Paróquia Nossa Sra. Aparecida de Olímpia/SP é elevada a Santuário Diocesano no dia de sua padroeira

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Muita fé e devoção marcaram ontem (12), a Elevação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida a Santuário Diocesano. A elevação reuniu muitos fiéis ao longo do dia, onde puderam vivenciar sua devoção a Mãe Aparecida.

As festividades teve início com a missa da alvorada as 0h, celebrada por Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM, pároco da Igreja e agora reitor do Santuário. Ao longo do dia, outras oito celebrações foram realizadas. As 19h30 aconteceu a missa de Elevação, sendo presidida pelo Bispo Diocesano de Barretos/SP, Dom Milton Kenan Junior, que agradeceu a conquista, enfatizando o trabalho incansável de evangelização e ações sociais dos frades franciscanos junto à comunidade paroquial.

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

As 6h mais de 300 ciclistas, reunidos na frente do Convento São Boaventura, participaram do 2º Pedal da Fé. Os ciclistas pedalaram até o bairro de Álvora, retornando para a praça da Matriz onde foram recebidos e abençoados. As 8h aconteceu também a 2ª Cavalgada da fé. O trajeto que reuniu 100 cavaleiros, saiu do Matadouro, percorrendo as ruas da cidade e chegando ao Santuário em ritmo de oração. As 13h houve também a carreata pela cidade e benção de veículos.

Do lado externo da Igreja, os fiéis encontravam várias formas para agradecer e manifestar sua fé. Cantinho da Promessa, Arco da Fé, Velário, Fitário, apresentação de teatros, coreografia do Hino do Santuário foram alguns dos destaques para os devotos. Foram montadas barracas para bençãos e confissões, onde os Freis realizaram atendimento ao longo de todo o dia. As missas foram transmitidas por telões na praça da igreja e pelas redes sociais do Santuário.

O Prefeito da Estância Turística de Olímpia, Fernando Cunha, devoto de Nossa Senhora Aparecida, participou da cerimônia que marca o Turismo Religioso na cidade. O ato de descerramento da placa de elevação, colocada no interior da igreja, contou com participação do Prefeito Fernando Cunha, do Bispo Diocesano Dom Milton, do Reitor do Santuário Frei Lucas e do Custódio, Frei Fernando.

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Como comunidade, somos gratos a Deus pela graça que recebemos: ver a Igrejinha se tornar um Santuário! Que a Virgem Aparecida continue nos fortalecendo e ajudando neste caminhada de cristão. 

PASCOM – Olímpia/SP

Paróquia Nossa Sra. Aparecida de Olímpia/SP será elevada a Santuário Diocesano na noite de hoje

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Na noite de hoje (12), dia de Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil), a nossa Custódia se rejubila com a Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Olímpia/SP, pois a mesma será elevada a Santuário Diocesano.

Presidida pelo Bispo Diocesano de Barretos/SP, Dom Milton Kenan Júnior, a celebração acontecerá às 19h30, contando com a presença de vários frades, religiosos, padres e todo o povo de Deus.

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Pertencente a Diocese de Barretos/SP e construída sobre o antigo cemitério da cidade, a paróquia foi fundada no ano de 1958 pelos Frades Franciscanos e é conhecida pelos moradores locais como “Igrejinha”.

Por estar situada em uma cidade turística, os visitantes são atraídos pela beleza e estética desta igreja, cujo formato é de uma cruz e que tem o seu presbitério e altar feito todo em mármore. Em suas paredes existem belas pinturas que também chamam a atenção dos turistas. Todas elas são obras do “Dakinho”, artista olimpiense.

Imagem (Fonte): Diário da Região

Em conversa com a nossa equipe de comunicação, o pároco e futuro reitor, Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM, apresentou um pouco da estrutura e programação deste dia festivo: “Mesmo que de maneira improvisada e ainda aprendendo, estamos criando um ambiente de santuário, onde os romeiros e filhos de Nossa Senhora já podem visitar, em especial a sala das promessas, o fitário e o velário. Durante todo o dia haverá missas e atendimento de confissões, bem como um momento de benção dos carros. Também acontecerá o 2º Pedal da Fé e a 2ª Cavalgada, dentre outros momentos para bem comemoramos o dia da Mãe Aparecida!”


Acompanhe a programação:

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Rogamos a Mãe Aparecida que interceda por todo o povo brasileiro, e neste dia em especial, por todos os olimpienses que logo mais, verão a amada “Igrejinha” ser elevada a Santuário Diocesano. Assim concluiu o frade: “O que hoje estamos vivenciando, é fruto de uma comunidade viva, fruto do trabalho de todo o povo de Deus. Que Deus abençoe a todos!”.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação


Conheça a música tema do “Santuário Nossa Senhora Aparecida” de Olímpia/SP

A fé sem dom e gratuidade é como um jogo sem gol, diz o Papa no Angelus

Bianca Fraccalvieri (Cidade do Vaticano)

“Um teste sobre a nossa fé”: assim o Papa comentou o Evangelho deste 28° Domingo do Tempo Comum, ao rezar com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro o Angelus dominical.

