3º Domingo do Tempo Comum: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir!”

LEITURAS: Ne 8,2-4a.5-6.8-10 / Sl 18B / 1Cor 12,12-14.27 / Lc 1,1-4; 4,14-21

O evangelista Lucas é o único que apresenta esta passagem em que Jesus está na sinagoga em Nazaré e lê um breve texto do profeta Isaías. Jesus frequentava as sinagogas e o templo de Jerusalém, como também os primeiros cristãos farão depois. Certamente foi na sinagoga que Jesus aprendeu a ler e conheceu as Escrituras.

Lucas, que fez um “estudo cuidadoso de tudo que aconteceu desde o princípio”, apresenta já no início do seu Evangelho que Jesus veio cumprir as Escrituras. A ação de Jesus é impulsionada pelo Espírito Santo que é a força criadora de Deus. Na sinagoga, Ele lê o profeta Isaías (Is 61) e reconhece que aí está o programa de sua missão. Cheio do Espírito, Jesus se reconhece e se apresenta como o “ungido” por Deus “para anunciar a Boa-nova aos pobres”. No Antigo Testamento a “unção” faz referência ao Messias, o Salvador. Jesus, tomando as palavras do profeta Isaías, a apresenta no sentido de missão profética para anunciar a mensagem de Deus.

A mensagem não será apenas um ensinamento teórico, ou um discurso, mas uma prática de realização da vontade de Deus que ama a todos e dá vida em abundância a todos. Por isso, no programa de ação de Jesus está a “libertação dos cativos, aos cegos a recuperação da vista; libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor”. “Anunciar a Boa-nova aos pobres” porque são eles que ficam excluídos da sociedade e da comunidade religiosa; e são eles que têm maior abertura para receber a Palavra de Deus. Libertar os “cativos” porque a maioria dos presos daquele tempo estavam na prisão por pequenas dívidas financeiras e não porque eram criminosos. Restituir a vista “aos cegos” é referência aos presos libertos que, depois de passar longos períodos no escuro das prisões subterrâneas, veriam novamente a luz. “Libertar os oprimidos” porque na sociedade nem todos tinham as mesmas oportunidades e os seus direitos respeitados e, além disso, eram explorados pelo trabalho mal remunerado e pelos impostos. O “ano da graça do Senhor” faz referência ao jubileu que, no Antigo Testamento, previa a devolução dos bens confiscados, especialmente a terra, pois ela pertence a Deus.

Esta palavra de Jesus provocou admiração e perseguição, pois entre os seus conterrâneos, Ele não era reconhecido como profeta. Hoje os cristãos são chamados a dar ouvido à Palavra de Deus, como o povo o fez na primeira leitura, quando Esdras leu a Escritura reencontrada na reforma do templo. Em obediência, abraçar o projeto de Deus para continuar a missão de Jesus, uma vez que todos os batizados são ungidos pelo Espírito Santo para serem instrumentos de libertação de todas as situações de injustiças e opressão.

Frei Valmir Ramos, OFM

2º Domingo do Tempo Comum: “Fazei o que ele vos disser!”

LEITURAS: Is 62,1-5 / Sl 95 / 1Cor 12,4-11 / Jo 2,1-11

O Evangelho segundo João é o único texto que traz o “primeiro sinal” que Jesus realizou no meio do seu povo. Então chegou a hora da revelação. De fato, os “sinais” no Evangelho de João revelam que Jesus é o Messias, o Deus que não abandona o seu povo a quem ama como um esposo. A imagem do casamento é emblemática para indicar o amor, a ternura e a misericórdia de Deus.

O profeta Isaías anima o povo de Jerusalém anunciando o grande amor de Deus que a chama de “minha predileta”, “uma coroa de glória”, “a alegria do teu Deus”. Era um tempo em que o povo estava cansado, sem esperança, impaciente, pois retornava do exílio e tudo estava destruído e muito confuso. O profeta como porta-voz de Deus, anuncia algo novo, fala de “um nome novo”, de justiça e indica uma nova aliança. Isto quer dizer um novo empenho de Deus com o seu povo que também deverá empenhar-se com as cosias de Deus e a sua justiça.

O vinho novo das bodas de Caná é repleto de significado, pois chegou o novo tempo, que é o tempo do Messias, tempo da salvação do povo de Deus. Este tempo messiânico é indicado como um banquete de casamento. E aí está Jesus participando de uma festa de casamento. Ele se revela ao seu povo de maneira simples e na vida cotidiana. Ele mesmo é o esposo que agora está no meio do povo amado por Deus e sua ação revela seu empenho de amor, de ternura e misericórdia.

