Festividade do Batismo do Senhor: “Eu vos batizei com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo!”

 

Antes de iniciar a sua missão, Jesus recebe o batismo de João Batista. O evangelista Marcos apresenta João Batista como o “mensageiro” anunciado pelo profeta Isaías que está realizando a sua missão no deserto quando vem Jesus para ser batizado por ele. João Batista sabe da grandeza do Messias e anuncia o batismo no Espírito, que quer dizer o dom dos últimos tempos que virá habitar no coração de cada fiel. Marcos mostra o movimento que acontece no batismo de Jesus: Ele sobe da água e o Espírito desce do céu. A voz de Deus confirma Jesus como o “Filho amado” que é “luz das nações” enviado “para abrir os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”, como anunciou o profeta Isaías na primeira leitura.

De fato, com o batismo Jesus inicia a sua vida pública, isto é, a pregação do Reino e a realização da vontade de Deus para libertar o seu povo de toda opressão. Os presos que deveriam ser libertados eram os que tinham dívidas e não tinham dinheiro para pagar. Não eram criminosos, eram pobres que tinham que pagar perdendo a liberdade ou entregar pessoas da família como escravos para saldar dívidas. Jesus cheio do Espírito age para dar vida em abundância às pessoas, combater toda forma de injustiça, de ódio e de violência e para construir o Reino de Deus.

No discurso de São Pedro na segunda leitura vemos como ele anuncia Jesus “ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder”, “que é o Senhor de todos”. E Pedro testemunha que “Deus não faz distinção entre pessoas”, mas “aceita quem o teme e pratica a justiça”. Pedro está atuando naquele período que São Lucas entende como terceiro, isto é, o período da Igreja, no qual os cristãos é que são os responsáveis por continuar o projeto de Jesus. Muitos na Igreja daquele período colocavam em dúvida se os estrangeiros poderiam ser batizados e fazer parte dela. Foi preciso dialogar muito e São Paulo foi a Jerusalém para mostrar também como Jesus Ressuscitado estava agindo no meio dos estrangeiros sem fazer distinção.

Hoje todos os batizados são chamados a continuar a missão de Jesus, pois ainda existe muita injustiça, muita treva, muito ódio e muito sofrimento na vida dos irmãos e irmãs de Jesus. O anúncio na boca de Isaías continua ressoando para os cristãos: “te chamei para a justiça, te tomei pela mão, te constituí luz das nações”. Nenhum cristão pode esconder-se e não irradiar a luz que vem de Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade da Epifania do Senhor: “Viemos do oriente adorar o Rei!”

 

Acredita-se que inicialmente os “reis magos” vinham da Pérsia e eram um tipo de sacerdotes ou sábios ou astrólogos, observadores dos astros celestes. O texto do profeta Isaías (Is 60,6) fez a tradição enxergar nos “magos” vindos do oriente como “reis”. Eles chegam em Jerusalém e perguntam “onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”. Não só a presença destas visitas inesperadas causa inquietação, mas principalmente a pergunta pelo rei que acabava de nascer. Herodes, que era o rei, quer saber detalhes porque não admite um sucessor concorrente. Os visitantes captam suas intenções e voltam para casa “seguindo outro caminho”.

Eles foram guiados por uma estrela diz o texto. No Antigo Testamento vemos o anúncio de uma “nova estrela” (cf Nm 24,17) que não seria simplesmente um novo fenômeno astral, mas um “rei”. De fato, encontram um “menino com Maria, sua mãe” e o reconhecem como um Deus. Por isso “se ajoelham diante dele e o adoram”.

Aí está a manifestação de Jesus, que nasceu para salvar todos os filhos e filhas de Deus, sem olhar a qual nação ou raça pertença. O profeta Isaías havia anunciado a glória de Deus sobre Jerusalém como “luz” para todos os povos. Com isso Isaías indica a presença de Deus que manifesta a sua glória naquela cidade onde atrairia povos e reis. Ao mesmo tempo, indica que brilhou a luz não apenas para um grupo seleto, restrito aos mais fervorosos seguidores da Lei, mas a todos os povos, incluindo os considerados “infiéis”.

São Paulo faz ver como de fato o Salvador se manifesta a todos dizendo que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Este é o ensinamento para todos os cristãos, pois nenhum deles pode ter a pretensão de tomar posse da salvação ou restringi-la ao seu próprio grupo. Com esta compreensão, a tradição cristã fez os três reis aparecerem como raças e cores diversas.

