Paróquia Nossa Sra. Aparecida de Olímpia/SP é elevada a Santuário Diocesano no dia de sua padroeira

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Muita fé e devoção marcaram ontem (12), a Elevação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida a Santuário Diocesano. A elevação reuniu muitos fiéis ao longo do dia, onde puderam vivenciar sua devoção a Mãe Aparecida.

As festividades teve início com a missa da alvorada as 0h, celebrada por Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM, pároco da Igreja e agora reitor do Santuário. Ao longo do dia, outras oito celebrações foram realizadas. As 19h30 aconteceu a missa de Elevação, sendo presidida pelo Bispo Diocesano de Barretos/SP, Dom Milton Kenan Junior, que agradeceu a conquista, enfatizando o trabalho incansável de evangelização e ações sociais dos frades franciscanos junto à comunidade paroquial.

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

As 6h mais de 300 ciclistas, reunidos na frente do Convento São Boaventura, participaram do 2º Pedal da Fé. Os ciclistas pedalaram até o bairro de Álvora, retornando para a praça da Matriz onde foram recebidos e abençoados. As 8h aconteceu também a 2ª Cavalgada da fé. O trajeto que reuniu 100 cavaleiros, saiu do Matadouro, percorrendo as ruas da cidade e chegando ao Santuário em ritmo de oração. As 13h houve também a carreata pela cidade e benção de veículos.

Do lado externo da Igreja, os fiéis encontravam várias formas para agradecer e manifestar sua fé. Cantinho da Promessa, Arco da Fé, Velário, Fitário, apresentação de teatros, coreografia do Hino do Santuário foram alguns dos destaques para os devotos. Foram montadas barracas para bençãos e confissões, onde os Freis realizaram atendimento ao longo de todo o dia. As missas foram transmitidas por telões na praça da igreja e pelas redes sociais do Santuário.

O Prefeito da Estância Turística de Olímpia, Fernando Cunha, devoto de Nossa Senhora Aparecida, participou da cerimônia que marca o Turismo Religioso na cidade. O ato de descerramento da placa de elevação, colocada no interior da igreja, contou com participação do Prefeito Fernando Cunha, do Bispo Diocesano Dom Milton, do Reitor do Santuário Frei Lucas e do Custódio, Frei Fernando.

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Como comunidade, somos gratos a Deus pela graça que recebemos: ver a Igrejinha se tornar um Santuário! Que a Virgem Aparecida continue nos fortalecendo e ajudando neste caminhada de cristão. 

PASCOM – Olímpia/SP

Paróquia Nossa Sra. Aparecida de Olímpia/SP será elevada a Santuário Diocesano na noite de hoje

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Na noite de hoje (12), dia de Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil), a nossa Custódia se rejubila com a Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Olímpia/SP, pois a mesma será elevada a Santuário Diocesano.

Presidida pelo Bispo Diocesano de Barretos/SP, Dom Milton Kenan Júnior, a celebração acontecerá às 19h30, contando com a presença de vários frades, religiosos, padres e todo o povo de Deus.

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Pertencente a Diocese de Barretos/SP e construída sobre o antigo cemitério da cidade, a paróquia foi fundada no ano de 1958 pelos Frades Franciscanos e é conhecida pelos moradores locais como “Igrejinha”.

Por estar situada em uma cidade turística, os visitantes são atraídos pela beleza e estética desta igreja, cujo formato é de uma cruz e que tem o seu presbitério e altar feito todo em mármore. Em suas paredes existem belas pinturas que também chamam a atenção dos turistas. Todas elas são obras do “Dakinho”, artista olimpiense.

Imagem (Fonte): Diário da Região

Em conversa com a nossa equipe de comunicação, o pároco e futuro reitor, Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM, apresentou um pouco da estrutura e programação deste dia festivo: “Mesmo que de maneira improvisada e ainda aprendendo, estamos criando um ambiente de santuário, onde os romeiros e filhos de Nossa Senhora já podem visitar, em especial a sala das promessas, o fitário e o velário. Durante todo o dia haverá missas e atendimento de confissões, bem como um momento de benção dos carros. Também acontecerá o 2º Pedal da Fé e a 2ª Cavalgada, dentre outros momentos para bem comemoramos o dia da Mãe Aparecida!”


