A homilia deve despertar e não adormecer a alma, disse o Papa no Angelus

Bianca Fraccalvieri (Vatican News)

O Angelus deste domingo ensolarado e frio em Roma foi marcado por uma proposta do Papa Francisco: ler todos os dias um pequeno trecho do Evangelho de Lucas.

Aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Pontífice comentou o Evangelho da Liturgia de hoje, quando Jesus inaugura a sua pregação.

O “hoje” de Deus

Ele vai até Nazaré, onde cresceu, e participa da oração na sinagoga, lendo um trecho do livro do profeta Isaías. E Jesus assim começa: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”.

O Papa concentrou sua reflexão sobre a palavra hoje, que indica todas as épocas e permanece sempre válido. A profecia de Isaías remontava a séculos antes, mas Jesus “com a potência do Espírito” a torna atual e, sobretudo, a leva a termo.

Os conterrâneos de Jesus ficaram impressionados com a sua palavra, intuem que Nele há “algo a mais”, que é a unção do Espírito Santo.

“Às vezes, acontece que as nossas pregações e os nossos ensinamentos permaneçam genéricos, abstratos, não tocam a alma e a vida das pessoas. Por quê? Porque não tem a força deste hoje, aquele que Jesus ‘preenche de sentido’ com a potência do Espírito.”

As homilias: momentos para despertar, não adormecer

A pregação corre este risco: “Também muitas homilias – o digo com respeito, mas com dor – são abstratas e ao invés de despertarem a alma, a adormecem”, constatou o Papa, com os fiéis que começam a olhar o relógio se perguntando: “Quando isso vai terminar?”. Sem a unção do Espírito, acrescentou Francisco, se escorrega no moralismo e em conceitos abstratos; se apresenta o Evangelho como distante, como se estivesse fora do tempo, longe da realidade.

“Mas uma palavra em que não pulsa a força do hoje não é digna de Jesus e não ajuda a vida das pessoas. Por isso, quem prega é o primeiro que deve experimentar o hoje de Jesus, de modo que possa comunicá-lo no hoje dos outros.”

Uma proposta: a leitura diária do Evangelho de Lucas

Neste Domingo da Palavra de Deus, o Papa fez um agradecimento a todos os pregadores e os anunciadores do Evangelho, fazendo os votos de que vivam o hoje de Jesus.

“Lembremo-nos: a Palavra transforma um dia qualquer no hoje em que Deus nos fala”, disse ainda Francisco, convidando a ler diariamente o Evangelho, pois assim descobrimos que as palavras ali contidas foram feitas propositadamente para nós. E o Papa fez então uma proposta:

“Nos domingos deste ano litúrgico é proclamado o Evangelho de Lucas, o Evangelho da misericórdia. Por que não lê-lo, mesmo individualmente, um pequeno trecho todos os dias? Vamos nos familiarizar com o Evangelho, nos trará a novidade e a alegria de Deus!”

É a Palavra também que guiará o percurso sinodal que a Igreja há pouco empreendeu, disse Francisco, dando ressalto à palavra “discernimento”. Que Nossa Senhora, concluiu, nos obtenha a constância para nos nutrir todos os dias do Evangelho.

A unidade por intercessão de Irineu

Depois do Angelus, o Papa citou a proclamação esta semana de Santo Irineu de Lyon como Doutor da Igreja, no contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

“A doutrina deste Santo pastor e mestre é como uma ponte entre Oriente e Ocidente: por isso, o indicamos como Doutor da Unidade, Doctor Unitatis. Que o Senhor nos conceda, por sua intercessão, trabalhar todos juntos pela plena unidade dos cristãos.”

Fonte: Vatican News

Frades de Profissão Temporária participam da Semana Interprovincial de Formação Franciscana

Aconteceu durante esta semana (17 a 21 de janeiro de 2022), a “Semana Interprovincial de Formação Franciscana”, destinada aos frades de profissão temporária das seguintes entidades: Província Santa Cruz (MG), Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil (GO, TO e DF), Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS) e da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus.

Este encontro teve por objetivo estudar e aprofundar assuntos acerca da Espiritualidade Franciscana, além de uma maior integração dos frades das entidades acima referida, estreitando os laços fraternos.