 O Evangelista Marcos narra o encontro de Jesus com um homem rico, do qual não se sabe nem a idade nem o nome. Neste “alguém”, disse o Papa, todos podemos nos reconhecer e nos permite fazer um “teste sobre a fé”.

O homem começa com uma pergunta: “Que devo fazer para ganhar a vida eterna?”. Eis a sua religiosidade, observou Francisco: um dever, um fazer para obter. Mas esta é uma relação comercial com Deus. Ao invés, a fé não é um rito frio e mecânico. É questão de liberdade e de amor.

Então podemos fazer o primeiro teste: para mim, que é a fé? Se é principalmente um dever ou uma moeda de troca, estamos no caminho errado, porque a salvação é um dom e não um dever, é gratuita e não se pode comprar. O primeiro passo, portanto, é nos libertar de uma fé “comercial e mecânica”.

A vida cristã é um “sim” de amor

Na sequência, Jesus ajuda aquele “alguém” oferecendo-lhe a verdadeira face de Deus. O texto diz: “Jesus olhou para ele com amor”. Eis de onde nasce e renasce a fé: não de um dever ou de algo a fazer, mas de um olhar de amor a acolher. Não se baseia nas nossas capacidades e projetos. Se a sua fé está cansada e você quer rejuvenescê-la, o Papa indica: 

“Busque o olhar de Deus: coloque-se em adoração, deixe-se perdoar na Confissão, fique diante do Crucifixo. Enfim, deixe-se amar por Ele.”

Depois da pergunta e do olhar, há um convite de Jesus: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres”.

“Talvez é isto que nos falte também a nós. Com frequência, fazemos o mínino indispensável, enquanto Jesus nos convida ao máximo possível. Não podemos nos contentar dos deveres, preceitos e algumas orações. A fé não pode se limitar aos “nãos”, porque a vida cristã é um “sim”; um “sim” de amor.

Uma fé sem dom e gratuidade é como um jogo bem jogado, mas sem gol. Uma fé sem obras de caridade nos torna tristes.

“Que Nossa Senhora, que disse a Deus um ‘sim’ total, um ‘sim’ sem ‘mas’ – não é fácil, mas a Virgem fez assim – nos faça saborear a beleza de fazer da vida um dom.”

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: Sínodo é um evento de graça, estar aberto às surpresas do Espírito

Missa para início do caminho sinodal

Bianca Fraccalvieri (Cidade do Vaticano)

“Encontrar, escutar, discernir”: estes foram os verbos indicados pelo Papa Francisco na sua homilia de abertura do processo sinodal.

O Pontífice presidiu à Santa Missa na Basílica Vaticana, com a participação de leigos, religiosos, sacerdotes, bispos e cardeais que participam deste processo que culminará em Roma, daqui dois anos, com o Sínodo dos Bispos sobre a tema da sinodalidade.

Francisco se inspirou no Evangelho deste domingo, que apresenta um homem rico que foi ao encontro de Jesus enquanto o Mestre se punha a caminho. “Jesus não tinha pressa, não olhava o relógio para acabar rápido o encontro. Estava sempre a serviço da pessoa que encontrava, para ouvi-la.”

“Deus não habita em lugares assépticos e pacatos, distantes da realidade, mas caminha conosco”, disse o Papa, que então pergunta: “Nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?”

Peritos na arte do encontro

O Evangelho começa narrando um encontro, ao qual Jesus não fica indiferente. “Também nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos”, mas “na reserva de um tempo para encontrar o Senhor e favorecer o encontro entre nós”.

Deus muda tudo quando somos capazes de encontros verdadeiros com Ele e entre nós… “sem formalismos nem fingimentos, nem maquiagens”.

Escutar com o coração

Depois do encontro, o passo sucessivo é escutar. E mais uma vez Francisco se dirige à assembleia: “Como estamos quanto à escuta? Como está «o ouvido» do nosso coração? Permitimos que as pessoas se expressem?

“Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos.”

“Não insonorizemos o coração, não nos blindemos nas nossas certezas. Escutemo-nos.”

Discernir para mudar

Por fim, discernir. O encontro e a escuta recíproca, explicou Francisco, não são um fim em si mesmos, deixando as coisas como estão.

Pelo contrário, quando entramos em diálogo, no fim já não somos os mesmos de antes, mudamos, como indica o Evangelho de hoje. Jesus intui que o homem à sua frente é bom, mas quer conduzi-lo para além da simples observância dos preceitos – uma indicação preciosa também para nós:

“O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, que se faz na adoração, na oração, em contato com a Palavra de Deus.”