Acompanhe a programação:

Imagem (Fonte): PASCOM – Olímpia/SP

Rogamos a Mãe Aparecida que interceda por todo o povo brasileiro, e neste dia em especial, por todos os olimpienses que logo mais, verão a amada “Igrejinha” ser elevada a Santuário Diocesano. Assim concluiu o frade: “O que hoje estamos vivenciando, é fruto de uma comunidade viva, fruto do trabalho de todo o povo de Deus. Que Deus abençoe a todos!”.

Fraternalmente,

Equipe de Comunicação


Conheça a música tema do “Santuário Nossa Senhora Aparecida” de Olímpia/SP

A fé sem dom e gratuidade é como um jogo sem gol, diz o Papa no Angelus

Bianca Fraccalvieri (Cidade do Vaticano)

“Um teste sobre a nossa fé”: assim o Papa comentou o Evangelho deste 28° Domingo do Tempo Comum, ao rezar com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro o Angelus dominical.

 O Evangelista Marcos narra o encontro de Jesus com um homem rico, do qual não se sabe nem a idade nem o nome. Neste “alguém”, disse o Papa, todos podemos nos reconhecer e nos permite fazer um “teste sobre a fé”.

O homem começa com uma pergunta: “Que devo fazer para ganhar a vida eterna?”. Eis a sua religiosidade, observou Francisco: um dever, um fazer para obter. Mas esta é uma relação comercial com Deus. Ao invés, a fé não é um rito frio e mecânico. É questão de liberdade e de amor.

Então podemos fazer o primeiro teste: para mim, que é a fé? Se é principalmente um dever ou uma moeda de troca, estamos no caminho errado, porque a salvação é um dom e não um dever, é gratuita e não se pode comprar. O primeiro passo, portanto, é nos libertar de uma fé “comercial e mecânica”.

A vida cristã é um “sim” de amor

Na sequência, Jesus ajuda aquele “alguém” oferecendo-lhe a verdadeira face de Deus. O texto diz: “Jesus olhou para ele com amor”. Eis de onde nasce e renasce a fé: não de um dever ou de algo a fazer, mas de um olhar de amor a acolher. Não se baseia nas nossas capacidades e projetos. Se a sua fé está cansada e você quer rejuvenescê-la, o Papa indica: 

“Busque o olhar de Deus: coloque-se em adoração, deixe-se perdoar na Confissão, fique diante do Crucifixo. Enfim, deixe-se amar por Ele.”

Depois da pergunta e do olhar, há um convite de Jesus: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres”.

“Talvez é isto que nos falte também a nós. Com frequência, fazemos o mínino indispensável, enquanto Jesus nos convida ao máximo possível. Não podemos nos contentar dos deveres, preceitos e algumas orações. A fé não pode se limitar aos “nãos”, porque a vida cristã é um “sim”; um “sim” de amor.

Uma fé sem dom e gratuidade é como um jogo bem jogado, mas sem gol. Uma fé sem obras de caridade nos torna tristes.

“Que Nossa Senhora, que disse a Deus um ‘sim’ total, um ‘sim’ sem ‘mas’ – não é fácil, mas a Virgem fez assim – nos faça saborear a beleza de fazer da vida um dom.”

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: Sínodo é um evento de graça, estar aberto às surpresas do Espírito

Missa para início do caminho sinodal

Bianca Fraccalvieri (Cidade do Vaticano)

“Encontrar, escutar, discernir”: estes foram os verbos indicados pelo Papa Francisco na sua homilia de abertura do processo sinodal.

O Pontífice presidiu à Santa Missa na Basílica Vaticana, com a participação de leigos, religiosos, sacerdotes, bispos e cardeais que participam deste processo que culminará em Roma, daqui dois anos, com o Sínodo dos Bispos sobre a tema da sinodalidade.

