, há necessidade de agir”. Nós do Movimento – anunciou – estamos ajudando a animar uma iniciativa particular: ‘Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis’. É uma petição com mais de 200 organizações católicas para lançar um apelo aos participantes nas cúpulas da ONU: será uma de nossas prioridades nos próximos meses e especialmente no período do Tempo da Criação, que começa em 1º de setembro. Estamos pedindo para aumentar o nível de ambição nas duas cúpulas: em particular na Cop26 – refere Tomás Insua – fala-se em alcançar até 2050 zero emissões de gases de efeito estufa em todo o planeta. Mas sabemos que os países mais ricos, que têm uma responsabilidade histórica por séculos de emissões, têm possibilidades mais claras para fazer esta transição até 2035 – 2040″.

As palavras do Papa para o Movimento Laudato si’

As palavras do Papa

Do Pontífice, um incentivo constante para continuar o compromisso do Movimento. “Escrevemos uma carta ao Papa, informando-o do processo, pedindo sua opinião e sua bênção antes de agir e mudar nosso nome. Francisco – informa Tomás Insua – escreveu uma breve carta de resposta, que chegou nas Vésperas de Pentecostes, em 22 de maio, e foi um sinal muito forte. Dado que este processo tem sido caracterizado por um clima de oração sinodal, pedindo luz ao Espírito Santo, o fato de a carta do Papa ter chegado para a festa de Pentecostes foi um sinal que nos motiva ainda mais: ele a dirigiu ao Movimento Laudato si’, agradecendo-nos “pela missão de promover a ecologia integral e pela ajuda” oferecida “à Igreja no mundo”, desejando-nos uma feliz Semana Laudato si’ que estava em andamento naqueles dias. Um incentivo a mais, reflete Tomás Insua, para “viver Laudato si’, que não deve permanecer um documento escrito, um documento de biblioteca, mas um documento vivo”.

Uma jovem do Movimento Laudato si’ em Assis

Fonte: Vatican News

Fraternidade Custodial desenvolve projeto de mini usinas de energia solar

Imagem aérea do Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP

Acolhendo o clamor da Encíclica Laudato Si, a Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus está desenvolvendo um projeto que incide no nosso estilo de vida: a criação de mini usinas de energia solar em nossa Custódia e nas paróquias e obras sociais a ela confiadas. Esse compromisso ecológico já alcança números de grande relevância: 82% das fraternidades são autossustentáveis em relação ao consumo de energia, produzindo 179.904 kwh por ano. Isso significa em termos de redução de emissões de CO2, um total de total de 18,349 toneladas de CO2 por ano.

Como é feito o cálculo de redução de emissão de CO2 ? 

A ferramenta para cálculo do fator de emissão para um sistema elétrico (Tool to calculate the emission factor for an electricity system) é constantemente atualizada, estando atualmente em sua versão 07 [1] Assim, deve-se sempre acessar a última versão disponibilizada da ferramenta no site da UNFCCC [2]. O calculo é feito a partir da diminuição de carbono em função do perfil das novas usinas construídas nos últimos anos. Se começarmos a pensar que uma geração limpa distribuída vai entrar e vai substituir a construção de novos empreendimentos, então o CO2 calculado tem de ser em função das características desses novos empreendimentos. Se os novos empreendimentos forem mais poluidores, aí a redução de emissão de carbono será maior. Se os novos empreendimentos forem menos poluidores, mais limpos, então a redução de carbono é menor.

O Cálculo do fator de emissão, que fizemos acima [3], tem como referencia aos dados da geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional do Brasil – Ano Base 2020[4].

Como é a nossa geração?

A Custodia possui 11 fraternidades (incluindo a fraternidade que trabalha com imigrantes, na Itália, em Capaccio). Foram instaladas 6 usinas de energia fotovoltaica dentro do território da Custódia. Duas são diretamente ligadas à Custódia e outras duas são iniciativas nossas, em paróquias e  duas em obras sociais.

A usina instalada na cidade de Uberlândia, no estado de Minas Gerais, na Fraternidade Nossa Senhora de Fátima produz uma média de 5.150,00 KWh. Atende a demanda de 3 casas dos frades (cidades Uberlândia, Araguari e Uberaba), bem como 3 igrejas, capelas, salões, salas e cozinhas das respectivas paróquias, bem como um mosteiro das Irmãs Clarissas.

