SAV se reúne em Olímpia/SP para formação e planejamento

Equipe do SAV (Em pé da esquerda para a direita): Frei José Aécio, Frei José Luiz, Frei Emanuel e Frei Eduardo. Abaixo (da esquerda para a direita): Frei Cristiano e Frei Lucas Oliveira.

“VEDE A HUMILDADE DISCRETA DE SÃO JOSÉ!”

Foi com a imensa alegria que o Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus se encontrou para o encontro de formação e planejamento de 2021,  realizado no Convento São Boaventura de Olímpia/SP e conduzido pelo coordenador do serviço, Frei José Aécio de Oliveira Filho, OFM.

Todos os irmãos integrantes da equipe não mediram esforços para comparecer no primeiro evento presencial datado de 22 a 24 de Fevereiro de 2021, mesmo neste tempo crítico de pandemia. Ressaltamos a presença significativa do Secretário para a Formação e os Estudos, Frei Valdemir Nel Rufino, OFM que presidiu a Santa Eucaristia e no tempo oportuno refletiu com todo vigor o “Plano de Ação do SAV”.

Ainda acolhemos as Irmãs Franciscanas da Penitência e as Irmãs Pequenas Missionárias Eucarísticas presentes em nosso território de missão e evangelização para uma ação vocacional conjunta e integrada.

Foram dias intensos, marcados pelo Espírito de Oração, pela partilha de vida, da convivência, de avaliação e por fim, elaboramos o planejamento do SAV deste ano; instrumento possível de transcrever para realidade.

A ocasião reservou um tempo para a formação humana, assessorada pela psicóloga Tânia e o Padre Nelber, SCJ (Dehonianos). Ela, especialista em Vida Religiosa e Sacerdotal e ele, animador vocacional da sua província e mestre dos postulantes de sua congregação. O tema trabalhado foi: “O SAV enquanto serviço de cuidado da pessoa humana e a realidade das vocações adultas e egressos”.

Por fim, a equipe do SAV agradece a atenção de cada frade em particular, para que, possamos ser os primeiros a testemunhar com a própria vida o ideal franciscano e assim provocar jovens que se proponham engrossar a fileira do seguimento de Cristo, ao modo de Francisco.

Por intercessão de São José, patrono das casas de formações espalhadas no mundo inteiro… Intercedei por nós! Amém!

Fraternalmente, 

Frei José Luiz da Costa, OFM (Vice-Coordenador do SAV)

Um ano após a declaração da Covid-19 como uma pandemia global no dia 11 de março de 2021

Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores – Frei Michael Antony Perry, OFM

Meus queridos irmãos,

Que o Senhor lhes dê paz.

A data de 11 de março de 2021 marcará um ano desde que a Organização Mundial da Saúde declarou a Sars2-Covid-19 como uma pandemia global. Naquela data, havia 118.000 infectados verificados, 4.291 mortes verificadas de Covid-19 e 114 países relataram a presença do vírus. Até 26 de fevereiro de 2021, houve cerca de 112 milhões de infectados confirmados e quase 2.500.000 mortes de Covid-19, com 192 países diretamente afetados pela pandemia. O que também está claro é o impacto desproporcional que a Covid-19 tem sobre nossos irmãos e irmãs pobres e sobre as nações mais pobres do mundo.

Não creio que seja exagerado dizer que todos nós na Ordem conhecemos alguém que foi infectado, e talvez alguém que morreu. É difícil verificar com exatidão quantos de nossos queridos frades morreram em consequência das complicações da Covid-19, mas os números são significativos. As fraternidades foram colocadas em quarentena, alguns irmãos foram isolados no hospital ou nas enfermarias da Província ou da Custódia ou em outros centros de acolhimento; os familiares se infectaram e, lamentavelmente, alguns morreram. Um número significativo de “sobreviventes” da Covid-19 está calculando os efeitos a longo prazo, como exaustão, dificuldades respiratórias, anomalias cardíacas e outras dificuldades para as quais agora estão sob cuidados médicos. Não se pode nem imaginar o impacto psicossocial da pandemia devido ao medo do contágio, do isolamento social e do desencadeamento de outras condições de saúde mental de longa duração. Não só afetam os desconhecidos, mas também a nós.

A pandemia da Covid-19 está reescrevendo a história do mundo e, mais importante, a história de cada uma de nossas vidas, da vida da Ordem e da Igreja. Não conhecemos o peso total dos “danos” colaterais que podem advir da pandemia, mas já percebemos o aumento dos desafios que afetam todos os aspectos de nossas vidas, nossas instituições e nossa presença evangelizadora no mundo atual. Rogo para que cada um de vocês tenha tido tempo para refletir sobre o impacto da pandemia em sua vida, na dos outros irmãos da fraternidade, em seu trabalho pastoral e missionário, e na vida daqueles a quem fomos chamados para servir.

Ao se aproximar o dia 11 de março de 2021, o primeiro ano desde a declaração oficial da pandemia de Sars2-Covid-19, convido a todos vocês, meus queridos irmãos, a unirmos à Fraternidade universal da Ordem para um tempo de oração, jejum e esmola. Esses três “caminhos” encontram o seu precedente nas Sagradas Escrituras e oferecem a oportunidade, a quem os abraça, de entrar num espírito de conversão da mente, do coração e da ação (cf. Joel 1,14 ss). Em anexo a esta carta estão duas orações que foram compostas em resposta à pandemia. São orações em que se pede a Deus que ouça o clamor do povo de Deus e venha em nosso auxílio. No espírito de jejum proposto pelos Profetas (cf. Is 58,6-7) e por Jesus (cf. Mt 6,16-18), o foco está centrado claramente em uma mudança radical de coração e mente, e se vincula também a atos que contribuem para a libertação do povo de Deus, unindo nossos esforços em um grande ato de solidariedade, algo tão necessário em nosso mundo, antes e como consequência da pandemia da Covid. Este é o foco da mensagem do Papa Francisco na “Fratelli Tutti” ao falar da necessidade de que o mundo inteiro se converta radicalmente (Fratelli Tutti 32, 55).