Francisco se inspirou no Evangelho deste domingo, que apresenta um homem rico que foi ao encontro de Jesus enquanto o Mestre se punha a caminho. “Jesus não tinha pressa, não olhava o relógio para acabar rápido o encontro. Estava sempre a serviço da pessoa que encontrava, para ouvi-la.”

“Deus não habita em lugares assépticos e pacatos, distantes da realidade, mas caminha conosco”, disse o Papa, que então pergunta: “Nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?”

Peritos na arte do encontro

O Evangelho começa narrando um encontro, ao qual Jesus não fica indiferente. “Também nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos”, mas “na reserva de um tempo para encontrar o Senhor e favorecer o encontro entre nós”.

Deus muda tudo quando somos capazes de encontros verdadeiros com Ele e entre nós… “sem formalismos nem fingimentos, nem maquiagens”.

Escutar com o coração

Depois do encontro, o passo sucessivo é escutar. E mais uma vez Francisco se dirige à assembleia: “Como estamos quanto à escuta? Como está «o ouvido» do nosso coração? Permitimos que as pessoas se expressem?

“Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos.”

“Não insonorizemos o coração, não nos blindemos nas nossas certezas. Escutemo-nos.”

Discernir para mudar

Por fim, discernir. O encontro e a escuta recíproca, explicou Francisco, não são um fim em si mesmos, deixando as coisas como estão.

Pelo contrário, quando entramos em diálogo, no fim já não somos os mesmos de antes, mudamos, como indica o Evangelho de hoje. Jesus intui que o homem à sua frente é bom, mas quer conduzi-lo para além da simples observância dos preceitos – uma indicação preciosa também para nós:

“O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, que se faz na adoração, na oração, em contato com a Palavra de Deus.”

A Palavra guia o Sínodo, para que não seja uma “convenção” eclesial, um convênio de estudos ou um congresso político, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo.

Assim como fez com o homem rico do Evangelho, Jesus chama a Igreja a libertar-nos daquilo que é mundano e também dos fechamentos e dos modelos pastorais repetitivos, para interrogar-se a direção para onde Ele quer conduzir.

“Queridos irmãos e irmãs, bom caminho em conjunto! Sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com a alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor.”

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: Sínodo, expressão viva do ser Igreja. Escutar o Espírito e os irmãos

Mariangela Jaguraba (Vatican News)

“Quero agradecer-lhes por estarem aqui na abertura do Sínodo. Percorrendo diversos caminhos, vocês vieram de tantas Igrejas trazendo cada um no coração perguntas e esperanças. Tenho a certeza de que o Espírito nos guiará e concederá a graça de avançarmos juntos, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um discernimento sobre o nosso tempo, tornando-nos solidários com as fadigas e os anseios da humanidade.” Foi o que disse o Papa Francisco, neste sábado 09/10), na Aula do Sínodo, no Vaticano, no início de seu discurso na abertura do Sínodo sobre a Sinodalidade.

O Papa convidou a viver “este Sínodo no espírito da ardente oração que Jesus dirigiu ao Pai pelos seus: «Para que todos sejam um». É a isto que somos chamados: à unidade, à comunhão, à fraternidade que nasce de nos sentirmos abraçados pelo único amor de Deus”.

Comunhão, participação e missão

A seguir, o Pontífice citou três palavras-chave do Sínodo: comunhão, participação e missão. “Comunhão e missão são expressões teológicas que designam o mistério da Igreja. Através destas duas palavras, a Igreja contempla e imita a vida da Santíssima Trindade, mistério de comunhão ad intra e fonte de missão ad extra”. A terceira palavra é “participação”.

“Celebrar um Sínodo é sempre bom e importante, mas só é verdadeiramente fecundo se se tornar expressão viva do ser Igreja, de um agir marcado pela verdadeira participação. E isto, não por exigências de estilo, mas de fé.”

“A participação é uma exigência da fé batismal”, disse Francisco.