A manifestação de Jesus não se dá com poderio e a partir do centro, mas vem da pequenina cidade de Belém, de onde os poderosos e os doutores não esperavam. A glória de Deus se manifesta então a partir da humilde presença do Salvador como menino recém-nascido e colocado em uma manjedoura. Por isso mesmo, a Igreja, como comunidade missionária, é chamada a anunciar a presença do Salvador entre todos os povos estando do lado dos mais pequeninos e humildes que mais enfrentam as trevas deste mundo.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade da Santa Maria Mãe de Deus: “Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher!”

 

São Paulo dá testemunho de Jesus Cristo como sendo o Salvador que nasceu de uma mulher do seu povo. Esta afirmação é para dizer que Jesus é verdadeiro homem, que não é um mito ou um espírito que ficou visível aos seus discípulos e às multidões. Na sequência da carta, o autor diz que nasceu “sujeito à Lei”, quer dizer, tão humano que não se esquivou de observar as prescrições religiosas de seu povo. A jovem que acreditou na Palavra de Deus é uma mulher de fé e cumpre os preceitos religiosos, por isso leva Jesus ao templo, apresenta-o e cumpre os ritos necessários.

São Lucas narra o momento em que os pastores encontram Maria, José e o “recém-nascido deitado na manjedoura”. Para os pastores, homens simples e certamente analfabetos, Deus revela a notícia da chegada do Salvador, que entra na história da humanidade silenciosamente, de maneira humilde, no seio de uma família pobre e na periferia do mundo. Este nascimento acontece em um contexto histórico bem concreto e conhecido. A cena construída por São Lucas mostra os pastores que chegam onde estão Maria e José e veem o recém-nascido. Não se trata de uma visão em sonho ou em transe, mas uma realidade muito concreta: lá está uma mulher que deu à luz um filho e lá está o que nasceu como nascem todos os seres humanos. Os pastores glorificam a Deus pelo que lhes foi revelado. Ainda não sabem bem o que será daquele menino da manjedoura, mas retornam ao trabalho transformados.

Também Maria “guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Ela é mulher de fé, mas percorre um caminho de discipulado para compreender que aquele Menino deve cumprir o projeto do Pai. O que é traduzido como “fatos” que Maria guardava e meditava é um termo que corresponde a “palavra”, a “acontecimentos”, isto é, aquilo que em hebraico faz referência a palavra/ação realizada por Deus. Maria encontra-se imersa em um processo de amadurecimento de sua fé que alcançará o cume ao celebrar a ressurreição de Jesus.

As celebrações natalinas devem transformar os cristãos num processo constante de amadurecimento da fé e do compromisso com o Reino de Deus. É sempre um risco celebrarmos e pedirmos o nascimento de Jesus em todos os corações, em todas as famílias, e nos esquecermos que Ele nasceu realmente como nascem todos os bebês e entrou na história concreta da humanidade, ensinou um novo caminho da prática do amor altruísta, agiu construindo o Reino de Deus, foi perseguido, morto e ressuscitou vencendo a morte. Hoje, todos são chamados a reconhecê-lo no rosto dos sofredores, especialmente das vítimas da miséria, da violência, dos abusos e da indiferença.

Frei Valmir Ramos, OFM

Solenidade do Natal do Senhor: “O fazer-se carne foi a forma com que Deus escolheu para ser presença pessoal e sensível!”

Com uma página maravilhosa o Evangelho de João inicia com o anúncio de que Deus veio morar com o seu povo. “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós”. É a Palavra de Deus que ama de forma infinita o seu povo que mora neste mundo e nem sempre aprecia a luz, a verdade, a vida. Na Sagrada Escritura a Palavra de Deus, “Dabar”, significa ação, Sabedoria, pois Deus fala agindo. Isto vemos já no Gêneses quando Deus diz, por exemplo, “faça-se a luz” e a luz começou a existir. E tudo foi criado pela sabedoria de Deus. O fazer-se carne foi a forma com que Deus escolheu para ser presença pessoal e sensível entre os seus filhos e filhas. Deus agora fala através do Filho: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”, diz na carta aos Hebreus. Toda a humanidade é interpelada pela Palavra, deve ouvir o que diz o Filho de Deus.

O nascimento do Salvador era esperado pelo povo de Deus. Já revelado pela mesma Sabedoria de Deus, o Salvador nasce como um menino do seu povo. O Evangelista o apresenta como Palavra que desde sempre estava com Deus, por isso não é criada, mas gerada no útero de Maria. Esta forma de vir participar da história da humanidade surpreendeu os doutores e mestres da Lei que não aceitaram Jesus como Salvador.

