Papa Francisco: colocar-se à disposição dos outros, amando não com palavras, mas com fatos

Papa Francisco – Regina Coeli (ANSA)

Silvonei José (Vatican News)

“Amar como Cristo significa dizer não a outros “amores” que o mundo nos propõe: amor pelo dinheiro – quem ama o dinheiro não ama como ama Jesus – amor pelo sucesso, pela vaidade, pelo poder”: foi o que disse o Papa Francisco da janela do Palácio Apostólico do Vaticano antes de recitar neste domingo, Dia das Mães, a oração do Regina Coeli com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Estes caminhos enganosos de “amor” – continuou o Papa – nos afastam do amor do Senhor e nos levam a nos tornarmos cada vez mais egoístas, narcisistas e prepotentes.

“E a prepotência leva a uma degeneração do amor, a abusar dos outros, a fazer a pessoa amada sofrer. Penso no amor doentio que se transforma em violência – e em quantas mulheres são vítimas disso hoje em dia das violências. Isto não é amor”.

Amar como o Senhor nos ama – destacou Francisco – significa apreciar a pessoa que está ao nosso lado e respeitar sua liberdade, amá-la como ela é, não como queremos que fosse; como é, gratuitamente.

“Em última análise, Jesus nos pede para permanecermos no seu amor, para habitar em seu amor, não em nossas ideias, não no culto de nós mesmos; que habita no culto de si mesmo, habita no espelho…Sempre a olhar-se. Pede-nos para sair da pretensão de controlar e administrar os outros. Não controlar, mas servir. Mas abrir o coração aos outros, isto é amor, doar-se aos outros”.

Palácio Apostólico

No Evangelho deste domingo recordou Francisco Jesus, depois de se comparar com a videira e nós com os ramos, explica que o fruto que produzem aqueles que permanecem unidos é o amor. Ele retoma o verbo-chave: permanecer. Ele nos convida a permanecer em seu amor para que sua alegria esteja em nós e nossa alegria seja plena. Permanecer no amor de Jesus.

Nós nos perguntamos, continuou o Pontífice: qual é esse amor no qual Jesus nos diz para ficarmos para ter a sua alegria? Qual é este amor? É o amor que tem sua origem no Pai, porque “Deus é amor”. E este amor de Deus, do Pai, como um rio escorre no Filho Jesus e através d’Ele chega até nós, suas criaturas. O amor que Jesus nos dá é o mesmo amor com o qual o Pai O ama: amor puro, incondicional, amor gratuito.

“Não se pode comprar, é gratuito. Doando-o a nós, Jesus nos trata como amigos, – com este amor – fazendo-nos conhecer o Pai e nos envolve em sua própria missão para a vida do mundo”.

Para onde conduz este permanecer no amor do Senhor? Para onde nos conduz? Jesus nos disse: “Para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”. E a alegria que o Senhor possui, porque é em total comunhão com o Pai, quer que ela esteja em nós, pois estamos unidos a Ele”, frisou Francisco.

A alegria de saber que somos amados por Deus – disse o Santo Padre -, apesar das nossas infidelidades nos faz enfrentar as provações da vida com fé, nos faz atravessar as crises para sairmos melhores.

É em viver esta alegria que consiste em sermos verdadeiras testemunhas, porque a alegria é o sinal distintivo do verdadeiro cristão. “O verdadeiro cristão não é triste, sempre tem a alegria dentro, também nos momentos difíceis”.

Francisco finalizou pedindo à Virgem Maria que “nos ajude a permanecer no amor de Jesus e a crescer no amor para com todos, testemunhando a alegria do Senhor Ressuscitado”.

Fonte: Vatican News

Presidente da CNBB faz homenagem às mães, em ocasião do “Dia das Mães” comemorado no próximo domingo

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, gravou um vídeo para homenagear as mães, pelo dia dedicado a elas e que é celebrado no próximo domingo, 9 de maio.

No vídeo, dom Walmor salienta que as mães são presença acolhedora, colo que ampara, mão que sustenta. “Do coração de cada mãe brota uma força imensurável que tudo suporta. Uma força sem limites, pois está alicerçada no amor. Esse amor materno ajuda-nos a compreender o amor de Deus que tudo faz para que nenhum de seus filhos seja perdido”, diz.

