Papa reitera: a unidade é sempre superior ao conflito

Celebração das Vésperas na Basílica São Paulo (fora dos muros), em 25 de janeiro de 2018  (Fonte: Vatican Media)

Jackson Erpen (Vatican News)

Nos apelos que costuma fazer após rezar o Angelus, o Papa Francisco recordou o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que no hemisfério norte é celebrada de 18 a 25 de janeiro, enfatizando que “a unidade é sempre superior ao conflito:

Amanhã é um dia importante: tem início a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, o tema refere-se à advertência de Jesus: “Permanecei no meu amor e produzireis muito fruto” (cf. Jo 15,5-9). Na segunda-feira, 25 de janeiro, concluiremos com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo fora-dos muros, juntamente com os representantes das outras comunidades cristãs presentes em Roma. Nestes dias rezemos juntos para que se cumpra o desejo de Jesus: “Que todos sejam um” (Jo 17, 21). A unidade, que é sempre superior ao conflito.

A celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo fora-dos-muros terá transmissão em português pelo Vatican News.

A Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), traduziu para o português subsídios para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e para todo o ano 2021, preparados e publicados conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas.

A primeira Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, nos moldes da atual, nasceu por iniciativa do inglês Spencer Jones, anglicano, e do estadunidense Paul James Francis Wattson, episcopal (anglicano americano). No ano de 1907, o rev. Jones sugeriu a instituição, em 29 de junho de cada ano, de um dia de oração pelo retorno dos anglicanos, e de todos os outros cristãos, à unidade com a Sé Romana. No ano seguinte Wattson ampliou a ideia, propondo-a em forma de uma oitava para pedir a Deus “a volta de todas as outras ovelhas ao aprisco de Pedro, o único pastor”.

É precisamente a este ano (1908) que o nascimento oficial da semana em curso é convencionalmente atribuído. Wattson decidiu iniciar a oitava no dia da festa da Confissão de Pedro (uma variante protestante da festa da Cátedra de São Pedro que se festejava em 18 de janeiro) e de concluí-la com a festa da Conversão de São Paulo. Desde então, essas duas datas (18 e 25 de janeiro) marcam o início e o fim da Oitava no Hemisfério Norte. No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes.

Fonte: Vatican News

2º Domingo do Tempo Comum: “Eis o Cordeiro de Deus!”

 

Os primeiros discípulos de Jesus eram discípulos de João Batista que, reconhecendo Jesus como Messias, retira-se para dar lugar àquele que veio para salvar a humanidade.

A liturgia nos oferece o início da vida pública de Jesus logo depois de seu batismo. E é o próprio João Batista que indica Jesus como sendo o “Cordeiro de Deus”. Esta expressão tem um significado profundo construído durante a história da religião hebraica e depois pelos cristãos. O ponto de partida é a ideia do cordeiro pascal, que os hebreus escravizados no Egito deveriam sacrificar na celebração da Páscoa que se torna a celebração da libertação do Egito. É pelo sangue do cordeiro que o povo hebreu ganha a libertação. Os cristãos viram em Jesus o verdadeiro Cordeiro que entregou-se até a morte para libertar a humanidade do pecado e da própria morte.

João Batista indicou Jesus aos seus discípulos. Nesta narração, os primeiros a encontrar Jesus são André e João evangelista. Para este o primeiro encontro com Jesus ficou marcado em sua memória e ele diz “era por volta das 4 da tarde”. Eles vivenciaram uma experiência concreta de encontro. Quando perguntaram “Mestre onde moras?”, queriam permanecer com Jesus para escutá-lo.

No Evangelho de João, André é quem chama Pedro para conhecer Jesus que eles já tinham reconhecido como Messias. Ele diz “encontramos o Messias”, o que indica a dimensão comunitária do encontro com Deus. Mesmo sendo encontro personalizado, nunca deixa de referir-se à comunidade. Assim é o chamado de Jesus a todos os seus discípulos. A Pedro Ele constitui o líder dos Apóstolos e primeiro responsável pela Igreja. A cada um dos discípulos e discípulas Ele chama e envia para “pregar a Boa Nova a todas as criaturas”.

