6º Domingo da Páscoa: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor!”

LEITURAS: At 10,25-26.34-35.44-48 / Sl 97 / 1Jo 4,7-10 / Jo 15,9-17

“Amai-vos uns aos outros” é o último mandamento de Jesus. Ele viveu o amor verdadeiro até o extremo entregando a própria vida: “ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Este ensinamento de Jesus está colocado no contexto da última ceia. Para Jesus é momento de despedida e, ao mesmo tempo, de compromisso da Nova Aliança para permanecer eternamente com seus discípulos e amigos.

Jesus no Evangelho de João está com seus discípulos como um “amigo”. Para João o amigo é aquele que ama como um igual. De fato, amizade verdadeira só acontece entre iguais, quer dizer, entre aqueles ou aquelas que não se sobrepõe ne se submetem. “Não vos chamo servos” disse Jesus, pois Ele mesmo se fez um de nós e viveu e morreu com nossos limites humanos. “Vos chamo amigos” Ele disse, pois revelou tudo o que o Pai tinha a ser revelado. O caminho de aproximação e de amor usado por Jesus foi o da amizade.

A amizade implica, além do amor, a comunicação dos sentimentos, dos projetos, dos sonhos, mas também implica o compromisso com o amigo ou amiga. Se existe um amor verdadeiro, não existirá atitudes de domínio ou de servidão. Ao contrário, existirão atitudes de solidariedade, de partilha, de entreajuda, de empenho para que o outro tenha vida plena como eu tenho. Assim o amor verdadeiro brilhará e permanecerá.

Na primeira leitura aparece uma das características do amor de Deus que deve ser vivenciado pelos seguidores de Jesus: “Deus não faz distinção de pessoas. Pelo contrário, Ele aceita quem o teme e pratica a justiça”. O amor de Deus é universal, assim como deveria ser o amor dos cristãos. Isso significa que o círculo de “amigos” dos cristãos nunca será fechado e restrito às amizades interessadas, pois aquele “que nos amou primeiro”, como nos diz João na segunda leitura, merece toda retribuição através da atitude concreta de “amar uns aos outros” sem exclusão.

Para os nossos dias em que a humanidade vive uma grande crise de relacionamentos, São Francisco de Assis é um exemplo de seguidor de Jesus que amou as pessoas e as criaturas fazendo-se irmão e amigo de todos. Seu olhar humano, compassivo, fraterno, respeitoso, abria sempre as portas dos corações dos mais simples e pobres aos mais poderosos e ricos. Esta atitude o levou a servir os leprosos como irmão, a dialogar com sultão como irmão, a falar com as criaturas como irmão, a viver o amor a ponto de receber estigmas daquele que viveu o maior amor.

Frei Valmir Ramos, OFM


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5º Domingo da Páscoa: “Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto!”

LEITURAS: At 9,26-31 / Sl 21 / 1Jo 3,18-24 / Jo 15,1-8

O ensinamento de Jesus que o Evangelho de hoje nos traz faz parte de um longo discurso de despedida que João Evangelista insere nos capítulos 13 a 15. Como vemos no capítulo 13, Jesus está realizando a sua última ceia com os discípulos e, depois de lavar os pés de cada um deles, começa este discurso. Nos versículos do Evangelho de hoje Jesus usa a imagem bíblica da videira que indicava o povo de Deus. Agora Ele é a videira verdadeira, que congrega a nova família de Deus, a Igreja, e mostra a necessidade de que esta dê muitos e bons frutos como ramos ligados ao tronco.

Depois da ressurreição de Jesus, quando os discípulos estavam levando adiante a missão deixada por Ele, existia o sentimento de um vazio deixado por Jesus de Nazaré, pois sua presença não era mais visível. Também existiam dificuldades a serem enfrentadas por eles, pois os cristãos aumentavam sempre mais e em muitos lugares. É neste contexto que o ensinamento de Jesus é lido.

