2º Domingo da Páscoa: “Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

LEITURAS: At 4,32-35 / Sl 117 / 1Jo 5,1-6 / Jo 20,19-31

“A paz esteja convosco!”. O Deus da paz, nascido “príncipe da paz”, agora ressuscitado saúda os seus discípulos desejando a paz com o sentido de “salvação”, de vitória sobre o mundo, sobre a injustiça, sobre a morte. A vitória de Jesus revela o poder do “Deus dos vivos, não dos mortos” (Mc 12,27), que é o Senhor da vida.

Agora seu corpo não tem mais os limites da vida terrena. Os discípulos estavam fechados e o Ressuscitado apareceu no meio deles. Sua presença será constante e em todos os lugares onde estiverem seus seguidores. Foi difícil para os discípulos entenderem o que estava acontecendo. O final do Evangelho de Marcos traz uma síntese das aparições de Jesus ressuscitado dizendo que apareceu a Maria Madalena, a dois discípulos que iam para o campo e depois aos onze (cf Mc 16,9-14). Ainda assim Tomé quer ver as chagas de Jesus de Nazaré. Ele, como os demais discípulos, percorreu um caminho de crescimento na fé para chegar ao reconhecimento de Jesus ressuscitado como “meu Senhor e meu Deus” e nem precisou tocá-lo.

Jesus ressuscitado cumpre a promessa feita aos discípulos de que enviaria o Espírito. A narração deste trecho do Evangelho indica que foi no mesmo dia da ressurreição que Jesus “soprou” sobre os discípulos. É o “sopro” de Deus, a força criadora de Deus, o Espírito Santo. De fato, a compreensão bíblica do Espírito de Deus parte da palavra que significa “sopro”, um vento que dá vida. O gesto de Jesus transforma a vida dos discípulos e faz nascer a sua nova família, a Igreja, que vai se fortalecer e continuar missão que Jesus recebeu do Pai: “como o Pai me enviou, eu também vos envio”. De fato, sem medo, os discípulos iniciaram a missão de anunciar o Evangelho de Cristo, que é Ele mesmo, sua vida e seus ensinamentos.

Nos Atos dos Apóstolos vemos como eles acolheram os ensinamentos de Jesus de viver o amor fraterno sem ficar presos aos bens materiais. Viveram uma experiência de responsabilidade uns pelos outros na qual nenhum passava necessidade. Assim brilhava a solidariedade entre os irmãos e irmãs seguidores de Jesus ressuscitado. A missão dos Apóstolos era realizada com o poder do Espírito Santo e o testemunho de vida nova na comunidade cristã.

São João na sua primeira carta anuncia o Cristo ressuscitado como Filho de Deus e faz um apelo para que os cristãos vivam o amor e observem os mandamentos. Este será o sinal do verdadeiro discípulo missionário que vive a solidariedade. Hoje também é assim.

Frei Valmir Ramos, OFM

Papa Francisco: Os santos nos lembram que a santidade pode florescer em nossas vidas

Papa Francisco durante a Audiência Geral

Vatican News

“Rezar em comunhão com os santos” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (07/04), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico.

“Quando rezamos, nunca o fazemos sozinhos: mesmo que não pensemos nisso, estamos imersos num rio majestoso de invocações que nos precede e continua depois de nós. Nas orações que encontramos na Bíblia, e que muitas vezes ressoam na liturgia, há um vestígio de histórias antigas, de libertações prodigiosas, de deportações e de tristes exílios, de retornos comoventes, de louvores que fluem diante das maravilhas da criação. Estas vozes são transmitidas de geração em geração, num entrelaçamento contínuo entre a experiência pessoal e a do povo e da humanidade a que pertencemos”, frisou o Pontífice.

As orações, as boas, se difundem, como todos os bons, se propagam continuamente, com ou sem mensagens nas “redes sociais”: das enfermarias dos hospitais, dos momentos de encontro festivo, assim como daqueles em que se sofre em silêncio. A dor de cada pessoa é a dor de todos, e a felicidade de um é transferida para a alma de outros. A dor e a felicidade! Uma história que se torna história na própria vida, se revive a história com as próprias palavras, mas a experiência é a mesma.