O ponto de partida, no corpo eclesial, é este e nenhum outro: o Batismo. Dele, nossa fonte de vida, deriva a igual dignidade dos filhos de Deus, embora na diferença de ministérios e carismas. Por isso, todos somos chamados a participar na vida da Igreja e na sua missão. Se falta uma participação real de todo o Povo de Deus, os discursos sobre a comunhão correm o risco de permanecer pias intenções. Neste aspecto, foram dados alguns passos adiante, mas sente-se ainda uma certa dificuldade e somos obrigados a registar o mal-estar e a tribulação de muitos agentes pastorais, dos organismos de participação das dioceses e paróquias, das mulheres que muitas vezes ainda são deixadas à margem. Participarem todos: é um compromisso eclesial irrenunciável!

Colaborar melhor para a obra de Deus na história

Segundo o Papa, ao mesmo tempo que o Sínodo nos proporciona uma “grande oportunidade para a conversão pastoral em chave missionária e também ecumênica, não está isento de alguns riscos”. Francisco mencionou três riscos.

“O primeiro é o risco do formalismo“, de reduzir “um Sínodo a um evento extraordinário, mas de fachada. Como se alguém ficasse olhando a bela fachada de uma igreja sem nunca entrar nela”.

Pelo contrário, o Sínodo é um percurso de efetivo discernimento espiritual, que não empreendemos para dar uma bela imagem de nós mesmos, mas a fim de colaborar melhor para a obra de Deus na história. Assim, quando falamos de uma Igreja sinodal, não podemos contentar-nos com a forma, mas temos necessidade também de substância, instrumentos e estruturas que favoreçam o diálogo e a interação no Povo de Deus, sobretudo entre sacerdotes e leigos.

O segundo risco é o do “intelectualismo: “Transformar o Sínodo numa espécie de grupo de estudo, com intervenções cultas, mas alheias aos problemas da Igreja e aos males do mundo; uma espécie de «falar por falar», onde se pensa de maneira superficial e mundana, alheando-se da realidade do santo Povo de Deus, da vida concreta das comunidades espalhadas pelo mundo.”

O último risco é o da “tentação do imobilismo. Dado que «se fez sempre assim» é melhor não mudar. Quem se move neste horizonte, mesmo sem se dar conta, cai no erro de não levar a sério o tempo que vivemos. O risco é que, no fim, se adotem soluções velhas para problemas novos”.

“Por isso, é importante que o caminho sinodal seja um processo em desenvolvimento; envolva, em diferentes fases e a partir da base, as Igrejas locais, num trabalho apaixonado e encarnado, que imprima um estilo de comunhão e participação orientado para a missão.”

Escutar o Espírito na adoração e na oração

O Papa convidou a viver o Sínodo como uma “ocasião de encontro, escuta e reflexão, como um tempo de graça que nos ofereça, na alegria do Evangelho, pelo menos três oportunidades”.

A primeira é encaminhar-nos, não ocasionalmente, mas estruturalmente para uma Igreja sinodal: um lugar aberto, onde todos se sintam em casa e possam participar. Depois, o Sínodo nos oferece a oportunidade de nos tornarmos uma Igreja da escuta: fazer uma pausa dos nossos ritmos, controlar as nossas ânsias pastorais para pararmos a escutar. Escutar o Espírito na adoração e na oração, escutar os irmãos e as irmãs sobre as esperanças e as crises da fé nas diversas áreas do mundo, sobre as urgências de renovação da vida pastoral, sobre os sinais que provêm das realidades locais. Por fim, temos a oportunidade de nos tornarmos uma Igreja da proximidade, que estabeleça, não só por palavras, mas com a presença, maiores laços de amizade com a sociedade e o mundo: uma Igreja que não se alheie da vida, mas cuide das fragilidades e pobrezas do nosso tempo, curando as feridas e sarando os corações dilacerados com o bálsamo de Deus.

Francisco concluiu, desejando que “este Sínodo seja um tempo habitado pelo Espírito! Pois é do Espírito que precisamos, da respiração sempre nova de Deus, que liberta de todo o fechamento, reanima o que está morto, solta as correntes e espalha a alegria. O Espírito Santo é Aquele que nos guia para onde Deus quer, e não para onde nos levariam as nossas ideias e gostos pessoais”.