Dom Walmor cita, ainda, que a amorosa relação entre mãe e filho é inquebrável e que nem mesmo a morte pode apagar. “Por isso nesse momento de pandemia é uma travessia tão difícil. Lembro com especial carinho dos filhos enlutados, que experimenta as saudades de suas mães. Essa saudade é sinal de que a morte não separa mãe e filhos, o vínculo permanece”, afirma.

O presidente da CNBB reitera sua solidariedade às mães que suportam a dor da partida de um filho. “Peço que contemplem a amada mãe, Maria, Senhora da piedade, padroeira de Minas Gerais. Maria tem nos seus braços o filho totalmente ferido na cruz, mas não perde a esperança. O olhar de Maria revela a dor do coração de uma mãe que vê o filho morrer, mas ao mesmo tempo tem a luminosidade própria da fé”.

Dom Walmor pede, ainda, para que todas sejam confiantes a exemplo da Mãe Santíssima, Nossa Senhora da Piedade. “Um dia mães e filhos separados pela experiência da morte vão se encontrar, pois mesmo que estejam distantes uns dos outros ainda permanecem unidos pelo inquebrável vínculo do amor”.

“A você que é mãe, minha gratidão e reverência. Uno-me ao seu coração para abraçá-la e homenageá-la. Feliz e abençoada dia das mães! Maria, a Senhora da Piedade, mãe e Padroeira de Minas Gerais interceda por seus caminhos e sua família. Cristo Rei abençoe a sua família. Fraterno braço, com muita benção”, finaliza dom Walmor.

Fonte: CNBB

CF 2022: CNBB recebe propostas de identidade visual até o dia 17 de maio

Em 2022, a Campanha da Fraternidade terá como tema “Fraternidade e Educação” e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26). Como de costume, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) constrói a caminhada de reflexão quaresmal com o apoio de muitas mãos. Não é diferente com o rosto e o ritmo que marcam anualmente as campanhas da Fraternidade. Por isso, foram abertos dois editais para a escolha da identidade visual (o cartaz) e o outro para a letra do hino da campanha.

Para a escolha da letra do hino, o prazo se esgotou no último dia 26 de abril. Mas para a identidade visual, o prazo segue até o próximo dia 17 de maio. Já o edital para a música será lançado em breve, após definição do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep) da CNBB.

Concurso para a identidade visual

O edital para a escolha da identidade visual (cartaz) da CF 2022 oferece elementos teóricos para ajudar na elaboração da arte, além de estimular a criatividade dos artistas. O número de participantes é ilimitado. E cada candidato(a) poderá apresentar uma proposta de criação tanto individual quanto coletiva.

O cartaz deverá conter, além da arte, os dizeres do tema e lema, dando ênfase à passagem bíblica. Sua elaboração também deve primar pela técnica e criatividade, mas, acima de tudo, pela inspiração e meditação que o lema e o tema podem trazer. Além disso, o candidato ao concurso deverá pensar uma arte viável para ser aplicada além do Cartaz, como por exemplo: adesivo, camiseta, bonés, mochilas.

O Cartaz deverá ser enviado à CNBB até o dia 17 de maio de 2021. O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) procederá à escolha do cartaz, tendo liberdade para sugerir as modificações que achar necessárias para o bem pastoral da mensagem da Campanha da Fraternidade.


A Campanha da Fraternidade (CF)

Em 1964, em pleno desenvolvimento do Concílio Vaticano II, realizou-se a primeira Campanha da Fraternidade, em âmbito nacional, sob os cuidados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Expressão de comunhão, conversão e partilha, a Campanha da Fraternidade tem como objetivos permanentes:

  • Despertar o espírito comunitário e cristão na busca do bem comum;
  • Educar para a vida em fraternidade;
  • Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação evangelizadora, em vista de uma sociedade justa e solidária.

A CF 2022

O objetivo da CF 2022 é promover um diálogo sobre a realidade educativa no Brasil, à luz da fé cristã, propondo caminhos em favor do humanismo integral e solidário. Além disso, buscar conhecer o contexto da educação e seus desafios potencializados pela pandemia; verificar o impacto das políticas públicas na educação; identificar valores e referências da Palavra de Deus e da Tradição cristã em vista de uma educação humanizadora; e refletir sobre o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo com a colaboração das instituições de ensino.

Campanha da Fraternidade 2022 
Tema: “Fraternidade e Educação
Lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26)

A CF 2022 vai ainda incentivar propostas educativas que, enraizadas no Evangelho, promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a casa comum; estimular a organização do serviço pastoral junto às escolas, universidades, centros comunitários e outros espaços educativos; e promover uma educação comprometida com novas formas de economia, de política e de progresso verdadeiramente a serviço da vida humana, em especial, dos mais pobres.