No Evangelho João contrapõe as situações da humanidade com aquelas que revelam Jesus: criaturas quando Jesus é Criador com o Pai; trevas quando Jesus é luz que ilumina todas as pessoas; fragilidade da carne quando Jesus é gerado pelo Espírito; finitude temporal quando Jesus é eterno; submissão à Lei quando Jesus é graça e verdade libertadora. A luz perpassará todo o Evangelho de João e será aquele que iluminará os olhos e as mentes para ver Deus presente no meio da humanidade.

O contexto em que surge o texto de Isaías (da 1ª leitura) é de opressão e domínio sobre o povo de Israel, o povo de Deus. O profeta vislumbra a salvação que vem de Deus através de um “novo rei” que voltaria a Sião, Jerusalém, para reergue-la das ruínas, alegrar o seu povo e torna-la centro de salvação para todos os povos. Num primeiro momento aparece a esperança de um rei político forte o suficiente para vencer os dominadores. Depois alcança uma dimensão mais universal de realização do bem e da paz.

Em nossos dias, o Natal significa nova esperança para a humanidade abrir bem os ouvidos para a Palavra morar na vida. Isto implica dar o devido valor a cada coisa: primeiro a vida com dignidade para todas as pessoas, a vida de toda a criação para dar condições de vida ao ser humano, a solidariedade que é expressão de amor verdadeiro ao próximo, o respeito ao ser do outro e das criaturas, até chegar aos verdadeiros valores humanos que distinguem os filhos e filhas de Deus das demais criaturas.

Frei Valmir Ramos, OFM

Em novembro, Papa pede que avanços da inteligência artificial sejam “humanos”

“A inteligência artificial está na raiz da mudança de época que estamos vivendo. A robótica pode tornar possível um mundo melhor se estiver unida ao bem comum. Porque se o progresso tecnológico aumenta as desigualdades, não é um progresso real. Os avanços futuros devem estar orientados para o respeito pela dignidade da pessoa e da Criação. Rezemos para que o progresso da robótica e da inteligência artificial esteja sempre a serviço do ser humano… podemos dizer, que ‘seja humano’.”

No vídeo de intenção de oração para o mês de novembro, o Papa Francisco reforça a necessidade de que os avanços tecnológicos sejam orientados pelo bem comum de todos. Na mensagem, o Pontífice traz a preocupação de que a robótica e a inteligência artificial possam aumentar as desigualdades, interrompendo um “progresso real” da humanidade. Assim, confia a toda Igreja Católica por meio da Rede Mundial de Oração do Papa, orações para que, em meio à mudança histórica pela qual vivemos, o progresso tecnológico esteja sempre “a serviço do ser humano”, respeitando a sua dignidade e zelando pela Criação.

Entendendo a Inteligência Artificial

Não é novidade que, nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) avançou de forma exponencial em diferentes áreas do conhecimento. Em sua essência, ela permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana, que tomam decisões de forma independente em base a uma infinidade de dados digitais. Atualmente, 37% das organizações no mundo implementaram as chamadas “máquinas inteligentes” de alguma forma, um aumento de 270% nos últimos 4 anos. A inteligência artificial, assim, faz parte de uma nova onda que os economistas chamam de quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

As tecnologias pelo bem comum

O Papa Francisco esclarece que esse avanço, como o da robótica, “pode ​​tornar possível um mundo melhor se estiver vinculado ao bem comum”, porque a inteligência artificial é capaz de resolver muitas questões que têm o ser humano como centro, como por exemplo: avaliar a capacidade de aprendizagem dos alunos para detectar oportunidades de melhoria; ajudar pessoas com deficiência visual ou auditiva a desenvolver melhores ferramentas de comunicação (como conversão de texto em fala ou tradução de fala em texto); ou ainda agilizar a coleta, o processamento e a disseminação de dados e informações de saúde para melhorar o diagnóstico e o tratamento dos pacientes, especialmente aqueles que vivem em áreas remotas.

O mesmo acontece no campo da ecologia. Graças à inteligência artificial é possível analisar dados sobre as mudanças climáticas e desenvolver modelos que podem ajudar a prever desastres naturais. Também serve para criar cidades inteligentes e sustentáveis, reduzindo gastos urbanos, melhorando a resiliência das estradas e aumentando a eficiência energética, por exemplo. No Vídeo do Papa, que ganhou apoio do Instituto Italiano de Tecnologia e da empresa multinacional de energia, a ENEL, as imagens mostram possibilidades de usar o progresso para o bem comum.