Outra usina está instalada no município de Franca, no estado de São Paulo, no Convento Santa Maria dos Anjos. Tem capacidade de gerar uma média mensal de 3.192,00 KWh. Atende o convento/casa de postulando e as casas de formação do aspirantado, em Olímpia, e a do pós-missão em Garça, todas no estado de São Paulo.

A usina em Marília, no estado de São Paulo, nas dependências da paróquia Nossa Senhora de Fátima, tem capacidade média de 2.050,00 KWh. Atende a Igreja, uma capela e o convento de formação pós-noviciado.

A usina na Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, em Olímpia, no estado de São Paulo, gera em média 3.000,00 KWh. Atende a igreja, salão, salas, cozinha, e mais 4 capelas.

Outras duas mini usinas, sendo uma no Patronato Juvenil Garcence, em Garça no estado de São Paulo, gerando em média 518,00 KWh, e outra no Educandário Santo Antônio, em Bebedouro no estado de São Paulo, gerando uma média de 1.600,00 KWh.

Como funciona esse sistema?

Como no Brasil o consumidor pode gerar a própria energia elétrica, seguimos alguns critérios. Instalamos sistemas fotovoltaicos no telhado de algumas de nossas casas – painéis que convertem a energia da luz do Sol em energia elétrica. Com isso criamos mini usinas ou unidades geradoras de energia.

Isso permite produzir a própria energia e conectá-la à rede de algum fornecedor ou distribuidor local ou regional. Através deste sistema, ao produzir mais energia do que o necessário para o consumo, se acumula créditos na conta de energia. Esses podem ser utilizados em outros endereços previamente cadastradas dentro da mesma área de concessão da distribuidora regional. O uso desses créditos de energia vem caracterizados como autoconsumo remoto, geração compartilhada ou integrante de atividades de múltiplas unidades consumidoras (condomínios). Assim podemos fazer com que a energia produzida em algumas de nossas casas, seja transformada em credito, que pode ser compensado por outras casas e estruturas nossas.

A realidade energética do Brasil e os desafios da Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC)

 O Brasil, atualmente, tem 83% de sua matriz elétrica originada de fontes renováveis, sendo que 63% é de origem hidrelétrica. Contudo, os reservatórios das hidrelétricas produzem importantes impactos nos principais ecossistemas associados a bacias hidrográficas.

Trata-se sim de uma fonte renovável, mas na área ambiental o principal impacto costuma ser o alagamento de importantes áreas florestais e o desaparecimento do habitat dos animais. Muitas vezes a hidrelétrica é construída em áreas onde se concentram os últimos remanescentes florestais da região, desmatando e inundando espécies ameaçadas de extinção. Os impactos sociais são vários, como o deslocamento forçado de milhares de pessoas e os prejuízos econômicos causados a elas. São inúmeros os casos de comunidades, povos indígenas e moradores de regiões onde são instaladas as barragens hidrelétricas que tiveram suas vidas e meios de sobrevivência profundamente afetados.

Isso sem contar com períodos de crise hídrica, quando se acionam as termo elétricas, a combustíveis fósseis (carvão, petróleo e derivados), gerando gases de efeito estufa.

Sendo o Brasil um dos países que recebe uma incidência de raios solares superior a 3000 horas de brilho de sol por ano, o país conta com uma das maiores taxas de irradiação solar. Mesmo com isso, o Brasil possui uma das tarifas energéticas mais caras do mundo e, sobre ela, ainda incidem altas cargas tributárias.

Frei Rodrigo Péret, OFM / Frei João Paulo Gabriel, OFM / Frei Eduardo Schiehl, OFM

JPIC – Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus


[1] https://cdm.unfccc.int/methodologies/PAmethodologies/tools/am-tool-07-v7.0.pdf

[2] https://cdm.unfccc.int/methodologies/PAmethodologies/tools/  

[3] Pegamos os 13.910 Kwh por mês, multiplicamos por 12 meses, obtivemos assim a energia por ano de 179.904 kwh por ano. Em seguida dividimos por mil, para obter ter megawatt hora ano, ou seja 179,90 MWh/ano. Aí multiplicamos 179,90 MWh / ano por 0,1020t CO2 (o fator de tonelada de carbono economia por MWh),  e obtivemos o total de 18,349 toneladas de CO2 por ano. Isso é o que reduzindo de emissão de CO2 por ano, com esse nosso sistema.