Fonte: CNBB

6º Domingo da Páscoa: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor!”

LEITURAS: At 10,25-26.34-35.44-48 / Sl 97 / 1Jo 4,7-10 / Jo 15,9-17

“Amai-vos uns aos outros” é o último mandamento de Jesus. Ele viveu o amor verdadeiro até o extremo entregando a própria vida: “ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Este ensinamento de Jesus está colocado no contexto da última ceia. Para Jesus é momento de despedida e, ao mesmo tempo, de compromisso da Nova Aliança para permanecer eternamente com seus discípulos e amigos.

Jesus no Evangelho de João está com seus discípulos como um “amigo”. Para João o amigo é aquele que ama como um igual. De fato, amizade verdadeira só acontece entre iguais, quer dizer, entre aqueles ou aquelas que não se sobrepõe ne se submetem. “Não vos chamo servos” disse Jesus, pois Ele mesmo se fez um de nós e viveu e morreu com nossos limites humanos. “Vos chamo amigos” Ele disse, pois revelou tudo o que o Pai tinha a ser revelado. O caminho de aproximação e de amor usado por Jesus foi o da amizade.

A amizade implica, além do amor, a comunicação dos sentimentos, dos projetos, dos sonhos, mas também implica o compromisso com o amigo ou amiga. Se existe um amor verdadeiro, não existirá atitudes de domínio ou de servidão. Ao contrário, existirão atitudes de solidariedade, de partilha, de entreajuda, de empenho para que o outro tenha vida plena como eu tenho. Assim o amor verdadeiro brilhará e permanecerá.

Na primeira leitura aparece uma das características do amor de Deus que deve ser vivenciado pelos seguidores de Jesus: “Deus não faz distinção de pessoas. Pelo contrário, Ele aceita quem o teme e pratica a justiça”. O amor de Deus é universal, assim como deveria ser o amor dos cristãos. Isso significa que o círculo de “amigos” dos cristãos nunca será fechado e restrito às amizades interessadas, pois aquele “que nos amou primeiro”, como nos diz João na segunda leitura, merece toda retribuição através da atitude concreta de “amar uns aos outros” sem exclusão.

Para os nossos dias em que a humanidade vive uma grande crise de relacionamentos, São Francisco de Assis é um exemplo de seguidor de Jesus que amou as pessoas e as criaturas fazendo-se irmão e amigo de todos. Seu olhar humano, compassivo, fraterno, respeitoso, abria sempre as portas dos corações dos mais simples e pobres aos mais poderosos e ricos. Esta atitude o levou a servir os leprosos como irmão, a dialogar com sultão como irmão, a falar com as criaturas como irmão, a viver o amor a ponto de receber estigmas daquele que viveu o maior amor.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”

Papa Francisco estabelece ministério de catequista

Catequista em Uganda

Alessandro De Carolis (Vatican News)

O Papa tinha este tema em seu coração já há alguns anos, falou sobre isso na vídeo-mensagem aos participantes de uma conferência internacional sobre o tema, em 2018, quando declarou categoricamente que “o catequista é uma vocação”. “Ser catequista, esta é a vocação, não trabalhar como catequista”.

E depois acrescentava “esta forma de serviço que se realiza na comunidade cristã” deveria ser reconhecida “como um verdadeiro e genuíno ministério da Igreja”. A convicção amadureceu e tomou a forma do Motu proprio Antiquum ministerium que será apresentado na próxima terça-feira (11/05)  na Sala de Imprensa do Vaticano, com a presença do Arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e Dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, delegado para a Catequese do dicastério.

Na linha de frente

O Motu proprio, portanto, estabelecerá formalmente o ministério de catequista, desenvolvendo a dimensão evangelizadora dos leigos desejada pelo Concílio Vaticano II. Um papel ao qual, disse Francisco na vídeo-mensagem, cabe a responsabilidade do “primeiro anúncio”. Em um contexto de “indiferença religiosa – o Papa havia indicado – sua palavra será sempre o primeiro anúncio, que atinge os corações e mentes de tantas pessoas que estão esperando para encontrar Cristo”.