A “Semana Interprovincial de Formação Franciscana” era para ter acontecido de maneira presencial, no Convento Santa Maria dos Anjos de Franca/SP. Contudo, devido ao grande aumento dos casos de COVID-19, a organização achou por bem realizá-la de maneira remota (online).

Imagem (Fonte): Captura de Tela (Meet) – Frei Aldir Crocoli, OFMCap, em um dos momentos da formação.

A Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus foi a anfitriã da formação e convidou o Frei Aldir Crocoli, OFMCap, da Província Capuchinha do Rio Grande do Sul, que é Doutor em Franciscanismo. Durante esta semana, Frei Aldir, OFMCap, trabalhou e aprofundou de forma dinâmica, os capítulos 1, 7, 9 e 14 da Regra não-Bulada.

Foi possível perceber através deste estudo orientado por Frei Aldir, OFMCap, a grande riqueza desta regra, e que nas maioria das vezes, acabamos por ler sem realizar o devido aprofundamento. O estudo contribuiu para aprofundarmos o nosso conhecimento acerca da Cristologia Franciscana, bem como sobre a importância do conhecermos afundo a forma de vida em que nós, frades, escolhemos de livre e espontânea vontade viver, seguindo assim, os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Imagem (Fonte): Captura de Tela (Meet) – Frei Aldir Crocoli, OFMCap, durante os agradecimentos.

Os temas abortados por Frei Aldir, OFMCap, nos provocou a uma reflexão que é impossível não levá-la para o nosso cotidiano, como frades menores, seja em relação a convivência fraterna junto dos nos irmãos da Ordem ou junto com o povo de Deus. Assim sendo, agradecemos a Deus por tal dádiva e rogamos a Ele que continue abençoando este exímio frade, Frei Aldir, OFMCap, por nos conduzir com maestria durante os estudos desta semana. Que Deus nos dê a graça da santa perseverança!

Frei Douglas Brito Ribeiro Atanazio de Sousa, OFM (Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora – MT e MS)

3º Domingo do Tempo Comum: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir!”

LEITURAS: Ne 8,2-4a.5-6.8-10 / Sl 18B / 1Cor 12,12-14.27 / Lc 1,1-4; 4,14-21

O evangelista Lucas é o único que apresenta esta passagem em que Jesus está na sinagoga em Nazaré e lê um breve texto do profeta Isaías. Jesus frequentava as sinagogas e o templo de Jerusalém, como também os primeiros cristãos farão depois. Certamente foi na sinagoga que Jesus aprendeu a ler e conheceu as Escrituras.

Lucas, que fez um “estudo cuidadoso de tudo que aconteceu desde o princípio”, apresenta já no início do seu Evangelho que Jesus veio cumprir as Escrituras. A ação de Jesus é impulsionada pelo Espírito Santo que é a força criadora de Deus. Na sinagoga, Ele lê o profeta Isaías (Is 61) e reconhece que aí está o programa de sua missão. Cheio do Espírito, Jesus se reconhece e se apresenta como o “ungido” por Deus “para anunciar a Boa-nova aos pobres”. No Antigo Testamento a “unção” faz referência ao Messias, o Salvador. Jesus, tomando as palavras do profeta Isaías, a apresenta no sentido de missão profética para anunciar a mensagem de Deus.

A mensagem não será apenas um ensinamento teórico, ou um discurso, mas uma prática de realização da vontade de Deus que ama a todos e dá vida em abundância a todos. Por isso, no programa de ação de Jesus está a “libertação dos cativos, aos cegos a recuperação da vista; libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor”. “Anunciar a Boa-nova aos pobres” porque são eles que ficam excluídos da sociedade e da comunidade religiosa; e são eles que têm maior abertura para receber a Palavra de Deus. Libertar os “cativos” porque a maioria dos presos daquele tempo estavam na prisão por pequenas dívidas financeiras e não porque eram criminosos. Restituir a vista “aos cegos” é referência aos presos libertos que, depois de passar longos períodos no escuro das prisões subterrâneas, veriam novamente a luz. “Libertar os oprimidos” porque na sociedade nem todos tinham as mesmas oportunidades e os seus direitos respeitados e, além disso, eram explorados pelo trabalho mal remunerado e pelos impostos. O “ano da graça do Senhor” faz referência ao jubileu que, no Antigo Testamento, previa a devolução dos bens confiscados, especialmente a terra, pois ela pertence a Deus.