Na Carta aos Coríntios, São Paulo deixa bem claro esta compreensão comunitária da Igreja. Ele faz referência a ela como corpo em que todos os discípulos e discípulas de Jesus são membros. Por isso mesmo, nenhum deles é chamado para satisfazer os seus próprios interesses, mas para servir toda a comunidade.

Numa página preciosa do primeiro Livro de Samuel, na primeira leitura ouvimos como Deus chama Samuel para servir o seu povo. A atitude de Samuel é aquela de quem está a serviço. Primeiramente ouve o chamado e corre para apresentar-se a Eli. Depois entende que o chamado não vem de Eli, mas de Deus. Então responde convicto: “fala, que teu servo escuta”.

Hoje Deus continua chamando seus filhos e filhas ao seu serviço. Cada um de nós precisa estar atento a este chamado, pois num mundo dilacerado pelo egoísmo, pela falta de respeito pela vida, pelas injustiças, pela violência, Jesus continua construindo o Reino de Deus através das mãos de seus discípulos e discípulas.

Frei Valmir Ramos, OFM

O Papa: os ministérios do Leitorado e Acolitado abertos às mulheres

Vatican News

O Papa Francisco estabeleceu com um motu proprio que os ministérios do Leitorado e do Acolitado sejam de agora em diante também abertos às mulheres, de forma estável e institucionalizada, com um mandato especial. As mulheres que leem a Palavra de Deus durante as celebrações litúrgicas ou que servem no altar, como ministrantes ou como dispensadoras da Eucaristia, certamente não são uma novidade: em muitas comunidades ao redor do mundo são atualmente uma prática autorizada pelos bispos. Até agora, porém, tudo isso ocorria sem um verdadeiro e próprio mandato institucional, em derrogação ao que foi estabelecido por São Paulo VI, que em 1972, ao abolir as chamadas “ordens menores”, decidira manter o acesso a esses ministérios reservado apenas ao sexo masculino porque os considerava preparatórios para o eventual acesso à ordem sagrada. Agora o Papa Francisco, seguindo a rota do discernimento que emergiu nos últimos Sínodos dos Bispos, quis oficializar e institucionalizar esta presença feminina no altar.

Com o motu proprio “Spiritus Domini”, que modifica o primeiro parágrafo do cânon 230 do Código de Direito Canônico que é publicado hoje, o Pontífice estabelece, portanto, que as mulheres podem ter acesso a esses ministérios e que a elas sejam atribuídos também através de um ato litúrgico que as institucionalize.

Francisco especifica que desejou aceitar as recomendações que surgiram das várias assembleias sinodais, escrevendo que “nos últimos anos foi alcançado um desenvolvimento doutrinário que destacou que certos ministérios instituídos pela Igreja têm como fundamento a condição comum de batizados e o sacerdócio real recebido no sacramento do batismo”. Portanto, o Papa nos convida a reconhecer que estes são ministérios leigos “essencialmente distintos do ministério ordenado que é recebido com o sacramento da Ordem”.

A nova formulação do cânon diz: “Os leigos com idade e dons determinados por decreto da Conferência dos Bispos podem ser nomeados em caráter permanente, através do rito litúrgico estabelecido, para os ministérios de leitores e acólitos “. Portanto é abolida a especificação “do sexo masculino” referente aos leigos e presente no texto do Código até a emenda de hoje.

O motu proprio é acompanhado por uma carta dirigida ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Luis Ladaria, na qual Francisco explica as razões teológicas de sua escolha. O Papa escreve que “no horizonte de renovação traçado pelo Concílio Vaticano II, há hoje uma urgência cada vez maior em redescobrir a co-responsabilidade de todos os batizados na Igreja, e em particular a missão dos leigos”. E citando o documento final do Sínodo para a Amazônia, observa que “para toda a Igreja, na variedade de situações, é urgente que os ministérios sejam promovidos e conferidos a homens e mulheres…. É a Igreja dos batizados que devemos consolidar, promovendo a ministerialidade e, sobretudo, a consciência da dignidade batismal”.