A água antes usada para os rituais de purificação, agora é “vinho novo”. Isto significa que o ritualismo judaico estava superado e com a chegada do tempo messiânico, já anunciado por João Batista, é necessário uma nova atitude que corresponda ao amor esponsal de Deus, purificando o interior dos sentimentos de egoísmo, de desejo de vingança, de violência, de discriminação, de preconceito e das injustiças contra irmãos e irmãs.

Para os cristãos de hoje, a atuação e revelação de Jesus nas bodas de Caná significa que é tempo de abertura para acolher o Messias com o seu projeto de salvação. É tempo de abraçar com alegria o Deus que se revela como esposo, amigo, cheio de ternura e misericórdia para com o seu povo e de prestar atenção às necessidades daqueles que sofrem por falta de alimento, de remédio, de casa, de terra, de emprego e de qualquer outro elemento que proporcione vida digna de filhos de Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

Festa do Batismo do Senhor: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer!”

Imagem Ilustrativa (Fonte): Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

LEITURAS: Is 42,1-4.6-7 / Sl 28 / At 10,34-38 / Lc 3,15-16.21-22

Antes de iniciar a sua missão, Jesus recebe o batismo de João Batista. O evangelista Lucas apresenta o início da segunda etapa da história da salvação, encerrando o ministério de João Batista e iniciando o de Jesus. De fato, até João acontece a etapa da promessa de Deus que enviará um Salvador para toda a humanidade. Aquele que no profeta Isaías é chamado “servo”, “eleito”, no qual Deus pôs o seu Espírito e o fez “luz das nações” para “obter a verdade”, “estabelecer a justiça”, “abrir os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”, é aquele que João Batista anunciou que batizaria “no Espírito Santo e no fogo”.

Lucas narra o batismo de Jesus em uma cena emblemática, mostrando Jesus no meio do povo quando, tendo sido batizado, recebe o Espírito Santo. Aí começa um novo tempo, no qual se realiza a promessa de libertação do povo de Deus. Como os outros evangelistas, Lucas narra a descida do Espírito que vem do céu acompanhado de uma voz: “Tu és o meu Filho amado”. É a mesma voz que ressoará na passagem da transfiguração. Lucas, no entanto, fala de uma “forma visível” do Espírito “como pomba”. É bom lembrar que espírito na Sagrada Escritura é “sopro”, “hálito”, “vento” de Deus e, como tal, não pode ser visto. A pomba sobrevoa, baixa, “aterrissa”, faz o movimento semelhante ao Espírito que “pairava sobre as águas” durante a criação. É o mesmo Espírito, ou seja, a força criadora de Deus. A “forma visível”, então, é para que todos soubessem que Aquele que fora batizado era o “Filho amado” de Deus que veio para Salvar todos os povos.

No discurso de São Pedro, na segunda leitura, vemos como ele anuncia Jesus “ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder” “que é o Senhor de todos”. E Pedro testemunha que “Deus não faz distinção entre pessoas”, mas “aceita quem o teme e pratica a justiça”. Pedro está atuando naquele período que São Lucas entende como terceiro, isto é, o período da Igreja, no qual os cristãos é que são os responsáveis por continuar o projeto de Jesus. Muitos na Igreja daquele período colocavam em dúvida se os estrangeiros poderiam se batizados e fazer parte dela. Foi preciso dialogar muito e São Paulo foi a Jerusalém para mostrar como Jesus Ressuscitado também estava agindo no meio dos estrangeiros sem fazer distinção.

Hoje todos os batizados são chamados a continuar a missão de Jesus, pois ainda existe muita injustiça, muita treva e muito sofrimento na vida dos irmãos e irmãs de Jesus. Ele conta com cada um para que a libertação das situações desumanizantes seja uma realidade. Para esta missão ele envia o seu Espírito e espera que os batizados sejam fiéis e se mantenham em oração como Ele mesmo fez.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade da Epifania do Senhor: “Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo!”

Imagem Ilustrativa (Fonte): Vatican News

LEITURAS: Is 60,1-6 / Sl 71  / Ef 3,2-3a.5-6 / Mt 2,1-12

Acredita-se que inicialmente os “reis magos” vinham da Pérsia e eram um tipo de sacerdotes ou sábios ou astrólogos, observadores dos astros celestes. O texto do profeta Isaías (Is 60,6) fez a tradição enxergar nos “magos” vindos do oriente como “reis”. Eles chegam em Jerusalém e perguntam “onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”. Não só a presença destas visitas inesperadas causa inquietação, mas principalmente a pergunta pelo rei que acabava de nascer. Herodes, que era o rei, quer saber detalhes porque não admite um sucessor concorrente. Os visitantes captam suas intenções e voltam para casa “seguindo outro caminho”.