Por fim, peço-lhes que reservem algum tempo para conversar uns com os outros e expressar como a pandemia da Covid afetou sua vida pessoal, seu envolvimento com a fraternidade, seus compromissos missionários e outros desafios que enfrentam. Seria muito conveniente que as fraternidades locais celebrem juntos a Eucaristia neste dia de oração. O momento de diálogo poderia ter lugar em um capítulo especial da fraternidade ou durante o tempo da homilia da Eucaristia.

Espero de coração que nos unamos como uma única fraternidade universal nesta ocasião, o primeiro ano desde que a Covid foi declarada uma pandemia. Invocamos Maria, Mãe da Ordem Seráfica, e a todos os santos da Ordem para que intercedam diante de Deus em nosso nome e por toda a humanidade. Que o dom da nossa fraternidade seja uma fonte de apoio e encorajamento constantes, enquanto enfrentamos juntos um futuro incerto. Que possamos refletir o amor e a misericórdia de Deus, que está sempre presente conosco, especialmente nos momentos mais difíceis, convidando-nos a nos levantar e a erguer a cabeça, para ver que não estamos sozinhos (cf. Lc. 21,28).

Oremos por todos os que continuam sofrendo as consequências físicas diretas da Covid-19. Oremos também por todos aqueles que são afetados social, espiritual e economicamente. E recordemos de todos os nossos irmãos e irmãs que já passaram desta vida e agora desfrutam da plenitude da vida na eternidade.

Roma, 1º de março de 2021

Fraternalmente em Cristo e São Francisco,

Frei Michael A. Perry, OFM

Ministro Geral e Servo


ORAÇÃO PARA 11 DE MARÇO DE 2021

 Oração – I

Deus eterno e onipotente, nosso refúgio em todos os perigos, olhai benigno para as nossas aflições e angústias. Como filhos, com fé vos pedimos: concedei o eterno descanso aos que morreram, conforto aos que choram, cura aos doentes, paz aos moribundos, força aos que trabalham na saúde, sabedoria aos nossos governantes e coragem para chegarmos amorosamente a todos, glorificando juntos o vosso Santo Nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Senhor, fortalecei os laços de nossa fraternidade espiritual, para que possamos dar testemunho da vossa presença e do vosso amor curador, pelo modo com que cuidamos uns dos outros, e pela forma com que estendemos as mãos aos nossos irmãos e irmãs mais necessitados, especialmente os mais afetados pela pandemia. Invocamos a intercessão de Maria, mãe de nossa Ordem Seráfica, de São Francisco, de Santa Clara e de todos os Santos franciscanos. Que eles intercedam por nós junto do Pai das Misericórdias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina para sempre, na unidade do Espírito Santo. Amém!


Oração – II

Senhor Jesus, que prometestes permanecer sempre conosco, neste momento em que as notícias tristes nos dominam e o medo toma conta de nós, voltai a repetir vossa reconfortante palavra: A paz esteja convosco! Ainda que não possamos estar fisicamente perto de outras pessoas, dai-nos a força e a coragem de amar tanto quanto pudermos, porque “o amor perfeito afasta todo o medo”. Olhai com bondade os médicos e as enfermeiras, os pesquisadores e os responsáveis pela segurança. Fortalecei os enfermos e os mais vulneráveis. Consolai os aflitos. E quando a pandemia passar, quando esta terrível crise for superada, ensinai-nos a vos conhecer com mais certeza, como nosso amigo querido e nossa única esperança. Vós que viveis e reinais com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém!


(ofereça um Pai Nosso, uma Ave Maria e Glória …)

Maria Imaculada, Padroeira da Ordem Franciscana, rogai por nós!

 

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Fonte (Imagem):  Província São Maximiliano Kolbe (Conventuais)

Papa sobre a confissão: receber amor divino, passando da miséria à misericórdia

Andressa Collet (Vatican News)

“Quando vou me confessar é para me curar, para curar a minha alma. Para sair com mais saúde espiritual. Para passar da miséria à misericórdia. E o centro da confissão não são os pecados que dizemos, mas o amor divino que recebemos e que sempre precisamos. O centro da confissão é Jesus que nos espera, nos escuta e nos perdoa.”

Essa é a mensagem cheia de esperança que o Pontífice compartilhou no Vídeo do Papa do mês de março, ao divulgar a intenção de oração confiada à Igreja Católica. Francisco nos convida a redescobrir a força de renovação pessoal que o sacramento da confissão tem em nossas vidas, partindo do próprio exemplo, já que as imagens do vídeo mostram o próprio Pontífice indo se confessar “para me curar, para curar minha alma”, afirma ele.

“Jesus nos espera, nos ouve e nos perdoa”

“No coração de Deus, nós estamos antes dos nossos erros”, diz ainda o Papa, destacando mais uma vez a força que o amor de Deus tem em nosso ser e ações. Receber esse sacramento não significa estar diante de um juiz, mas ir a um encontro de amor diante de um Pai que nos recebe e sempre perdoa. “O centro da confissão não são os pecados que contamos, mas o amor divino que recebemos e de que sempre precisamos”, afirma Francisco. E esse amor vem antes de tudo, antes dos erros, das regras, dos julgamentos e das quedas.