A videira é podada para produzir mais e melhores frutos. Jesus afirma que o Pai “corta o ramo que não dá fruto” e “limpa o que dá fruto”. O verbo aqui traduzido como limpar é “podar” e significa preparar o ramo para dar frutos. Contudo, Jesus é claro em dizer que é preciso “permanecer n’Ele” para dar frutos. A parte separada seca. Os frutos são aqueles da vivência da fidelidade para com Deus como verdadeiros discípulos de Jesus e do amor para com os irmãos. Na segunda leitura, São João diz que este amor deve ser “com ações e de verdade”. Ele ainda diz que o mandamento de Deus é “crer em Jesus Cristo e amar uns aos outros”. De fato, as comunidades primitivas enfrentavam dificuldades em manter-se fiéis a Jesus Cristo, ressuscitado e presente com elas de forma invisível, e ainda existiam aqueles que faziam belos discursos, mas não viviam a caridade e não eram solidários.

A leitura dos Atos dos Apóstolos traz o primeiro medo dos cristãos. O autor diz que os cristãos de Jerusalém estavam com medo de Paulo porque ele os perseguia. Era verdade, mas é possível pressentir neles uma resistência à novidade de Paulo. A comunidade de Jerusalém estava comodamente levando adiante a missão, quase limitada àquela região. Paulo chega com um discurso de evangelização a todos os povos, fala com firmeza nas sinagogas e discute com os judeus de língua grega. Ele anuncia sem medo que Jesus é o Salvador. Ele conhece as Escrituras e enfrenta os judeus, como depois vai enfrentar os gregos e os romanos.

Para nós hoje é preciso ter esta clareza: nenhuma iniciativa de autorreferencialidade vai produzir fruto bom. Jesus é a meta, o centro e o conteúdo da vida cristã. A Igreja e todo evangelizador precisam anunciar Jesus Cristo e a sua Palavra e não a si mesmos. Também não podem confiar somente em suas próprias forças e estratégias, pois quem mantém a Igreja viva é o Ressuscitado.

Frei Valmir Ramos, OFM


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4º Domingo da Páscoa: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas!”

LEITURAS: At 4,8-12 / Sl 117 / 1Jo 3,1-2 / Jo 10,11-18

Tenho o poder de entregar a vida e de recebê-la novamente”. Na primeira leitura Pedro afirma que aquele que fora crucificado agora está vivo, pois “Deus o ressuscitou dos mortos” e tornou-se a “pedra angular” como o salmista havia anunciado (cf Sl 117,22). A pedra, reconhecida por seu peso, sua solidez, sua duração, é sinal de força. A pedra angular pode ser aquela encaixada bem no centro do arco com a função de sustentar todas as outras ou ainda aquela colocada bem no ângulo da construção servindo de fundamento para as paredes ou colunas. Jesus ressuscitado é então o fundamento da nova família de Deus, do novo povo de Deus.

No Evangelho Ele se revela como o “Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas”. Na Bíblia, a imagem do pastor era utilizada para indicar os chefes do povo, aqueles que tinham a missão de cuidar do povo. Como eram negligentes e interesseiros, Deus sempre os exortou através de seus profetas. O próprio Deus é reconhecido como aquele que conduz o seu povo, como o pastor cuida de suas ovelhas e dá maior atenção àquelas frágeis e doentes. No tempo de Jesus não era diferente. Os que deviam cuidar do povo eram os que mais o atacavam e exploravam, quando não, diante da ameaça, abandonava o seu povo e fugia. Por isso, Jesus se distingue como o “Bom Pastor” que não é mercenário, que não abandona suas ovelhas, nem olha para os seus próprios interesses. Ao contrário, dá sua vida por elas. Esta é expressão do maior amor.

Como “Bom Pastor” Jesus não é um rei, nem patrão e dono das ovelhas, mas é Aquele que ama a ponto de entregar a própria vida. Ele reúne o “rebanho” como único pastor e o conduz para junto do Pai que ama, cuida e nunca abandona. No cumprimento de sua missão, Jesus quer todos os povos reunidos como “um único rebanho”. Isto significa que o amor de Deus não é exclusivo por um povo ou um grupo, mas por todos os seus filhos e filhas de todas as raças e nações.