“As orações renascem sempre: cada vez que juntamos as mãos e abrimos o coração a Deus, nos encontramos na companhia de santos anônimos e santos reconhecidos que rezam conosco, e que intercedem por nós, como irmãos e irmãs mais velhos que passaram por nossa mesma aventura humana”, disse ainda o Papa.

“Na Igreja não há luto que permaneça solitário, não há lágrimas que sejam derramadas no esquecimento, porque tudo respira e participa de uma graça comum. Não é por acaso que nas igrejas antigas as sepulturas eram no jardim ao redor do edifício sagrado, como se dissesse que em cada Eucaristia a multidão dos que nos precederam participa de alguma forma. Há os nossos pais e os nossos avós, há os padrinhos e madrinhas, há os catequistas e outros educadores. Aquela fé transmitida que nós recebemos e que com a fé foi transmitida a maneira de rezar, a oração”, frisou o Pontífice, acrescentando:

Os santos ainda estão aqui, não muito longe de nós; e suas representações nas igrejas evocam aquela “nuvem de testemunhas” que sempre nos circunda. São testemunhas que não adoramos – claro, não adoramos estes santos, mas que veneramos e que de mil maneiras diferentes nos remetem a Jesus Cristo, o único Senhor e Mediador entre Deus e o homem. Um santo, entre vírgulas, digamos assim, que não nos remete a Jesus Cristo, não é um santo e nem mesmo cristão. O santo recorda Jesus Cristo, pois ele percorreu o caminho de viver como cristão. Os santos nos lembram que mesmo em nossas vidas, embora frágeis e marcadas pelo pecado, a santidade pode florescer. De fato, até no último momento.

Segundo Francisco, “não é por acaso que lemos nos Evangelhos que o primeiro santo canonizado foi um ladrão e não canonizado por um Papa, mas por Jesus. A santidade é um percurso de vida, de encontro com Jesus, seja longo ou breve, seja em um instante. Mas é sempre um testemunho, um santo é uma testemunha, de um homem, de uma mulher que encontrou Jesus e que seguiu Jesus. Em Cristo existe uma misteriosa solidariedade entre aqueles que passaram para a outra vida e nós, peregrinos nesta: nossos queridos defuntos, do céu, continuam cuidando de nós. Eles rezam por nós e nós rezamos com eles. E nos rezamos por eles, e rezamos com eles”.

Para o Papa, “este vínculo de oração entre nós e os santos, já o experimentamos aqui, na vida terrena: rezamos uns pelos outros, pedimos e oferecemos orações. A primeira maneira de rezar por alguém é falar com Deus sobre ele ou ela. Se fizermos isso frequentemente, todos os dias, nosso coração não se fecha, permanece aberto aos nossos irmãos e irmãs. Rezar pelos outros é a primeira maneira de amá-los, e isso nos impulsiona á proximidade concreta”.

Mesmo em momentos de conflito, uma maneira de dissolver o conflito, de amenizá-lo, é rezar pela pessoa com quem estou em conflito. E algo muda com a oração. A primeira coisa que muda é o meu coração; é a minha atitude. O Senhor o muda para tornar possível um encontro, um novo encontro e evitar que o conflito se torne uma guerra sem fim.

“A primeira maneira de enfrentar um momento de angústia é pedir aos nossos irmãos e aos santos sobretudo, que rezem por nós. O nome que nos é dado no Batismo não é uma etiqueta ou uma decoração! Geralmente é o nome da Virgem, uma santa ou um santo, que está esperando para “nos dar uma mão” na vida para obter de Deus as graças de que mais precisamos”, concluiu o Papa, recordando que nós “sabemos que aqui na terra existem pessoas santas, homens e mulheres santos que vivem na santidade. Eles não sabem, nós também não sabemos, mas existem os santos, os santos de todos os dias, os santos escondidos ou, como eu gosto de dizer, os “santos da porta ao lado”, aqueles que convivem conosco na vida, que trabalham conosco e levam uma vida de santidade”.

Fonte: Vatican News

Papa contra a desigualdade: os direitos humanos são para todos!

Vatican News

Pelos direitos humanos e seus defensores: neste mês de abril, o Papa Francisco pede que rezemos por quem arrisca a própria vida lutando para garantir a todos direitos iguais.

Esta luta, afirma o Pontífice, requer coragem e determinação. Significa opor-se ativamente à pobreza, à desigualdade, à falta de trabalho, de terra, de habitação, de direitos sociais e trabalhistas.