Sacerdotes misericordiosos, como Jesus

O Pe. Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, recordou as últimas palavras do vídeo do Pontífice, quando pede para que “rezemos para que Deus dê à sua Igreja padres misericordiosos, e não torturadores”. E o diretor acrescentou: “não é a primeira vez que o Papa pede essa graça. Como o bom pastor, conhece o sofrimento do povo, seus pecados, sua necessidade de encontrar ‘ministros de misericórdia’. É o tempo da misericórdia. Na sua carta apostólica Misericordia et misera, na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Papa convidou os sacerdotes a serem como Jesus, cheios de compaixão e pacientes. É um caminho de conversão para cada sacerdote, ‘para ser testemunha da ternura paterna’, ‘prudente no discernimento’ e ‘generoso para conceder o perdão de Deus’. Ele pede que o nosso coração esteja perto do Coração de Jesus, e isso é uma graça”.

Francisco, inclusive no Angelus de 14 de fevereiro deste ano, dirigiu um pensamento aos “bons sacerdotes confessores” e agradeceu pela atitude de ternura e compaixão daqueles “que não andam com o chicote na mão, mas estão prontos para receber, ouvir e dizer que Deus é bom”, não se cansa e perdoa sempre. O Papa chegou a pedir uma salva de palmas aos peregrinos na Praça São Pedro dirigida a esses confessores misericordiosos. E, no vídeo de intenção de oração para março, Francisco finalizou:

“Lembrem-se disto: no coração de Deus, nós estamos antes dos nossos erros. Rezemos para que vivamos o sacramento da reconciliação com uma profundidade renovada, para saborear o perdão e a infinita misericórdia de Deus. E rezemos para que Deus dê à sua Igreja padres misericordiosos e não torturadores.”

Fonte: Vatican News

O Papa na audiência geral: Jesus diz-nos com a sua vida até que ponto Deus é Pai

O Papa Francisco na audiência geral, 3 de março de 2021 (Vatican Media)

“No nosso caminho de catequeses sobre a oração, hoje e na próxima semana queremos ver como, graças a Jesus Cristo, a oração nos abre à Trindade, ao imenso mar de Deus-Amor.” Com essas palavras, o Papa Francisco introduziu sua catequese na audiência geral desta quarta-feira (03/03), na Biblioteca do Palácio, no Vaticano, dando continuidade a suas reflexões sobre a oração, discorrendo sobre a oração e a Trindade.

Foi Jesus que nos abriu o Céu e nos projetou para uma relação com Deus. É isto que o apóstolo João afirma na conclusão do prólogo do seu Evangelho: “Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer” (1, 18), destacou o Pontífice.

Francisco observou que realmente não sabíamos como se pudesse rezar: que palavras, que sentimentos e que linguagem eram apropriados para Deus.

“Naquele pedido dirigido pelos discípulos ao Mestre, que temos recordado frequentemente no decurso destas catequeses, há toda a hesitação do homem, as suas repetidas tentativas, muitas vezes infrutíferas, de se dirigir ao Criador: ‘Senhor, ensina-nos a rezar’ (Lc 11, 1)”.

O Papa observou que nem todas as orações são iguais e que nem todas são convenientes:

“A própria Bíblia atesta o mau resultado de muitas orações, que são rejeitadas. Talvez por vezes Deus não esteja satisfeito com as nossas orações e nós nem sequer nos apercebemos disso. Deus olha para as mãos daqueles que rezam: para as purificar não é necessário lavá-las, quando muito é preciso abster-se de ações malignas.”

A este ponto de sua catequese, o Santo Padre evidenciou que São Francisco rezava de forma radical: “nenhum homem é digno de te nomear”, lembrou, citando o “Cântico do Irmão Sol” do pobrezinho de Assis.

O Papa acrescentou que “talvez o reconhecimento mais tocante da pobreza da nossa oração tenha vindo dos lábios do centurião romano que um dia implorou Jesus que curasse o seu servo doente (cf. Mt 8, 5-13).

Sentia-se totalmente inadequado – observou Francisco: “não era judeu, era um oficial do odiado exército de ocupação. Mas a sua preocupação com o seu servo o faz ousar, e ele diz: ‘Senhor… eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e o meu servo será curado’ (v. 8)”.

É a frase que também repetimos em todas as liturgias eucarísticas, disse o Pontífice, evidenciando que dialogar com Deus é uma graça: “não somos dignos dela, não temos o direito de a reivindicar, “manquejamos” com cada palavra e pensamento… Mas Jesus é uma porta que se abre”.

Porque deveria o homem ser amado por Deus ? – perguntou o Santo Padre, acrescentando que não há razões óbvias, não há proporção. A este ponto de sua catequese, fez uma observação pertinente:

“Em grande parte das mitologias não se contempla o caso de um deus que se preocupa com os assuntos humanos; pelo contrário, eles são irritantes e aborrecidos, completamente insignificantes.”

Até para Aristóteles, prosseguiu o Papa, Deus só pode pensar em si mesmo. No máximo, somos nós, humanos, que procuramos conquistar a divindade e ser agradáveis aos seus olhos. “Disto brota o dever de ‘religião’, com o corolário de sacrifícios e devoções a oferecer continuamente para ter como aliado um Deus mudo e indiferente.”

Francisco ressaltou que um Deus que ama o homem, nunca teríamos acreditado nisto, se não tivéssemos conhecido Jesus. “É o escândalo que encontramos esculpido na parábola do pai misericordioso, ou na do pastor que vai em busca da ovelha perdida (cf. Lc 15). Histórias como estas não poderiam ter sido concebidas, nem sequer compreendidas, se não tivéssemos encontrado Jesus”, observou ainda.