[4] Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

Semana Laudato Si’ 2021 celebra a conclusão do Ano dedicado à Encíclica

Imagem (Fonte: Captura de Tela do vídeo do evento)

Este evento contará com a presença de Cardeais, líderes católicos, oradores e autores de prestígio mundial de 16 a 25 de maio.

A Semana Laudato Si’ 2021 contará com um elenco diversificado de líderes católicos de todo o mundo, bem como palestrantes e autores de renome mundial, enquanto 1,3 bilhão de católicos do mundo se reúnem para celebrar o encerramento do Ano Especial Laudato Si’ no final deste mês.

Por meio de diálogos ao vivo e conversas cheias do Espírito, a celebração de 10 dias destacará o grande progresso que os católicos fizeram ao levar a Laudato Si’ à vida e inspirará os fiéis em todo o mundo a planejar novas ações com vistas à Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15), a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) e a próxima década.

O Papa Francisco convida todos os católicos a participarem desta alegre celebração, que coincide com o sexto aniversário (24 de maio) da data em que Sua Santidade terminou de escrever a encíclica.

O tema da semana é “porque sabemos que as coisas podem mudar” (Laudato Si’ 13), e os diálogos e eventos da semana semearão essa esperança em todo o mundo.

Para Frei Joshtrom Kureethadam, Coordenador de Ecologia e Criação do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, a “Semana Laudato Si’ inaugurou o Ano Especial Laudato Si’ e agora o encerrará. Celebremos o belo presente da Laudato Si’ durante esta semana e nos coloquemos em ação.”

A semana começará com um Diálogo Laudato Si’ crucial sobre como todos os católicos podem criar mudanças com vistas à COP15 e COP26. Um dos maiores especialistas do Vaticano em Laudato Si’, padre Augusto Zampini, participará da conversa, junto com vozes da Amazônia e da África do Sul, que será moderada por Christine Allen, diretora da Agência Católica para o Desenvolvimento no Exterior (CAFOD) .

No meio da semana, o cardeal Jean-Claude Hollerich, presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE), participará de um diálogo sobre a economia e como as instituições católicas em todo o mundo podem construir um futuro mais resiliente, comprometendo-se a mudar.

Também participarão dessa conversa fundamental Bill McKibben, autor de best-sellers do “New York Times” e cofundador do grupo de defesa ambiental “350.org”, e Jeni Miller, diretora executiva da Aliança Mundial pelo Clima e a Saúde.

O Papa Francisco apela a todos os católicos para que realizem uma conversão ecológica, e o Diálogo Laudato Si’ de quinta-feira apresentará testemunhos de líderes religiosos de países ao redor do mundo, incluindo aqueles que foram devastados pela pandemia Covid-19, como Índia, EUA e Filipinas.

Como indicou Josianne Gauthier, Secretária Geral da CIDSE, “Na CIDSE, enquanto celebramos a Laudato Si’ e o compromisso contínuo de milhares de pessoas e comunidades em todo o mundo para proteger nossa casa comum, também lembramos que devemos continuar lutando por um planeta mais justo e igualitário, onde nossos desafios globais comuns são enfrentados com um espírito de solidariedade. Nesse contexto, os países mais ricos e poderosos que mais consomem e se beneficiam devem assumir suas responsabilidades em resposta à crise climática”.

“Semeando Esperança para o Planeta” será moderado pela Irmã Sheila Kinsey, pertencente às Irmãs Franciscanas Filhas do Sagrado Coração de Jesus e Maria, e Alberto Parise, dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus.

Em 24 de maio, o cardeal Peter K.A. Turkson, Prefeito do Dicastério do Vaticano para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, participará de um debate sobre os progressos que a Igreja global tem realizado para proporcionar acesso à água potável para nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis ​​ao redor do mundo.

A semana também mostrará o impacto transformador do Laudato Si’ na educação global, um festival “Canções para a Criação”, um dia de ação global e o lançamento da Plataforma de Ação Laudato Si’. O programa completo e detalhado da Semana Laudato Si’ 2021 pode ser encontrado em LaudatoSiWeek.org/pt.

Todos os eventos mundiais terão tradução simultânea para inglês, espanhol, italiano, português, polonês e francês.