Francisco lamenta que os direitos humanos fundamentais não são iguais para todos, pois há pessoas de primeira, de segunda, de terceira classe e pessoas descartadas.

Mas não: “têm que ser iguais para todos”, afirma o Papa categórico. “Cada ser humano tem direito a desenvolver-se integralmente, e esse direito básico não pode ser negado por nenhum país.”

Em alguns lugares, prossegue, “defender a dignidade das pessoas pode significar ir para a prisão”, por isso convida a rezar “por aqueles que arriscam suas vidas lutando pelos direitos fundamentais em ditaduras, regimes autoritários e inclusive em democracias em crise, para que seu sacrifício e trabalho deem frutos abundantes”.

O Vídeo do Papa que acompanha a intenção de oração tem o apoio da Missão Permanente de Observação da Santa Sé junto às Nações Unidas.

Direitos e Igreja

Falar de direitos humanos fundamentais é contemplar os direitos que todas as pessoas têm, independentemente da nacionalidade, sexo, origem étnica ou nacional, cor, religião, idioma ou qualquer outra condição.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, foi o primeiro documento legal a estabelecer a proteção universal dos direitos humanos fundamentais.

Também na Igreja, desde o Papa João XXIII na década de 1960, os direitos humanos têm estado no centro do ensinamento e da prática social católica.

Fonte: Vatican News

Oitava da Páscoa

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

“Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Cf. Sl 118).

A Oitava da Páscoa é o período que compreende entre o domingo de Páscoa até o domingo seguinte, do domingo da misericórdia, ou domingo in albis, ou seja, são oito dias em que a celebração solene da Páscoa é estendida. Podemos, nesse período, desejar uns aos outros Feliz Páscoa. É como se cada dia dessa semana fosse domingo de Páscoa. É até recomendável, se tivermos oportunidade, irmos à Missa durante essa semana, mas devido à pandemia da Covid-19, podemos assistir ao vivo da nossa casa, por meio da internet, rádio ou TV.

A Oitava da Páscoa se insere dentro do período que chamamos de Tempo Pascal, que dura cinquenta dias e vai até a celebração de Pentecostes. Nesse período, em toda celebração acendemos o Círio Pascal, que representa o Cristo Ressuscitado, ou a Luz de Cristo. O Círio Pascal foi abençoado e preparado na Vigília Pascal e permanece aceso até a celebração do domingo de Pentecostes. O Círio é essa grande coluna luminosa, que nos guia para a libertação plena da vida.

Dessa maneira, o período da Oitava da Páscoa são os oito primeiros dias do Tempo Pascal, iniciados no domingo de Páscoa. Durante o tempo Pascal, os domingos seguem uma mesma unidade solene, ao invés de se dizer 2º Domingo depois da Páscoa, se diz Segundo Domingo da Páscoa. Por isso, podemos proclamar solenemente e com alegria, junto com todos os batizados: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Cf. Sl 118).

A Oitava Pascal traz para o centro da celebração litúrgica da Igreja o mistério da Ressurreição de Jesus. A Páscoa de Jesus deve acontecer todos os dias na nossa vida e na ação pastoral da Igreja, e nesses oito dias celebramos de forma mais veemente. Durante a Oitava da Páscoa se entoa o hino de louvor em todas as missas.

Durante a Oitava da Páscoa, as leituras do Evangelho são centralizadas nos relatos dos encontros com o Cristo Ressuscitado e nas experiências que os apóstolos tiveram com Ele. Neste tempo litúrgico, a primeira leitura, que, normalmente tirada do Antigo Testamento, é trocada por uma leitura dos Atos dos Apóstolos, que relata o início da Igreja primitiva.

Por isso, todos os dias da Oitava da Páscoa celebramos as Missas solenemente, recordando assim a Ressurreição de Nosso Senhor. Celebramos como se fosse um único dia, reafirmando a frase do Salmo 118: “Este é o dia que o Senhor fez para nós”.

Antigamente, o período da Oitava da Páscoa era reservado de forma especial para aqueles que foram batizados na Vigília Pascal tivessem contato com a fé (mistagogia). Na ocasião, aquele que era batizado recebia a veste branca, que significava a vida nova em Cristo e essa veste branca só era tirada ao final da Oitava da Páscoa. Daí vem o nome do segundo domingo da Páscoa: in albis.