Dito isso, Francisco propôs alguns questionamentos: “Que tipo de Deus está disposto a morrer pelas pessoas? Que tipo de Deus ama sempre e pacientemente, sem pretender por sua vez ser amado? Que Deus aceita a tremenda falta de gratidão de um filho que pede antecipadamente a sua herança e sai de casa a esbanjar tudo? (cf. Lc 15, 12-13)”.

Assim, Jesus diz-nos com a sua vida até que ponto Deus é Pai, frisou o Papa, concluindo sua reflexão nesta catequese dedicada à oração e à Trindade:

“É difícil para nós imaginar de longe o amor com que a Santíssima Trindade está repleta, e que abismo de benevolência recíproca existe entre Pai, Filho e Espírito Santo. Os ícones orientais deixam-nos intuir algo deste mistério que é a origem e alegria de todo o universo.”

Acima de tudo, tínhamos dificuldade em acreditar que este amor divino se dilatasse, chegando até ao humano: somos o termo de um amor que não encontra igual na terra, disse o Papa, citando o Catecismo, que explica: “A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai” (n. 2664).

“É a graça da nossa fé. Verdadeiramente não podíamos esperar uma vocação mais excelsa: a humanidade de Jesus pôs à nossa disposição a própria vida da Trindade”, disse por fim o Santo Padre.

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: no pobre que encontramos está o amor de irmão e o próprio Cristo

Papa Francisco na audiência com a associação italiana de Florença

Andressa Collet (Vatican News)

A última semana de fevereiro foi de retiro individual em oração com os Exercícios Espirituais de Quaresma. Já nesta segunda-feira (1), o Papa Francisco começa o mês de março cumprindo agenda no Vaticano, na semana que também marca o retorno das viagens apostólicas internacionais com a visita ao Iraque a partir de sexta-feira (5).

Uma das audiências oficiais do dia foi com uma delegação do Centro Franciscano de Solidariedade da cidade italiana de Florença. Em discurso, o Papa começou recordando o “precioso serviço de escuta e de proximidade” da associação realizado há quase 40 anos com famílias que se encontram em condições econômicas e sociais difíceis, e com pessoas idosas ou deficientes que precisam de apoio e companhia.

“Gostaria de dizer, antes de mais nada, ‘obrigado’ por isso. Num mundo que tende a correr em duas velocidades, que por um lado produz riqueza, mas por outro gera desigualdade, vocês são uma obra de assistência eficaz, baseada no voluntariado, e, aos olhos da fé, vocês estão entre aqueles que semeiam o Reino de Deus.”

A proximidade às feridas humanas

Francisco, então, comparou o trabalho da associação à obra de Jesus neste mundo, já que Ele veio para anunciar o Reino do Pai e “se aproximou com compaixão das feridas humanas”, disse o Papa, ficando “próximo especialmente dos pobres, dos marginalizados e descartados, dos desencorajados, dos abandonados e dos oprimidos”:

“Assim, Cristo nos revelou o coração de Deus: é um Pai que quer proteger – Deus é um Pai que quer proteger todos nós, defender e promover a dignidade de cada um de seus filhos e filhas, e que nos chama a construir as condições humanas, sociais e econômicas para que ninguém seja excluído ou pisoteado nos seus direitos fundamentais, para que ninguém tenha que sofrer por falta do pão material ou por solidão.”

Uma obra inspirada em São Francisco de Assis

A associação italiana, que nasceu em 1983, deu vida a uma iniciativa das Ordens Franciscanas Seculares de Florença pertencentes às três famílias de Frades Menores, Conventuais e Capuchinhos, com um trabalho de caráter assistencial para ajudar as pessoas com dificuldades tanto material como espiritual. De fato, atualmente eles coletam e distribuem roupas usadas, oferecem um centro de escuta e dão apoio a idosos e deficientes no espírito do amor fraterno típico de São Francisco.

O Papa, no discurso, recordou justamente a inspiração da associação no “testemunho luminoso” do Pobrezinho de Assis, “que praticou a fraternidade universal” e “em todos os lugares semeou a paz e caminhou ao lado dos pobres, dos abandonados, dos doentes, dos descartados, dos últimos” (Encíclica Fratelli tutti, 2). Um trabalho, acrescentou o Pontífice, caracterizado como “um sinal concreto de esperança”, sobretudo em meio “à vida agitada da cidade, onde tantos se encontram sozinhos com a sua pobreza e sofrimento”. É um sinal que “desperta as consciências adormecidas”, enfatizou o Papa, “e nos convida a sair da indiferença, a ter compaixão por quem está ferido, a se curvar com ternura sobre quem está esmagado pelo peso da vida”. Essas são, então, concluiu Francisco, as três palavras que são o estilo de Deus e que deveria ser tão o de vocês: de proximidade, compaixão e ternura. 

“Queridos amigos, vão em frente com coragem no trabalho! Peço ao Senhor que o sustente, porque sabemos que o nosso bom coração e a nossa força humana não são suficientes. Antes das coisas serem feitas e além dessas, quando estamos diante de uma pessoa pobre, somos chamados a um amor que faz sentir ela como nosso irmão, nossa irmã; e isso é possível graças a Cristo, presente totalmente naquela pessoa.

Fonte: Vatican News

O Papa no Angelus: devemos ter cuidado com a preguiça espiritual

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

Na oração mariana do Angelus, deste II Domingo da Quaresma (28/02), o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho do dia, no qual Jesus transfigurou-se diante de três dos seus discípulos.