Hoje é importante os cristãos entenderem que fazem parte de um mesmo rebanho, por isso é preciso caminhar em uma mesma fé, unir as forças para defender a vida e a dignidade das pessoas e da criação. É preciso que os pastores das Igrejas sejam “bons pastores” que dão a vida por suas “ovelhas” e não apenas administradores ávidos de poder e dinheiro. É preciso que os governantes sejam cuidadores do bem comum e não apenas legisladores dos próprios interesses e administradores da cobiça.

Frei Valmir Ramos, OFM


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REZEMOS PELAS VOCAÇÕES…

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 58º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
(25 de abril de 2021 – IV Domingo da Páscoa)

“São José: o sonho da vocação”

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se , só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente. Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para o seguir com tanta confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Porquê? Porque o seu coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de Se revelar de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com São José, metas elevadas e surpreendentes.

Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino de Deus. Por conseguinte, em todos estes transtornos, revelou-se vitoriosa a coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: a chamada divina impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo, nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude!

Uma segunda palavra marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo, desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio. Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita tornou-o patrono da Igreja. Ele que soube encarnar o sentido oblativo da vida, é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).

O serviço, expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para O defender da fúria de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como queria: com a disponibilidade de quem vive para servir. Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para Egito, depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas.

Por isso gosto de pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2, 14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família. Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.

Além da chamada de Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita, pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55), pela qual inspirou, não as crónicas da época, mas a vida quotidiana de cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.

Como se alimenta esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às suas promessas: «José, filho de David, não temas» (Mt 1, 20). Não temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia.

Esta fidelidade é o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava «uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade, a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos, as nossas residências paroquiais! É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!

Roma, São João de Latrão, 19 de março de 2021, Solenidade de São José

Francisco

Fonte (Oração): Vatican News

O Papa no Regina Coeli: não existe um cristianismo à distância

Papa Francisco no Regina Coeli (Vatican Media)

Silvonei José (Vatican News)

Jesus não é um “fantasma”, mas uma Pessoa viva. Ser cristãos não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: foi o que disse o Papa Francisco na alocução que precedeu o Regina Coeli, a oração do tempo pascal. Neste 18 de abril, Francisco voltou à janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça São Pedro de onde rezou com fiéis a oração mariana.

No terceiro domingo da Páscoa, o Santo Padre recordou que voltamos a Jerusalém, ao Cenáculo, como se guiados pelos dois discípulos de Emaús, que haviam escutado com grande emoção as palavras de Jesus no caminho e depois o reconheceram “no partir do pão”. Agora, no Cenáculo, o Cristo ressuscitado aparece no meio do grupo de discípulos e os saúda, dizendo: “A paz esteja convosco”!  Mas eles estão assustados – disse o Papa – e acreditam “que veem um fantasma”. Então Jesus lhes mostra as feridas em seu corpo e diz: “Olhem para minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Toquem em mim! E para convencê-los, ele pede comida e a come sob o olhar atônito deles.

Há um detalhe aqui nesta descrição, disse o Papa. O Evangelho diz que os apóstolos, pela grande alegria, ainda não acreditavam. “Tal era a alegria que eles tinham que não podiam acreditar que era verdade. É um segundo detalhe: eles ficaram atônitos, espantados, espantados porque o encontro com Deus sempre os leva ao estupor. Vai além do entusiasmo, além da alegria, é outra experiência. E eles estavam alegres, mas uma alegria que os fazia pensar: mas não, isto não pode ser verdade, não, não pode…(?) assim… É o estupor da presença de Deus. Não se esqueça deste estado de espírito, que é tão bonito”.