A Palavra guia o Sínodo, para que não seja uma “convenção” eclesial, um convênio de estudos ou um congresso político, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo.

Assim como fez com o homem rico do Evangelho, Jesus chama a Igreja a libertar-nos daquilo que é mundano e também dos fechamentos e dos modelos pastorais repetitivos, para interrogar-se a direção para onde Ele quer conduzir.

“Queridos irmãos e irmãs, bom caminho em conjunto! Sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com a alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor.”

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: Sínodo, expressão viva do ser Igreja. Escutar o Espírito e os irmãos

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

“Quero agradecer-lhes por estarem aqui na abertura do Sínodo. Percorrendo diversos caminhos, vocês vieram de tantas Igrejas trazendo cada um no coração perguntas e esperanças. Tenho a certeza de que o Espírito nos guiará e concederá a graça de avançarmos juntos, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um discernimento sobre o nosso tempo, tornando-nos solidários com as fadigas e os anseios da humanidade.” Foi o que disse o Papa Francisco, neste sábado 09/10), na Aula do Sínodo, no Vaticano, no início de seu discurso na abertura do Sínodo sobre a Sinodalidade.

O Papa convidou a viver “este Sínodo no espírito da ardente oração que Jesus dirigiu ao Pai pelos seus: «Para que todos sejam um». É a isto que somos chamados: à unidade, à comunhão, à fraternidade que nasce de nos sentirmos abraçados pelo único amor de Deus”.

Comunhão, participação e missão

A seguir, o Pontífice citou três palavras-chave do Sínodo: comunhão, participação e missão. “Comunhão e missão são expressões teológicas que designam o mistério da Igreja. Através destas duas palavras, a Igreja contempla e imita a vida da Santíssima Trindade, mistério de comunhão ad intra e fonte de missão ad extra”. A terceira palavra é “participação”.

“Celebrar um Sínodo é sempre bom e importante, mas só é verdadeiramente fecundo se se tornar expressão viva do ser Igreja, de um agir marcado pela verdadeira participação. E isto, não por exigências de estilo, mas de fé.”

“A participação é uma exigência da fé batismal”, disse Francisco.

O ponto de partida, no corpo eclesial, é este e nenhum outro: o Batismo. Dele, nossa fonte de vida, deriva a igual dignidade dos filhos de Deus, embora na diferença de ministérios e carismas. Por isso, todos somos chamados a participar na vida da Igreja e na sua missão. Se falta uma participação real de todo o Povo de Deus, os discursos sobre a comunhão correm o risco de permanecer pias intenções. Neste aspecto, foram dados alguns passos adiante, mas sente-se ainda uma certa dificuldade e somos obrigados a registar o mal-estar e a tribulação de muitos agentes pastorais, dos organismos de participação das dioceses e paróquias, das mulheres que muitas vezes ainda são deixadas à margem. Participarem todos: é um compromisso eclesial irrenunciável!

Colaborar melhor para a obra de Deus na história

Segundo o Papa, ao mesmo tempo que o Sínodo nos proporciona uma “grande oportunidade para a conversão pastoral em chave missionária e também ecumênica, não está isento de alguns riscos”. Francisco mencionou três riscos.

“O primeiro é o risco do formalismo“, de reduzir “um Sínodo a um evento extraordinário, mas de fachada. Como se alguém ficasse olhando a bela fachada de uma igreja sem nunca entrar nela”.

Pelo contrário, o Sínodo é um percurso de efetivo discernimento espiritual, que não empreendemos para dar uma bela imagem de nós mesmos, mas a fim de colaborar melhor para a obra de Deus na história. Assim, quando falamos de uma Igreja sinodal, não podemos contentar-nos com a forma, mas temos necessidade também de substância, instrumentos e estruturas que favoreçam o diálogo e a interação no Povo de Deus, sobretudo entre sacerdotes e leigos.

O segundo risco é o do “intelectualismo: “Transformar o Sínodo numa espécie de grupo de estudo, com intervenções cultas, mas alheias aos problemas da Igreja e aos males do mundo; uma espécie de «falar por falar», onde se pensa de maneira superficial e mundana, alheando-se da realidade do santo Povo de Deus, da vida concreta das comunidades espalhadas pelo mundo.”

O último risco é o da “tentação do imobilismo. Dado que «se fez sempre assim» é melhor não mudar. Quem se move neste horizonte, mesmo sem se dar conta, cai no erro de não levar a sério o tempo que vivemos. O risco é que, no fim, se adotem soluções velhas para problemas novos”.

“Por isso, é importante que o caminho sinodal seja um processo em desenvolvimento; envolva, em diferentes fases e a partir da base, as Igrejas locais, num trabalho apaixonado e encarnado, que imprima um estilo de comunhão e participação orientado para a missão.”