Por isso, a Oitava da Páscoa é um convite a mergulhar-nos no mistério Pascal de Cristo e fazer da nossa vida uma contínua Páscoa, um tempo de renovar nossas esperanças no Senhor. Ainda mais agora, diante da pandemia da Covid-19, precisamos mais do que nunca, renovar nossas esperanças no Senhor e pedir com que ele faça novas todas as coisas. É um tempo para que, ressuscitados com Cristo, aprendamos a buscar as coisas que são do alto.

O Tempo Pascal, portanto, é um tempo de grande alegria espiritual onde devemos viver intensamente na presença de Cristo Ressuscitado, que por meio da sua paixão, morte e ressurreição nos redimiu. É o tempo de assumirmos o nosso batismo e nos imbuirmos cada vez mais do Espírito Santo. É o tempo de anunciar Cristo ressuscitado e dizer às pessoas que somente Nele há salvação.

A Igreja deseja que nos oito dias da Páscoa (Oitava da Páscoa), vivamos o mesmo espírito do domingo da ressurreição, colhendo as mesmas graças. Dessa forma, a Igreja estende a celebração da Páscoa por oito dias, para que possamos colher melhor em nós os frutos da redenção, nos dada por Cristo no mistério Pascal.

Vivamos intensamente esse tempo de graça que a Igreja nos coloca e que possamos colher as suas bençãos. A Igreja coloca esses oito dias de Oitava Páscoa, porque entende que um mistério tão grande não pode ser celebrado em um dia só, é preciso estendê-lo por mais dias. Além disso, ainda temos o Tempo Pascal que dura cinquenta dias, que terá sua plenitude em Pentecostes.

Vivamos intensamente esse período da Oitava da Páscoa, que é uma grande graça que Deus nos dá por meio da Igreja. Cultivemos esse tempo, por meio da oração, meditação da Palavra de Salvação e participando da vida sacramental, agradecendo ao Senhor da vida todas as bençãos.

Que Deus nos abençoe e nos guie nesse caminho de perseverança, buscando sempre o Cristo Ressuscitado. Amém, Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Fonte: CNBB

Fonte (Imagem): CNBB

O Papa na Segunda-feira do Anjo: encontrar Cristo significa descobrir a paz do coração

Papa Francisco durante o Regina Coeli

Mariangela Jaguraba/Silvonei José (Vatican News)

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli da Biblioteca do Palácio Apostólico, nesta segunda-feira da Oitava da Páscoa (05/04), também conhecida como “Segunda-feira do Anjo”.

“A segunda-feira após a Páscoa também é chamada Segunda-feira do Anjo, porque recordamos o encontro do anjo com as mulheres que foram ao túmulo de Jesus”, disse o Pontífice no início de sua alocução.

Para elas o anjo disse: “Sei que procurais Jesus, o crucificado”. Ele não está aqui. Ele ressuscitou”. Esta expressão “Ele ressuscitou” está além das capacidades humanas. Também as mulheres que foram ao túmulo e o encontraram aberto e vazio, não podiam afirmar: “Ele ressuscitou”, mas apenas que o túmulo estava vazio. Que Jesus havia ressuscitado podia dizer somente um anjo, assim como um anjo pode dizer a Maria: “Conceberás e darás à luz um filho […] e ele será chamado Filho do Altíssimo”.

O banquinho do anjo do Senhor

“O evangelista Mateus relata que naquela manhã de Páscoa “houve um grande terremoto”. Pois um anjo do Senhor, de fato, desceu do céu, se aproximou, rolou a pedra e sentou-se sobre ela”, disse ainda Francisco.

Essa grande pedra, que deveria ter sido o selo da vitória do mal e da morte, foi colocada sob os pés, tornou-se o banquinho do anjo do Senhor. Todos os planos e defesas dos inimigos e perseguidores de Jesus foram vãos. A imagem do anjo sentado na pedra do sepulcro é a manifestação concreta e visível da vitória de Deus sobre o mal, da vitória de Cristo sobre o príncipe deste mundo, da luz sobre as trevas. O túmulo de Jesus não foi aberto por um fenômeno físico, mas pela intervenção do Senhor.