Francisco, em sua carta ao cardeal, depois de recordar com as palavras de São João Paulo II que “com relação aos ministérios ordenados, a Igreja não tem de forma alguma a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”, acrescenta que “para ministérios não ordenados é possível, e hoje parece oportuno, superar esta reserva”. O Papa explica que “oferecer aos leigos de ambos os sexos a possibilidade de acesso ao ministério do Acolitado e do Leitorado, em virtude de sua participação no sacerdócio batismal, aumentará o reconhecimento, também através de um ato litúrgico (instituição), da preciosa contribuição que durante muito tempo muitos leigos, inclusive mulheres, oferecem à vida e à missão da Igreja”. E conclui que “a escolha de conferir também às mulheres estes cargos, que envolvem estabilidade, reconhecimento público e um mandato do bispo, torna mais eficaz na Igreja a participação de todos na obra de evangelização”.

Esta medida é a conclusão de um aprofundamento da reflexão teológica sobre estes ministérios. A teologia pós-conciliar redescobriu, de fato, a relevância do Leitorado e do Acolitado, não somente em relação ao sacerdócio ordenado, mas também e sobretudo em referência ao sacerdócio batismal. Estes ministérios fazem parte da dinâmica de colaboração recíproca que existe entre os dois sacerdócios, e têm destacado cada vez mais seu caráter particularmente “laico”, ligado ao exercício do sacerdócio que pertence a todos os batizados como tais.

Fonte: Vatican News

No convento de Franca/SP, cinco jovens são admitidos ao Postulantado

Neste domingo (10), às 10 horas da manhã, no Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP, na festa do Batismo do Senhor, foram admitidos ao Postulantado da Ordem dos Frades Menores, na Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus, os jovens:

  • André Felipe Martins Pereira
  • Jarder Rodrigues Leite
  • Joathan Alves da Silva
  • José Carlos Costa Santos
  • Luiz Carlos da Silva Pinto

A Santa Missa foi presidida pelo Custódio, Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM,  e concelebrada pelos demais frades sacerdotes presentes, bem como, contou com uma bonita participação do povo de Deus.

Em seguida deu-se o rito da admissão ao Postulantado, no qual os cinco jovens foram oficialmente acolhidos pelo Custódio e confiados aos cuidados da fraternidade formadora na pessoa do Frei Israel Cardoso, OFM.

Por fim, confiados ao patrocínio da Virgem Imaculada, a Senhora dos Anjos, e do glorioso São José, após a divina liturgia, os Postulantes receberam os cumprimentos dos frades e da comunidade francana.

Que o Senhor nunca permita que nos falte a sua graça no caminho, e que pela intercessão de São Francisco e Santa Clara, e de todos os Santos e Santas da Ordem Seráfica, o Senhor nos abençoe e nos guarde, se compadeça de nós e nos dê a sua paz. Que Ele, a perfeita fraternidade de amor, nos abençoe.

PAZ e BEM!

Fraternalmente,

Jarder Rodrigues Leite (Postulante)

Festividade do Batismo do Senhor: “Eu vos batizei com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo!”

 

Antes de iniciar a sua missão, Jesus recebe o batismo de João Batista. O evangelista Marcos apresenta João Batista como o “mensageiro” anunciado pelo profeta Isaías que está realizando a sua missão no deserto quando vem Jesus para ser batizado por ele. João Batista sabe da grandeza do Messias e anuncia o batismo no Espírito, que quer dizer o dom dos últimos tempos que virá habitar no coração de cada fiel. Marcos mostra o movimento que acontece no batismo de Jesus: Ele sobe da água e o Espírito desce do céu. A voz de Deus confirma Jesus como o “Filho amado” que é “luz das nações” enviado “para abrir os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”, como anunciou o profeta Isaías na primeira leitura.