Esta palavra de Jesus provocou admiração e perseguição, pois entre os seus conterrâneos, Ele não era reconhecido como profeta. Hoje os cristãos são chamados a dar ouvido à Palavra de Deus, como o povo o fez na primeira leitura, quando Esdras leu a Escritura reencontrada na reforma do templo. Em obediência, abraçar o projeto de Deus para continuar a missão de Jesus, uma vez que todos os batizados são ungidos pelo Espírito Santo para serem instrumentos de libertação de todas as situações de injustiças e opressão.

Frei Valmir Ramos, OFM

2º Domingo do Tempo Comum: “Fazei o que ele vos disser!”

LEITURAS: Is 62,1-5 / Sl 95 / 1Cor 12,4-11 / Jo 2,1-11

O Evangelho segundo João é o único texto que traz o “primeiro sinal” que Jesus realizou no meio do seu povo. Então chegou a hora da revelação. De fato, os “sinais” no Evangelho de João revelam que Jesus é o Messias, o Deus que não abandona o seu povo a quem ama como um esposo. A imagem do casamento é emblemática para indicar o amor, a ternura e a misericórdia de Deus.

O profeta Isaías anima o povo de Jerusalém anunciando o grande amor de Deus que a chama de “minha predileta”, “uma coroa de glória”, “a alegria do teu Deus”. Era um tempo em que o povo estava cansado, sem esperança, impaciente, pois retornava do exílio e tudo estava destruído e muito confuso. O profeta como porta-voz de Deus, anuncia algo novo, fala de “um nome novo”, de justiça e indica uma nova aliança. Isto quer dizer um novo empenho de Deus com o seu povo que também deverá empenhar-se com as cosias de Deus e a sua justiça.

O vinho novo das bodas de Caná é repleto de significado, pois chegou o novo tempo, que é o tempo do Messias, tempo da salvação do povo de Deus. Este tempo messiânico é indicado como um banquete de casamento. E aí está Jesus participando de uma festa de casamento. Ele se revela ao seu povo de maneira simples e na vida cotidiana. Ele mesmo é o esposo que agora está no meio do povo amado por Deus e sua ação revela seu empenho de amor, de ternura e misericórdia.

A água antes usada para os rituais de purificação, agora é “vinho novo”. Isto significa que o ritualismo judaico estava superado e com a chegada do tempo messiânico, já anunciado por João Batista, é necessário uma nova atitude que corresponda ao amor esponsal de Deus, purificando o interior dos sentimentos de egoísmo, de desejo de vingança, de violência, de discriminação, de preconceito e das injustiças contra irmãos e irmãs.

Para os cristãos de hoje, a atuação e revelação de Jesus nas bodas de Caná significa que é tempo de abertura para acolher o Messias com o seu projeto de salvação. É tempo de abraçar com alegria o Deus que se revela como esposo, amigo, cheio de ternura e misericórdia para com o seu povo e de prestar atenção às necessidades daqueles que sofrem por falta de alimento, de remédio, de casa, de terra, de emprego e de qualquer outro elemento que proporcione vida digna de filhos de Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem do Papa Francisco para o XXX Dia Mundial do Doente

Imagem Ilustrativa (Fonte): Vatican News

11 DE FEVEREIRO DE 2022

«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36).

Colocar-se ao lado de quem sofre num caminho de caridade»

Queridos irmãos e irmãs!

Há trinta anos, São João Paulo II instituiu o Dia Mundial do Doente para sensibilizar o povo de Deus, as instituições sanitárias católicas e a sociedade civil para a solicitude com os enfermos e quantos cuidam deles [1].