A aparência do anjo, acrescenta Mateus, “era como um relâmpago, e suas vestes, brancas como a neve”. “Estes detalhes são símbolos que afirmam a intervenção do próprio Deus, portador de uma era nova, dos últimos tempos da história, porque com a ressurreição de Jesus começa o último tempo da história que poderá durar mil anos, mas é o último tempo”, frisou o Papa.

Alegria em encontrar o Mestre vivo

Segundo Francisco, “diante desta intervenção de Deus, há uma dupla reação”.  A dos guardas e a das mulheres. “A dos guardas, que são incapazes de enfrentar o poder esmagador de Deus e são abalados por um terremoto interior: ficaram atordoados. O poder da Ressurreição derruba aqueles que haviam sido utilizados para garantir a aparente vitória da morte”.  “E o que esses guardas deveriam fazer?”, pergundou o Papa, acrescentando:

Ir até aqueles que lhes deram a ordem para guardar e dizer a verdade. Eles estavam diante de uma opção: ou dizer a verdade ou ser convencidos por aqueles que lhes deram o mandato de vigiar. E a única maneira de convencê-los era o dinheiro, e essas pobres pessoas, pobres pessoas, venderam a verdade e com dinheiro no bolso foram dizer: “Não, os discípulos vieram e roubaram o corpo”. O “senhor” dinheiro, mais uma vez, na ressurreição de Cristo, é capaz de ter poder, de negá-la.

“A reação das mulheres é bem diferente, pois elas são expressamente convidadas pelo anjo do Senhor a não temerem: “Não tenham medo!” e a não procurar Jesus no túmulo”, explicou o Pontífice.

Das palavras do anjo, podemos colher um ensinamento precioso: não nos cansemos jamais de buscar o Cristo ressuscitado, que dá vida em abundância àqueles que o encontram. Encontrar Cristo significa descobrir a paz do coração. As mesmas mulheres do Evangelho, após a angústia inicial, experimentam uma grande alegria em encontrar o Mestre vivo. Nesta Páscoa, desejo a todos que façam a mesma experiência espiritual, acolhendo em seus corações, lares e famílias o alegre anúncio da Páscoa: “Cristo ressuscitado não morre mais, a morte não tem mais poder sobre ele”.

“Esta certeza nos leva a rezar, hoje e durante o período pascal: “Regina Caeli, laetare – Rainha dos Céus, alegrai-Vos”. O anjo Gabriel saudou-a desta forma pela primeira vez: “Alegrai-vos, cheia de graça! Agora a alegria de Maria é plena: Jesus vive, o Amor venceu. Que seja também a nossa alegria!”, disse o Papa.

Testemunhas da paz do Senhor Ressuscitado

Após a oração mariana do Regina Coeli, no clima pascal que caracteriza o dia de hoje, o Papa saudou com afeto todas as pessoas que participaram “deste momento de oração através dos meios de comunicação social”.

Francisco saudou de modo particular os idosos, os doentes, conectados de suas casas ou das casas de repouso e lares de idosos. “Envio-lhes uma palavra de encorajamento e gratidão pelo seu testemunho: estou próximo a vocês”, disse o Pontífice.

A seguir, “desejou que todos passem estes dias da Oitava da Páscoa com fé, nos quais se prolonga a memória da Ressurreição de Cristo”. “Aproveitem todas as boas ocasiões para serem testemunhas da alegria e da paz do Senhor Ressuscitado. Uma Feliz, serena e Santa Páscoa a todos!”, concluiu.

Fonte: Vatican News

Domingo da Páscoa: O sepulcro está vazio, Ele vive!

LEITURAS: At 10,34a.37-43 / Sl 117 / Cl 3,1-4 / Jo 20,1-9

A vida venceu a morte!

Os discípulos chegaram ao túmulo vazio “viram e creram”. A passagem do Evangelho de João indica os primeiros movimentos do Domingo da Ressurreição que levam os discípulos à fé na Ressurreição de Jesus.