“Pouco antes, Jesus tinha anunciado que, em Jerusalém, iria sofrer muito, seria rejeitado e condenado à morte. Podemos imaginar o que deve ter acontecido então no coração de seus amigos, daqueles amigos íntimos, os seus discípulos: a imagem de um Messias forte e triunfante é colocada em crise, seus sonhos são partidos e a angústia aumenta ao pensar que o Mestre em que acreditaram seria morto como o pior dos malfeitores. Naquele momento, com aquela angústia da alma, Jesus chama Pedro, Tiago e João e os leva consigo para a montanha”, ressaltou o Pontífice.

Subir ao monte é aproximar-se um pouco de Deus

O Evangelho diz: “Ele os levou sobre uma alta montanha”.

Na Bíblia, sempre, a montanha tem um significado especial: é o lugar elevado, onde o céu e a terra se tocam, onde Moisés e os profetas tiveram a experiência extraordinária de encontrar Deus. Subir ao monte é aproximar-se um pouco de Deus. Jesus sobe para o alto junto com os três discípulos e eles se detêm no topo da montanha. Aqui, Ele se transfigura diante deles. O seu rosto radiante e as suas vestes resplandecentes, que antecipam a imagem como Ressuscitado, oferecem àqueles homens assustados a luz, a luz da esperança, a luz para atravessar as trevas: a morte não será o fim de tudo, porque se abrirá para a glória da Ressurreição. Jesus anuncia a sua morte, os leva ao monte e mostra para eles o que acontecerá depois da ressurreição.

Ir além dos nossos esquemas e critérios deste mundo

Como exclamou o apóstolo Pedro, é bom ficarmos com o Senhor no monte, viver esta «antecipação» da luz no coração da Quaresma. É um convite para nos lembrar, especialmente quando passamos por uma prova difícil, e muitos de vocês sabem o que significa atravessar uma prova difícil, recordar que o “Senhor Ressuscitou e não permite que as trevas tenham a última palavra”, disse ainda o Papa, acrescentando:

Às vezes acontece que passamos por momentos de escuridão na nossa vida pessoal, familiar ou social, e tememos que não haja uma saída. Sentimo-nos assustados diante de grandes enigmas como a doença, a dor inocente ou o mistério da morte. No mesmo caminho de fé, muitas vezes tropeçamos quando encontramos o escândalo da cruz e as exigências do Evangelho, que nos pede para dedicar a vida ao serviço e perdê-la no amor, em vez de preservá-la para nós mesmos e defendê-la. Precisamos, então, de outro olhar, uma luz que ilumine em profundidade o mistério da vida e nos ajude a ir além dos nossos esquemas e além dos critérios deste mundo. Também nós somos chamados a subir a montanha, a contemplar a beleza do Ressuscitado que acende vislumbres de luz em cada fragmento da nossa vida e nos ajuda a interpretar a história a partir da vitória pascal.

Cuidado com a preguiça espiritual

“Mas tenhamos cuidado”, pois as palavras “de Pedro ‘é bom para nós ficarmos aqui’ não deve se tornar uma preguiça espiritual”, advertiu Francisco. “Não podemos permanecer na montanha e desfrutar sozinhos a beatitude deste encontro. O próprio Jesus nos leva de volta ao vale, entre os nossos irmãos e irmãs e na vida quotidiana”, frisou o Papa.

Devemos ter cuidado com a preguiça espiritual: nós estamos bem, com as nossas orações e liturgias, e isto é suficiente para nós. Não! Subir a montanha não é esquecer a realidade. Rezar nunca é fugir das fadigas da vida. A luz da fé não é para uma bela emoção espiritual. Não! Esta não é a mensagem de Jesus. Somos chamados a experimentar o encontro com Cristo para que, iluminados pela sua luz, possamos levá-la e fazê-la brilhar em todos os lugares. Acender pequenas luzes nos corações das pessoas; ser pequenas lâmpadas do Evangelho que levam um pouco de amor e esperança: esta é a missão do cristão.

O Papa concluiu, pedindo a Maria Santíssima “que nos ajude a acolher com admiração a luz de Cristo, a guardá-la e a partilhá-la”.

Fonte: Vatican News

Falece Irmã Verônica, OSC, clarissa do Mosteiro Monte Alverne de Uberlândia/MG

IRMÃ MARIA VERÔNICA DA SAGRADA FACE, OSC
♦  24/06/1929     –     †  26/02/2021

Na noite desta última sexta-feira (26), a Irmã Maria Verônica da Sagrada Face, OSC, uma das irmãs clarissas do Mosteiro Monte Alverne de Uberlânida/MG fez sua páscoa definitiva. Nossa Fraternidade Custodial se une em oração pela sua alma, bem como se solidariza com as demais irmãs que permanecem a sua missão terrena.


Uma breve cronologia de Irmã Verônica, OSC

Irmã Maria Verônica da Sagrada Face, OSC nasceu em Selbach/RS no dia 24 de junho de 1929 e foi batizada dois dias após, recebendo o nome de “Therezinha Welter”. Toda sua formação familiar foi seguida a partir da cultura alemã, pois seus pais eram netos de alemães. Até a Segunda Guerra Mundial, só convivia com pessoas dessa nacionalidade, pois formavam uma colônia onde até na escola só se falava a língua alemã. Durante a guerra, toda a colônia foi obrigada a abandonar esses costumes e a duras penas aprenderam o português e a cultura do País. É a 13ª de 15 irmãos, que receberam sólida formação moral e religiosa dos pais.