Fonte: Vatican News

28º Domingo do Tempo Comum: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”

LEITURAS: Sb 7,7-11 / Sl 89 / Hb 4,12-13 / Mc 10,17-30

Vai, vende o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu”. Jesus deixou aquele homem e os seus discípulos desconsertados. No Antigo Testamento e na tradição dos judeus a riqueza era interpretada como sinal de bênção de Deus. Jesus, no entanto, alerta que a riqueza almejada por muitos não passa de uma falsa segurança e pode chegar a uma idolatria.

No Evangelho vemos alguém perguntando o que fazer para ganhar a vida eterna. Aquele que pergunta é alguém que observa as leis e mandamentos, mas ainda está preso às coisas materiais, por isso foi embora cheio de tristeza. É fácil notar que o problema não está nas coisas materiais, mas no apego a elas e na ganância do quanto mais posses tem mais quer ter. O ser humano se ilude e ao mesmo tempo gosta do poder e do prestígio que as posses oferecem. Mas Jesus é categórico em dizer que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. Mesmo se considerarmos esta “agulha” como sendo uma brecha da muralha que era usada como alternativa de fuga no caso de uma invasão na cidade fortificada, um camelo não passa, pois só passavam pessoas se arrastando.

O seguimento de Jesus é exigente. O ensinamento deste Evangelho mostra como é necessário colocar a confiança em Deus e não nas coisas, partilhar e não juntar sempre mais posses, ser solidários com os pobres, buscar a sabedoria de espírito que enobrece a pessoa. A primeira leitura mostra exatamente a grandeza e o valor da sabedoria que é superior ao fato de ser rei, de ter posses em ouro e prata comparados com a areia e a lama. Nos Evangelhos Jesus revela-se como sendo a sabedoria. Daí o convite que Ele faz: “vinde a mim” … “quem vem a mim não terá mais fome” … “não terá mais sede”… (cf Mt 11,28ss; Jo 4,14; 6,35). Os Apóstolos compreenderam depois que Jesus era mesmo a “sabedoria de Deus” (cf 1Cor 1,24.30; Col 1,25ss).

No Evangelho os discípulos querem saber qual recompensa terão por eles terem deixado tudo para seguir Jesus. A resposta é clara: “cem vezes mais agora… e no mundo futuro, a vida eterna”. Os discípulos estavam assustados e ficaram ainda mais perturbados, pois receberiam também “perseguições”. Mais uma vez fica claro que o seguimento de Jesus é exigente, especialmente por ter que enfrentar poderes e sistemas que escravizam e criam injustiças.

Hoje os cristãos precisam fazer um pouco de silêncio e refletir se de fato estão livres da cobiça dos bens materiais que provoca tantas injustiças, do poder, dos privilégios, e se são capazes de partilhar com os sofredores e lutar para erradicar um dos grandes males do mundo de hoje que é a idolatria do dinheiro e do poder.

Frei Valmir Ramos, OFM

Cardeal Odilo: Uma experiência de sinodalidade

Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo metropolitano de São Paulo

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo (SP)

No domingo, 10 de outubro, o Papa Francisco abre em Roma o processo de preparação da próxima assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos. É a primeira vez que o Papa convoca a Igreja inteira a participar da preparação de uma assembleia do Sínodo, que vai ser realizada só daqui a dois anos, em outubro de 2023.

O tema, já definido para aquela assembleia, é a própria sinodalidade da Igreja, ou seja, um jeito de ser da Igreja e de interagir e se relacionar internamente. Muitas vezes, o Papa Francisco tem criticado o clericalismo, como sendo um grande mal na Igreja. Num certo tipo de clericalismo, toda a vida da Igreja fica concentrada no clero, e a própria Igreja é identificada com o clero. Outra forma de clericalismo é quando o povo fica passivo na Igreja e se considera apenas como beneficiado da Igreja. Ambas as formas de clericalismo tiram a vitalidade e o dinamismo da Igreja. Com a sinodalidade, o Papa está propondo o contrário do clericalismo.

