A conversão do Papa Francisco

Bruno Franguelli, SJ

Podemos contemplar o jovem Jorge, aos 17 anos, caminhando pelas ruas de Buenos Aires ao encontro de seus amigos para festejar o Dia do Estudante. Era o dia 21 de setembro, festa litúrgica de São Mateus Apóstolo. Ao passar diante de sua comunidade paroquial, a Igreja de San José de Flores, decidiu entrar para fazer uma breve oração. Ao ingressar na Igreja, encontrou um padre que ainda não conhecia e que logo transmitiu-lhe grande confiança e espiritualidade. Imediatamente pediu para receber o sacramento da Reconciliação. Bergoglio recorda detalhes daquele momento. Não foi apenas uma confissão a mais, foi o seu grande encontro pessoal com a Misericórdia e o amor de Deus. Mais tarde, como Cardeal, ao lembrar este fato, ele mesmo revela que naquele momento sentiu que tinha ido ao encontro de Alguém que já o estava esperando. Sentiu que algo estava mudando em sua vida. Assim, desistiu de ir ao encontro de seus amigos para festejar e, ao invés disso, retornou a sua casa e revelou a sua família, ainda que sem saber ao certo o que significava, seu grande desejo:

“Quero e tenho que ser padre!”

Ainda que continuasse convicto de sua vocação religiosa, Jorge Bergoglio continuou amadurecendo a ideia de abraçar a vida sacerdotal. Após alguns anos, decidiu entrar no Seminário da Arquidiocese de Buenos Aires, mas logo após, encantou-se pelo modo de ser dos jesuítas, que na época, dirigiam o Seminário. Deste modo, pediu para ser admitido ao noviciado da Companhia de Jesus.

A “segunda conversão” do Pe. Jorge Bergoglio

Depois de sua longa trajetória de formação na Companhia de Jesus, Bergoglio foi ordenado padre e pouco tempo depois recebeu a missão de ser mestre de noviços e, com apenas 34 anos já era provincial dos jesuítas da Argentina. Após ter exercido cargos importantes, o então Pe. Bergoglio recebeu a missão de ser confessor e acompanhante espiritual no mesmo local onde antes tinha estado como noviço. Bergoglio recorda aqueles dias como “tempo de escuridão e de sombras”, mas ao mesmo tempo, Córdoba era a cidade onde encontrou a rota de Deus em sua vida, o caminho para a sua purificação interior. De fato, era a primeira vez, desde que tinha sido ordenado presbítero, que não assumia um cargo de governo. Aquela cidade foi para ele como uma “Nazaré”, mais que um lugar, um tempo oportuno para cuidar-se a crescer quase que no anonimato, no abraço gratuito das fatigas simples do cotidiano.

Papa Francisco afirma ainda que aquele tempo ofereceu para ele a oportunidade de viver a sua “segunda conversão”. Como confessor, passou a atender pessoas provenientes dos lugarejos vizinhos que vinham à Igreja para receber a consolação do Senhor. Professores e estudantes, ricos e pobres, todos os tipos de pessoas, que confirmavam o coração de Bergoglio no desejo de salvar as almas. Depois de ter ocupado altíssimos cargos entre os jesuítas da Argentina, Jorge tornava-se um simples servidor do Evangelho. E como ele mesmo afirmou: “Córdoba foi um propedêutico da missão que Deus ainda estava por confiar.”

No livro “El jesuíta” o então arcebispo de Buenos Aires revelou com muita sinceridade a sua profunda experiência de encontro com sua própria miséria e a misericórdia de Deus:

“A verdade é que sou um pecador a quem a misericórdia de Deus amou de um modo privilegiado. Desde jovem, a vida me colocou em cargos de governo – recém ordenado presbítero fui designado mestre de noviços, e dois anos e meio depois, provincial – e tive que ir aprendendo durante o percurso, a partir dos meus erros, porque isso sim, erros cometi aos montes. Erros e pecados. Seria falso da minha parte dizer que hoje em dia peço perdão pelos pecados e ofensas que poderia ter cometido. Hoje, peço perdão pelos pecados e ofensas que realmente cometi.”