Agradecemos ao Senhor o caminho feito durante estes anos nas Igrejas particulares de todo o mundo. Já se deram muitos passos em frente, mas há ainda um longo caminho a percorrer para garantir a todos os doentes, mesmo nos lugares e situações de maior pobreza e marginalização, os cuidados de saúde, de que necessitam, e também o devido acompanhamento pastoral para conseguirem viver o período da doença unidos a Cristo crucificado e ressuscitado. Que o XXX Dia Mundial do Doente – por causa da pandemia, a sua celebração culminante não poderá ter lugar em Arequipa, no Peru, mas vai realizar-se na Basílica de São Pedro, no Vaticano – nos ajude a crescer na proximidade e no serviço às pessoas enfermas e às suas famílias.

1. Misericordiosos como o Pai

O tema escolhido para este trigésimo Dia Mundial – «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36) – faz-nos, antes de mais nada, voltar o olhar para Deus, «rico em misericórdia» (Ef 2, 4), que olha sempre para os seus filhos com amor de pai, mesmo quando se afastam d’Ele. Com efeito a misericórdia é, por excelência, o nome de Deus, que expressa a sua natureza não como um sentimento ocasional, mas como força presente em tudo o que Ele faz. É conjuntamente força e ternura. Por isso podemos dizer, cheios de maravilha e gratidão, que a misericórdia de Deus tem nela mesma tanto a dimensão da paternidade como a da maternidade (cf. Is 49, 15), porque Ele cuida de nós com a força dum pai e com a ternura duma mãe, sempre desejoso de nos dar vida nova no Espírito Santo.

2. Jesus, misericórdia do Pai

Suprema testemunha do amor misericordioso do Pai para com os enfermos é o seu Filho unigénito. Quantas vezes os Evangelhos nos narram os encontros de Jesus com pessoas que sofriam de várias doenças! Ele «começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades» (Mt 4, 23). Podemos perguntar-nos: Porquê esta atenção particular de Jesus para com os doentes, a ponto da mesma se tornar também a atividade principal na missão dos apóstolos, enviados pelo Mestre a anunciar o Evangelho e curar os enfermos (cf. Lc 9, 2)?

Um pensador do século XX sugere-nos uma razão: «A dor isola duma forma absoluta e é deste isolamento absoluto que nasce o apelo ao outro, a invocação ao outro» [2]. Quando uma pessoa experimenta na própria carne fragilidade e sofrimento por causa da doença, também o seu coração se sente acabrunhado, cresce o medo, multiplicam-se as dúvidas, torna-se mais impelente a questão sobre o sentido de tudo o que está a acontecer. A propósito, como não recordar os numerosos enfermos que, durante este tempo de pandemia, viveram a última parte da sua existência na solidão duma Unidade de Terapia Intensiva, certamente cuidados por generosos profissionais de saúde, mas longe dos afetos mais queridos e das pessoas mais importantes da sua vida terrena? Daqui vemos a importância de se ter ao lado testemunhas da caridade de Deus, que a exemplo de Jesus, misericórdia do Pai, derramem sobre as feridas dos enfermos o óleo da consolação e o vinho da esperança [3].

3. Tocar a carne sofredora de Cristo

O convite de Jesus a ser misericordiosos como o Pai adquire um significado particular para os profissionais de saúde. Penso nos médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, auxiliares e cuidadores dos enfermos, bem como nos numerosos voluntários que doam tempo precioso a quem sofre. Queridos profissionais da saúde, o vosso serviço junto dos doentes, realizado com amor e competência, ultrapassa os limites da profissão para se tornar uma missão. As vossas mãos que tocam a carne sofredora de Cristo podem ser sinal das mãos misericordiosas do Pai. Permanecei cientes da grande dignidade da vossa profissão e também da responsabilidade que ela acarreta.

Bendizemos o Senhor pelos progressos que a ciência médica realizou sobretudo nestes últimos tempos; as novas tecnologias permitiram dispor de vias terapêuticas de grande utilidade para os doentes; a pesquisa continua a dar a sua valiosa contribuição para derrotar velhas e novas patologias; a medicina de reabilitação desenvolveu notavelmente os seus conhecimentos e competências. Tudo isso, porém, não deve jamais fazer esquecer a singularidade de cada doente, com a sua dignidade e as suas fragilidades [4]. O doente é sempre mais importante do que a sua doença, e por isso qualquer abordagem terapêutica não pode prescindir da escuta do paciente, da sua história, das suas ansiedades, dos seus medos. Mesmo quando não se pode curar, sempre é possível tratar, consolar e fazer sentir à pessoa uma proximidade que demonstre mais interesse por ela do que pela sua patologia. Espero, pois, que os percursos de formação dos operadores da saúde sejam capazes de os habilitar para a escuta e a dimensão relacional.