Eles foram guiados por uma estrela diz o texto. No Antigo Testamento vemos o anúncio de uma “nova estrela” (cf Nm 24,17) que não seria simplesmente um novo fenômeno astral, mas um “rei”. De fato, encontram um “menino com Maria, sua mãe” e o reconhecem como um Deus. Por isso “se ajoelham diante dele e o adoram”.

Aí está a manifestação de Jesus, que nasceu para salvar todos os filhos e filhas de Deus, sem olhar a qual nação ou raça pertença. O profeta Isaías havia anunciado a glória de Deus sobre Jerusalém como “luz” para todos os povos. Com isso Isaías indica a presença de Deus que manifesta a sua glória naquela cidade onde atrairia povos e reis. Ao mesmo tempo, indica que brilhou a luz não apenas para um grupo seleto, restrito aos mais fervorosos seguidores da Lei, mas a todos os povos, incluindo os considerados “infiéis”.

O autor da Carta aos Efésios faz ver como de fato o Salvador se manifesta a todos dizendo que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Este é o ensinamento para todos os cristãos, pois nenhum deles pode ter a pretensão de tomar posse da salvação ou restringi-la ao seu próprio grupo. Com esta compreensão, a tradição cristã fez os três reis aparecerem como raças e cores diversas.

A manifestação de Jesus não se dá com poderio e a partir do centro, mas vem da pequenina cidade de Belém, de onde os poderosos e os doutores não esperavam. A glória de Deus se manifesta então a partir da humilde presença do Salvador como menino recém-nascido e colocado em uma manjedoura. Por isso mesmo, a Igreja, como comunidade missionária, é chamada a anunciar a presença do Salvador entre todos os povos estando do lado dos mais pequeninos e humildes que mais enfrentam as trevas deste mundo.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria: “Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração!”

Imagem Ilustrativa (Fonte): Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

LEITURAS: Nm 6,22-27 / Sl 66 / Gl 4,4-7 / Lc 2,16-21

São Paulo dá testemunho de Jesus Cristo como sendo o Salvador que nasceu de uma mulher do seu povo. Esta afirmação é para dizer que Jesus é verdadeiro homem, que não é um mito ou um espírito que ficou visível aos seus discípulos e às multidões. Na sequência da carta, o autor diz que nasceu “sujeito à Lei”, quer dizer, tão humano que não se esquivou de observar as prescrições religiosas de seu povo. A jovem que acreditou na Palavra de Deus é uma mulher de fé e cumpre os preceitos religiosos, por isso leva Jesus ao templo, apresenta-o e cumpre os ritos necessários.

São Lucas narra o momento em que os pastores encontram Maria, José e o “recém-nascido deitado na manjedoura”. Para os pastores, homens simples e certamente analfabetos, Deus revela a notícia da chegada do Salvador, que entra na história da humanidade silenciosamente, de maneira humilde, no seio de uma família pobre e na periferia do mundo. Este nascimento acontece em um contexto histórico bem concreto e conhecido. A cena construída por São Lucas mostra os pastores que chegam aonde estão Maria e José e veem o recém-nascido. Não se trata de uma visão em sonho ou em transe, mas uma realidade muito concreta: lá está uma mulher que deu à luz um filho e lá está o que nasceu como nascem todos os seres humanos. Os pastores glorificam a Deus pelo que lhes foi revelado. Ainda não sabem bem o que será daquele menino da manjedoura, mas retornam ao trabalho transformados.

Também Maria “guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Ela é mulher de fé, mas percorre um caminho de discipulado para compreender que aquele Menino deve cumprir o projeto do Pai. O que é traduzido como “fatos” que Maria guardava e meditava é um termo que corresponde a “palavra”, os “acontecimentos”, isto é, aquilo que em hebraico faz referência a palavra/ação realizada por Deus. Maria encontra-se imersa em um processo de amadurecimento de sua fé que alcançará o cume ao celebrar a ressurreição do filho Jesus.

As celebrações natalinas devem transformar os cristãos num processo constante de amadurecimento da fé e do compromisso com o Reino de Deus. É sempre um risco celebrarmos e pedirmos o nascimento de Jesus em todos os corações, em todas as famílias, e nos esquecermos que Ele nasceu realmente como nascem todos os bebês e entrou na história concreta da humanidade, ensinou um novo caminho da prática do amor altruísta, agiu construindo o Reino de Deus, foi perseguido, morto e ressuscitou vencendo a morte. Hoje, todos são chamados a reconhecê-lo no rosto dos sofredores, especialmente das vítimas da miséria, da violência, dos abusos e da indiferença.

Frei Valmir Ramos, OFM

Sagrada Família – Jesus, Maria e José: “Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens!”