Esta página do Evangelho – continuou Francisco – é caracterizada por três verbos muito concretos, que em certo sentido refletem nossa vida pessoal e comunitária: olhar, tocar e comer. Três ações que podem dar a alegria de um verdadeiro encontro com Jesus vivo.:

“Olhem para minhas mãos e meus pés” – diz Jesus. Olhar não é apenas ver, é mais, envolve também intenção, vontade. É por isso que é um dos verbos do amor. Mães e pais olham para seus filhos; os apaixonados se olham um para o outro; um bom médico olha atentamente para seu paciente… Olhar é um primeiro passo contra a indiferença, contra a tentação de virar nosso rosto diante das dificuldades e sofrimentos dos outros. Olhar. Eu vejo ou olho Jesus?”.

Em seguida o Santo Padre falou do segundo verbo, tocar:

“Ao convidar os discípulos a tocá-lo, para constatar que ele não é um fantasma, toque-me. Jesus indica a eles e a nós que a relação com Ele e com os nossos irmãos não pode permanecer “à distância”, não existe um cristianismo à distância, não existe somente um cristianismo, no nível do olhar. O amor pede para olhar e também a proximidade, pede contato, a partilha da vida. O bom samaritano não se limitou a olhar para o homem que encontrou meio morto ao longo da estrada: inclinou-se, curou suas feridas, e o carregou em seu cavalo e o levou para a pousada. E assim com o próprio Jesus: amá-lo significa entrar numa comunhão de vida, uma comunhão com Ele”.

Falando depois do terceiro verbo, comer, disse que o mesmo expressa bem a nossa humanidade na sua mais natural indigência, ou seja, nossa necessidade de nos alimentarmos para poder viver:

“Mas comer, quando o fazemos juntos, em família ou entre amigos, torna-se também uma expressão de amor, de comunhão, de festa… Quantas vezes os Evangelhos nos mostram Jesus que vive esta dimensão de convivência! Também ressuscitado, com seus discípulos. Ao ponto de o Banquete eucarístico se tornar o sinal emblemático da comunidade cristã. Alimentar-se juntos com o corpo de Cristo. Este é o centro da vida cristã”.

O Papa Francisco recordou que esta página do Evangelho nos diz que Jesus não é um “fantasma”, mas uma Pessoa viva, que Jesus quando se aproxima de nós nos enche de alegria até ao ponto de não acreditarmos e nos deixa atônitos com aquele estupor que somente a presença de Deus nos dá, porque Jesus é uma pessoa viva.

Ser cristãos – continiou o Santo Padre – não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: “olhamos para Ele, tocamos n’Ele, nos alimentamos d’Ele e, transformados por Seu Amor, olhamos, tocamos e alimentamos os outros como irmãos e irmãs. Que a Virgem Maria – concluiu – nos ajude a viver esta experiência de graça”.

O Papa na janela do Palácio Apostólico

Nas últimas semanas, a janela do Palácio Apostólico permaneceu fechada em 21 de março e 5 de abril, enquanto a recitação do Angelus em 28 de março, Domingo de Ramos na Basílica de São Pedro, e o Regina Coeli do domingo passado – com o Papa na Igreja do Santo Espírito, in Sássia, para a Festa da Divina Misericórdia – foram conduzidos pelo Santo Padre ao término das duas celebrações.

O primeiro lockdown do ano passado tinha mantido os fiéis distantes da Praça São Pedro de 8 de março a 24 de maio, com o Papa conduzindo as orações dominicais transmitidas ao vivo diretamente da Biblioteca do Palácio Apostólico. Depois disso, o Pontífice havia retornado por alguns meses, até 20 de dezembro, a recitar a oração dominical da janela de seu escritório que dá para a Praça São Pedro. Depois, foi suspensa novamente a recitação com os fiéis na Praça até 7 de fevereiro, sendo novamente retomada até 14 de março e, por fim, como mencionado, o último fechamento em 21 de março passado.

Fonte: Vatican News

3º Domingo da Páscoa: “A paz esteja convosco!”