4. Os lugares de tratamento, casas de misericórdia

O Dia Mundial do Doente é ocasião propícia também para determos a nossa atenção nos lugares de tratamento. A misericórdia para com os enfermos levou a comunidade cristã a abrir, no decorrer dos séculos, inúmeras «estalagens do bom samaritano» (cf. Lc 10, 34), onde pudessem ser acolhidos e tratados doentes de todo o género, sobretudo aqueles que, por indigência, pela exclusão social ou pelas dificuldades no tratamento dalgumas patologias, não encontravam resposta ao seu pedido de saúde. Em tais situações, são sobretudo as crianças, os idosos e as pessoas mais fragilizadas que pagam o preço mais alto. Misericordiosos como o Pai, muitos missionários acompanharam o anúncio do Evangelho com a construção de hospitais, dispensários e lugares de tratamento. São obras preciosas, através das quais se concretizou a caridade cristã e se tornou mais credível o amor de Cristo, testemunhado pelos seus discípulos. Penso sobretudo nas populações das zonas mais pobres da Terra, onde por vezes é necessário percorrer longas distâncias para encontrar centros de tratamento que, embora com recursos limitados, oferecem tudo o que têm disponível. Ainda há um longo caminho a percorrer e, nalguns países, receber adequados tratamentos continua a ser um luxo. Testemunha-o, por exemplo, a escassa disponibilidade, nos países mais pobres, de vacinas contra a Covid-19 e ainda mais a falta de tratamentos para patologias que requerem medicamentos muito mais simples.

Neste contexto, desejo reafirmar a importância das instituições sanitárias católicas: são um tesouro precioso que deve ser preservado e sustentado; a sua presença caraterizou a história da Igreja pela sua proximidade aos doentes mais pobres e às situações mais esquecidas [5]. Quantos fundadores de famílias religiosas souberam ouvir o clamor de irmãos e irmãs privados de acesso aos tratamentos ou mal atendidos, prodigalizando-se ao seu serviço! Ainda hoje, mesmo nos países mais desenvolvidos, a sua presença é uma bênção, porque, além de cuidar do corpo com toda a competência necessária, sempre podem oferecer também aquela caridade cujo centro da atenção são os doentes e os seus familiares. Numa época em que se difundiu a cultura do descarte e nem sempre se reconhece a vida como digna de ser acolhida e vivida, estas estruturas, como casas da misericórdia, podem ser exemplares na salvaguarda e no cuidado de cada existência, mesmo a mais frágil, desde o próprio início até ao seu termo natural.

5. A misericórdia pastoral: presença e proximidade

No caminho feito ao longo destes trinta anos, a própria pastoral da saúde viu o seu serviço ser cada vez mais reconhecido como indispensável. Na verdade, se a pior discriminação sofrida pelos pobres – e os doentes são pobres de saúde – é a falta dos cuidados espirituais, não podemos exonerar-nos de lhes oferecer a proximidade de Deus, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé [6]. A propósito, gostaria de lembrar que a proximidade aos enfermos e o seu cuidado pastoral não competem apenas a alguns ministros especificamente deputados para o efeito; visitar os enfermos é um convite feito por Cristo a todos os seus discípulos. Quantos doentes e quantas pessoas idosas há que vivem em casa e esperam por uma visita! O ministério da consolação é tarefa de todo o batizado, recordando-se das palavras de Jesus: «Estive doente e visitastes-Me» ( Mt 25, 36).

Queridos irmãos e irmãs, à intercessão de Maria, Saúde dos Enfermos, confio todos os doentes e as suas famílias. Unidos a Cristo, que carrega sobre Si o sofrimento do mundo, possam encontrar sentido, consolação e confiança. Rezo por todos os profissionais de saúde para que, ricos em misericórdia, ofereçam aos pacientes, juntamente com os tratamentos devidos, a sua proximidade fraterna.