Imagem Ilustrativa (Fonte): Paróquia de São José da Agonia

LEITURAS: Eclo 3,3-7.14-17a / Sl 127 / Cl 3,12-21 / Lc 2,41-52

No Domingo que ocorre entre a celebração do Natal e do Ano Novo a Igreja celebra o dia da Sagrada Família. O evangelista Lucas mostra a família de Jesus no templo de Jerusalém cumprindo os seus deveres religiosos. Era período da Páscoa quando todos deveriam ir a Jerusalém. Terminada a peregrinação, todos rumam para a Galileia, menos Jesus, que permanece entre os “doutores da Lei”, isto é, aqueles que sabiam ler e discutiam e interpretavam as Sagradas Escrituras. A cena construída pelo evangelista nos faz ver que a peregrinação era intensa, que os principais personagens são Jesus, Maria e José e os doutores e que Jesus começa a revelar-se como o Filho de Deus.

O diálogo entre Maria e Jesus parece um pouco ríspido pelo fato de Jesus estar “perdido” por três dias. Este número é cheio de simbologia, fazendo pensar imediatamente no terceiro dia da ressurreição da Páscoa. “Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” foi a resposta de Jesus. Esta é a indicação de sua consciência de ser “Filho de Deus” e que sua missão está profundamente enraizada na Palavra das Sagradas Escrituras. Contudo, Jesus continua obediente e crescendo “em sabedoria, estatura e graça”. Da parte de Maria e de José deverá acontecer também o crescimento da compreensão sobre a missão e a revelação do filho.

O autor do livro do Eclesiástico, faz um apelo aos membros da família para que se respeitem e vivam o amor de modo altruísta. De modo especial recomenda aos filhos um comportamento de respeito e amor para com a mãe e o pai.

Na carta aos colossenses, o autor expõe a mentalidade de sua época quanto ao relacionamento dos casais. Ele fala que as esposas devem ser “solícitas aos seus maridos”. Esta expressão, vinculada a outras em que aparece o mandamento de “submissão” da mulher, indica como a sociedade se organizava sem considerar a dignidade da mulher.

Jesus, no entanto, nascido no seio de uma família, quebrou as estruturas deste comportamento e mostrou que mulher e homem têm a mesma dignidade, por isso o casal precisa viver no amor mútuo e crescer na intimidade para formar um só coração. Jesus, que nasceu numa família de Nazaré, indica o projeto de Deus para a humanidade: nascer e crescer com laços profundos de familiaridade unidos pelo amor. É o que podemos traduzir com a expressão “Deus ama e abençoa a família”.

Hoje, toda a humanidade precisa amar mais a família, entender que o ser humano precisa nascer e crescer com laços e vínculos familiares fortes e receber da família os princípios do respeito, da solidariedade, da paz e da religiosidade.

Frei Valmir Ramos, OFM

Papa Francisco: a esperança é mais forte que as dificuldades, pois um Menino nasceu para nós

Jackson Erpen (Cidade do Vaticano)

“O Verbo fez-Se carne para dialogar conosco. Deus não quer construir um monólogo, mas um diálogo. Pois o próprio Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, é diálogo, comunhão eterna e infinita de amor e de vida.”

Diálogo é a palavra a partir da qual o Pontífice desenvolve sua Mensagem de Natal dirigida à cidade e ao mundo, pronunciada da sacada central da Basílica de São Pedro em um 25 de dezembro chuvoso, o que não impediu a presença de milhares de peregrinos e turistas de várias partes do mundo na Praça São Pedro, na observância das novas medidas, mais restritivas, para conter a propagação da Covid-19. 

Depois da Mensagem de Natal o Papa rezou o Angelus, seguido pelo anúncio da concessão da Indulgência Plenária pelo cardeal protodiácono Renato Raffaele Martino, que então passou novamente a palavra ao Santo Padre para a Bênção, extensiva também a todos que acompanhavam pelos meios de comunicação.

O sinal da transmissão estava disponível em seis satélites e a Mensagem com a Bênção Urbi et Orbi foi transmitida em Mundovisão por cerca de 170 redes de televisão. A mídia vaticana também ofereceu serviço de tradução na língua dos sinais (LIS). Já o Vatican News ofereceu transmissões em sete línguas: português, espanhol, italiano, inglês, francês, alemão e árabe.  

Diálogo, única solução para conflitos

“Quando veio ao mundo, na pessoa do Verbo encarnado, Deus mostrou-nos o caminho do encontro e do diálogo” e “como seria o mundo sem o diálogo paciente de tantas pessoas generosas, que mantiveram unidas famílias e comunidades?”, pergunta o Papa, observando que a pandemia deixou isso muito claro ao afetar as relações sociais, aumentar “a tendência para fechar-se, arranjar-se sozinho, renunciar a sair, a encontrar-se, a fazer as coisas juntos”. E a nível internacional, a complexidade da crise pode “induzir a optar por atalhos”, mas só o diálogo conduz “à solução dos conflitos e a benefícios partilhados e duradouros”.