Deste modo, Papa Francisco nos convida, através de sua própria experiência do perdão de Deus a percorrer os sendeiros de sua misericórdia e como ele sempre nos repete: “jamais podemos nos cansar de pedir perdão, porque Deus jamais se cansa de nos acolher e perdoar!”

Fonte: Vatican News

Deserto é lugar de tentação: “nunca dialoguem com o diabo”, disse o Papa

Andressa Collet (Vatican News)

Neste primeiro Domingo de Quaresma, na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho do dia que evoca os temas da tentação e da conversão, através do “ambiente natural e simbólico” do deserto. De fato, com o rito penitencial das cinzas na última quarta-feira (17), começamos o caminho da Quaresma. E, neste primeiro domingo desse tempo litúrgico, a Palavra de Deus é quem nos conduz para melhor viver “os 40 dias que conduzem à celebração anual da Páscoa”.

O ambiente simbólico do deserto

O Papa, assim, através do Evangelista Marcos (cf. 1,12-15), comentou sobre o caminho percorrido por Jesus quando “o Espírito o levou para o deserto” (v. 12), se retirando durante 40 dias por lá, “onde foi tentado por Satanás”. O deserto, incentivou Francisco a refletir, um ambiente “natural e simbólico, tão importante na Bíblia”:

“O deserto é o lugar onde Deus fala ao coração do homem, e onde brota a resposta da oração, ou seja, o deserto da solidão, o coração isto é, o deserto da solidão, o coração separado de outras coisas e, somente naquela solidão, se abre à Palavra de Deus. Mas é também o lugar da provação e da tentação, onde o Tentador, aproveitando a fragilidade e as necessidades humanas, insinua a sua voz mentirosa, uma alternativa àquela de Deus, uma voz alternativa que te mostra outro caminho, um outro caminho de engano. O Tentador seduz.”

Na verdade, continuou Francisco, durante os 40 dias vividos por Jesus no deserto, “começa o ‘duelo’ entre Jesus e o diabo, que terminará com a Paixão e a Cruz. Todo o ministério de Cristo é uma luta contra o Maligno nas suas muitas manifestações: curas de doenças, exorcismos sobre os possuídos, perdão dos pecados”. Jesus, ao agir com o poder de Deus, “parece que o diabo tem a vantagem, quando o Filho de Deus é rejeitado, abandonado e, finalmente, capturado e condenado à morte”. Mas, não, disse o Pontífice, porque “a morte era o último ‘deserto’ para se atravessar para derrotar definitivamente Satanás e libertar todos nós do seu poder”.

A vitória de todos nós sobre o mal

Todos os anos, no início da Quaresma, recordou Francisco, “este Evangelho das tentações de Jesus no deserto nos lembra que a vida do cristão, nos passos do Senhor, é uma batalha contra o espírito do mal”. Mas, que devemos fazer como Jesus, que enfrentou e venceu o Tentador: “devemos estar conscientes da presença deste inimigo astuto, interessado na nossa condenação eterna, no nosso fracasso, e nos prepararmos para nos defender dele e combatê-lo”.  Assim, o Pontífice procurou enfatizar que, “nas tentações, Jesus nunca dialoga com o diabo, nunca”:

“Na sua vida, Jesus nunca fez um diálogo com o diabo, nunca. Ou o afasta dos possuídos ou o condena ou mostra a sua malícia, mas nunca um diálogo. E, no deserto, parece que há um diálogo porque o diabo faz três propostas e Jesus responde. Mas Jesus não responde com as suas palavras. Responde com a Palavra de Deus, com três passagens da Escritura. E isso é para todos nós. Quando o sedutor se aproxima, ele começa a nos seduzir: ‘mas pense isto, faça aquilo…’, a tentação é de dialogar com ele, como fez Eva. Eva disse: ‘mas não se pode porque nós…’, e entrou em diálogo. E se nós entrarmos em diálogo com o diabo, seremos derrotados. Coloque isso na cabeça e no coração: com o diabo nunca se dialoga, não há diálogo possível. Somente a Palavra de Deus.”