Em 1951 entrou para a Vida Religiosa no Mosteiro da Gávea no Rio de Janeiro/RJ, percebendo sua vocação para a vida contemplativa já com 21 anos de idade. Sempre foi orientada espiritualmente pelo Padre Karson que a apresentou através de correspondência ao Mosteiro das Clarissas, o primeiro no Brasil, fundação das Irmãs de Düsseldorf. Destemida, teve a coragem de deixar seus pais e irmãos, indo sozinha, de ônibus para o Rio de Janeiro/RJ, numa época em que as estradas e os meios de comunicação eram bastante precários. Sabia que, deixando seus pais, jamais tornaria a vê-los. Mas o Senhor a conduzia e fazia arder seu jovem coração, num amor irredutível e radical.

Em 1973, após a morte da Madre Juliana, que a recebera no Mosteiro e de quem tomara a si os  cuidados durante um longo período de doença grave,  seguiu para Forquilhinha/SC, para completar o número das Fundadoras de um novo Mosteiro, que, mais tarde, em 1982 foi transferido para Lages, no mesmo Estado.

Irmã Verônica, OSC com Frei Ezimar, OFM e o nosso Ministro Geral, Frei Michael Perry, OFM (Da esquerda para a direita: Frei Ezimar, Irmã Verônica e Frei Michael)

Em Lages/SC, foi eleita Abadessa por três triênios, e, em 1996, foi eleita convidada para Abadessa do Mosteiro de Uberlândia/MG, e era muito querida e buscada por todos, que recebem dela orientação e conselhos e a valiosa intercessão.

Desde sua entrada para a Vida Consagrada Religiosa, vive em total doação ao Senhor e aos irmãos, levando no coração o mundo inteiro para apresentá-lo dia e noite a Deus nas orações, nos sacrifícios e na entrega total de si mesma, num amor incondicional e fiel.


Uma breve narrativa de Irmã Verônica, tempos antes de falecer…

“Aqui em Uberlândia/MG, comemorei meus Jubileus de Ouro e de Diamante na Vida Religiosa. Agora, já  posso desfrutar mais tempo da oração e adoração, porque meus trabalhos ficaram reduzidos por conta da idade. A saúde, entretanto, está muito bem, sinto-me muito viva e participante. Gosto de estar com as Irmãs, na vida fraterna, nos Capítulos, na Formação permanente, e no cuidado do jardim, minha grande paixão, depois de Jesus. O convívio com as flores são para mim um importante meio de contato com o Criador. Gosto de agradar as Irmãs fazendo proezas na cozinha: pão de queijo, bolo, pães, arrumo o Refeitório, cuido dos panos de pratos, das frutas,  descasco os legumes. São belíssimas oportunidades de oferecer a Jesus almas para serem salvas. […]

[…] Mas as Irmãs sempre cuidadosas zelam pelo meu descanso e não permitem excessos. Toda minha oração é para o mundo, “sustentáculo dos membros frágeis do Corpo Místico de Deus. Discípula, missionária, samaritana. A cada momento vou descobrindo novas formas de oração, sempre muito íntimas com Jesus, pelos sacerdotes, pelas almas, pelos benfeitores,  pela Federação Sagrada Família e pela Ordem, pelos meus familiares e os familiares das Irmãs das Irmãs, pela intenções que nos são recomendadas diariamente. Hoje procuro assemelhar minha vida a este poema que encontrei: Um dia, o sol ao se por atrás dos montes disse: vou embora, porém, quem me substituirá? E uma humilde lamparina respondeu: farei o melhor que puder. Eu me identifico com esta lamparina. E me pergunto: Qual foi o plano de Deus quando me criou? E como eu vivo este plano? Peço orações para ser fiel até o fim e cumprir a missão que Ele em Seu infinito amor me designou”

R.I.P.

Irmã Miriã Gabriela da Santa Cruz, OSC

Fonte: Arquivos – Mosteiro Monte Alverne (Uberlândia/MG)

Cantalamessa: conversão significa dar um salto adiante e entrar no Reino

“Convertei-vos e crede no Evangelho!” Este apelo sempre presente de Cristo foi o tema da primeira pregação da Quaresma do pregador da Casa Pontifícia, cardeal Raniero Cantalamessa, na Sala Paulo VI, no Vaticano, aos membros da Cúria Romana.

De conversão, fala-se em três momentos ou contextos diversos do Novo Testamento. Cada vez, vem à luz uma sua componente nova. Juntas, as três passagens nos dão uma ideia completa sobre o que é a metanóia evangélica. Há uma conversão para cada estação da vida. O importante é que cada um de nós descubra a que serve para si neste momento”, disse o frei capuchinho.

Agarrar a salvação que veio aos homens gratuitamente

“A primeira conversão é aquela que ressoa no início da pregação de Jesus e que está resumida nas palavras: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Antes de Jesus, converter-se significava sempre um “voltar atrás”. Indicava o ato de quem, a um certo ponto da vida, percebe estar “fora do rumo”. Então se detém, reconsidera; decide voltar à observância da lei e de retornar à aliança com Deus. A conversão, neste caso, tem um significado fundamentalmente moral e sugere a ideia de algo penoso a se cumprir: mudar costumes, deixar de fazer isso ou aquilo.”

Segundo o cardeal, “nos lábios de Jesus, este significado muda. Não porque ele se divirta em mudar os significados das palavras, mas porque, com sua vinda, mudaram as coisas. “Cumpriu-se o tempo, e está próximo o Reino de Deus!”. Converter-se não significa mais voltar atrás, à antiga aliança e à observância da lei, mas significa dar um salto adiante e entrar no Reino, agarrar a salvação que veio aos homens gratuitamente, por livre e soberana iniciativa de Deus”.