As tragédias esquecidas

E ao lançar seu olhar para o panorama internacional, Francisco observou que contemporaneamente ao “anúncio do nascimento do Salvador, fonte da verdadeira paz, “vemos ainda tantos conflitos, crises e contradições. Parecem não ter fim, e já quase não os notamos”.

“De tal maneira nos habituamos, que há tragédias imensas das quais já nem se fala; corremos o risco de não ouvir o grito de dor e desespero de tantos irmãos e irmãs nossos.”

Oriente Médio e Afeganistão

E dentre as tragédias esquecidas por todos, o sofrimento das populações da Síria, Iraque, Iêmen, em particular das crianças. Mas também o conflito entre israelenses e palestinos, “com consequências sociais e políticas cada vez mais graves”.

“Menino Jesus, dai paz e concórdia ao Médio Oriente e ao mundo inteiro. Amparai a quantos se encontram empenhados em prestar assistência humanitária às populações forçadas a fugir da sua pátria; confortai o povo afegão que, há mais de quarenta anos, está submetido a dura prova por conflitos que impeliram muitos a deixar o país.”

Myanmar e Ucrânia

Ao Rei dos Povos, o Papa pede que ajude as autoridades políticas a  pacificar “as sociedades abaladas por tensões e contrastes”, em particular Myanmar, “onde intolerância e violência se abatem, não raro, também sobre a comunidade cristã e os locais de culto, e turbam o rosto pacífico daquela população.” Mas também “luz e amparo” para quem acredita e trabalha em prol do encontro e do diálogo na Ucrânia e não permitir que “metástases dum conflito gangrenado” se espalhem pelo país.

África

O Santo Padre volta então seu olhar para os países africanos atribulados por conflitos, divisões, desemprego, desigualdades econômicas, pedindo ao Príncipe da Paz pela Etiópia para que descubra o caminho da paz e da reconciliação e para que ouça o clamor “das populações da região do Sahel, que sofrem a violência do terrorismo internacional”, bem como pelas vítimas dos conflitos internos no Sudão e Sudão do Sul.

América

Para as populações do continente americano Francisco pede que “prevaleçam os valores da solidariedade, reconciliação e convivência pacífica, através do diálogo, do respeito mútuo e do reconhecimento dos direitos e valores culturais de todos os seres humanos.”

Vítimas de violência, abusos, abandono

O Papa também pede ao Filho de Deus conforto para as mulheres vítimas de violência, esperança para as crianças e adolescentes vítimas de bullying e abusos, consolação e carinho aos idosos, sobretudo os mais abandonados e serenidade e unidade às famílias, “lugar primário da educação e base do tecido social.”

Na saúde, generosidade dos corações

Para os doentes o Papa pede saúde, bem como inspiração às pessoas de boa vontade para que encontrem “as soluções mais adequadas para superar a crise sanitária e as suas consequências”:

“Tornai generosos os corações, para fazerem chegar os tratamentos necessários, especialmente as vacinas, às populações mais necessitadas. Recompensai todos aqueles que mostram solicitude e dedicação no cuidado dos familiares, dos doentes e dos mais fragilizados.”

Não renegar a humanidade que nos une

Mas não só: o olhar de Francisco também abarca civis e militares prisioneiros de guerras, migrantes, deslocados e refugiados, cujos olhos “pedem-nos para não voltarmos o rosto para o outro lado, para não renegarmos a humanidade que nos une, para assumirmos as suas histórias e não nos esquecermos dos seus dramas.”

O ambiente que deixaremos para gerações futuras

E para que as gerações futuras possam viver num ambiente respeitoso da vida, o Papa exorta as autoridades políticas a encontrarem acordos eficazes e assim sermos mais solícitos pela nossa Casa Comum, “também ela enferma pelo descuido com que frequentemente a tratamos”.

Caminhar pelas sendas da paz

“Queridos irmãos e irmãs, muitas são as dificuldades do nosso tempo, mas a esperança é mais forte, porque «um menino nasceu para nós». Ele é a Palavra de Deus que Se fez “in-fante”, capaz apenas de chorar e necessitado de tudo. Quis aprender a falar, como qualquer criança, para que nós aprendêssemos a escutar Deus, nosso Pai, a escutar-nos uns aos outros e a dialogar como irmãos e irmãs. Ó Cristo, nascido para nós, ensinai-nos a caminhar convosco pelas sendas da paz. Feliz Natal para todos!”

Fonte: Vatican News


Bênção Urbi et Orbi (em 52″)

Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados!”