Nunca dialogar com o diabo

O Papa, assim, finalizou a sua reflexão, encorajando todos nós, neste tempo de Quaresma, seguir o Espírito Santo, como Jesus, e entrar no deserto, “sem medo”:

“Não se trata – como vimos – de um lugar físico, mas de uma dimensão existencial para ficar em silêncio, escutar a palavra de Deus, “para que a verdadeira conversão se realize em nós”. Não tenham medo do deserto, procurem por momentos de mais oração, de silêncio, de entrar em nós mesmos. Não tenham medo. Somos chamados a percorrer os caminhos de Deus, renovando as promessas do nosso Batismo: renunciar a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções. O inimigo está ali, agachado, tenham cuidado. Mas nunca dialoguem com ele.”

Fonte: Vatican News

1º Domingo da Quaresma: Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo!

Jesus anuncia que chegou o tempo da salvação: “cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho”. Com estas palavras e as suas ações de libertação, Jesus mostra que Deus está salvando o seu povo. De fato, quando lemos a 1ª leitura do livro do Gêneses vemos como Deus quis fazer uma aliança com o seu povo. A aliança significa um empenho de Deus para com o seu povo, que é para dar vida, acompanha-lo em todos os momentos, fortalece-lo nas dificuldades e finalmente recebe-lo na eternidade. Então a aliança não é apenas um pacto, mas um compromisso que o povo deve corresponder empenhando-se com o Reino de Deus. A promessa de Deus abrange também a vida do planeta. Toda a criação é vista com amor por Deus que é fonte de vida e espera que seus filhos e filhas preservem a vida do mundo. Destruir a natureza é destruir-se e não permitir a vida futura.

Quando Jesus anuncia que o Reino está próximo, que cumpriu-se o tempo, Ele fala de algo que todo o povo esperava, isto é, o dia da salvação com a vinda do Messias e o julgamento definitivo. É por isso que Jesus pede conversão, arrependimento dos pecados e crença no Evangelho. Do mesmo modo que Jesus retirou-se no deserto antes de iniciar sua missão, todos os cristãos são convidados a fazer da Quaresma um período intenso de conversão, de busca da misericórdia de Deus e de compromisso com o projeto dele anunciado no Evangelho.

Na 2ª leitura São Pedro faz referência ao Batismo que salva os cristãos. Porém esta salvação não é automática, pois depende do empenho do cristão batizado. Deus faz a sua parte, pois Ele é fiel e cumpre a aliança feita com o seu povo. Qual seria o empenho mais importante do cristão? Ajudar na construção do Reino de Deus. O mesmo Reino anunciado por Jesus, mas que ainda não está completado neste mundo.

Em nosso tempo, os cristãos têm a missão de ajudar na construção do Reino de Paz, pois a violência não faz parte do Reino de Deus. Ajudar na defesa da vida, pois a morte violenta não faz parte do Reino de Deus. Ajudar na construção de uma sociedade onde as pessoas são respeitadas, pois a agressão, a discriminação, a marginalização, a exploração das pessoas não fazem parte do Reino de Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

Quaresma na Via Dolorosa com os Franciscanos da Custódia da Terra Santa

Jerusalém, detalhe da Via Dolorosa

Francesca Sabatinelli (Vatican News)

Nesta Quaresma marcada pela pandemia e pela impossibilidade de deslocamento, a Via Dolorosa, com sua Via-Sacra, entrará diretamente nas casas dos fiéis que poderão percorrê-la graças ao projeto ” Hic-On the way of the cross”, desenvolvido pela Custódia da Terra Santa para permitir aos peregrinos seguirem, explicam de Jerusalém, “passo a passo o caminho que Jesus percorreu há dois mil anos, carregando a cruz sobre seus ombros desde o lugar onde foi flagelado até o lugar de sua crucificação”.

Olhos e coração dos fiéis voltados para Jerusalém

Frei Patton, Custódio da Terra Santa, explica ao Vaticano News: “Como os peregrinos não podem vir fisicamente à Terra Santa para percorrer a Via Dolorosa, que no tempo da Quaresma era uma devoção muito, muito praticada, com centenas de pessoas todas as sextas-feiras, pensamos em ir ao encontro dos peregrinos, sabendo que, em todo o mundo, muitos estão com os olhos e o coração voltados para Jerusalém”.