Escutar o Espírito na adoração e na oração

O Papa convidou a viver o Sínodo como uma “ocasião de encontro, escuta e reflexão, como um tempo de graça que nos ofereça, na alegria do Evangelho, pelo menos três oportunidades”.

A primeira é encaminhar-nos, não ocasionalmente, mas estruturalmente para uma Igreja sinodal: um lugar aberto, onde todos se sintam em casa e possam participar. Depois, o Sínodo nos oferece a oportunidade de nos tornarmos uma Igreja da escuta: fazer uma pausa dos nossos ritmos, controlar as nossas ânsias pastorais para pararmos a escutar. Escutar o Espírito na adoração e na oração, escutar os irmãos e as irmãs sobre as esperanças e as crises da fé nas diversas áreas do mundo, sobre as urgências de renovação da vida pastoral, sobre os sinais que provêm das realidades locais. Por fim, temos a oportunidade de nos tornarmos uma Igreja da proximidade, que estabeleça, não só por palavras, mas com a presença, maiores laços de amizade com a sociedade e o mundo: uma Igreja que não se alheie da vida, mas cuide das fragilidades e pobrezas do nosso tempo, curando as feridas e sarando os corações dilacerados com o bálsamo de Deus.

Francisco concluiu, desejando que “este Sínodo seja um tempo habitado pelo Espírito! Pois é do Espírito que precisamos, da respiração sempre nova de Deus, que liberta de todo o fechamento, reanima o que está morto, solta as correntes e espalha a alegria. O Espírito Santo é Aquele que nos guia para onde Deus quer, e não para onde nos levariam as nossas ideias e gostos pessoais”.

Fonte: Vatican News

28º Domingo do Tempo Comum: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”

LEITURAS: Sb 7,7-11 / Sl 89 / Hb 4,12-13 / Mc 10,17-30

Vai, vende o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu”. Jesus deixou aquele homem e os seus discípulos desconsertados. No Antigo Testamento e na tradição dos judeus a riqueza era interpretada como sinal de bênção de Deus. Jesus, no entanto, alerta que a riqueza almejada por muitos não passa de uma falsa segurança e pode chegar a uma idolatria.

No Evangelho vemos alguém perguntando o que fazer para ganhar a vida eterna. Aquele que pergunta é alguém que observa as leis e mandamentos, mas ainda está preso às coisas materiais, por isso foi embora cheio de tristeza. É fácil notar que o problema não está nas coisas materiais, mas no apego a elas e na ganância do quanto mais posses tem mais quer ter. O ser humano se ilude e ao mesmo tempo gosta do poder e do prestígio que as posses oferecem. Mas Jesus é categórico em dizer que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. Mesmo se considerarmos esta “agulha” como sendo uma brecha da muralha que era usada como alternativa de fuga no caso de uma invasão na cidade fortificada, um camelo não passa, pois só passavam pessoas se arrastando.

O seguimento de Jesus é exigente. O ensinamento deste Evangelho mostra como é necessário colocar a confiança em Deus e não nas coisas, partilhar e não juntar sempre mais posses, ser solidários com os pobres, buscar a sabedoria de espírito que enobrece a pessoa. A primeira leitura mostra exatamente a grandeza e o valor da sabedoria que é superior ao fato de ser rei, de ter posses em ouro e prata comparados com a areia e a lama. Nos Evangelhos Jesus revela-se como sendo a sabedoria. Daí o convite que Ele faz: “vinde a mim” … “quem vem a mim não terá mais fome” … “não terá mais sede”… (cf Mt 11,28ss; Jo 4,14; 6,35). Os Apóstolos compreenderam depois que Jesus era mesmo a “sabedoria de Deus” (cf 1Cor 1,24.30; Col 1,25ss).

No Evangelho os discípulos querem saber qual recompensa terão por eles terem deixado tudo para seguir Jesus. A resposta é clara: “cem vezes mais agora… e no mundo futuro, a vida eterna”. Os discípulos estavam assustados e ficaram ainda mais perturbados, pois receberiam também “perseguições”. Mais uma vez fica claro que o seguimento de Jesus é exigente, especialmente por ter que enfrentar poderes e sistemas que escravizam e criam injustiças.

Hoje os cristãos precisam fazer um pouco de silêncio e refletir se de fato estão livres da cobiça dos bens materiais que provoca tantas injustiças, do poder, dos privilégios, e se são capazes de partilhar com os sofredores e lutar para erradicar um dos grandes males do mundo de hoje que é a idolatria do dinheiro e do poder.

Frei Valmir Ramos, OFM

12 de outubro: Uma prece pelas mulheres e crianças à negra Mariama de Aparecida!