Uma dimensão comunitária

Um serviço a ser vivido com intensidade de fé e em dimensão comunitária, como foi sublinhado em 31 de janeiro passado na audiência aos participantes do encontro promovido pelo Departamento Catequético Nacional da Conferência Episcopal Italiana. ” Este é o momento – disse o Papa – de ser artífices de comunidades abertas que sabem valorizar os talentos de cada um. É o tempo para as comunidades missionárias, livres e abnegadas, que não procuram relevância nem vantagem, mas que percorrem os caminhos do povo do nosso tempo, inclinando-se sobre os que estão à margem.

Fonte: Vatican News

Papa Francisco na Audiência Geral: O fruto da oração é o maior milagre que um cristão pode realizar

Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (05/05/2021), na biblioteca do Palácio Apostólico

Bianca Fraccalvieri (Vatican News)

Contemplar e rezar: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, realizada ainda sem a presença de fiéis, portanto na Biblioteca do Palácio Apostólico.

Se na semana passada o Pontífice falou sobre a meditação, prosseguindo seu ciclo sobre a oração, hoje falou sobre a contemplação.

A dimensão contemplativa do ser humano, afirmou, é um pouco como o “sal” da vida: dá sabor, dá gosto aos nossos dias. Podemos contemplar o nascer do sol, a primavera que desabrocha ou uma obra de arte. Antes de mais, contemplar não é um modo de fazer, mas um modo de ser.

Ser contemplativo, prosseguiu o Papa, não depende dos olhos, mas do coração. “E nisto entra em jogo a oração, como um ato de fé e amor, como ‘respiro’ da nossa relação com Deus.”

“Eu olho para Ele e Ele olha para mim”

Francisco citou o Santo Cura d’Ars, que afirmava que a contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. “Eu olho para Ele e Ele olha para mim” – dizia. “Tudo nasce disto: de um coração que se sente visto com amor. Então a realidade é contemplada com olhos diferentes.”

Jesus era um mestre deste olhar e o seu segredo era a relação com o Pai. Como exemplo, o Santo Padre propôs o evento da Transfiguração. “Precisamente no momento em que Jesus é mal compreendido, então resplandece uma luz divina. É a luz do amor do Pai, que enche o coração do Filho e transfigura toda a sua Pessoa.”

Contemplação, explica ainda o Papa, não é o oposto da ação e não é correto fazer esta contraposição. “Este é certamente um dualismo que não pertence à mensagem cristã. No Evangelho, há apenas uma grande chamada, que é seguir Jesus no caminho do amor.

“Este é o ápice e o centro de tudo. Neste sentido, caridade e contemplação são sinônimos, dizem a mesma coisa.”

A última menção do Papa foi a São João da Cruz, que afirmava que um pequeno ato de amor puro é mais útil para a Igreja do que todas as outras obras juntas.

“O que nasce da oração e não da presunção do nosso ego, o que é purificado pela humildade, mesmo que seja um ato de amor isolado e silencioso, é o maior milagre que um cristão pode realizar. Este é o caminho da oração de contemplação: eu olho para Ele e Ele olha para mim. E ali está o ato de amor no diálogo silencioso com Jesus que faz tanto bem à Igreja.”

Fonte: Vatican News


Papa Francisco: que as finanças sejam instrumentos de serviço

Finanças justas, inclusivas e sustentáveis é o pedido do Papa Francisco na intenção de oração deste mês de maio, divulgada nesta terça-feira (04/05), na mensagem de vídeo do Pontífice.

Na intenção intitulada “O mundo das finanças”, o Santo Padre pede um mundo financeiro que cuide das pessoas.

Enquanto a economia real, a que cria emprego, está em crise, com tanta gente sem trabalho, os mercados financeiros nunca estiveram tão inflacionados como agora. Quão longe está o mundo das grandes finanças da vida da maioria das pessoas!

“As finanças, se não estiverem regulamentadas, tornam-se pura especulação reforçada por algumas políticas monetárias. Essa situação é insustentável. É perigosa”, afirma o Papa, que já advertiu isso na Encíclica Fratelli tutti, denunciando “interesses de poder” que levam à criação de “uma nova cultura a serviço dos mais poderosos”, na qual “os pobres são os que sempre perdem”.

Para evitar que os pobres voltem a pagar as consequências, a especulação financeira deve ser estritamente regulamentada. Especulação. Quero sublinhar esse termo. Que as finanças sejam instrumentos de serviço, instrumentos para servir as pessoas e cuidar da casa comum!