Converter-se significa voltar atrás

segunda passagem em que, no Evangelho, volta a se falar de conversão é:

“Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: ‘Quem é o maior no Reino dos Céus?’ Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: ‘Em verdade vos digo, se não vos converterdes e nãos vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus’” (Mt 18,1-3).

“Desta vez converter-se significa voltar atrás, até mesmo a quando se era criança! O próprio verbo usado, strefo, indica inversão de marcha. Esta é a conversão de quem já entrou no Reino, acreditou no evangelho, já está há tempos no serviço de Cristo. É a nossa conversão! O que supõe a discussão sobre quem é o maior? Que a preocupação maior não é mais o reino, mas o próprio lugar nele, o próprio eu. Cada um deles tinha algum título para aspirar a ser o maior: Pedro tinha recebido a promessa do primado; Judas, a caixa; Mateus podia dizer que tinha deixado mais do que os outros; André, que tinha sido o primeiro a segui-lo; Tiago e João, que estiveram com ele no Tabor… Os frutos desta situação são evidentes: rivalidades, suspeitas, confrontos, frustração. Jesus, de imediato, tira o véu. Nem como primeiros, deste modo nem se entra no reino! O remédio? Converter-se, mudar completamente perspectiva e direção. A que Jesus propõe é uma verdadeira revolução copernicana. É preciso “descentralizar-se de si mesmo e recentralizar-se em Cristo”.

Segundo o frei capuchinho, “Jesus fala mais simplesmente de um tornar-se criança. Tornar-se criança, para os apóstolos, significava voltar a como eram no momento do chamado às margens do lago ou no posto de arrecadação: sem pretensões, sem títulos, sem confrontos entre si, sem invejas, sem rivalidades. Ricos apenas de uma promessa (“Farei de vós pescadores de homens”) e de uma presença, a de Jesus; a quando eram ainda companheiros de aventura, não concorrentes pelo primeiro lugar. Também para nós, tornar-se criança significa voltar ao momento em que descobrimos sermos chamados, ao momento da ordenação sacerdotal, da profissão religiosa, ou do primeiro verdadeiro encontro pessoal com Jesus. Quando dizíamos: “Só Deus basta!”, e acreditávamos”.

Conversão da mediocridade e da tibieza

“O terceiro contexto em que recorre, martelante, o convite à conversão, é dado pelas sete cartas às Igrejas do Apocalipse. As sete cartas são dirigidas a pessoas e comunidades que, como nós, vivem há tempos a vida cristã e, ainda mais, exercem nelas uma papel-guia. São endereçadas ao anjo das diversas Igrejas: “Ao anjo da igreja que está em Éfeso”. Não se explica este título senão em referência, direta ou indireta, ao pastor da comunidade. Não se pode pensar que o Espírito Santo atribua a anjos a responsabilidade das culpas e desvios que são denunciados nas diversas igrejas, muito menos que o convite à conversão seja dirigido a anjos ao invés de homens. Das sete cartas do Apocalipse, a que deve nos fazer refletir mais do que as outras é a carta à Igreja de Laodiceia. Conhecemos seu tom severo: “Conheço as tuas obras. Não és frio, nem quente… porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca… Sê zeloso, pois, e arrepende-te” (Ap 3,15ss). Aqui, trata-se da conversão da mediocridade e da tibieza”, frisou Cantalamessa.

O Espírito torna universal a redenção de Cristo

“O dom de Cristo não é limitado a uma época particular, mas oferecido a toda época. É justamente papel do Espírito tornar universal a redenção de Cristo, disponível a cada pessoa, em cada ponto do tempo e do espaço. O segredo é dizer uma vez “Vinde, Santo Espírito”, mas dizê-lo com todo o coração, deixando o Espírito livre para vir da maneira que ele quiser, não como gostaríamos que ele viesse, possivelmente sem mudar nada em nossa maneira de viver e orar. Peçamos à Mãe de Deus que nos obtenha a graça que obteve do Filho em Caná da Galileia. Por sua oração, naquela ocasião, a água se converteu em vinho. Peçamos que, por sua intercessão, a água da nossa tibieza se converta no vinho de um renovado fervor. O vinho que em Pentecostes provocou nos apóstolos a embriaguez do Espírito e os tornou “fervorosos no Espírito”, concluiu o pregador da Casa Pontifícia.

Fonte: Vatican News

2º Domingo da Quaresma: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz!”

A transfiguração de Jesus significa a sua revelação como Deus presente no meio do seu povo. Os discípulos viram a sua glória antecipada neste momento em que eles estão sobre a montanha. É antecipada porque Jesus deverá sofrer a paixão e morte de cruz para depois ressuscitar como vencedor da morte.

Os discípulos estão diante do Deus da vida e veem Moisés e Elias como “profetas” que conversam com Jesus. Ainda não entendem o que está acontecendo, ficam com medo e Jesus lhes pede segredo. De fato, os discípulos só entenderam completamente o que Jesus disse e fez depois de vê-lo ressuscitado. Pedro quer ficar na montanha, não quer que Jesus passe pelo sofrimento, pela morte. Jesus por sua vez, não dá ouvidos à proposta de Pedro e desce da montanha para realizar a sua missão.

Sobre a montanha uma voz ressoa: “este é o meu Filho amado”. O evangelista apresenta aí a identidade de Jesus: Ele é o Messias, o Salvador que deveria manifestar-se ao mundo com humildade, como servo que entrega a própria vida para que os filhos e filhas de Deus tenham vida. Esta é a ideia de fundo no texto da 2ª leitura, onde São Paulo afirma que “Deus não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”. Esta entrega é o maior gesto de amor pelo seu povo. São João evangelista afirma que “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único” (3,16). E o amor venceu a morte!