É um percurso, explica o Custódio, que se realiza refletindo sobre as estações tradicionais da Via-Sacra em Jerusalém, com meditações que podem ajudar os “fiéis peregrinos espalhados pelo mundo a encontrar o sentido mais profundo de suas próprias vidas, de sua própria existência, uma mensagem de esperança em um tempo como o que estamos vivendo, difícil, de sofrimento e, portanto, uma interpretação do sofrimento que está também em chave pascal, porque este é o sentido da Via-Sacra”.

Procissão na Via Dolorosa (foto de arquivo)

Para cada estação vídeos e meditações em diferentes idiomas

Em cada estação será dedicado um pequeno vídeo, que parte das imagens de Jerusalém, onde aconteceram os episódios narrados nos Evangelhos. Treze vídeos para treze estações, “precisamente ligados”, continua o franciscano, “aos lugares onde Jesus viveu seu caminho doloroso, então obviamente, graças ao compromisso e colaboração do Christian Media Center, as imagens serão enriquecidas com detalhes que ajudam a compreender os lugares, a espiritualidade dos lugares e também, poderíamos dizer, a atualização do que é o mistério da Via-Sacra”. A meditação terá a ajuda dos religiosos da Custódia, cada um falando em sua própria língua materna, e cada um em um santuário diferente da Terra Santa, “como testemunho da realidade internacional” dos Franciscanos.

Importante contato com os peregrinos, à espera de seu retorno

A esperança de Frei Patton é que a Páscoa de 2021 possa ser vivida de uma maneira mais serena do que no ano passado. A Terra Santa está lentamente saindo da pandemia, afirma, as vacinas chegaram para cobrir uma grande parte da população, mas o país ainda está fechado com a consequente ausência de peregrinos e as graves consequências econômicas para a pequena comunidade cristã cujas lojas de artesanato, especialmente em Belém e Jerusalém, estão fechadas há meses. “O que tentamos fazer pelos peregrinos é transmitir, tanto quanto possível, também as várias festas ligadas a cada um dos santuários, desta forma os peregrinos virtuais, na verdade pessoas em carne e osso que já visitaram a Terra Santa, podem passar pelos lugares em que sua fé também cresceu e isto eu acho que seja importante”.

A Via Dolorosa em Jerusalém

Durante a Semana Santa, portanto, todos os momentos mais importantes serão transmitidos, incluindo o tríduo pascal no Santo Sepulcro, com a celebração da hora sancta no Getsêmani e o funeral de Jesus no Sepulcro. No decorrer do ano”, conclui Frei Patton, “haverá uma série de celebrações, para permitir que os fiéis de todo o mundo e os peregrinos sintam que ainda estão em contato com esta terra, na esperança de que possam voltar em breve”.

Os vídeos serão difundidos todas as terças e sextas-feiras da Quaresma através dos canais sociais da Custódia da Terra Santa (FacebookInstagram e Twitter). A Via-Sacra virtual se concluirá no dia 30 de março, Terça-feira Santa, para dar lugar às celebrações do Tríduo Pascal e da Páscoa.

Fonte: Vatican News

Quarta-Feira de Cinzas: Reconciliai-vos com Deus, este é o tempo favorável!

Com a celebração das cinzas a Igreja católica propõe um caminho de conversão em preparação à celebração mais importante do cristianismo: a Páscoa. No Domingo de Páscoa Jesus ressuscitou vencendo a morte e dando vida à toda a humanidade. Desta celebração nasceram todas as outras a partir da Páscoa dominical.

O caminho de conversão deve ser feito buscando sempre mais o próprio Deus, pois converter-se significa retornar a Deus para fazer a sua vontade e não a nossa. Significa deixar o pecado e abraçar o projeto do Reino e a misericórdia de Deus.

No Evangelho de hoje Jesus ensina que praticar a justiça significa praticar as boas obras que tornam a pessoa justa aos olhos de Deus. São obras que revelam o amor ao próximo realizado de modo concreto, o modo honesto de viver e trabalhar. Por isso, deve ser silenciosa, ninguém precisa ficar sabendo, pois Deus mesmo “vê” nossas ações.