A sinodalidade é uma maneira de ser e de agir da Igreja, na qual se entende que somos todos, antes de tudo, o povo que Deus Pai reúne mediante o envio do Filho ao mundo e a ação do Espírito Santo. Na Igreja, todos são imensamente agraciados pelo amor misericordioso de Deus. A Igreja, povo de Deus e comunidade de discípulos de Jesus, é chamada a viver a alegria do Evangelho, testemunhando a vida nova que o Espírito Santo suscita na comunidade dos fiéis. Também o clero é parte do povo de Deus, ao qual é chamado a servir em nome de Jesus Cristo. E cada membro da Igreja contribui para a vida e a missão dela com seu próprio dom. Não têm todos o mesmo dom, nem fazem todos a mesma coisa. O dom e a participação de cada um na Igreja são importantes, e ninguém deve ficar simplesmente passivo e desinteressado.

Deseja o Papa que a preparação da próxima assembleia do Sínodo conte com a participação de toda a Igreja. O tema completo do Sínodo – “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” – traz três dimensões importantes de uma Igreja sinodal. A comunhão é marca irrenunciável da Igreja, que precisa ser cultivada e promovida entre seus membros e, também, com os que não fazem plenamente parte dela. Sem a comunhão, a Igreja não seria aquela que Jesus Cristo desejou. Ninguém está na Igreja apenas para se autopromover, ou para assegurar vantagens individuais para si. Na comunhão eclesial está um dos segredos da força e da eficácia do testemunho da Igreja.

A participação decorre da comum dignidade dos batizados, membros da Igreja, e da diversidade dos dons e carismas recebidos no Batismo e na Crisma. Todos têm o direito de receber os benefícios da vida e ação da Igreja, e todos têm o dever de participar, cada um à sua maneira, da vida e missão dela. E a missão da Igreja envolve todos os batizados, e não apenas alguns. Somos um povo de discípulos missionários de Jesus Cristo e testemunhas do seu Evangelho no mundo. A missão da Igreja pode ser assumida e desempenhada de múltiplas maneiras pelos batizados.

A missa do Papa Francisco, em Roma, contará com a participação de uma representação da Igreja de cada continente. Simbolicamente, esses participantes serão enviados “a todas as nações”, para que o processo sinodal seja feito em cada país, nas comunidades e múltiplas expressões da vida eclesial. Há um roteiro para essa participação, já disponibilizado para todas as dioceses, que deverão desencadear o processo sinodal em suas comunidades, que já começa no dia 17 de outubro: em cada diocese do mundo, o bispo celebra com seu povo e dá expressão concreta a esse processo sinodal.

Das dioceses, o trabalho passa para as Conferências Episcopais a partir da Páscoa de 2022. Em seguida, o processo sinodal passa às organizações continentais da Igreja. Ainda em 2022, a Secretaria do Sínodo dos Bispos, em Roma, receberá o fruto desse processo sinodal e o encaminhará à assembleia do Sínodo dos Bispos, de 2023. É uma experiência eclesial nova que, com certeza, trará bons frutos. O Espírito Santo continua a agir, “renovando a face da terra”.

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus

Cidade do Vaticano (Bianca Fraccalvieri)

A liberdade cristã foi o tema da catequese do Papa Francisco, que se reuniu com milhares de fiéis na Sala Paulo para a Audiência Geral.

O Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre a Carta aos Gálatas, comentando alguns versículos do quarto capítulo, em que o Apóstolo afirma que “é para a liberdade que Cristo nos libertou”.

O Papa explicou que Paulo não podia suportar que aqueles cristãos, depois de terem conhecido e acolhido a verdade de Cristo, se deixassem atrair por propostas enganosas, passando da liberdade à escravidão: da presença libertadora de Jesus à escravidão do pecado, do legalismo e assim por diante. “Não se pode forçar em nome de Jesus, ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus que nos torna livres”, disse Francisco. “Uma pregação que impedisse a liberdade em Cristo nunca seria evangélica.”