Imagem (Fonte): Acervo – Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Frei Jacir de Freitas Faria [1]

A cada 12 de outubro, o Brasil católico celebra o dia sua padroeira, Nossa Senhora Conceição Aparecida, e dia das Crianças. Mãe e crianças estão no mesmo patamar. A experiência de Deus como mãe já começa no útero materno. Não vemos o seu rosto, mas Ele/Ela está ali nos alimentando e nos protegendo. A vida pueril uterina é tão boa que a criança nem quer sair dele. Por isso, o nascimento de uma criança é marcado pelo choro de medo, de pavor diante do mundo desconhecido e violento que a espera. Quem irá interceder por ela?

Na Bíblia há vários textos que fazem referência ao ser de Maria como mãe de seu Filho Jesus. Ressalto os textos de Jo 2,1-11 e o de Ap 12. No primeiro, Maria inaugura, segundo a comunidade Joanina, a vida pública de Jesus com o milagre das bodas de Caná com a sua intercessão por vinho para todos. No texto de Apocalipse temos a imagem de uma mulher vestida de sol que gera uma criança que é perseguida por um Dragão, a Besta do Apocalipse. Que relação existe entre esses relatos com a o nosso tempo presente?  Interceder a Maria ou é ela que intercede por nós?

Estamos diante de dois acontecimentos semelhantes: o das bodas de Caná e o de Aparecida do Norte. Ambos têm em comum, na sua origem, uma festa. Jo 2,1-11 relata o terceiro dia de uma festa de casamento que durava sete dias, na pequena Caná da Galileia. Jesus e Maria eram convidados. O vinho tinha acabado. Jesus, a pedido de sua mãe, transforma a água em vinho, de modo que a festa pudesse continuar. No milagre de Aparecida, trata-se de uma festa que os donos de fazendas do vale do Paraíba queriam oferecer para o futuro governador das capitanias de São Paulo e Minas de ouro, Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal, que estaria de passagem pela região, naquele então mês de outubro do Brasil Colônia. Os senhores fazendeiros da região exigiram e ordenaram a três pobres pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, que pescassem todos os peixes possíveis no rio Paraíba do Sul para serem oferecidos na festa. Era o ano de 1717. Uma noite inteira de pesca, e nada. No fim da noite, uma imagem quebrada de Nossa Senhora da Conceição é pescada por João Alves em dois momentos: primeiro, o corpo e, depois, a cabeça. Logo em seguida, quando a rede é lançada novamente, ocorre o primeiro milagre: uma rede abarrotada de peixes que garantiria a festa no povoado e livraria os pescadores de castigos.

A Nossa Senhora da Conceição Aparecida realizou outros quatro milagres: o das velas da sua capela que se apagam e se acendem sem intervenção humana; o das correntes do escravo fugitivo que se abrem; o das patas de um cavalo que grudam nas escadarias da igreja, quando seu cavaleiro queria desafiar a santa, entrando no recinto sagrado; e o da menina cega que foi curada.

Com o evento de Aparecida, Maria passou a ser presença na história do Brasil. Foi a Princesa Isabel que ofereceu, de presente, manto e a coroa para a imagem de Aparecida. Já o Papa Pio XI, em julho de 1930, a condecorou com o título de rainha e padroeira do Brasil.

O que importa aqui não são os milagres, nem o de Caná e tampouco o de Aparecida, mas o significado deles. Caná inaugurou uma nova etapa na vida do filho adulto por causa da intercessão da mãe. Em Aparecida, a mãe Aparecida trouxe vida para os negros e pobres pescadores. Ela lhes devolveu a possibilidade de continuarem a festa da vida com a abundância de peixes, isto é, a sobrevivência em tempos de escravidão. Os senhores fazendeiros continuaram com a escravidão, mas a Senhora de Aparecida estava ali para ampará-los e ajudá-los na resistência.

Ainda hoje, os romeiros que vão ao Santuário de Aparecida clamam a sua intercessão junto a Deus não para ele, mas o parente, o filho, para todos. Na saudosa memória do profeta e pastor, Dom Helder Câmara (1909-1999), peço a Nossa Senhora Aparecida, fazendo uso de suas palavras poéticas e proféticas: “Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens! Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra. Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver. Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos. Mariama, Senhora Nossa, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e os pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico. Nada de escravo de hoje ser senhor de escravo de amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhor e sem escravos. Um mundo de irmãos.”