De fato, com o batismo Jesus inicia a sua vida pública, isto é, a pregação do Reino e a realização da vontade de Deus para libertar o seu povo de toda opressão. Os presos que deveriam ser libertados eram os que tinham dívidas e não tinham dinheiro para pagar. Não eram criminosos, eram pobres que tinham que pagar perdendo a liberdade ou entregar pessoas da família como escravos para saldar dívidas. Jesus cheio do Espírito age para dar vida em abundância às pessoas, combater toda forma de injustiça, de ódio e de violência e para construir o Reino de Deus.

No discurso de São Pedro na segunda leitura vemos como ele anuncia Jesus “ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder”, “que é o Senhor de todos”. E Pedro testemunha que “Deus não faz distinção entre pessoas”, mas “aceita quem o teme e pratica a justiça”. Pedro está atuando naquele período que São Lucas entende como terceiro, isto é, o período da Igreja, no qual os cristãos é que são os responsáveis por continuar o projeto de Jesus. Muitos na Igreja daquele período colocavam em dúvida se os estrangeiros poderiam ser batizados e fazer parte dela. Foi preciso dialogar muito e São Paulo foi a Jerusalém para mostrar também como Jesus Ressuscitado estava agindo no meio dos estrangeiros sem fazer distinção.

Hoje todos os batizados são chamados a continuar a missão de Jesus, pois ainda existe muita injustiça, muita treva, muito ódio e muito sofrimento na vida dos irmãos e irmãs de Jesus. O anúncio na boca de Isaías continua ressoando para os cristãos: “te chamei para a justiça, te tomei pela mão, te constituí luz das nações”. Nenhum cristão pode esconder-se e não irradiar a luz que vem de Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

Papa Francisco: “Luz de Cristo se difunde com o anúncio, a fé, o testemunho!”

Jackson Erpen (Vatican News)

“Cristo é a estrela, mas também nós podemos e devemos ser a estrela, para os nossos irmãos e irmãs, como testemunhas dos tesouros de bondade e infinita misericórdia que o Redentor oferece gratuitamente a todos.”

No Angelus na Solenidade da Epifania, rezado na Biblioteca do Palácio Apostólico, o Papa invocou a proteção de Maria sobre a Igreja universal, “para que possa difundir no mundo inteiro o Evangelho de Cristo, luz de todos os povos.”

“A salvação operada por Cristo – começou explicando Francisco – não conhece fronteiras, é para todos. A Epifania não é outro mistério, é sempre o mesmo mistério da Natividade, mas visto na sua dimensão de luz: luz que ilumina cada pessoa, luz para ser acolhida na fé e luz para ser levada aos outros na caridade, no testemunho, no anúncio do Evangelho.”

Luz de Deus é mais poderosa que as trevas deste mundo

Falando da atualidade da visão do Profeta Isaías narrada na primeira leitura, o Santo Padre recorda que a luz dada por Deus a Jerusalém é destinada a iluminar o caminho de todos os povos. “Esta luz tem o poder de atrair todos, próximos e distantes, e todos se põem a caminho para a alcançar”:

É uma visão que abre o coração, que alarga o respiro, que convida à esperança. Certamente, as trevas estão presente e ameaçadoras na vida de cada pessoa e na história da humanidade, mas a luz de Deus é mais poderosa. Trata-se de a acolher acolher a fim de que possa resplandecer para todos. Onde está esta luz? O profeta vislumbrou-a de longe, mas já era suficiente para encher o coração de Jerusalém de uma alegria incontrolável.

Já a narrativa de Mateus, no Evangelho do dia, mostra que a luz “é o Menino de Belém, é Jesus, mesmo que sua realeza não seja aceita por todos. Alguns a rejeitam, como Herodes”. Por meio dele, “Deus realiza o seu reino de amor, seu reino de justiça e paz. Ele nasceu não só para alguns mas para todos os homens, para todos os povos,” sua luz “é para todos os povos, a salvação é para todos os povos.