Segundo Francisco, “ainda podemos pôr em andamento um processo de mudança global para praticar uma economia diferente, mais justa, inclusiva, sustentável, que não deixe ninguém para trás”.

Vamos fazer isso! E rezemos para que os responsáveis ​​pelo mundo financeiro colaborem com os governos para regulamentar os mercados financeiros e proteger os cidadãos em perigo.

Covid-19 e consequências globais

Pouco mais de um ano após o início da pandemia da Covid-19, observam-se todos os tipos de consequências globais, das quais não se excluem as econômicas e finanças. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial, para nomear um indicador, sofreu em 2020 sua queda mais acentuada desde o fim da II Guerra Mundial: milhões de pessoas desempregadas ou com seus empregos suspensos, e os governos injetaram trilhões de dólares em suas economias para evitar maiores danos. A recuperação durante 2021 é muito incerta e uma desigualdade preocupante é observada: como o Santo Padre enfatiza em sua recente carta ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, “muitos de nossos irmãos e irmãs na família humana, especialmente aqueles que estão às margens da sociedade, são efetivamente excluídos do mundo financeiro”. Por isso, é hora de reconhecer que os mercados – especialmente os financeiros – não governam a si próprios. Os mercados devem estar amparados por leis e regulamentos que garantam o seu funcionamento, para que que as finanças – ao invés de serem meramente especulativas ou financiarem a si mesmas – trabalhem pelos objetivos sociais tão necessários no contexto da atual emergência sanitária global”.

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: “Uma vida verdadeiramente cristã testemunha Cristo”

Papa Francisco na oração do Regina Coeli deste domingo, 02/05/2021 | Imagem (Fonte): Vatican Media

Jane Nogara (Vatican News)

No Regina Coeli deste V Domingo de Páscoa, o Papa Francisco recordou mais uma vez que não podemos viver como cristãos sem permanecer unidos ao Senhor. Ao falar sobre o Evangelho do dia, no qual lê-se: “Não há videira sem ramos” e que “os ramos não são autossuficientes, mas dependem totalmente da videira, que é a fonte de sua existência”, analisou o verbo “permanecer”.

“Permanecei em mim como eu em vós”, disse Jesus aos apóstolos antes de ir junto ao Pai. “Esta permanência – afirma Francisco – não é uma permanência passiva, um “adormentar-se” no Senhor, deixando-se acomodar pela vida. Não é isso. O permanecer n’Ele que Jesus nos propõe é um permanecer ativo, e também recíproco. Por quê? Porque os ramos sem a videira não podem fazer nada, eles precisam da seiva para crescer e dar frutos”. Do mesmo modo a videira precisa dos ramos, “é uma necessidade mútua, é um permanecer recíproco para dar frutos.”

Testemunho da nossa vida cristã

E Francisco pondera:

“Mas Jesus, assim como a videira com os ramos, também precisa de nós. Talvez pareça audacioso dizer isso, e então nos perguntamos: em que sentido Jesus precisa de nós? Ele precisa do nosso testemunho. O fruto que nós, como ramos, devemos dar é o testemunho da nossa vida cristã”

Os discípulos devem continuar a anunciar o Evangelho com a palavra e com as obras, afirma o Papa. E fazem isso “testemunhando seu amor: o fruto a ser dado é o amor”.

“Dos frutos se reconhece a árvore. Uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo”

A fecundidade da nossa vida depende da oração

Como podemos fazer isso?, pergunta-se o Santo Padre. A resposta está em Jesus que nos diz: “Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vós o tereis”.

“A fecundidade da nossa vida depende da oração. Podemos pedir para pensar como Ele, agir como Ele, ver o mundo e as coisas com os olhos de Jesus. E assim amar os nossos irmãos e irmãs, começando pelos mais pobres e sofredores, como Ele fez, e amá-los com o seu coração e levar ao mundo frutos de bondade, frutos de caridade, frutos de paz”

Por fim o Santo Padre concluiu confiando-nos “à intercessão da Virgem Maria”. E disse:

Ela sempre permaneceu totalmente unida a Jesus e deu muitos frutos. Que ela nos ajude a permanecer em Cristo, em seu amor, em sua palavra, para testemunhar o Senhor Ressuscitado no mundo”.

Fonte: Vatican News

5º Domingo da Páscoa: “Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto!”