Ainda estava escuro e Maria Madalena, que é a primeira testemunha ocular da Ressurreição, foi ao túmulo de Jesus. O texto é repleto de movimento dela e dos discípulos. O que à primeira vista parece muito simples, na verdade pode indicar um processo de crescimento dos personagens deste texto. Maria Madalena é uma discípula que vai reverenciar o seu Mestre e prestar suas homenagens. Esta mulher marginalizada torna-se a primeira anunciadora da Ressurreição. Vai correndo aos discípulos porque viu o túmulo vazio. Os discípulos, certamente tristes e desiludidos, ao ouvirem que o túmulo está vazio correm para verificar. Eles ainda não entendiam o que estava acontecendo e não acreditavam, mas veem os lençóis dobrados no chão e na cabeceira. No vazio do sepulcro começaram a perceber a presença do Ressuscitado.

Pedro tornou-se um gigante na fé e coluna da Igreja sustentada por aquele que venceu a morte. Na primeira leitura vemos como Pedro anuncia que mataram Jesus em uma cruz em Jerusalém, “mas Deus o ressuscitou no terceiro dia”. O anúncio dos Apóstolos e dos discípulos e discípulas era acompanhado pela força do Ressuscitado e fez com que multidões se tornassem seguidoras de Jesus. A forma de entrar para a família do Ressuscitado sempre foi através do batismo. Nele morremos com Cristo e ressuscitamos com Cristo. São Paulo na segunda leitura adverte os colossenses e todos os cristãos que é preciso pensar e buscar as coisas do alto. Isto indica que a Ressurreição de Jesus é o núcleo da fé cristã e exige um comportamento de defesa da vida, da paz que preserva a vida, do respeito mútuo que evita todo tipo de violência.

Hoje existem muitos sinais de Ressurreição apesar de tanta violência. É a vida que vence a morte. Os violentos se iludem como os poderosos se iludiram pregando Jesus numa cruz. A Páscoa se repete silenciosamente, pois a vida é mais forte do que a morte.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem do Custódio em ocasião da Páscoa

É Páscoa! Aleluia, o Senhor ressuscitou!

“Quem rolará para nós a pedra da entrada do túmulo?” (Mc 16, 3). Esta foi a pergunta que as mulheres fizeram entre si nos primeiros raios de sol daquele domingo, que tornara o dia sem ocaso, o Domingo da Ressurreição. Na verdade, não havia mais a pedra obstruindo a entrada ao túmulo porque já não havia mais a morte como castigo. A libertação dos filhos de Deus já estava consumada de uma vez por todas com a Ressurreição do Seu Filho, o Cristo, o Ungido.

Muitas vezes acreditamos que a pedra ainda obstrui a passagem do encontro com Jesus, o Ressuscitado. A pedra já não é empecilho, mas, pela nossa pouca fé e medo, resistimos à entrada ao túmulo. Quem não entra no túmulo da humildade, do perdão, do amor, da conversão, do renovar-se, não contempla a ressurreição. Não ouve o alegre anúncio do Anjo: “Ele ressuscitou. Não está aqui” (Mc 16, 6).

Que pela força do Espírito que o Ressuscitado mesmo nos conferiu, possamos vencer as barreiras que nos impedem desse encontro, tais como: o medo, a incredulidade, o egoísmo, a injustiça, o extremismo, a apatia, a intolerância, o preconceito e falta de caridade. Que a Luz do Cristo ressuscitado ilumine as trevas dos nossos corações e do mundo inteiro e os faça arder do seu amor e da bendita esperança que nos faz mirar ao longe com a certeza da vida que se refaz a cada instante, não obstante, os sinais de morte que nos rodeiam. Que possamos gritar ao mundo com as nossas ações transbordantes da certeza de que a morte foi vencida e a vida sempre prevalecerá porque o Senhor reina para sempre.

“Não vos assusteis. Ele ressuscitou!” (Mc 16, 6)

Feliz Páscoa!

Franca, 03 de abril de 2021

Solenidade da Vigília Pascal

 

Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM

Custódio

Vigília Pascal: “Ele ressuscitou! Não está aqui.”

Cristo ressuscitou, aleluia!

Depois de apresentar os momentos mais importantes da história da salvação em que Deus criou tudo por um amor infinito, a liturgia nos faz reviver a alegria da ressurreição de Jesus. De fato, desde a criação da humanidade, vemos Deus presente com os seus filhos e filhas para dar-lhes vida, para libertá-los da opressão, para garantir-lhes vida plena e para dar-lhes vitória sobre a morte.