Em nível local, os católicos são encorajados a liderar oportunidades semelhantes, incluindo eventos de sustentabilidade e encontros de oração, e a ajudar a inspirar sua comunidade, registrando seu evento em LaudatoSiWeek.org, onde podem baixar recursos gratuitos e dicas sobre como planejar um evento com sucesso.

“Num momento em que o grito da terra e o grito dos pobres se tornam cada vez mais intensos, a Semana Laudato Si’ é uma oportunidade perfeita para cuidar da nossa casa comum. O relógio continua correndo. Todos estão convidados e todos são necessários para participar da celebração e ação, por meio de atividades locais, eventos on-line e muito mais”, disse Tomás Insua, diretor executivo do Movimento Católico Global pelo Clima.

O Ano Especial do Aniversário do Laudato Si’ foi inaugurado pelo Vaticano em maio passado, no final da Semana Laudato Si’ 2020, que comemorou o quinto aniversário da encíclica.

A Semana Laudato Si’ 2021 é patrocinada pelo Dicastério do Vaticano para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral e apoiada pelo Movimento Católico Mundial pelo Clima em colaboração com RENOVA +, Caritas Internationalis, CIDSE, a União Internacional dos Superiores Gerais, a União dos Superiores Gerais, a Companhia de Jesus, a direção Geral da Justiça, Paz e Integridade da Criação da Ordem dos Frades Menores, e em associação com dezenas de parceiros católicos.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Em setembro, Papa pede oração e respeito ao meio ambiente

Papa Francisco | Fonte: A12

No vídeo de intenção de oração para o mês de setembro, enquanto pede rezar pelos recursos do planeta, o Papa Francisco denuncia o enriquecimento de países e empresas com a exploração do meio ambiente, expressando, assim, a sua preocupação com a geração de uma “dívida ecológica”. O convite para cuidar da Criação “hoje, não amanhã, hoje” e “com responsabilidade” acontece nesta segunda-feira (31), véspera do Dia Mundial de Oração pela Criação; no âmbito do #TempoDaCriação, celebrado de 1º de setembro a 4 de outubro; e no 5º aniversário da Laudato si’.

A campanha pelo cuidado da Criação, além do novo Vídeo do Papa, com a intenção de oração de Francisco confiada a toda Igreja por meio da Rede Mundial de Oração do Papa (que inclui o Movimento Eucarístico Jovem – MEJ), também reúne o trabalho de várias ONGs, buscando a transformação social e procurando melhorar a vida dos mais desfavorecidos.

O alerta para a dívida ecológica

A mensagem do Papa Francisco sobre o cuidado da Criação é contundente quando afirma que “estamos espremendo os bens do planeta. Espremendo-os, como se fosse uma laranja”. É por isso que o Pontífice encoraja todas as pessoas a tomarem consciência da grave “dívida ecológica”, resultado da exploração dos recursos naturais e da atividade de algumas multinacionais que “fazem fora de seus países o que não é permitido nos seus.”

Um exemplo para a desproporção dos recursos, segundo relatórios internacionais, é que quase um bilhão de pessoas vão dormir com fome todas as noites. Isso acontece não porque não haja comida suficiente para todos, mas por causa da profunda injustiça na maneira como a comida é produzida e distribuída. Entre as causas estão: o aumento do poder empresarial na produção de alimentos, a crise climática e o acesso injusto aos recursos naturais, o que afeta a capacidade das pessoas de cultivar e comprar alimentos.

A exploração de recursos naturais não-renováveis, incluindo o petróleo, o gás, minerais e madeira, tem sido frequentemente identificada como um dos fatores desencadeadores, impulsionadores ou sustentadores de conflitos violentos em diferentes partes do mundo.

A promoção da ecologia integral

O Pe. Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, declarou que, “nestes tempos de pandemia, estamos mais conscientes, como o Santo Padre já disse várias vezes, da importância de nossa Casa Comum, o que nos recorda a necessidade de cuidar dos bens do planeta”. O padre lembrou que, em maio deste ano, Francisco divulgou uma mensagem em vídeo para a Semana Laudato Si’ com o convite de “responder à crise ecológica, ao grito da terra e ao grito dos pobres”.

O diretor, então, encorajou à oração, junto com o Papa, e finalizou:

“Hoje, mais do que nunca, temos que ouvir esse clamor e promover concretamente, com um estilo de vida pessoal e comunitário sóbrio e solidário, uma ecologia integral. Vamos rezar por isso porque é um caminho de conversão.”

Fonte: Vatican News