A encarnação, “método” de Deus a ser seguido

O Papa então pergunta “como se difunde a luz de Cristo em todos os lugares e tempos”, explicando que “ela tem o seu método”:Não o faz por meio dos poderosos meios dos impérios deste mundo, que procuram sempre apoderar-se do domínio sobre ele. Não, a luz de Cristo se difunde pelo anúncio do Evangelho. O anúncio, a palavra, o testemunho.  E com o mesmo “método” escolhido por Deus para vir no meio de nós: a encarnação, isto é, aproximar-se do outro, conhecendo-o, assumir a sua realidade e levar o testemunho de nossa fé, cada um. Somente assim a luz de Cristo, que é Amor, pode brilhar naqueles que a acolherem e atrair os outros. A luz de Cristo não se expande somente com as palavras, com falsos métodos empreendedores. Não, não. A fé, a palavra, o testemunho.

Deixar-se fascinar e converter por Cristo

E a condição para isso, observou – “é acolher em nós esta luz, acolhê-la cada vez mais”. E advertiu: Ai de nós se pensarmos que a possuímos, ai de nós se pensamos que devemos somente “geri-la”! Também nós, como os Magos, somos chamados a deixar-nos sempre fascinar, atrair, guiar, iluminar e converter por Cristo: é o caminho da fé, através da oração e da contemplação das obras de Deus, que nos enche continuamente de alegria e de admiração sempre nova. O fascínio é sempre o primeiro passo para seguir em frente.

Fonte: Vatican News

Em janeiro, Papa Francisco faz apelo à fraternidade: “Vamos nos abrir ao outro como irmãos que rezam!”

Assim, com um apelo à fraternidade humana, o Papa abre o ano de 2021 ao lançar nesta terça-feira (5) o primeiro vídeo de intenção de oração do ano que Francisco confia a toda Igreja Católica por meio da Rede Mundial de Oração do Papa. O Pontífice pede, diante de todos os desafios da humanidade, para nos abrir e nos unir, como seres humanos, como irmãos e irmãs, “com aqueles que rezam seguindo outras culturas, outras tradições e outras crenças”. Como o Papa disse em outras ocasiões, “não há alternativa: ou construímos o futuro juntos ou não haverá futuro. As religiões, em particular, não podem renunciar à tarefa urgente de construir pontes entre povos e culturas”.

Filhos e filhas do mesmo Pai

O caminho rumo à fraternidade que o Papa propõe no vídeo parte de uma abertura “ao Pai de todos” e de “ver no outro um irmão, uma irmã”. Ele também apresentou essa mesma ideia em sua última encíclica, “Fratelli tutti”: “estamos convencidos de que ‘somente com esta consciência de filhos que não são órfãos podemos viver em paz entre nós’”. Para Francisco, as diferenças entre as pessoas que professam distintas religiões ou vivem de acordo com outras tradições não devem impedir que se chegue a uma cultura do encontro, pois, afinal, “somos irmãos que rezam”.

O essencial da nossa fé

Na busca desse espírito de fraternidade, o Pontífice também convida a não esquecer que, para os cristãos, “a fonte da dignidade humana e da fraternidade está no Evangelho de Jesus Cristo”. Nesse sentido, o Papa pede aos fiéis que se voltem ao essencial da fé: “a adoração a Deus e o amor ao próximo”. No diálogo com outras religiões, e como explica o Papa em “Fratelli tutti”, isso se torna fundamental, pois embora outros bebam de outras fontes, “para nós, essa fonte de dignidade humana e de fraternidade está no Evangelho de Jesus Cristo”.

As religiões a serviço da fraternidade

O Pe. Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, destacou a importância desta intenção de oração que inaugura 2021: “depois de um 2020 marcado pelo impacto da pandemia, tanto na saúde em nível socioeconômico, é especialmente importante que essa intenção do Santo Padre nos ajude a nos ver verdadeiramente mais como irmãos e irmãs no caminho da paz que se torna cada vez mais necessária. Para Francisco, o papel das religiões nesse propósito é fundamental, e ele deu um grande passo nessa direção ao assinar o Documento sobre a Fraternidade Humana pela paz mundial e a convivência comum, junto com o Grande Imã de Al-Azhar”.