LEITURAS: At 3,13-15.17-19 / Sl 4 / 1Jo 2,1-5a / Lc 24,35-48

Vós sereis testemunhas!” (Lc 24,48). O evangelista Lucas apresenta as aparições de Jesus ressuscitado de forma cronológica: primeiro as mulheres que foram bem cedo no Domingo para “embalsamar” o corpo de Jesus e encontraram o túmulo vazio (cf Lc 24,1-8); ao entardecer, dois discípulos iam para Emaús e Jesus caminhou com eles e explicou-lhes as Escrituras, depois revelou-se ao partir o pão (cf Lc 24,13-32); ainda naquele dia à noite, Jesus ressuscitado apresenta-se aos discípulos reunidos (Lc 24,36).

Jesus ressuscitado não aparece como um fantasma, mas em carne e osso, traz nas mãos e nos pés as marcas dos pregos, uma chaga no peito e tem fome. Os discípulos e discípulas não podiam imaginar como seria a ressurreição apesar de terem ouvido Jesus mesmo falar dela. Os dois de Emaús só foram reconhecer Jesus ao partir o pão. Para São Lucas é a celebração da Eucaristia precedida por uma longa explicação das Escrituras. Estando presente na Eucaristia, não precisa mais a presença física. Aos discípulos reunidos, Jesus ressuscitado também explica as Escrituras e mostra-lhes como “cumpriu-se tudo a respeito dele conforme estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.

Tendo cumprido a sua missão, agora cabe aos discípulos serem testemunhas de Jesus de Nazaré ressuscitado e continuarem a construção do Reino com a força do Alto, o Espírito Santo. O testemunho será em primeiro lugar da vitória da vida sobre a morte, o que levará os cristãos a defenderem a vida e atuarem para que todos possam ter o pão e os meios necessários para mantê-la. O que Ele fez, agora os discípulos devem continuar fazendo. Nos Atos dos Apóstolos vemos que os primeiros discípulos agiram como testemunhas, seja da ressurreição de Jesus, seja do cumprimento das Escrituras para o perdão dos pecados e a salvação da humanidade.

Também na primeira carta de João vemos este testemunho e mais o apelo à conversão. É a comunidade primitiva crescendo na fé e também enfrentando as dúvidas, as incompreensões e a falta de fidelidade aos mandamentos. O apelo de João é que todos vivam o amor verdadeiro e abracem o Evangelho.

Hoje os cristãos são convocados a escolher a vida com atenção especial à sua sacralidade. Os judeus escolheram a morte quando pediram para libertar um assassino e prender o “autor da vida”. Ressuscitado, o autor da vida conta com seus seguidores para que a vida seja respeitada em todas as fases e circunstâncias.

Frei Valmir Ramos, OFM

2º Domingo da Páscoa: “Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

LEITURAS: At 4,32-35 / Sl 117 / 1Jo 5,1-6 / Jo 20,19-31

“A paz esteja convosco!”. O Deus da paz, nascido “príncipe da paz”, agora ressuscitado saúda os seus discípulos desejando a paz com o sentido de “salvação”, de vitória sobre o mundo, sobre a injustiça, sobre a morte. A vitória de Jesus revela o poder do “Deus dos vivos, não dos mortos” (Mc 12,27), que é o Senhor da vida.

Agora seu corpo não tem mais os limites da vida terrena. Os discípulos estavam fechados e o Ressuscitado apareceu no meio deles. Sua presença será constante e em todos os lugares onde estiverem seus seguidores. Foi difícil para os discípulos entenderem o que estava acontecendo. O final do Evangelho de Marcos traz uma síntese das aparições de Jesus ressuscitado dizendo que apareceu a Maria Madalena, a dois discípulos que iam para o campo e depois aos onze (cf Mc 16,9-14). Ainda assim Tomé quer ver as chagas de Jesus de Nazaré. Ele, como os demais discípulos, percorreu um caminho de crescimento na fé para chegar ao reconhecimento de Jesus ressuscitado como “meu Senhor e meu Deus” e nem precisou tocá-lo.