LEITURAS: At 9,26-31 / Sl 21 / 1Jo 3,18-24 / Jo 15,1-8

O ensinamento de Jesus que o Evangelho de hoje nos traz faz parte de um longo discurso de despedida que João Evangelista insere nos capítulos 13 a 15. Como vemos no capítulo 13, Jesus está realizando a sua última ceia com os discípulos e, depois de lavar os pés de cada um deles, começa este discurso. Nos versículos do Evangelho de hoje Jesus usa a imagem bíblica da videira que indicava o povo de Deus. Agora Ele é a videira verdadeira, que congrega a nova família de Deus, a Igreja, e mostra a necessidade de que esta dê muitos e bons frutos como ramos ligados ao tronco.

Depois da ressurreição de Jesus, quando os discípulos estavam levando adiante a missão deixada por Ele, existia o sentimento de um vazio deixado por Jesus de Nazaré, pois sua presença não era mais visível. Também existiam dificuldades a serem enfrentadas por eles, pois os cristãos aumentavam sempre mais e em muitos lugares. É neste contexto que o ensinamento de Jesus é lido.

A videira é podada para produzir mais e melhores frutos. Jesus afirma que o Pai “corta o ramo que não dá fruto” e “limpa o que dá fruto”. O verbo aqui traduzido como limpar é “podar” e significa preparar o ramo para dar frutos. Contudo, Jesus é claro em dizer que é preciso “permanecer n’Ele” para dar frutos. A parte separada seca. Os frutos são aqueles da vivência da fidelidade para com Deus como verdadeiros discípulos de Jesus e do amor para com os irmãos. Na segunda leitura, São João diz que este amor deve ser “com ações e de verdade”. Ele ainda diz que o mandamento de Deus é “crer em Jesus Cristo e amar uns aos outros”. De fato, as comunidades primitivas enfrentavam dificuldades em manter-se fiéis a Jesus Cristo, ressuscitado e presente com elas de forma invisível, e ainda existiam aqueles que faziam belos discursos, mas não viviam a caridade e não eram solidários.

A leitura dos Atos dos Apóstolos traz o primeiro medo dos cristãos. O autor diz que os cristãos de Jerusalém estavam com medo de Paulo porque ele os perseguia. Era verdade, mas é possível pressentir neles uma resistência à novidade de Paulo. A comunidade de Jerusalém estava comodamente levando adiante a missão, quase limitada àquela região. Paulo chega com um discurso de evangelização a todos os povos, fala com firmeza nas sinagogas e discute com os judeus de língua grega. Ele anuncia sem medo que Jesus é o Salvador. Ele conhece as Escrituras e enfrenta os judeus, como depois vai enfrentar os gregos e os romanos.

Para nós hoje é preciso ter esta clareza: nenhuma iniciativa de autorreferencialidade vai produzir fruto bom. Jesus é a meta, o centro e o conteúdo da vida cristã. A Igreja e todo evangelizador precisam anunciar Jesus Cristo e a sua Palavra e não a si mesmos. Também não podem confiar somente em suas próprias forças e estratégias, pois quem mantém a Igreja viva é o Ressuscitado.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”

Basílica de Aparecida/SP é um dos 30 Santuários do Mundo que integrará a maratona de oração com o Papa Francisco pelo fim da pandemia

No dia 6 de maio a oração do Terço será diretamente do Santuário de Nossa Senhora Aparecida (Brasil)

Segundo o forte desejo do Santo Padre, o mês de maio será dedicado a uma “maratona” de oração para invocar o fim da pandemia, que aflige o mundo há mais de um ano, e para a retomada das atividades sociais e de trabalho. O Papa Francisco quis envolver todos os Santuários do mundo nesta iniciativa, para que se tornassem instrumentos para uma oração de toda a Igreja. A iniciativa está sendo realizada à luz da expressão bíblica: “De toda a Igreja subia incessantemente a oração a Deus” (At 12,5).

O Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, encarregado pelo Papa de organizar o evento, estendeu o convite a todos os Santuários do mundo, a fim de promover a difusão da iniciativa nas respectivas Regiões, de modo a chegar aos sacerdotes, às famílias e a todos os fiéis, convidando-os a unir-se a esta oração de intercessão e esperança à Santíssima Virgem. Com a oração do Terço, cada dia do mês é marcado por uma intenção de oração pelas diversas categorias de pessoas mais afetadas pelo drama da pandemia: por aqueles que não puderam se despedir de seus entes queridos, pelos profissionais da saúde, pelos pobres, pelos sem-teto e pelas pessoas com dificuldades econômicas e por todos os falecidos… estas são algumas das intenções que marcarão a oração a Nossa Senhora.