No Domingo, as mulheres discípulas de Jesus que tinham acompanhado a sua morte vão ao túmulo para oferecer-lhe a dignidade e a honra ao Mestre que entregou a sua vida pelos seus. O perfume é um sinal de exalação da presença de uma pessoa que depois passou a ser usado no rito fúnebre como testemunho de respeito e amor pelo ente querido que morreu. Acontece que as mulheres não encontraram Jesus, pois quando chegaram ao túmulo viram que a pedra que fechava a sua entrada estava removida e lá dentro tinha “um jovem vestido de branco”. “Muito assustadas”, sem dizer nada, ouvem o anúncio de que “Jesus de Nazaré que foi crucificado” não estava lá, tinha ressuscitado. 

São Marcos apresenta o anúncio daquele “jovem vestido de branco” como realização do que Jesus mesmo tinha dito. Agora o túmulo está vazio, “não está aqui” diz o jovem. Mas Ele quer encontrar os seus discípulos na Galileia, lá onde Ele tinha iniciado a sua missão e de onde os discípulos deverão dar continuidade à construção do Reino de Deus. O anúncio da ressurreição é seguido do envio das mulheres como primeiras testemunhas da vitória da vida sobre a morte. Elas devem dizer aos discípulos de Jesus e a Pedro que o Ressuscitado os espera na Galileia.

A grande vitória da vida sobre a morte deixa o Domingo repleto da alegria da Páscoa cristã. A ressurreição abateu o poder da morte que Jesus venceu passando pela cruz. O testemunho de Paulo na carta aos Romanos é contundente dizendo “sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele”. Por isso, aqueles que morrem com Cristo, viverão com Ele. Esta certeza deve encher os cristãos de
alegria como filhos e filhas amados por Deus e enviados ao mundo como testemunhas de que a vida vence a morte.

A Páscoa dos cristãos hoje deve ser repleta de alegria e, ao mesmo tempo, deve ser uma ocasião de envio ao mundo, tão ferido de morte, para testemunhar que a vida tem mais poder, é dom de Deus e precisa ser defendida com amor.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem de Páscoa da Irmã Cleusa, presidente da CFFB

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA (Presidente da CFFB) – Imagem: CFFB

MENSAGEM DE PÁSCOA

“Não temais! O crucificado ressuscitou […]”. “Desapareceu a amarga raiz da cruz, desabrochou a flor da vida com seus frutos”. “Quem jazia na morte ressurgiu na glória.” “De manhã ressurgiu, quem à tarde fora sepultado”, para que se cumprisse a palavra do salmo: “De tarde estaremos em lágrimas, e de manhã em alegria!”
Sermão de Santo Antônio, Páscoa do Senhor (1)

Queridos Irmãos e Irmãs, Feliz e abençoada Páscoa!

Mais um ano vivenciamos a alegria da Páscoa em meio à pandemia provocada pelo Covid-19. Tempo marcado pela angústia e incerteza; pela tristeza causada por tantas vidas ceifadas pela “nossa irmã a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar” (Cnt 12) e pelas mudanças radicais na rotina de nossas vidas. Regada por lágrimas, nossa peregrinação existencial está sendo provada.

Narra o evangelista João (20, 1-18) que, após a morte de Jesus, Maria Madalena faz uma experiência de profunda dor e inconformidade e sua dor é acrescida por grande aflição no momento em que vai ao túmulo de madrugada e encontra-o vazio (v. 1). Diante do túmulo violado, ao perceber que o corpo de Jesus não estava lá, aflita, sai correndo para dar a notícia aos discípulos, retornando com eles ao local. Após constatarem o ocorrido, os discípulos retornam para suas casas e ela permanece junto ao túmulo, chorando (v. 10.11). E não tardou, seus olhos contemplam “quem à tarde fora sepultado e de manhã ressurgiu”: o Mestre (v. 16). Quanta alegria após tantos momentos de profunda dor, angústia e aflição! Ficando com ela a incumbência de levar a notícia, célebre é seu anúncio aos discípulos: “Eu vi o Senhor” (v. 18).

Na realidade contemporânea vivenciamos ou presenciamos de forma intensa, dor, luto, angústia e inconformidade pela morte de nossos parentes, amigos e por sabermos que milhares de pessoas de diferentes nacionalidades morrem sem condições dignas de atendimento, principalmente no Brasil. O momento é de sofrimento, mas nossa fé e esperança garantem-nos: manhãs de alegria virão. O crucificado ressuscitou, está entre nós e sabe de nossas dores e sofrimento, não nos abandona.