O diretor, então, fala da importância da Encíclica Fratelli tutti, lançada pouco mais de um ano depois, através da qual o Papa aprofunda o pensamento sobre a fraternidade humana. O Pe. Frédéric cita o capítulo 8 sobre “a preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade” a partir das várias religiões:

“Espero que possamos, em nome de Deus que nos criou todos iguais em direitos, deveres e dignidade, e que nos chamou a viver juntos como irmãos e irmãs, promover esta fraternidade para enfrentarmos juntos os desafios do mundo e da nossa Casa Comum.”

O Papa Francisco, assim, pede orações por uma fraternidade que respeita e valoriza a diversidade, e representa o estilo do Reino de Deus: “Rezemos para que o Senhor nos dê a graça de viver em plena fraternidade com os irmãos e irmãs de outras religiões e não andar discutindo, mas rezando uns pelos outros, abrindo-nos a todos.”

Fonte: Vatican News

Em Catalão/GO, são revestidos do hábito franciscano os novos 15 noviços

Noviços e o Coetus Formatorum | Frei Jair (Mestre), Frei João Mário (Vice-Mestre) e Frei Valdemir (Guardião)

Na noite deste sábado (02), no Convento Santíssimo Nome de Jesus de Catalão/GO, foram revestidos do hábito franciscano os novos 15 noviços que ali vivenciarão durante um ano, o ano da graça, o noviciado.

Estiveram presentes o Ministro Provincial Frei Marco Aurélio da Cruz, OFM (Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil – GO/TO e DF) e os Custódios Frei Rogério de Viterbo, OFM (Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora – MT e MS) e Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM (Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus – SP e MG), bem como frades destas três entidades que compõem o noviciado comum.

Foram 15 postulantes revestidos do hábito franciscano, agora, noviços; que durante um ano vivenciarão o ano da graça, nesta casa que podemos considerar como o útero da Ordem. Dos 15 novos noviços, 9 são da Província (GO/TO e DF), 2 da Custódia (MT e MS) e 4 da Custódia (SP e MG). Nossa fraternidade custodial até o dia 07 de fevereiro, terá 5 noviços, pois Frei Cristiano Nobre de Oliveira permanecerá por mais este temp, uma vez que o mesmo adentrou ao noviciado um mês depois de já ter iniciado a etapa.

Os noviços de 2021 de nossa Custódia são:

Frei Cristiano, Frei André, Frei Vinícius Armani, Frei Fernando (Custódio), Frei Vinícius Alves e Frei Paulo Henrique

Rezemos por estes novos irmãos que a graça de Deus nos concedeu, para que sejam perseverantes e fieis, vivendo de maneira intensa este ano propício, da graça do Senhor.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Solenidade da Epifania do Senhor: “Viemos do oriente adorar o Rei!”

 

Acredita-se que inicialmente os “reis magos” vinham da Pérsia e eram um tipo de sacerdotes ou sábios ou astrólogos, observadores dos astros celestes. O texto do profeta Isaías (Is 60,6) fez a tradição enxergar nos “magos” vindos do oriente como “reis”. Eles chegam em Jerusalém e perguntam “onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”. Não só a presença destas visitas inesperadas causa inquietação, mas principalmente a pergunta pelo rei que acabava de nascer. Herodes, que era o rei, quer saber detalhes porque não admite um sucessor concorrente. Os visitantes captam suas intenções e voltam para casa “seguindo outro caminho”.

Eles foram guiados por uma estrela diz o texto. No Antigo Testamento vemos o anúncio de uma “nova estrela” (cf Nm 24,17) que não seria simplesmente um novo fenômeno astral, mas um “rei”. De fato, encontram um “menino com Maria, sua mãe” e o reconhecem como um Deus. Por isso “se ajoelham diante dele e o adoram”.