De coração, a todos concedo a Bênção Apostólica.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Nossa Senhora de Loreto, 10 de dezembro de 2021.

Francisco


[1] Cf. São João Paulo II, Carta ao Cardeal Fiorenzo Angelini, Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, para a instituição do Dia Mundial do Doente (13/V/1992).

[2] E. Levinas, «Une éthique de la souffrance», in: J.-M. von Kaenel (ed.), Souffrances. Corps et âme, épreuves partagées (Autrement, Paris 1994), 133-135.

[3] Cf. Missal Romano, Prefácio Comum VIII «Cristo, o bom samaritano».

[4] Cf. Francisco, Discurso à Federação Nacional das Ordens dos Médicos Cirurgiões e dos Dentistas (20/IX/2019).

[5] Cf. Francisco, Angelus, na Policlínica «Gemelli» em Roma (11/VII/2021).

[6] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24/XI/2013), 200.

 

Definitório Geral com o Papa Francisco: “Vimos o afeto do Papa por nós, franciscanos no mundo!”

No dia 7 de janeiro, o Papa Francisco recebeu em audiência, no Palácio Apostólico do Vaticano, o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Massimo Fusarelli, acompanhado por todos os membros do Definitório Geral, juntamente com o Procurador Geral, o Secretário para as Missões e Evangelização, o Secretário Geral da Ordem com o Secretário Pessoal do Ministro.

No final da audiência, que durou 45 minutos, o Ministro compartilhou que viveu um intenso e belo momento de diálogo, de escuta do Papa Francisco sobre a realidade da Ordem nas diferentes partes do mundo, referindo-se também a algumas situações particulares que dizem respeito à Igreja, testemunhando como «em particular o Santo Padre nos exortou a trabalhar com coragem entre os jovens, segundo as suas línguas e a favor das vocações, para não haver renúncias e saber olhar para a frente com confiança e fé no nosso futuro”, acrescentando, a respeito da paternidade e ternura do Papa, que devemos agradecer ao Senhor por este encontro, porque vimos o afeto do Papa por nós, franciscanos no mundo, e porque nos repetiu várias vezes que São Francisco é sedutor no melhor sentido da palavra, atrai e motiva”.

Por fim, o Sumo Pontífice convidou os frades “a viver de maneira evangélica e a trabalhar sabendo que possuem esta grande raiz de inspiração e atração”.

A audiência foi encerrada com a entrega de memórias a cada participante pelo Papa Francisco e uma curta viagem ao Palácio Apostólico.

Fonte: OFM / Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Festa do Batismo do Senhor: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer!”

Imagem Ilustrativa (Fonte): Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

LEITURAS: Is 42,1-4.6-7 / Sl 28 / At 10,34-38 / Lc 3,15-16.21-22

Antes de iniciar a sua missão, Jesus recebe o batismo de João Batista. O evangelista Lucas apresenta o início da segunda etapa da história da salvação, encerrando o ministério de João Batista e iniciando o de Jesus. De fato, até João acontece a etapa da promessa de Deus que enviará um Salvador para toda a humanidade. Aquele que no profeta Isaías é chamado “servo”, “eleito”, no qual Deus pôs o seu Espírito e o fez “luz das nações” para “obter a verdade”, “estabelecer a justiça”, “abrir os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”, é aquele que João Batista anunciou que batizaria “no Espírito Santo e no fogo”.

Lucas narra o batismo de Jesus em uma cena emblemática, mostrando Jesus no meio do povo quando, tendo sido batizado, recebe o Espírito Santo. Aí começa um novo tempo, no qual se realiza a promessa de libertação do povo de Deus. Como os outros evangelistas, Lucas narra a descida do Espírito que vem do céu acompanhado de uma voz: “Tu és o meu Filho amado”. É a mesma voz que ressoará na passagem da transfiguração. Lucas, no entanto, fala de uma “forma visível” do Espírito “como pomba”. É bom lembrar que espírito na Sagrada Escritura é “sopro”, “hálito”, “vento” de Deus e, como tal, não pode ser visto. A pomba sobrevoa, baixa, “aterrissa”, faz o movimento semelhante ao Espírito que “pairava sobre as águas” durante a criação. É o mesmo Espírito, ou seja, a força criadora de Deus. A “forma visível”, então, é para que todos soubessem que Aquele que fora batizado era o “Filho amado” de Deus que veio para Salvar todos os povos.