A 1ª leitura mostra uma cena única na Sagrada Escritura: Abraão leva seu filho para ser sacrificado. Nos documentos antigos não consta que o povo hebreu realizasse sacrifícios humanos. O que existia era o sacrifício de animais que eram mortos e queimados sobre um altar. O povo acreditava que isto agradava a Deus e que o fazia perdoar os pecados. O relato do livro do Gêneses quer mostrar como Abraão era obediente a Deus chegando ao extremo de oferecer o próprio filho.

Deus leva em conta a fidelidade dos seus filhos e filhas. O período da Quaresma é tempo propício para que os cristãos revejam suas ações e se elas estão de acordo com a vontade de Deus. É tempo de avaliar se o amor para com Deus e para como próximo é capaz de doar a própria vida, o próprio tempo, os próprios dons, realizar a partilha para que todos tenham vida em abundância e vivam num mundo de verdadeira Fraternidade e de Paz.

Frei Valmir Ramos, OFM

A conversão do Papa Francisco

Bruno Franguelli, SJ

Podemos contemplar o jovem Jorge, aos 17 anos, caminhando pelas ruas de Buenos Aires ao encontro de seus amigos para festejar o Dia do Estudante. Era o dia 21 de setembro, festa litúrgica de São Mateus Apóstolo. Ao passar diante de sua comunidade paroquial, a Igreja de San José de Flores, decidiu entrar para fazer uma breve oração. Ao ingressar na Igreja, encontrou um padre que ainda não conhecia e que logo transmitiu-lhe grande confiança e espiritualidade. Imediatamente pediu para receber o sacramento da Reconciliação. Bergoglio recorda detalhes daquele momento. Não foi apenas uma confissão a mais, foi o seu grande encontro pessoal com a Misericórdia e o amor de Deus. Mais tarde, como Cardeal, ao lembrar este fato, ele mesmo revela que naquele momento sentiu que tinha ido ao encontro de Alguém que já o estava esperando. Sentiu que algo estava mudando em sua vida. Assim, desistiu de ir ao encontro de seus amigos para festejar e, ao invés disso, retornou a sua casa e revelou a sua família, ainda que sem saber ao certo o que significava, seu grande desejo:

“Quero e tenho que ser padre!”

Ainda que continuasse convicto de sua vocação religiosa, Jorge Bergoglio continuou amadurecendo a ideia de abraçar a vida sacerdotal. Após alguns anos, decidiu entrar no Seminário da Arquidiocese de Buenos Aires, mas logo após, encantou-se pelo modo de ser dos jesuítas, que na época, dirigiam o Seminário. Deste modo, pediu para ser admitido ao noviciado da Companhia de Jesus.

A “segunda conversão” do Pe. Jorge Bergoglio

Depois de sua longa trajetória de formação na Companhia de Jesus, Bergoglio foi ordenado padre e pouco tempo depois recebeu a missão de ser mestre de noviços e, com apenas 34 anos já era provincial dos jesuítas da Argentina. Após ter exercido cargos importantes, o então Pe. Bergoglio recebeu a missão de ser confessor e acompanhante espiritual no mesmo local onde antes tinha estado como noviço. Bergoglio recorda aqueles dias como “tempo de escuridão e de sombras”, mas ao mesmo tempo, Córdoba era a cidade onde encontrou a rota de Deus em sua vida, o caminho para a sua purificação interior. De fato, era a primeira vez, desde que tinha sido ordenado presbítero, que não assumia um cargo de governo. Aquela cidade foi para ele como uma “Nazaré”, mais que um lugar, um tempo oportuno para cuidar-se a crescer quase que no anonimato, no abraço gratuito das fatigas simples do cotidiano.

Papa Francisco afirma ainda que aquele tempo ofereceu para ele a oportunidade de viver a sua “segunda conversão”. Como confessor, passou a atender pessoas provenientes dos lugarejos vizinhos que vinham à Igreja para receber a consolação do Senhor. Professores e estudantes, ricos e pobres, todos os tipos de pessoas, que confirmavam o coração de Bergoglio no desejo de salvar as almas. Depois de ter ocupado altíssimos cargos entre os jesuítas da Argentina, Jorge tornava-se um simples servidor do Evangelho. E como ele mesmo afirmou: “Córdoba foi um propedêutico da missão que Deus ainda estava por confiar.”

No livro “El jesuíta” o então arcebispo de Buenos Aires revelou com muita sinceridade a sua profunda experiência de encontro com sua própria miséria e a misericórdia de Deus:

“A verdade é que sou um pecador a quem a misericórdia de Deus amou de um modo privilegiado. Desde jovem, a vida me colocou em cargos de governo – recém ordenado presbítero fui designado mestre de noviços, e dois anos e meio depois, provincial – e tive que ir aprendendo durante o percurso, a partir dos meus erros, porque isso sim, erros cometi aos montes. Erros e pecados. Seria falso da minha parte dizer que hoje em dia peço perdão pelos pecados e ofensas que poderia ter cometido. Hoje, peço perdão pelos pecados e ofensas que realmente cometi.”

Deste modo, Papa Francisco nos convida, através de sua própria experiência do perdão de Deus a percorrer os sendeiros de sua misericórdia e como ele sempre nos repete: “jamais podemos nos cansar de pedir perdão, porque Deus jamais se cansa de nos acolher e perdoar!”

Fonte: Vatican News