O Papa prosseguiu explicando que a liberdade cristã é fundada sobre dois pilares fundamentais: primeiro, a graça do Senhor Jesus.

“Antes de tudo, é dom do Senhor. A liberdade que os Gálatas receberam – e nós como eles – é fruto da morte e ressurreição de Jesus. (…) Ali mesmo, onde Jesus se deixou cravar, Deus colocou a fonte da libertação radical do ser humano. Este é o mistério do amor de Deus! Jesus realiza sua plena liberdade ao entregar-se à morte; sabe que só assim pode obter vida para todos.

A verdade através da inquietude

O segundo pilar da liberdade é a verdade. É preciso recordar que a verdade da fé não é uma teoria abstrata, mas a realidade de Cristo vivo:

“Quantas pessoas que não estudaram, que não sabem ler ou escrever, mas que entenderam bem a mensagem de Cristo, têm esta sabedoria que as torna livres, sem estudo. É a sabedoria de Cristo que entrou através do Espírito Santo no Batismo. Quantas pessoas encontramos que vivem a vida de Cristo mais do que os grandes teólogos, por exemplo. Elas são um grande testemunho da liberdade do Evangelho“, disse o Papa.

“A liberdade torna livres na medida em que transforma a vida de uma pessoa e a direciona para o bem”, acrescentou Francisco.

“A verdade deve nos inquietar, voltemos a esta palavra muito, muito cristã: inquietude. Sabemos que existem cristãos que nunca, nunca se inquietam: vivem sempre o mesmo, não há movimento em seus corações, não há inquietude. Por que? Porque a inquietude é o sinal de que o Espírito Santo está trabalhando dentro de nós, e a liberdade é uma liberdade ativa, com a graça do Espírito Santo. É por isso que eu digo que a liberdade deve nos inquietar, deve continuamente nos fazer perguntas, para que possamos cada vez mais aprofundar sobre quem realmente somos.”

Todavia, o caminho da verdade e da liberdade é um caminho difícil, que dura a vida inteira. “Um caminho no qual somos guiados e apoiados pelo Amor que vem da Cruz: o Amor que nos revela a verdade e nos dá a liberdade. E este é o caminho da felicidade.”

Fonte: Vatican News

JMJ 2023: Jornada de Lisboa será nos dias 1 a 6 de agosto

Rui Saraiva (Portugal)

A organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023 anuncia nesta segunda-feira dia 4 de outubro que a edição de Lisboa, em Portugal, será de 1 a 6 de agosto. As datas são agora reveladas num comunicado que cita D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa:

“É com muita alegria que revelamos que a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 se realizará de 1 a 6 de agosto de 2023. O anúncio desta data da JMJ neste dia de S. Francisco de Assis é um momento muito importante para todos. Há muito que os jovens de todo o mundo desejavam conhecer a data da JMJ Lisboa 2023 para preparar com maior detalhe a vinda a Lisboa. Esperamos que os 22 meses que nos conduzirão à JMJ sejam um tempo de evangelização para todos” – considera D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa.

Neste momento, são já mais de 400 os voluntários, na sua maioria portugueses, que estão a colaborar com a organização da JMJ Lisboa 2023 no Comité Organizador Local (COL). 

Entretanto, em cada uma das 21 dioceses de Portugal existem também já Comités Organizadores Diocesanos (COD) que dinamizam no seu território o caminho de preparação para o evento.

Do caminho percorrido até agora podemos recordar um importante momento como foi a passagem da Cruz peregrina e do Ícone mariano, símbolos da JMJ, dos jovens do Panamá àqueles de Portugal. A 22 de novembro de 2020, na Solenidade de Cristo Rei, numa Eucaristia na Basílica de S. Pedro, o Papa Francisco exortou os jovens a não renunciarem aos grandes sonhos e disse-lhes para fazerem obras de misericórdia:

“Não renunciemos aos grandes sonhos. Não nos contentemos com o que é devido. O Senhor não quer que restrinjamos os horizontes, não nos quer estacionados nas margens da vida, mas correndo para metas altas, com júbilo e ousadia. Não fomos feitos para sonhar as férias ou os fins-de-semana, mas para realizar os sonhos de Deus neste mundo. Ele tornou-nos capazes de sonhar, para abraçar a beleza da vida. E as obras de misericórdia são as obras mais belas da vida. Se tens sonhos de verdadeira glória – não da glória passageira do mundo, mas da glória de Deus, esta é a estrada; porque as obras de misericórdia dão mais glória a Deus do que qualquer outra coisa” – sublinhou o Papa Francisco na receção dos símbolos da JMJ em Roma pelos jovens portugueses.