Imagem Ilustrativa (Fonte): “A natividade” (det.) | Bicci di Lorenzo | Museu Wallraf-Richartz, Colónia, Alemanha (Link: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura)

LEITURAS (Missa da Noite): Is 9,1-6 / Sl 95 / Tt 2,11-14 / Lc 2,1-14

O profeta Isaías anuncia que “um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado”. Nesta noite de Natal a revelação de Deus ao profeta se concretizou. O evangelista Lucas narra como aconteceu o nascimento deste menino. Tendo o cuidado de expressar concretamente o grande mistério desse nascimento, Lucas contextualiza o tempo e o lugar para indicar que a vinda de Jesus não é apenas uma abstração atemporal e fora da história humana.

Era o tempo dos personagens bem conhecidos na história política: César Augusto, imperador romano que dominava o povo judeu; Quirino, governador da Síria, que organizou o recenseamento da Palestina; Herodes, rei da Judeia. O local é tido como “cidade de Davi”, Belém, uma cidadezinha sem muita importância próxima a Jerusalém. Lá chegaram José e sua esposa grávida, Maria, certamente em meio a parentes de José. Por causa do tal recenseamento a casa estava cheia.

O lugar do nascimento é o mais improvável para um bebê: um estábulo. O berço não é berço: uma manjedoura. É aí que “nasceu para nós um menino”. É daí que surge o anúncio “hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor! Um menino envolvido em faixas, deitado em uma manjedoura”.

Que mistério inebriante! Em sua grandeza e infinitude, Deus quis fazer-se carne assumindo nossa pequenez e limitação. Nasceu o Salvador do mundo numa extrema pobreza, à margem de toda sociedade, sem um lugar numa casa, sem um berço, apenas com o aconchego do colo de Maria. Este é o sinal mais eloquente de que Deus está com o seu povo, com os pobres, os marginalizados, os sem teto, os sofredores.

O profeta Isaías anuncia um novo tempo: sem opressão, sem guerra, sem armas, sem derramamento de sangue… mas com paz, com direito e justiça, pois nasceu o “Conselheiro admirável, o Deus poderoso, Pai para sempre, o Príncipe da paz”.

São Francisco de Assis quis sentir, tocar, abraçar e contemplar este mistério no presépio pobre com cheiro de animais. Na alegria ele glorificou o Deus humanizado, cuja presença ele via no leproso, no pobre, no mundo…

O Natal é ocasião para cada cristão tomar a iniciativa e fazer-se amigo de um irmão pobre. Oferecer-lhe um coração e uma mão generosa além de algo material que amenize o seu sofrimento.

A alegria das festividades não pode abafar o grito inocente daquelas crianças atingidas pela fome, pela marginalização, pelo abandono, pela violência, pela indiferença. Hoje devemos rezar: Jesus feito carne como uma criancinha seja luz e vida para todas as crianças ameaçadas no mundo.

Frei Valmir Ramos, OFM

4º Domingo do Advento: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”

LEITURAS: Mq 5,1-4a  / Sl 79 / Hb 10,5-10 / Lc 1,39-45

Maria recebeu o anúncio do Anjo Gabriel e logo depois foi ao encontro de Izabel. Aí acontece o primeiro encontro de João Batista e Jesus. As mães proporcionam o encontro. A narração de São Lucas diz que ao ouvir a saudação de Maria “a criança pulou no ventre de Izabel”. Este foi o sinal da presença de Deus percebida nesta manifestação do nascituro João Batista. Na Bíblia vemos que na presença de Deus a terra treme como aconteceu também no dia de Pentecostes. É a indicação de que o Espírito de Deus está aí e age na história daquelas pessoas. Maria está grávida por obra do Espírito Santo. Isabel “ficou cheia do Espírito Santo” e reconheceu Maria como “mãe do Senhor”. A alegria invadiu aquelas mulheres que reconheceram a ação de Deus em suas vidas para a salvação do seu povo.

Toda a cena construída pelo Evangelista indica que Deus ressalta a condição da mulher. Izabel é mãe, Maria é mãe, é morada do Espírito Santo. Izabel reconhece que Maria é “aquela que acreditou” na promessa de Deus para salvar o seu povo, filhos e filhas que Ele nunca abandona. De fato, Maria escutou a Palavra de Deus através de Gabriel e colocou-se a serviço. Mesmo sem entender muito bem como tudo aconteceria, ela abraçou a vontade de Deus e se fez serva para gerar o Filho único que revelaria o amor infinito de Deus pela humanidade. Quando Maria ficou sabendo da gravidez de Izabel, considerada idosa, foi “apressadamente” à casa dela para ajudá-la nos últimos meses de gravidez. A visita tinha o objetivo de servir, mas aconteceu o encontro daqueles que eram esperados: alguém que iria “preparar o caminho” e alguém que tinha assumido a natureza humana para conduzir todos à vida que não tem fim.