No discurso de São Pedro, na segunda leitura, vemos como ele anuncia Jesus “ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder” “que é o Senhor de todos”. E Pedro testemunha que “Deus não faz distinção entre pessoas”, mas “aceita quem o teme e pratica a justiça”. Pedro está atuando naquele período que São Lucas entende como terceiro, isto é, o período da Igreja, no qual os cristãos é que são os responsáveis por continuar o projeto de Jesus. Muitos na Igreja daquele período colocavam em dúvida se os estrangeiros poderiam se batizados e fazer parte dela. Foi preciso dialogar muito e São Paulo foi a Jerusalém para mostrar como Jesus Ressuscitado também estava agindo no meio dos estrangeiros sem fazer distinção.

Hoje todos os batizados são chamados a continuar a missão de Jesus, pois ainda existe muita injustiça, muita treva e muito sofrimento na vida dos irmãos e irmãs de Jesus. Ele conta com cada um para que a libertação das situações desumanizantes seja uma realidade. Para esta missão ele envia o seu Espírito e espera que os batizados sejam fiéis e se mantenham em oração como Ele mesmo fez.

Frei Valmir Ramos, OFM

Janeiro: liberdade religiosa é valorizar os irmãos em suas diferenças

No vídeo com a primeira intenção de oração deste ano, divulgado nesta terça-feira (04/12), o Papa Francisco pede para rezar pelas pessoas que são perseguidas por causa de sua fé. Esta edição de janeiro contém uma mensagem forte a favor da liberdade religiosa e das pessoas que sofrem discriminação.

O Vídeo do Papa deste mês conta com o apoio da fundação pontifícia “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS), organização internacional caritativa católica cuja missão é ajudar os fiéis onde quer que sejam perseguidos, oprimidos ou estejam necessitados, através da informação, oração e ação. Reforça a ideia de que nas sociedades em que vivemos e nos desenvolvemos, há de florescer o reconhecimento dos direitos e da dignidade que todos temos pelo fato de sermos pessoas.

Como é possível que hoje muitas minorias religiosas sofram discriminação ou perseguição? Como permitimos que nesta sociedade altamente civilizada existam pessoas que são perseguidas simplesmente por professar publicamente sua fé? Isso não só é inaceitável, é desumano, é insano.    

“A liberdade religiosa não se limita à liberdade de culto, ou seja, a que se possa ter um culto no dia prescrito pelos seus livros sagrados”, ressalta Francisco na mensagem. A liberdade religiosa está ligada ao conceito de fraternidade e para começar a percorrer os caminhos da fraternidade que o Papa tanto insiste há anos, é necessário não só respeitar os outros, mas valorizá-los “em suas diferenças e reconhecê-los como verdadeiros irmãos”.

Como seres humanos, temos tantas coisas em comum que podemos conviver acolhendo as diferenças com a alegria de ser irmãos. Que uma pequena diferença, ou uma diferença substancial como a religiosa, não obscureça a grande unidade de ser irmãos. Vamos escolher o caminho da fraternidade. Porque ou somos irmãos, ou todos perdemos.

“Rezemos para que as pessoas que sofrem discriminação e perseguição religiosa encontrem nas sociedades em que vivem o reconhecimento e a dignidade que nasce de ser irmãos e irmãs”, conclui o Papa.

Segundo o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo publicado pela AIS em abril de 2021, a liberdade religiosa foi violada em um terço dos países do mundo, onde vivem cerca de 5,2 bilhões de pessoas. O mesmo relatório afirma que mais de 646 milhões de cristãos vivem em países onde a liberdade religiosa não é respeitada.

Desde 2020 tem sido denunciado uma quantidade de minorias étnicas e religiosas, especialmente as de origem muçulmana, que não desfrutam de plenos direitos de cidadania nos países em que vivem.

Fonte: Vatican News

Noviços professam os primeiros votos em Catalão/GO

No dia em que a Igreja celebra a Festa do Santíssimo Nome de Jesus, 03 de janeiro, doze noviços (7 da Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil – GO/TO e DF, 4 da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus – SP/MG e 1 da Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora) professaram seus primeiros Votos Religiosos de obediência, sem nada de próprio e em castidade na Paróquia Mãe de Deus, em Catalão/GO.