Permita-me, Dom Helder, sem ser ousado, acrescentar à sua oração uma prece pelas mulheres e crianças: Negra Mariama de Aparecida, converta a nossa Igreja. Que ela saiba valorizar a presença das mulheres como rosto materno de Deus. Sem elas, a Igreja nada seria, mas é triste ver “homens de batina” subjugando-as aos seus caprichos do altar e da discriminação. Que todos possamos entender que o ser mulher não é somente o feminino, mas é a vida que gera vida em abundância. Basta de misoginia, de machismo e de feminicídio. Negra Mariama de Aparecida, ajude-nos a libertar dos Dragões do nosso tempo, sobretudo os que são capazes de usar, em seus comícios, uma criança fardada de trajes militares apontando armas para defender o seu projeto político genocida. E como o senhor, Dom Helder, profetizou, repito suas palavras: “que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é paz.” E permita-me ainda acrescentar: que as nossas crianças cresçam em sabedoria, no aconchego do amor e da ternura do ser mãe de homens e mulheres. Livre-as dos pedófilos de Igreja e fora dela que roubam a inocência de suas infâncias. Mariama, interceda a Deus pelo nosso Papa Francisco que, em relação aos menores vítimas abusos sexuais cometidos por padres e religiosos, na França, disse estar muito triste pelas feridas causadas e grato com as vítimas que tiveram coragem de denunciar. Negra Mariama de Aparecida, livre nossas crianças também da violência das armas que ronda as nossas cidades e vilas, do Oiapoque ao Chuí, nas “Brasílias” que rodam nas estradas do Brasil. Cubra-nos com teu manto de Mãe. Amém!

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


[1]Doutor em Teologia Bíblica pela Faje (BH). Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de Exegese Bíblica. É membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze. Youtube: Frei Jacir Bíblia e Apocrifos – Canal – Frei Jacir

Cardeal Odilo: Uma experiência de sinodalidade

Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo metropolitano de São Paulo

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo (SP)

No domingo, 10 de outubro, o Papa Francisco abre em Roma o processo de preparação da próxima assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos. É a primeira vez que o Papa convoca a Igreja inteira a participar da preparação de uma assembleia do Sínodo, que vai ser realizada só daqui a dois anos, em outubro de 2023.

O tema, já definido para aquela assembleia, é a própria sinodalidade da Igreja, ou seja, um jeito de ser da Igreja e de interagir e se relacionar internamente. Muitas vezes, o Papa Francisco tem criticado o clericalismo, como sendo um grande mal na Igreja. Num certo tipo de clericalismo, toda a vida da Igreja fica concentrada no clero, e a própria Igreja é identificada com o clero. Outra forma de clericalismo é quando o povo fica passivo na Igreja e se considera apenas como beneficiado da Igreja. Ambas as formas de clericalismo tiram a vitalidade e o dinamismo da Igreja. Com a sinodalidade, o Papa está propondo o contrário do clericalismo.

A sinodalidade é uma maneira de ser e de agir da Igreja, na qual se entende que somos todos, antes de tudo, o povo que Deus Pai reúne mediante o envio do Filho ao mundo e a ação do Espírito Santo. Na Igreja, todos são imensamente agraciados pelo amor misericordioso de Deus. A Igreja, povo de Deus e comunidade de discípulos de Jesus, é chamada a viver a alegria do Evangelho, testemunhando a vida nova que o Espírito Santo suscita na comunidade dos fiéis. Também o clero é parte do povo de Deus, ao qual é chamado a servir em nome de Jesus Cristo. E cada membro da Igreja contribui para a vida e a missão dela com seu próprio dom. Não têm todos o mesmo dom, nem fazem todos a mesma coisa. O dom e a participação de cada um na Igreja são importantes, e ninguém deve ficar simplesmente passivo e desinteressado.

Deseja o Papa que a preparação da próxima assembleia do Sínodo conte com a participação de toda a Igreja. O tema completo do Sínodo – “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” – traz três dimensões importantes de uma Igreja sinodal. A comunhão é marca irrenunciável da Igreja, que precisa ser cultivada e promovida entre seus membros e, também, com os que não fazem plenamente parte dela. Sem a comunhão, a Igreja não seria aquela que Jesus Cristo desejou. Ninguém está na Igreja apenas para se autopromover, ou para assegurar vantagens individuais para si. Na comunhão eclesial está um dos segredos da força e da eficácia do testemunho da Igreja.

A participação decorre da comum dignidade dos batizados, membros da Igreja, e da diversidade dos dons e carismas recebidos no Batismo e na Crisma. Todos têm o direito de receber os benefícios da vida e ação da Igreja, e todos têm o dever de participar, cada um à sua maneira, da vida e missão dela. E a missão da Igreja envolve todos os batizados, e não apenas alguns. Somos um povo de discípulos missionários de Jesus Cristo e testemunhas do seu Evangelho no mundo. A missão da Igreja pode ser assumida e desempenhada de múltiplas maneiras pelos batizados.

A missa do Papa Francisco, em Roma, contará com a participação de uma representação da Igreja de cada continente. Simbolicamente, esses participantes serão enviados “a todas as nações”, para que o processo sinodal seja feito em cada país, nas comunidades e múltiplas expressões da vida eclesial. Há um roteiro para essa participação, já disponibilizado para todas as dioceses, que deverão desencadear o processo sinodal em suas comunidades, que já começa no dia 17 de outubro: em cada diocese do mundo, o bispo celebra com seu povo e dá expressão concreta a esse processo sinodal.