Pelo fim da pandemia e retomada da vida

Cada Santuário do mundo é convidado a rezar na maneira e na linguagem em que a tradição local se expressa, a invocar a retomada da vida social, do trabalho e das muitas atividades humanas que foram suspensas durante a pandemia. Este chamado comunitário procura realizar uma oração contínua, distribuída pelos meridianos do mundo, que se eleva incessantemente de toda a Igreja ao Pai através da intercessão da Virgem Maria. Por esta razão, os Santuários são chamados a promover e solicitar o máximo possível a participação do povo, para que todos possam dedicar um momento à oração diária, no carro, na rua, com o smartphone e graças às tecnologias de comunicação, pelo fim da pandemia e a retomada das atividades sociais e de trabalho.

Abertura na Capela Gregoriana da Basílica Vaticana

O Santo Padre abrirá e concuirá a oração, juntamente com os fiéis de todo o mundo, a partir de dois locais significativos dentro do Estado da Cidade do Vaticano. Em 1º de maio, o Papa Francisco rezará junto ao ícone de Nossa Senhora do Socorro, já venerado no século VII, retratado em um afresco acima do altar de São Leão, perto do transepto sul da primitiva Basílica do Vaticano, colocado mais tarde, onde se encontra até hoje, dentro da nova Basílica de São Pedro em construção, pelo Papa Gregório XIII em 1578, na Capela Gregoriana, onde, além disso, são guardadas as relíquias de São Gregório de Nazianzo, Doutor e Pai da Igreja. Em 2013, durante o Ano da Fé, o ícone foi submetido a uma nova restauração. Como foi a primeira restauração realizada no pontificado do Papa Francisco, na época recém-eleito, foram gravadas as palavras SVCCVRRE NOS e FRANCISCVS PP. A. I., confiando assim o Papa à Virgem de Sucesso.

Conclusão nos Jardins do Vaticano

Na ocasião, o Santo Padre abençoará os Terços especiais utilizados especificamente para este evento, que serão então enviados aos trinta Santuários diretamente envolvidos. Várias famílias das paróquias de Roma e região participarão da oração e da leitura, juntamente com jovens representantes dos Novos Movimentos de Evangelização. Enquanto que em 31 de maio o Papa Francisco concluirá a oração a partir de um lugar significativo no Jardim do Vaticano, do qual serão dadas mais informações. Ambos os momentos serão acessíveis às pessoas surdas e com dificuldade de audição através da tradução para a língua dos sinais.

Os 30 Santuários

Estes são os trinta Santuários representativos, espalhados pelo mundo, que foram escolhidos para dirigir a oração mariana em um dia do mês. São os seguintes:  Nossa Senhora de Walsingham na Inglaterra; Jesus o Salvador e Mãe Maria na Nigéria; Nossa Senhora de Częstochowa na Polônia; Basílica da Anunciação em Nazaré; Nossa Senhora do Rosário na Coréia do Sul; Nossa Senhora Aparecida no Brasil; Nossa Senhora da Paz e Boa Viagem nas Filipinas; Nossa Senhora de Lujan na Argentina; Santa Casa di Loreto na Itália; Nossa Senhora de Knock na Irlanda; Virgem dos Pobres em Banneux na Bélgica; Mary’s Cathedral na Austrália; Imaculada Conceição nos Estados Unidos; Nossa Senhora de Lourdes na França; Meryem Ana na Turquia; Nuestra Señora de la Caridad del Cobre em Cuba; Nossa Senhora de Nagasaki no Japão; Nuestra Señora de Montserrat na Espanha; Notre Dame du Cap no Canadá; Santuário Nacional Nossa Senhora Ta’ Pinu em Malta; Nuestra Señora de Guadalupe no México; Mãe de Deus em Zarvantysia na Ucrânia; Virgem Negra de Altötting na Alemanha; Nossa Senhora do Líbano; Nossa Senhora do Santo Rosário de Pompeia na Itália.

A oração em cada um desses Santuários será transmitida pelos canais oficiais da Santa Sé, seguindo o horário de Roma, às 18:00 horas. Foi preparado um breve subsídio litúrgico para fornecer algumas indicações úteis para compartilhar este momento com a própria comunidade. O subsídio em italiano, inglês e espanhol pode ser baixado do site do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (pcpne.va).

Fonte: Vatican News