Jesus ressuscitado cumpre a promessa feita aos discípulos de que enviaria o Espírito. A narração deste trecho do Evangelho indica que foi no mesmo dia da ressurreição que Jesus “soprou” sobre os discípulos. É o “sopro” de Deus, a força criadora de Deus, o Espírito Santo. De fato, a compreensão bíblica do Espírito de Deus parte da palavra que significa “sopro”, um vento que dá vida. O gesto de Jesus transforma a vida dos discípulos e faz nascer a sua nova família, a Igreja, que vai se fortalecer e continuar missão que Jesus recebeu do Pai: “como o Pai me enviou, eu também vos envio”. De fato, sem medo, os discípulos iniciaram a missão de anunciar o Evangelho de Cristo, que é Ele mesmo, sua vida e seus ensinamentos.

Nos Atos dos Apóstolos vemos como eles acolheram os ensinamentos de Jesus de viver o amor fraterno sem ficar presos aos bens materiais. Viveram uma experiência de responsabilidade uns pelos outros na qual nenhum passava necessidade. Assim brilhava a solidariedade entre os irmãos e irmãs seguidores de Jesus ressuscitado. A missão dos Apóstolos era realizada com o poder do Espírito Santo e o testemunho de vida nova na comunidade cristã.

São João na sua primeira carta anuncia o Cristo ressuscitado como Filho de Deus e faz um apelo para que os cristãos vivam o amor e observem os mandamentos. Este será o sinal do verdadeiro discípulo missionário que vive a solidariedade. Hoje também é assim.

Frei Valmir Ramos, OFM

Domingo da Páscoa: O sepulcro está vazio, Ele vive!

LEITURAS: At 10,34a.37-43 / Sl 117 / Cl 3,1-4 / Jo 20,1-9

A vida venceu a morte!

Os discípulos chegaram ao túmulo vazio “viram e creram”. A passagem do Evangelho de João indica os primeiros movimentos do Domingo da Ressurreição que levam os discípulos à fé na Ressurreição de Jesus.

Ainda estava escuro e Maria Madalena, que é a primeira testemunha ocular da Ressurreição, foi ao túmulo de Jesus. O texto é repleto de movimento dela e dos discípulos. O que à primeira vista parece muito simples, na verdade pode indicar um processo de crescimento dos personagens deste texto. Maria Madalena é uma discípula que vai reverenciar o seu Mestre e prestar suas homenagens. Esta mulher marginalizada torna-se a primeira anunciadora da Ressurreição. Vai correndo aos discípulos porque viu o túmulo vazio. Os discípulos, certamente tristes e desiludidos, ao ouvirem que o túmulo está vazio correm para verificar. Eles ainda não entendiam o que estava acontecendo e não acreditavam, mas veem os lençóis dobrados no chão e na cabeceira. No vazio do sepulcro começaram a perceber a presença do Ressuscitado.

Pedro tornou-se um gigante na fé e coluna da Igreja sustentada por aquele que venceu a morte. Na primeira leitura vemos como Pedro anuncia que mataram Jesus em uma cruz em Jerusalém, “mas Deus o ressuscitou no terceiro dia”. O anúncio dos Apóstolos e dos discípulos e discípulas era acompanhado pela força do Ressuscitado e fez com que multidões se tornassem seguidoras de Jesus. A forma de entrar para a família do Ressuscitado sempre foi através do batismo. Nele morremos com Cristo e ressuscitamos com Cristo. São Paulo na segunda leitura adverte os colossenses e todos os cristãos que é preciso pensar e buscar as coisas do alto. Isto indica que a Ressurreição de Jesus é o núcleo da fé cristã e exige um comportamento de defesa da vida, da paz que preserva a vida, do respeito mútuo que evita todo tipo de violência.

Hoje existem muitos sinais de Ressurreição apesar de tanta violência. É a vida que vence a morte. Os violentos se iludem como os poderosos se iludiram pregando Jesus numa cruz. A Páscoa se repete silenciosamente, pois a vida é mais forte do que a morte.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem do Custódio em ocasião da Páscoa

É Páscoa! Aleluia, o Senhor ressuscitou!