Das dioceses, o trabalho passa para as Conferências Episcopais a partir da Páscoa de 2022. Em seguida, o processo sinodal passa às organizações continentais da Igreja. Ainda em 2022, a Secretaria do Sínodo dos Bispos, em Roma, receberá o fruto desse processo sinodal e o encaminhará à assembleia do Sínodo dos Bispos, de 2023. É uma experiência eclesial nova que, com certeza, trará bons frutos. O Espírito Santo continua a agir, “renovando a face da terra”.

Fonte: Vatican News

Maria, a Senhora do Rosário que inspirou a resistência de escravos negros e a guerra religiosa de Lepanto (Lc 1,26-38)

Frei Jacir de Freitas Faria [1]

O texto sobre o qual vamos refletir é Lc 1,26-38. Trata-se da aparição do anjo Gabriel a Maria, uma virgem prometida (noiva) em casamento a José. Ambos viviam na desprezível cidade de Nazaré. O mensageiro do “Deus que se mostrou forte”, Gabriel, diz a Maria, nome que significa “a amada de Deus”, que ela foi agraciada, isto é, foi a escolhida para participar do plano salvador de Deus. Por isso, Ele lhe concederia a graça da fertilidade para gerar, por obra do Espírito Santo, um filho que seria chamado de “Deus dá a Salvação”, nome grego de Jesus, transliterado do hebraico Yehôšūaʽ, resultado da junção, da partícula YH, de YHWH, com š’, que significa salvar.

Na visão do povo da Bíblia é Deus quem concede a fertilidade à mulher, abre seu útero para gerar a vida. Por isso, o anjo Gabriel diz a Maria que sua parenta Isabel, estéril e idosa, estava gerando um filho. No Primeiro Testamento, as matriarcas Sara e Raquel são estéreis até o dia em que Deus decide pôr fim às suas esterilidades (Gn 18, 13-15; 30,22).

O que significa para nós a escolha de Maria para ser a mãe do Filho de Deus? Como o cristianismo compreendeu a função de Maria na história de reinos ricos e pobres escravos negros? Por que Maria teve outros nomes?

Começo pela última pergunta. Refiro-me a Nossa Senhora do Rosário, celebrada no dia 7 de outubro. Rosário significa um buquê de rosas oferecido a Maria com a recitação de 150 Ave-Marias, chamado de Rosário.

A escolha da Igreja pelo 7 de outubro justifica-se pelo fato de que foi nesse dia, em 1571, que a Liga Santa de católicos venceu a batalha naval contra os turcos Otomanos, em Lepanto, na Grécia, o que impediu o avanço do islamismo, a religião dos muçulmanos, na Europa, ainda que o Mediterrâneo tenha se tornado um mar de sangue humano. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora do Rosário, que havia aparecido a São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem do Dominicanos, em 1214, na França, e lhe oferecido um Rosário.

No evangelho, é o anjo de Deus que aparece a Maria. Na história do cristianismo é Maria que aparece de várias formas, de onde provêm seus vários nomes, mas Maria é uma só. Na época da aparição de Nossa Senhora do Rosário, a Idade Média, Maria exercia forte influência na Igreja. Ela era considerada advogada na hora da morte, devido ao cenário de mortes por pestes, à insistência da Igreja sobre o pecado e aos medos generalizados, sobretudo aos de morrer e ir para o inferno.

Segundo Lucas, o menino que nasceria de Maria seria “Filho do Altíssimo” e reinaria sobre o trono eterno de Davi (Lc 1,32-33). No contexto da Idade Média, Jesus se torna juiz e símbolo do poder da Cristandade. Maria, por ser sua mãe, passa a ter o poder de interceder a Ele pelos pecadores, sobretudo os devotos do Rosário, visto como arma contra as ciladas do demônio na hora da morte e do juízo final ou particular.

A partir da Idade Média, para ajudar na evangelização da Igreja, assim como resistir ao seu modo de evangelizar, agindo de forma independente do clero, surgiram irmandades, isto é, associações de leigos católicos, cada uma delas com seus objetivos específicos.[2] Destaque para a irmandade do Rosário de Colônia, na Alemanha, criada em 1404.

Portugal levou para os países que colonizou as devoções e as irmandades. Foi assim com a devoção a Nossa Senhora do Rosário que chegou ao Reino do Gongo, noroeste da África, assim como no Brasil, onde os negros, impedidos de participarem nas igrejas dos brancos, criaram suas irmandades próprias, como a do Rosário do Homens Pretos de Olinda, a mais antiga delas, no século XVI. O objetivo dessa irmandade era rezar a Nossa Senhora, com o auxílio de sementes de capim, para aliviar os sofrimentos infligidos pelos Senhores brancos.