Aí está a manifestação de Jesus, que nasceu para salvar todos os filhos e filhas de Deus, sem olhar a qual nação ou raça pertença. O profeta Isaías havia anunciado a glória de Deus sobre Jerusalém como “luz” para todos os povos. Com isso Isaías indica a presença de Deus que manifesta a sua glória naquela cidade onde atrairia povos e reis. Ao mesmo tempo, indica que brilhou a luz não apenas para um grupo seleto, restrito aos mais fervorosos seguidores da Lei, mas a todos os povos, incluindo os considerados “infiéis”.

São Paulo faz ver como de fato o Salvador se manifesta a todos dizendo que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Este é o ensinamento para todos os cristãos, pois nenhum deles pode ter a pretensão de tomar posse da salvação ou restringi-la ao seu próprio grupo. Com esta compreensão, a tradição cristã fez os três reis aparecerem como raças e cores diversas.

A manifestação de Jesus não se dá com poderio e a partir do centro, mas vem da pequenina cidade de Belém, de onde os poderosos e os doutores não esperavam. A glória de Deus se manifesta então a partir da humilde presença do Salvador como menino recém-nascido e colocado em uma manjedoura. Por isso mesmo, a Igreja, como comunidade missionária, é chamada a anunciar a presença do Salvador entre todos os povos estando do lado dos mais pequeninos e humildes que mais enfrentam as trevas deste mundo.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade da Santa Maria Mãe de Deus: “Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher!”

 

São Paulo dá testemunho de Jesus Cristo como sendo o Salvador que nasceu de uma mulher do seu povo. Esta afirmação é para dizer que Jesus é verdadeiro homem, que não é um mito ou um espírito que ficou visível aos seus discípulos e às multidões. Na sequência da carta, o autor diz que nasceu “sujeito à Lei”, quer dizer, tão humano que não se esquivou de observar as prescrições religiosas de seu povo. A jovem que acreditou na Palavra de Deus é uma mulher de fé e cumpre os preceitos religiosos, por isso leva Jesus ao templo, apresenta-o e cumpre os ritos necessários.

São Lucas narra o momento em que os pastores encontram Maria, José e o “recém-nascido deitado na manjedoura”. Para os pastores, homens simples e certamente analfabetos, Deus revela a notícia da chegada do Salvador, que entra na história da humanidade silenciosamente, de maneira humilde, no seio de uma família pobre e na periferia do mundo. Este nascimento acontece em um contexto histórico bem concreto e conhecido. A cena construída por São Lucas mostra os pastores que chegam onde estão Maria e José e veem o recém-nascido. Não se trata de uma visão em sonho ou em transe, mas uma realidade muito concreta: lá está uma mulher que deu à luz um filho e lá está o que nasceu como nascem todos os seres humanos. Os pastores glorificam a Deus pelo que lhes foi revelado. Ainda não sabem bem o que será daquele menino da manjedoura, mas retornam ao trabalho transformados.

Também Maria “guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Ela é mulher de fé, mas percorre um caminho de discipulado para compreender que aquele Menino deve cumprir o projeto do Pai. O que é traduzido como “fatos” que Maria guardava e meditava é um termo que corresponde a “palavra”, a “acontecimentos”, isto é, aquilo que em hebraico faz referência a palavra/ação realizada por Deus. Maria encontra-se imersa em um processo de amadurecimento de sua fé que alcançará o cume ao celebrar a ressurreição de Jesus.

As celebrações natalinas devem transformar os cristãos num processo constante de amadurecimento da fé e do compromisso com o Reino de Deus. É sempre um risco celebrarmos e pedirmos o nascimento de Jesus em todos os corações, em todas as famílias, e nos esquecermos que Ele nasceu realmente como nascem todos os bebês e entrou na história concreta da humanidade, ensinou um novo caminho da prática do amor altruísta, agiu construindo o Reino de Deus, foi perseguido, morto e ressuscitou vencendo a morte. Hoje, todos são chamados a reconhecê-lo no rosto dos sofredores, especialmente das vítimas da miséria, da violência, dos abusos e da indiferença.

Frei Valmir Ramos, OFM