“Quem rolará para nós a pedra da entrada do túmulo?” (Mc 16, 3). Esta foi a pergunta que as mulheres fizeram entre si nos primeiros raios de sol daquele domingo, que tornara o dia sem ocaso, o Domingo da Ressurreição. Na verdade, não havia mais a pedra obstruindo a entrada ao túmulo porque já não havia mais a morte como castigo. A libertação dos filhos de Deus já estava consumada de uma vez por todas com a Ressurreição do Seu Filho, o Cristo, o Ungido.

Muitas vezes acreditamos que a pedra ainda obstrui a passagem do encontro com Jesus, o Ressuscitado. A pedra já não é empecilho, mas, pela nossa pouca fé e medo, resistimos à entrada ao túmulo. Quem não entra no túmulo da humildade, do perdão, do amor, da conversão, do renovar-se, não contempla a ressurreição. Não ouve o alegre anúncio do Anjo: “Ele ressuscitou. Não está aqui” (Mc 16, 6).

Que pela força do Espírito que o Ressuscitado mesmo nos conferiu, possamos vencer as barreiras que nos impedem desse encontro, tais como: o medo, a incredulidade, o egoísmo, a injustiça, o extremismo, a apatia, a intolerância, o preconceito e falta de caridade. Que a Luz do Cristo ressuscitado ilumine as trevas dos nossos corações e do mundo inteiro e os faça arder do seu amor e da bendita esperança que nos faz mirar ao longe com a certeza da vida que se refaz a cada instante, não obstante, os sinais de morte que nos rodeiam. Que possamos gritar ao mundo com as nossas ações transbordantes da certeza de que a morte foi vencida e a vida sempre prevalecerá porque o Senhor reina para sempre.

“Não vos assusteis. Ele ressuscitou!” (Mc 16, 6)

Feliz Páscoa!

Franca, 03 de abril de 2021

Solenidade da Vigília Pascal

 

Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM

Custódio

Vigília Pascal: “Ele ressuscitou! Não está aqui.”

Cristo ressuscitou, aleluia!

Depois de apresentar os momentos mais importantes da história da salvação em que Deus criou tudo por um amor infinito, a liturgia nos faz reviver a alegria da ressurreição de Jesus. De fato, desde a criação da humanidade, vemos Deus presente com os seus filhos e filhas para dar-lhes vida, para libertá-los da opressão, para garantir-lhes vida plena e para dar-lhes vitória sobre a morte.

No Domingo, as mulheres discípulas de Jesus que tinham acompanhado a sua morte vão ao túmulo para oferecer-lhe a dignidade e a honra ao Mestre que entregou a sua vida pelos seus. O perfume é um sinal de exalação da presença de uma pessoa que depois passou a ser usado no rito fúnebre como testemunho de respeito e amor pelo ente querido que morreu. Acontece que as mulheres não encontraram Jesus, pois quando chegaram ao túmulo viram que a pedra que fechava a sua entrada estava removida e lá dentro tinha “um jovem vestido de branco”. “Muito assustadas”, sem dizer nada, ouvem o anúncio de que “Jesus de Nazaré que foi crucificado” não estava lá, tinha ressuscitado. 

São Marcos apresenta o anúncio daquele “jovem vestido de branco” como realização do que Jesus mesmo tinha dito. Agora o túmulo está vazio, “não está aqui” diz o jovem. Mas Ele quer encontrar os seus discípulos na Galileia, lá onde Ele tinha iniciado a sua missão e de onde os discípulos deverão dar continuidade à construção do Reino de Deus. O anúncio da ressurreição é seguido do envio das mulheres como primeiras testemunhas da vitória da vida sobre a morte. Elas devem dizer aos discípulos de Jesus e a Pedro que o Ressuscitado os espera na Galileia.