Para ser um Frade Franciscano é preciso sentir a vocação, ou seja, sentir-se chamado por Deus a trilhar um percurso que te interpela a uma vivência em fraternidade e, com outros vocacionados; abraçar uma vida em comum e consagração a Deus no serviço a Igreja e ao Povo. É uma forma também de confirmar teu batismo de modo mais profundo. Esta vida deve configurar-se na pessoa de Jesus, tendo os Evangelhos como instrumento vivo e atual, e São Francisco como inspirador de uma espiritualidade que te faz sentir e te alimenta nessa experiência vocacional.

Ser Frade é estar ao serviço dos menores e excluídos da sociedade e ir de encontro as periferias existenciais e locais, lá onde estão as dores físicas, sentimentais e sociais. É ser um com todos, é ser irmão, onde possam construir um reino de justiça, equidade e bem-comum. E nessa certeza evangélica, abraçar um projeto que faça vencer o ódio, a fome, a violência, o genocídio, uma pandemia, um sistema que fere e mata, pois ser frade é querer e desejar do fundo do coração um mundo de amor.


Frades da Custódia, que professaram os primeiros votos:


Esse é um pouco do objetivo principal de ser um franciscano, além dos estudos, trabalhos, missões, serviços e ministérios confiados a cada vocacionado que deseja se lançar nessa vida. E isso foi o desejo de cada noviço que professaram seus votos. Uma etapa experimentada em suas vidas de muitas outras que virão. O noviciado é uma experiência de vida conventual e fraterna que são vividas durante um ano, que ao seu término, com satisfação e alegria, dão a cada um sentimentos particulares que os fazem olhar o mundo no modo de Cristo e de São Francisco.

Que cada neo-professo seja uma gota da graça de Deus e espalhem com fé e alegria a paz e o bem a todos os homens e mulheres por Deus amado.

PAZ e BEM!

Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM

11 jovens são revestidos com o Hábito Franciscano no Noviciado Comum, em Catalão/GO

Na manhã desta segunda-feira, 03 de janeiro de 2022, 11 jovens foram admitidos ao ano de provação no Noviciado Comum, em Catalão, no Estado de Goiás.

Há 20 anos o noviciado acontece de forma “comum” entre três entidades da Ordem dos Frades Menores no Brasil: Província do Santíssimo Nome de Jesus (GO, TO e DF), Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS) e a Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus (SP e MG).

Estes jovens, após realizarem a caminhada formativa própria de suas entidades, pediram para serem admitidos ao ano de “Provação”, como tradicionalmente é chamado o ano de noviciado em nossa ordem.

Os noviços da nossa Custódia são:

Custódio com os três noviços | Da esquerda para a direita: Frei Luiz Carlos, OFM, Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM (Custódio), Frei Jarder Rodrigues, OFM e Frei André Felipe, OFM

Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus (SP e MG)

  • Frei André Felipe Pereira Martins, OFM
  • Frei Jarder Rodrigues Leite, OFM
  • Frei Luiz Carlos da Silva Pinto, OFM

Além dos que pertencem a nossa Custódia, também foram admitidos os seguintes jovens:

Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS)

  • Frei João Pedro Gall Macena, OFM

Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil (GO, TO e DF)

  • Frei Carlos Antônio Sartim, OFM
  • Frei Daniel Ferreria de Amorim Mendes, OFM
  • Frei Elias Maurício dos Santos Ferreira, OFM
  • Frei José Augusto Lemos Moraes Pires, OFM
  • Frei Matheus Pereira Souza, OFM
  • Frei Natanael Carvalho Amorim, OFM
  • Frei Pedro Rodrigues dos Santos, OFM
Todos os frades da Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil (GO, TO e DF), da Custódia Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora (MT e MS) e de nossa Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus (SP e MG) que estiveram presentes na vestição dos novos noviços, turma 2022.

Deus dê a estes nossos irmãos, a graça de uma caminhada frutuosa e um bom discernimento.

Fraternalmente,

Frei Lucas de Oliveira Santos, OFM