Também ensina que a oração, que nos aproxima de Deus e nos mantém em diálogo com Ele, deve ser feita de modo humilde diante de Deus e das pessoas, deve ser muito mais com o coração do que com os lábios, cheia de confiança na bondade de Deus, pedindo sobretudo pela vinda do seu Reino e colocando-se à disposição para ajudá-lo na sua construção. Então não é uma oração egoísta e intimista que olha só para mim mesmo e para meus interesses, mas é aberta para concretizar o amor ao próximo.

Durante o caminho de conversão, o cristão é convidado a fazer penitência que, na prática, significa fazer crescer o amor ao próximo. Um modo de fazer penitência é o jejum, que não significa deixar tudo para comer à noite ou amanhã. O jejum cristão precisa ser solidário, precisa ser na linha da partilha, do amor àqueles que não têm alimentos suficientes ou oportunidades para desenvolver-se plenamente como filhos e filhas de Deus.

Campanha da Fraternidade 2021 e o Franciscano

O tema da CF deste ano chama a atenção para a necessidade do diálogo para formar uma sociedade mais justa e viver em paz. São Francisco de Assis, acolhendo a inspiração de Deus se fez irmão de diálogo. Ele quis inserir na vida e regra de sua Fraternidade o modo como os irmãos deveriam estar no mundo sem brigas ou disputas de palavras e sem julgar os outros (RB 3).

Em nossa missão de franciscanos, seja em paróquias, santuários, escolas ou nos diversos outros âmbitos de atuação, todos somos chamados a empenharmo-nos no diálogo: social, ecumênico, inter-religioso e intercultural.

Impelidos pela Encíclica “Irmãos Todos” do Papa Francisco, precisamos ampliar os horizontes do diálogo para criar um mundo melhor, que precisa ser construído juntos (cf. FT 211) unindo forças e não propagando divergências e ódio.

Frei Valmir Ramos, OFM

Papa Francisco: “A Quaresma é uma viagem de regresso a Deus!”

Papa Francisco durante a missa de imposição das cinzas

O Papa Francisco presidiu a missa com o Rito de imposição das Cinzas, na manhã desta quarta-feira (17/02), na Basílica de São Pedro, no início do tempo da Quaresma.

“Convertei-vos a mim. A Quaresma é uma viagem de regresso a Deus” que “lança um apelo ao nosso coração. Na vida, sempre teremos coisas a fazer e desculpas a apresentar, mas agora é tempo de regressar a Deus”, disse o Pontífice em sua homilia. A seguir, acrescentou:

A Quaresma é uma viagem que envolve toda a nossa vida, tudo de nós mesmos. É o tempo para verificar as estradas que estamos percorrendo, para encontrar o caminho que nos leva de volta a casa, para redescobrir o vínculo fundamental com Deus, do qual tudo depende. A Quaresma não é compor um ramalhete espiritual; é discernir para onde está orientado o coração. Tentemos saber: Para onde me leva o «navegador» da minha vida, para Deus ou para mim mesmo? Vivo para agradar ao Senhor, ou para ser notado, louvado, preferido? Tenho um coração «dançarino» que dá um passo para a frente e outro para trás, amando ora o Senhor ora o mundo, ou um coração firme em Deus? Sinto-me bem com as minhas hipocrisias ou luto para libertar o coração da simulação e das falsidades que o têm prisioneiro?

O perdão do Pai sempre nos coloca de pé

“A viagem da Quaresma é um êxodo da escravidão para a liberdade”, disse ainda o Papa. “São quarenta dias que recordam os quarenta anos em que o povo de Deus caminhou pelo deserto para voltar à terra de origem. Mas, como foi difícil deixar o Egito! Ao longo do caminho, nos seus lamentos, sempre se sentiam tentados pelas cebolas, tentados a voltar para trás, presos às memórias do passado, a qualquer ídolo. O mesmo se passa conosco: a viagem de regresso a Deus vê-se dificultada pelos nossos apegos doentios, impedida pelos laços sedutores dos vícios, pelas falsas seguranças do dinheiro e da ostentação, pela lamúria que paralisa. Para caminhar, é preciso desmascarar estas ilusões”.

A seguir, Francisco convidou a olhar para o filho pródigo para compreender “que é tempo também para nós de regressar ao Pai”.