O anúncio do profeta Miquéias na primeira leitura é que “uma mãe dará à luz” a um filho que será grande, será “ele mesmo a Paz”. Este profeta atuou no nono século antes de Cristo, num tempo de opressão por parte da Assíria, muitos impostos, trabalho forçado e ameaças de destruição. Não existia paz e o povo estava sem esperança. Era o tempo em que povo era reinado por Joatão, Acaz e Ezequias. A mensagem é de esperança e retoma a promessa de Deus de fazer nascer um descendente do rei Davi, que era da cidade de Belém da Judeia.

Já a mensagem da Carta aos Hebreus indica a superação de todos os rituais do Antigo Testamento para apagar os pecados da humanidade. Agora, pela entrega de si mesmo feita por Jesus, chegou a salvação. Esta leitura mostra a grandeza daquele Menino nascido na pequenina cidade de Belém, numa gruta sem conforto e no seio de uma família pobre e sem insígnias de poder.

Maria é mulher de fé e de esperança, que coloca-se inteiramente nas mãos de Deus, cheia de confiança de que o Messias prometido chegará para salvar o seu povo.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem do Ministro Geral para o Natal

Roma, 8 de dezembro de 2021

A todos os Frades Menores da Ordem

A todas as Irmãs Pobres da Ordem de Santa Clara

Aos irmãos e amigos da nossa Ordem

Caros Irmãos e Irmãs, o Senhor lhes dê a paz!

Eu gostaria de entrar com vocês nos sentimentos de São Francisco, quando naquele Natal de 1223 satisfez o inquieto impulso de encaminhar-se entre as rochas e os bosques em torno da vila de Greccio. Não sozinho, mas acompanhado pelos seus irmãos e por uma humanidade simples e pobre, feita de camponeses, de gente humilde. O que impulsionou Frei Francisco a viver aquele Natal foi o desejo irresistível de ver com os seus olhos a pobreza em que o Senhor Jesus quis nascer. E isto para crer que Ele – crucificado e ressuscitado – está presente, vivo e glorificado no Espírito Santo, escondido sob parca aparência de pão até o dia de seu retorno.

Clara viverá deste olhar estupefato e amoroso que nutre a sua fé e a concentra na pobreza de Jesus, desde o seu nascimento, ao longo de toda a sua vida, até à cruz. A vida de Clara é transformada e feita em tudo semelhante ao Crucificado pobre, juntamente com suas irmãs.

Ver e crer são dois verbos, sabemo-lo bem, centrais na vida de São Francisco.

Ver lembra-nos a “fisicidade” da fé de Francisco: não lhe basta pensar, mas ele quer ver com os olhos, tocar com as suas mãos, sentir o cheiro com o nariz, ouvir com seus ouvidos, degustar com a sua língua. Em suma, toda a sua pessoa, os seus sentidos, são colocados em movimento pelo desejo, por aquilo que mais profundamente o move. A fé é simplesmente vida para ele.

Pergunto-me se ainda tenho forte em mim o desejo de ver e de tocar o Senhor. Talvez outra coisa me move muito mais. Então tenho necessidade, como Francisco, de sair da minha zona de conforto e de colocar-me a caminho para um lugar diferente e talvez hostil, a que aludem o bosque e as rochas de Greccio. É aqui que posso escutar de novo aquele desejo que habita em mim, no gemido próprio da criação, nossa casa comum: ver o Senhor Jesus no mistério da sua pobreza e fraqueza, abrir-me e abrir- -nos ainda no Espírito a um renovado encontro com Ele.

Francisco viveu este encontro de modo “físico”: toca o corpo do Senhor no Evangelho, lido e escutado a cada dia; ele o vê no leproso, nos seus irmãos, nos sacerdotes pobrezinhos, nos pecadores; a pobreza de Jesus no paradoxo da condição humana, magnífica, mas ao mesmo tempo destinada à morte. Finalmente libertado do amargor e do medo, olhou nos olhos esta fragilidade.

Do encontro com Jesus floresce para ele a alegria da fé, o olhar novo do homem ressuscitado que vê a presença de Deus em todas as criaturas e por isso o louva e lhe restitui todo bem.

Crer: a fé é acesa por aquele encontro que me tocou e deixou o seu sinal na carne da minha vida. O nosso crer individual nasce e é guardado pelo grande “sim” da fé da Igreja. É este o ato que aquele ver, aquele tocar e deixar-se alcançar realiza. Procuremos o eco deste “sim” mesmo na misteriosa viagem que, por caminhos diversos, tantas pessoas fazem em direção ao Mistério.

