23º Domingo do Tempo Comum: “Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar!”

LEITURAS: Is 35,4-7a / Sl 145 / Tg 2,1-5 / Mc 7,31-37

Quando João Batista mandou perguntar a Jesus se Ele era o Messias, a resposta foi que “os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (Mt 11,5). Isto significa que Deus cumpriu sua promessa de acudir os sofredores e marginalizados de seu povo e enviou Jesus como Messias, Salvador. É Jesus o libertador das situações desumanizantes que os pobres precisam enfrentar.

No Evangelho de hoje Jesus está cumprindo a sua missão fora da Galileia. Isto indica que Ele veio salvar a todos e não apenas um grupo. Sua ação narrada no Evangelho é a de devolver a dignidade ao surdo-mudo. É bom lembrar que as pessoas com alguma necessidade especial eram tidas como pecadoras ou possuídas por um espírito impuro. Ou então eram filhas de pais pecadores e, por isso mesmo, eram discriminadas e marginalizadas na sociedade e no culto. Por isso, vemos nos Evangelhos que os cegos, os surdos-mudos, os aleijados precisam pedir esmolas para não morrerem de fome. Quando Jesus cura o surdo-mudo está indicando que a profecia de Isaías, que ouvimos na 1ª leitura, já se cumpriu. É Ele o enviado por Deus para perdoar os pecados, curar as enfermidades, devolver a dignidade e evangelizar os pobres.

Na interpretação dos judeus (fariseus, saduceus e mestres da Lei), Jesus é um charlatão. Eles não aceitam que Deus tenha se encarnado e que sobreponha a lei do amor aos preceitos religiosos criados ao longo dos séculos. De fato, quando Jesus cura o surdo-mudo, tido como pecador, Ele está dizendo que aquele surdo-mudo está perdoado ou não tem pecado. Isto para os judeus é um escândalo. Mas Jesus não faz diferença entre as pessoas e acolhe todas: mulheres, crianças, pobres, doentes, pecadores e estrangeiros.

São Tiago na 2ª leitura dá um puxão de orelha na comunidade cristã que começou a fazer distinção entre as pessoas ricas e pobres. Já naquele tempo o “prestígio” do mundo queria ser mantido na comunidade religiosa. Mas, Jesus havia dito aos discípulos “vós todos sois irmãos” e indicava assim que a sua nova família seria de pessoas com os mesmos direitos e deveres, sem maiores ou menores, e todos com a mesma dignidade e importância.

Hoje nós precisamos continuar a missão de Jesus de restituir a dignidade a quem a teve tirada ou roubada, de “curar” os surdos-mudos, os cegos, os doentes, os aleijados. A forma para fazê-lo é inseri-los na sociedade de modo que vivam integrados e dignamente, mesmo com necessidades especiais. Em nossas comunidades não podem subsistir os “sobrenomes” em detrimento à dignidade e importância dos pobres.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”

Falece Ir. Marlene Inácia, OSC, Madre Fundadora e Vigária do Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP

IRMÃ MARLENE INÁCIA DE JESUS HÓSTIA, OSC
♦  27/12/1949     –     †  02/09/2021

Na noite desta última quinta-feira (02), a Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC, Madre Fundadora e atual Madre Vigária das irmãs clarissas do Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP, fez sua páscoa definitiva. Nossa Fraternidade Custodial se une em oração pela sua alma, bem como se solidariza com as demais irmãs que continuam a sua missão terrena.


Uma breve biografia de Ir. Marlene Inácia, OSC

Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC, filha de João Inácio da Silva e de Inácia Josefa da Conceição, nasceu em Alagoa Nova/PB no dia 27 de dezembro de 1949 e foi batizada no dia 22 de janeiro de 1950, recebendo o nome de “Marlene Inácia da Conceição”. Cresceu na cidade de São João do Meriti/RJ e entrou para o Mosteiro Nossa Senhora dos Anjos (Mosteiro da Gávea) no Rio de Janeiro/RJ no dia 03 de março de 1975. Sua vestição monástica aconteceu no dia 18 de abril de 1976. Professou os primeiros votos em 25 de março de 1978 e os votos perpétuos no dia 19 de abril de 1981.

Ir. Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC

Ao longo de sua vida vocacional, foi pioneira e colaborou na fundação de dois mosteiros, o Mosteiro Nossa Sra. de Guadalupe de Caicó/RN no ano 1984 e o Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP em 1999, sendo ela uma das 14 irmãs que vieram para dar início a este Mosteiro, a pedido do então Custódio, Frei Irineu Andreassa, OFM (atual Bispo de Ituiutaba/MG).

Frei Irineu Andreassa, OFM, já como bispo da Diocese de Lages/SC (sua primeira diocese), solicitou em 2011 a colaboração das Irmãs Clarissas de Marília/SP para revitalizar o Mosteiro Nazaré de Lages/SC, onde Irmã Marlene, OSC juntamente com um grupo de irmãs, partiram para esta árdua missão. Após um tempo, retornou para residir no Mosteiro de Marília/SP.

Em 2020 o Mosteiro Monte Alverne de Uberlândia/MG foi filiado ao Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP. Na oportunidade, Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC também esteve presente no grupo de irmãs que partiram rumo o Mosteiro de Uberlândia/MG.

Após um tempo, Irmã Marlene, OSC retornou e atualmente residia no Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP, exercendo o serviço de Madre Vigária.


Partilha vocacional de Irmã Marlene Inácia, OSC

Material produzido em agosto (mês vocacional) no ano de 2020, no Mosteiro Maria Imaculada de Marília/SP


Agradecemos a Deus pela dádiva que Ele concedeu a nossa Custódia de poder conviver com a Irmã Marlene Inácia de Jesus Hóstia, OSC, irmã clarissa que viveu boa parte de sua vida terrena em nossa território custodial e regamos a Ele que acolha esta vossa serva na vida Eterna.

Que São Francisco e Santa Clara interceda pelo seu descanso eterno!

R.I.P.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação

Fonte: Arquivos – Mosteiro Maria Imaculada (Marília/SP)