Como aquele filho, também nós esquecemos o ar de casa, delapidamos bens preciosos em troca de coisas sem valor e ficamos com as mãos vazias e o coração insatisfeito. Caímos: somos filhos que caem continuamente, somos como criancinhas que tentam andar, mas estatelam-se no chão precisando uma vez e outra de ser levantadas pelo papai. É o perdão do Pai que sempre nos coloca de pé: o perdão de Deus, a Confissão, é o primeiro passo da nossa vigem de regresso. Recomendo aos confessores: sejam como o pai, não com o chicote, mas com o abraço.

O caminho da humildade

“Depois precisamos de regressar a Jesus, fazer como aquele leproso curado que voltou para Lhe agradecer. Somos chamados também a regressar ao Espírito Santo. As cinzas na cabeça nos lembram que somos pó e ao pó voltaremos”.

Segundo o Papa, o que nos faz regressar a Deus “não são as nossas capacidades nem os méritos que ostentamos, mas a sua graça que temos de acolher. Disse-o claramente Jesus no Evangelho: o que nos torna justos não é a justiça que praticamos diante dos homens, mas a relação sincera com o Pai. O início do regresso a Deus é reconhecermo-nos necessitados d’Ele, necessitados de misericórdia. O caminho certo é este: o caminho da humildade”.

Deus nos espera com a sua infinita misericórdia

Hoje inclinamos a cabeça para receber as cinzas. Quando terminar a Quaresma, nos abaixaremos ainda mais para lavar os pés dos irmãos. A Quaresma é uma descida humilde dentro de nós e rumo aos outros. É compreender que a salvação não é uma escalada para a glória, mas um abaixamento por amor. É fazer-nos humildes. Neste caminho, para não perder o rumo, coloquemo-nos diante da cruz de Jesus: é a cátedra silenciosa de Deus. Contemplemos cada dia as suas chagas. 

“Nas suas chagas”, disse o Papa, “reconheçamos o nosso vazio, as nossas faltas, as feridas do pecado, os golpes que nos fizeram sofrer. Vemos ali que Deus não aponta o dedo contra nós, mas nos abre os braços. As suas chagas estão abertas para nós e, por aquelas chagas, fomos curados”. Nas chagas mais dolorosas da vida, “Deus nos espera com a sua infinita misericórdia. Porque ali, onde somos mais vulneráveis, onde mais nos envergonhamos, Ele veio ao nosso encontro. E agora nos convida a regressar a Ele, para voltarmos a encontrar a alegria de ser amados”, concluiu o Papa.

Fonte: Vatican News

Modificado o rito de imposição das Cinzas em tempo de pandemia

Papa Francisco durante o rito de imposição das Cinzas no início da Quaresma de 2020 (Vatican Media)

A situação de saúde causada pela crise pandêmica do coronavírus continua exigindo uma série de atenções que também se refletem em âmbito litúrgico. Tendo em vista o início da Quaresma deste ano, na quarta-feira 17 de fevereiro, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou em seu site as disposições a serem seguidas pelos celebrantes no rito de imposição das Cinzas.

“Feita a oração de bênção das cinzas e depois de as ter aspergido com água benta sem dizer nada – precisa a nota -, o sacerdote, voltado para os presentes, diz uma só vez para todos a fórmula que se encontra no Missal Romano: ‘Convertei-vos e acreditai no Evangelho’, ou ‘Lembra-te que és pó da terra e à terra voltarás’.”

Depois, prossegue a nota, “o sacerdote lava as mãos, coloca a máscara protegendo o nariz e aboca, e impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, ou, se for mais conveniente, aproxima-se ele do lugar daqueles que estão de pé. O sacerdote pega nas cinzas e deixa-as cair sobre a cabeça de cada um, sem dizer nada”.

Irmãs Pequenas Missionárias Eucarísticas promovem retiro online nos próximos dias

Estamos nos aproximando do tempo quaresmal e para bem nos prepararmos, as Irmãs Pequenas Missionárias Eucarísticas buscando colaborar com todo o povo de Deus, irão promover um retiro online no Instagram da instituição.

“Regenerando no Amor!

PARTICIPE!