Irmãs e irmãos da Conferência da Família Franciscana do Brasil, ao celebrarmos a Páscoa possamos anunciar: Cristo Ressuscitou, está vivo entre nós! Não podemos vê-lo como Maria Madalena (Jo 20, 18) nem tocá-Lo como os discípulos (Jo 20, 20), mas podemos tocá-Lo através da experiência da fé que professamos e do acolhimento e cuidado para com os frágeis de nossas famílias, fraternidades e da sociedade, principalmente nossos irmãos e irmãs cada vez mais pobres e sofredores. Que se abram nossos olhos para reconhecê-Lo e, nossos ouvidos, para ouvi-Lo a dizer-nos: “A paz esteja com vocês” (Jo 20, 19-21).

Na alegria da Páscoa do Senhor, em Francisco e Clara, fraterno abraço.

Brasília, 02 de abril de 2021
Sexta-feira da Paixão do Senhor da Páscoa

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA
Presidente da CFFB

Fonte: CFFB

Sexta-Feira Santa: “A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores”

LEITURAS: Is 52,13-53,12 / Sl 30 / Hb 4,14-16; 5,7-9 / Jo 18,1-19-42

São João Evangelista narra a paixão e a morte de Jesus com detalhes de uma testemunha e afirma categoricamente a identidade de Jesus: Filho de Deus, Rei do universo, Salvador da humanidade. Jesus se entrega aos que o procuravam durante a noite no Jardim das Oliveiras: “sou eu”. Ele não foge diante do perigo de morte, nem abre mão do projeto do Pai que é instaurar o Reino de amor.

O Filho de Deus é reconhecido como aquele “Servo” anunciado pelo profeta Isaías que é humilhado, mas não renuncia à sua missão. O profeta anunciava: “a verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores”. Por um amor infinito é que o Filho de Deus se fez servo e o profeta anunciava que Ele “resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores”. E não só para salvar dos pecados o Filho de Deus se fez Servo, mas também para implantar o Reino de Deus neste mundo. No texto do Evangelho desta Sexta-feira santa vemos aparecer 8 vezes a palavra “rei” e mais 4 vezes a palavra Reino. “O meu Reino não é deste mundo”, diz Jesus, pois Pilatos pensava só no reino de poder e domínio, e Jesus atua para construir um Reino de justiça, de paz, de vida em abundância para todos. Por isso Ele é “Jesus” Nazareno, palavra que significa “Deus Salva”. O Evangelista usa a palavra Jesus bem 55 vezes nesta narrativa da paixão.

Pilatos era governador da Província romana da Judeia. A sua figura mingua diante de Jesus que cresce sempre mais como Rei. São João é o único a dizer que ele queria liberar Jesus, mas os sumos sacerdotes impuseram-lhe a pena de morte por causa da afirmação que era o “Filho de Deus”. Esta é a verdade de Jesus que os judeus não aceitaram e recorreram ao governador para a sentença de morte. O governador fez a escolha do poder e do prestígio diante do imperador César. A cruz era a pior forma de condenação dos malfeitores. Para Jesus, no entanto, ela torna-se o trono do Reino de serviço.

Os discípulos de Jesus foram formados neste caminho de serviço, pois o Mestre não recusou a cruz, a própria morte, e “na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem” como vemos na carta aos Hebreus.

São João também é o único a narrar as palavras de Jesus à sua mãe que estava ao pé da cruz com um discípulo e outras discípulas: “este é o teu filho… esta é a tua mãe”. Para o evangelista a morte de cruz cumpre as Escrituras que falavam do Filho de Deus e inicia o tempo do Reino de Deus neste mundo contando com os seguidores de Jesus.

De fato, os discípulos entenderam o mistério da cruz quando Jesus apareceu-lhes ressuscitado e enviou-lhes ao mundo para anunciá-lo e construir o seu Reino. Eis porque a cruz tornou-se sinal de salvação. Hoje os cristãos são chamados a viver a solidariedade com todos que são crucificados com Jesus e lutar juntos para a libertação das amarras e dos sistemas que levam à morte.

Frei Valmir Ramos, OFM