A grande vitória da vida sobre a morte deixa o Domingo repleto da alegria da Páscoa cristã. A ressurreição abateu o poder da morte que Jesus venceu passando pela cruz. O testemunho de Paulo na carta aos Romanos é contundente dizendo “sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele”. Por isso, aqueles que morrem com Cristo, viverão com Ele. Esta certeza deve encher os cristãos de
alegria como filhos e filhas amados por Deus e enviados ao mundo como testemunhas de que a vida vence a morte.

A Páscoa dos cristãos hoje deve ser repleta de alegria e, ao mesmo tempo, deve ser uma ocasião de envio ao mundo, tão ferido de morte, para testemunhar que a vida tem mais poder, é dom de Deus e precisa ser defendida com amor.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem de Páscoa da Irmã Cleusa, presidente da CFFB

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA (Presidente da CFFB) – Imagem: CFFB

MENSAGEM DE PÁSCOA

“Não temais! O crucificado ressuscitou […]”. “Desapareceu a amarga raiz da cruz, desabrochou a flor da vida com seus frutos”. “Quem jazia na morte ressurgiu na glória.” “De manhã ressurgiu, quem à tarde fora sepultado”, para que se cumprisse a palavra do salmo: “De tarde estaremos em lágrimas, e de manhã em alegria!”
Sermão de Santo Antônio, Páscoa do Senhor (1)

Queridos Irmãos e Irmãs, Feliz e abençoada Páscoa!

Mais um ano vivenciamos a alegria da Páscoa em meio à pandemia provocada pelo Covid-19. Tempo marcado pela angústia e incerteza; pela tristeza causada por tantas vidas ceifadas pela “nossa irmã a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar” (Cnt 12) e pelas mudanças radicais na rotina de nossas vidas. Regada por lágrimas, nossa peregrinação existencial está sendo provada.

Narra o evangelista João (20, 1-18) que, após a morte de Jesus, Maria Madalena faz uma experiência de profunda dor e inconformidade e sua dor é acrescida por grande aflição no momento em que vai ao túmulo de madrugada e encontra-o vazio (v. 1). Diante do túmulo violado, ao perceber que o corpo de Jesus não estava lá, aflita, sai correndo para dar a notícia aos discípulos, retornando com eles ao local. Após constatarem o ocorrido, os discípulos retornam para suas casas e ela permanece junto ao túmulo, chorando (v. 10.11). E não tardou, seus olhos contemplam “quem à tarde fora sepultado e de manhã ressurgiu”: o Mestre (v. 16). Quanta alegria após tantos momentos de profunda dor, angústia e aflição! Ficando com ela a incumbência de levar a notícia, célebre é seu anúncio aos discípulos: “Eu vi o Senhor” (v. 18).

Na realidade contemporânea vivenciamos ou presenciamos de forma intensa, dor, luto, angústia e inconformidade pela morte de nossos parentes, amigos e por sabermos que milhares de pessoas de diferentes nacionalidades morrem sem condições dignas de atendimento, principalmente no Brasil. O momento é de sofrimento, mas nossa fé e esperança garantem-nos: manhãs de alegria virão. O crucificado ressuscitou, está entre nós e sabe de nossas dores e sofrimento, não nos abandona.

Irmãs e irmãos da Conferência da Família Franciscana do Brasil, ao celebrarmos a Páscoa possamos anunciar: Cristo Ressuscitou, está vivo entre nós! Não podemos vê-lo como Maria Madalena (Jo 20, 18) nem tocá-Lo como os discípulos (Jo 20, 20), mas podemos tocá-Lo através da experiência da fé que professamos e do acolhimento e cuidado para com os frágeis de nossas famílias, fraternidades e da sociedade, principalmente nossos irmãos e irmãs cada vez mais pobres e sofredores. Que se abram nossos olhos para reconhecê-Lo e, nossos ouvidos, para ouvi-Lo a dizer-nos: “A paz esteja com vocês” (Jo 20, 19-21).

Na alegria da Páscoa do Senhor, em Francisco e Clara, fraterno abraço.

Brasília, 02 de abril de 2021
Sexta-feira da Paixão do Senhor da Páscoa

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA
Presidente da CFFB

Fonte: CFFB