O retiro tem por tema “Regenerando no Amor” e acontecerá do dia 14 a 16 de fevereiro deste ano, sempre as 20h30, tendo por objetivo: propor momentos de espiritualidade, pausa para discernimento e para a oração, bem como, momentos formativos em vista do tempo forte que adentraremos na liturgia da Igreja, o Tempo da Quaresma.

14, 15 e 16 de Fevereiro às 20h30

Não fique de fora!

Para participar, acesse o Instagram: @pme_eucaristicas

Participe deste belo momento de reflexão e formação… Não fique de fora!

Fraternalmente,

Irmã Fernanda, PME

O Papa na mensagem para a Quaresma: cuidar de quem sofre por causa da Covid-19

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

Foi divulgada, nesta sexta-feira (12/02), a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano sobre o tema “Vamos subir a Jerusalém. Quaresma: tempo para renovar fé, esperança e caridade”.

O Pontífice convida a renovar a nossa fé, “neste tempo de conversão”, a obter “a «água viva» da esperança” e receber “com o coração aberto o amor de Deus que nos transforma em irmãos e irmãs em Cristo”. Francisco recorda que “na noite de Páscoa, renovaremos as promessas do nosso Batismo, para renascer como mulheres e homens novos por obra e graça do Espírito Santo. Entretanto o itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho cristão, já está inteiramente sob a luz da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo”.

Quem jejua faz-se pobre com os pobres 

“O jejum, a oração e a esmola, tal como são apresentados por Jesus na sua pregação, são as condições para a nossa conversão e sua expressão”, ressalta o Papa na mensagem.

De acordo com Francisco, o “jejum, vivido como experiência de privação, leva as pessoas que o praticam com simplicidade de coração a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de criaturas que, feitas à sua imagem e semelhança, n’Ele encontram plena realização. Ao fazer experiência duma pobreza assumida, quem jejua faz-se pobre com os pobres e «acumula» a riqueza do amor recebido e partilhado. Jejuar significa libertar a nossa existência de tudo o que a atravanca, inclusive da saturação de informações, verdadeiras ou falsas, e produtos de consumo, a fim de abrirmos as portas do nosso coração Àquele que vem a nós pobre de tudo, mas «cheio de graça e de verdade»: o Filho de Deus Salvador”.

Dizer palavras de incentivo

“No contexto de preocupação em que vivemos atualmente onde tudo parece frágil e incerto, falar de esperança poderia parecer uma provocação. O tempo da Quaresma é feito para ter esperança, para voltar a dirigir o nosso olhar para a paciência de Deus, que continua cuidando de sua Criação, não obstante nós a maltratamos com frequência.”

O Pontífice convida no tempo da Quaresma, a estarmos “mais atentos em «dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam». Às vezes, para dar esperança, basta ser «uma pessoa amável, que deixa de lado as suas preocupações e urgências para prestar atenção, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de estímulo, possibilitar um espaço de escuta no meio de tanta indiferença».”

“No recolhimento e oração silenciosa, a esperança nos é dada como inspiração e luz interior, que ilumina desafios e opções da nossa missão; por isso mesmo, é fundamental recolher-se para rezar e encontrar, no segredo, o Pai da ternura”, ressalta o Papa.

Tempo para crer, esperar e amar

“A caridade se alegra ao ver o outro crescer; e de igual modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado. A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos gerando o vínculo da partilha e da comunhão. «A partir do “amor social”, é possível avançar para uma civilização do amor a que todos nos podemos sentir chamados. Com o seu dinamismo universal, a caridade pode construir um mundo novo, porque não é um sentimento estéril, mas o modo melhor de alcançar vias eficazes de desenvolvimento para todos».”

Segundo Francisco, “viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, ofereçamos, junto com a nossa obra de caridade, uma palavra de confiança e façamos sentir ao outro que Deus o ama como um filho. «Só com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, é que os pobres são reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo próprio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade»”.

“Queridos irmãos e irmãs, cada etapa da vida é um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de conversão, oração e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa memória comunitária e pessoal, a fé que vem de Cristo vivo, a esperança animada pelo sopro do Espírito e o amor cuja fonte inexaurível é o coração misericordioso do Pai”, conclui o Papa.

Fonte: Vatican News