A JMJ Lisboa 2023 decorre em Portugal de 1 a 6 de agosto. Até lá os símbolos da JMJ peregrinam pelas dioceses de Portugal de novembro 2021 a julho 2023. O tema da JMJ 2023 é: “Maria levantou-se e partir apressadamente” (Lc 1, 39). 

Fonte: Vatican News

27º Domingo do Tempo Comum: “Portanto, o que Deus uniu o homem não separe!”

LEITURAS: Gn 2,18-24 / Sl 127 / Hb 2,9-11 / Mc 10,2-16

Desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher”. Com estas palavras Jesus revela a compreensão mais profunda da dignidade da mulher. O contexto do Evangelho deste Domingo é a Judeia com a presença de muitas pessoas e dos fariseus. Estes querem desmoralizar Jesus e dizer que Ele não observa os mandamentos de Deus revelados a Moisés. Por isso querem colocá-lo à prova perguntando sobre o divórcio. Jesus vai à Sagrada Escritura, supondo que os fariseus conheciam bem, mas eram muito machistas e discriminavam as mulheres. Eles retrucam que Moisés permitiu dar carta de divórcio. Aí a resposta de Jesus é categórica: “foi por causa da dureza do vosso coração… no entanto, desde o começo da criação Deus os fez homem e mulher”. Jesus se refere ao livro do Gênese na primeira narrativa da criação (Gn 1,27) onde homem e mulher são imagem e semelhança de Deus.

Na primeira leitura vemos a segunda narrativa da criação do homem e da mulher em que Deus faz a mulher como “semelhante” ao homem. As palavras em hebraico parecem exprimir melhor o sentido: ‘ish (homem) e ‘ishah (mulher). Não quer dizer que um é superior ao outro, mas dá a ideia de complementariedade. Por isso o homem não está autorizado a agir como superior, considerar a mulher como uma posse ou objeto. Este era o pecado dos fariseus machistas que perguntavam a Jesus sobre a carta de divórcio. Eles não aceitavam que Jesus tratasse as mulheres e os homens da mesma maneira, fazendo-se irmão de todos, amando e indicando o caminho da salvação.

Na carta aos hebreus vemos uma declaração sublime do amor de Jesus pela humanidade a ponto de assumir a condição humana e abraçar a morte. O autor da carta fala que Ele está “coroado de glória e honra” e que “pela graça de Deus em favor de todos, Ele provou a morte”. Jesus mostra aos fariseus e aos discípulos de ontem e de hoje que as mulheres e crianças, ambas discriminadas e não contadas na sociedade e no templo, têm a mesma dignidade dos homens adultos. E mais, mostra que as crianças indicam que os caminhos de Deus passam pelos pequeninos, marginalizados e descartados e quem quiser entrar no Reino deve fazer-se pequeno e humilde.

Hoje todos os cristãos precisam avaliar o modo de ver e considerar os irmãos e irmãs, especialmente nos ambientes machistas em que homens e também mulheres pensam que elas podem sofrer abuso, violência, discriminação, serem tratadas como coisa a ser possuída, ficarem longe das decisões e por fim precisarem jornadas duplas de trabalho porque são mulheres.

É tempo da Igreja católica também repensar o papel das mulheres na evangelização, nos vários ministérios e nas esferas das decisões. De modo especial as mulheres consagradas precisam ser reconhecidas e assumir cargos de decisão, além de possibilidades de estudos superiores e formação teológica.

Frei Valmir Ramos, OFM


Acompanhe também a reflexão da série: “Luz do meu caminho”