O Congado, composto de danças e bailados de negros escravos vindos, sobretudo, do Reino do Congo, foi o cultuar Nossa Senhora do Rosário e coroar, simbolicamente, o rei e a rainha de Congo, como forma de um sincretismo religioso afro-lusitano-brasileiro de celebrar a fé e resistir à dominação branca, a partir da mistura de elementos da liturgia católica e de cultos africanos.

A presença de Maria na história do cristianismo foi sempre cercada de mistério. Muitos teólogos já se debruçaram nas palavras do anjo Gabriel. Como poderia o Espírito Santo envolver a jovem de Nazaré que ainda não tinha tido relações com um homem? Desse mistério decorre que Maria, como outro anjo de Deus, apresentou Jesus à humanidade, sendo a serva que se entregou nas mãos de Deus. O anjo Gabriel partiu para onde veio, a casa do Pai. Ela ficou para sempre como a mensageira da paz para os negros escravos do Congo de ontem e de hoje. Infelizmente, ela também usada para dominar e matar. Hoje, resta-nos estar unidos a ela pelo Rosário das rosas que ela plantou no meio de nós, pelo sim que fortalece a nossa luta pelas igualdades racial e social.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


[1]Doutor em Teologia Bíblica pela Faje (BH). Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de Exegese Bíblica. É membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze. Youtube: Frei Jacir Bíblia e Apocrifos – Canal – Frei Jacir

[2] FARIA, Jacir de Freitas, O Medo do Inferno e arte de bem morrer: da devoção apócrifa à Dormição de Maria às irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte. Petrópolis: Vozes, 2019, p. 185.

Papa Francisco: ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus

Cidade do Vaticano (Bianca Fraccalvieri)

A liberdade cristã foi o tema da catequese do Papa Francisco, que se reuniu com milhares de fiéis na Sala Paulo para a Audiência Geral.

O Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre a Carta aos Gálatas, comentando alguns versículos do quarto capítulo, em que o Apóstolo afirma que “é para a liberdade que Cristo nos libertou”.

O Papa explicou que Paulo não podia suportar que aqueles cristãos, depois de terem conhecido e acolhido a verdade de Cristo, se deixassem atrair por propostas enganosas, passando da liberdade à escravidão: da presença libertadora de Jesus à escravidão do pecado, do legalismo e assim por diante. “Não se pode forçar em nome de Jesus, ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus que nos torna livres”, disse Francisco. “Uma pregação que impedisse a liberdade em Cristo nunca seria evangélica.”

O Papa prosseguiu explicando que a liberdade cristã é fundada sobre dois pilares fundamentais: primeiro, a graça do Senhor Jesus.

“Antes de tudo, é dom do Senhor. A liberdade que os Gálatas receberam – e nós como eles – é fruto da morte e ressurreição de Jesus. (…) Ali mesmo, onde Jesus se deixou cravar, Deus colocou a fonte da libertação radical do ser humano. Este é o mistério do amor de Deus! Jesus realiza sua plena liberdade ao entregar-se à morte; sabe que só assim pode obter vida para todos.

A verdade através da inquietude

O segundo pilar da liberdade é a verdade. É preciso recordar que a verdade da fé não é uma teoria abstrata, mas a realidade de Cristo vivo:

“Quantas pessoas que não estudaram, que não sabem ler ou escrever, mas que entenderam bem a mensagem de Cristo, têm esta sabedoria que as torna livres, sem estudo. É a sabedoria de Cristo que entrou através do Espírito Santo no Batismo. Quantas pessoas encontramos que vivem a vida de Cristo mais do que os grandes teólogos, por exemplo. Elas são um grande testemunho da liberdade do Evangelho“, disse o Papa.

“A liberdade torna livres na medida em que transforma a vida de uma pessoa e a direciona para o bem”, acrescentou Francisco.

“A verdade deve nos inquietar, voltemos a esta palavra muito, muito cristã: inquietude. Sabemos que existem cristãos que nunca, nunca se inquietam: vivem sempre o mesmo, não há movimento em seus corações, não há inquietude. Por que? Porque a inquietude é o sinal de que o Espírito Santo está trabalhando dentro de nós, e a liberdade é uma liberdade ativa, com a graça do Espírito Santo. É por isso que eu digo que a liberdade deve nos inquietar, deve continuamente nos fazer perguntas, para que possamos cada vez mais aprofundar sobre quem realmente somos.”

Todavia, o caminho da verdade e da liberdade é um caminho difícil, que dura a vida inteira. “Um caminho no qual somos guiados e apoiados pelo Amor que vem da Cruz: o Amor que nos revela a verdade e nos dá a liberdade. E este é o caminho da felicidade.”

Fonte: Vatican News