O ver sem crer poderia deixar a minha fé à mercê da emoção do momento.

Um crer sem ver poderia reduzir a fé a uma ideia que simplesmente não tem nada mais a ver com a minha vida e cai, mesmo quando exteriormente continuo a realizar os atos religiosos.

A alegria é o sinal que mostra que nossa fé ainda está viva; a tristeza e o lamento são a câmara de gás da fé que lentamente se narcotiza, perde o contato com a “fisicidade” da nossa carne, da vida e se torna só intelectual ou moralista. Ou desaparece.

Estejamos vigilantes, irmãos e irmãs benditos, porque isto pode acontecer também a nós e de fato acontece, quando: dou como garantida a fé e não cuido de modo criativo da vida de oração no silêncio e na contemplação, perco o contato com a palavra de Deus, deixo que a Eucaristia se torne uma rotina, não recorro alegremente ao Sacramento da Reconciliação, separo a fé da vida, não perdoo e não gasto a minha vida pelos outros, me distancio dos pobres e me adapto a uma vida cômoda e garantida.

Ver e crer, eis os passos de Francisco, desarmadores na sua simplicidade e profundidade.

Neste Natal de 2021, vivamos ainda a espera do Senhor que nutre a fé. Ele está presente no lusco-fusco deste tempo que nos pede escuta, discernimento e decisão:

– o medo difundido da pandemia que parece não ter fim e nos está modificando, inclusive o lugar que a ciência e a tecnologia ocupam como nunca e em nenhum lugar;

– a solidariedade que tantos colocaram em campo nesta emergência, como não pensávamos;

– o amontoar-se de tantos migrantes e refugiados em tantas fronteiras, com o senso de impotência que isto nos dá;

– os sinais concretos de acolhida e de abertura ao outro, pagando pessoalmente;

– o sofrimento de nossa irmã terra, arranhada pela fadiga de tantas mulheres, homens e crianças na sua dignidade física e moral;

– os sinais de resistência e de responsabilidade para com o futuro da nossa casa comum, sobretudo dos mais jovens;

– os focos de guerra, de terror e de repressão espalhados pelo mundo, tantos de que não se tem notícia;

– o trabalho silencioso de quem se torna de muitos modos operador e mediador de paz e de justiça.

Este elenco poderia continuar. Somos chamados a celebrar o Natal com os olhos capazes de ver esta realidade em nós e em torno de nós. Cada um, a partir de si mesmo, dê um passo em direção àquele bosque de Greccio entre as rochas para ver um Menino que nasce exatamente nesta realidade pobre.

Neste Natal, creio que sou e somos chamados a ver e crer em um mundo novo.

No-lo pede o tempo que vivemos, o qual termina com toda segurança, mesmo religiosa.

No-lo pede a própria dinâmica da fé, que é caminho, busca, adesão sempre renovada.

No-lo pede a nossa vida religiosa, que hoje exige uma profunda ressignificação nos diferentes contextos em que vivemos no mundo.

No-lo pede também o medo que talvez ainda temos de Deus: recordemos que Ele nos dá tudo e não nos tira nada; oferece-nos a si mesmo como um pai que faz com seus filhos; revela-nos o seu rosto de misericórdia e de graça para que a nossa humanidade viva.

No-lo pede o fato de que hoje a fé perde sentido para a vida de tantas pessoas no mundo e frequentemente também para nós que escolhemos o seguimento do Senhor.

Francisco surpreende-nos como sempre e indica-nos a estrada que leva a Greccio, isto é, aos lugares remotos, distantes das grandes rotas, para redescobrir exatamente aí a possibilidade de um crer novo, rico também hoje de vida e de futuro, a buscar como peregrinos na noite.

O meu voto para este Natal de 2021 está todo aqui: que possamos abrir os olhos no Espírito Santo e crer no mistério da pobreza de Jesus e da sua Santíssima Mãe. E a partir destes “olhos espirituais” deixar reacender a chama da fé. Acesos pelo fogo do Espírito Santo, nós nos tornaremos sempre mais incandescentes contra todo imobilismo gélido do coração. Seremos assim, nas diversas partes do mundo que habitamos, aquele sinal profético que somos chamados a ser por vocação, presença de Cristo crucificado e ressuscitado para cada irmão e irmã que o Senhor nos permite encontrar. Eis o sinal profético que Francisco e Clara foram no calor da sua fé, que foi busca humilde – e não sua posse – da Presença do Vivente em todas as criaturas.

Eis o sinal que podemos ser cada vez que não tivermos medo de ainda ver e crer.

Bom Natal, irmãos e irmãs, e recordemos uns aos outros o Senhor que vem.

Seu irmão e servo,

Fr. Máximo Fusarelli, OFM (Ministro Geral)

Fonte: OFM