A serviço do ser humano

O engenheiro Francesco Starace, CEO da Enel, comenta que, “como o Papa Francisco reafirma, é nossa tarefa garantir que os benefícios resultantes sejam distribuídos de forma equitativa e gerem oportunidades e bem-estar. Para nortear positivamente nossas ações e escolhas em relação ao presente e ao futuro, é necessário colocar o respeito às pessoas e ao meio ambiente em primeiro lugar, adotando uma visão baseada na sustentabilidade”.

Já o Pe. Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, observa que “esta intenção de oração reforça a ideia de que o benefício que a humanidade obteve (e continuará a obter) com o progresso tecnológico deve sempre contemplar também um ‘desenvolvimento adequado de responsabilidades e valores’. Assim afirmava o Papa nas encíclicas Laudato si’ e, agora, na Fratelli tutti: ‘Como seria bom se, ao aumento das inovações científicas e tecnológicas, correspondessem também uma equidade e uma inclusão social cada vez maiores!’”, disse o diretor, que finalizou: “Sabemos que a inteligência artificial, a robótica e outras tecnologias abrem grandes desafios para a ética e a justiça social. É por isso que o mais recente pedido do Papa é importante: rezar para que o progresso seja sempre humano.”

Fonte: Vatican News

Papa Francisco criará 13 novos cardeais

Papa Francisco no Angelus  (Vatican Media)

Silvonei José (Vatican News)

O Papa Francisco anunciou neste domingo um novo Consistório para o dia 28 de novembro para a criação de 13 novos cardeais, quatro dos quais têm mais de 80 anos e, portanto, não participarão num eventual conclave. 

Dois dos novos cardeais pertencem à Cúria Romana: são o secretário do Sínodo dos Bispos, o maltês Mario Grech, e o italiano Marcello Semeraro, ex-bispo de Albano e novo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. A eles o Papa uniu seis pastores de Igrejas no mundo: o arcebispo de Kigali, Ruanda, Antoine Kambanda; o arcebispo de Washington, EUA, Wilton Gregory; o arcebispo de Capiz, Filipinas, José Fuerte Advincula; o arcebispo de Santiago, Chile, Celestino Aós Braco; o vigário apostólico de Brunei, Cornelius Sim; o arcebispo de Siena, Itália, Augusto Paolo Lojudice. Com eles o Papa nomeou também o atual Guardião do Sagrado Convento de Assis, o padre Mauro Gambetti.

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Aos nove cardeais com menos de oitenta anos de idade, o Papa Francisco uniu também quatro novos cardeais com mais de oitenta anos. São eles: Felipe Arizmendi Esquivel, arcebispo emérito de San Cristóbal de Las Casas (México); o Núncio Apostólico Silvano Tomasi, ex-observador permanente nas Nações Unidas em Genebra, que depois trabalhou no Dicastério para o Desenvolvimento humano integral; o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia e pároco do Divino Amor, padre Enrico Feroci.

Os cardeais usam a cor púrpura, o que indica a sua disponibilidade ao sacrifício “usque ad sanguinis effusionem”, até o derramamento de sangue, ao serviço do Sucessor de Pedro, e mesmo que residam nas regiões mais remotas do mundo tornam-se titulares de uma paróquia na Cidade Eterna porque estão incardinados na Igreja da qual o Papa é Bispo.

Eis a lista dos nomes dos novos cardeais:

Dom Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos;

Dom Marcello Semeraro, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos;

Dom Antoine Kambanda, arcebispo de Kigali, Ruanda;

Dom Wilton Gregory, arcebispo de Washington;

Dom José Advincula, arcebispo de Capiz, Filipinas;

Dom Celestino Aós Braco, arcebispo de Santiago de Santiago do Chile;

Dom Cornelius Sim, bispo titular de Puzia di Numidia e Vigário Apostólico de Brunei, Kuala Lumpur;

Dom Augusto Paolo Lojudice, arcebispo de Siena-Colle Val d’Elsa-Montalcino;

Frei Mauro Gambetti, franciscano conventual, Guardião da Comunidade franciscana de Assis.

Juntamente a eles o Papa uniu aos membros do Colégio dos Cardeais:

Dom Felipe Arizmendi Esquivel, bispo emérito de San Cristóbal de las Casas, México;

Dom Silvano M. Tomasi, arcebispo titular de Asolo, Núncio Apostólico;

Frei Raniero Cantalamessa, capuchinho, Pregador da Casa Pontifícia;

Mons. Enrico Feroci, pároco em Santa Maria do Divino Amore em Castel di Leva.

Fonte: Vatican News

Rumo à JMJ Lisboa 2023: apresentado o logotipo!

Foi apresentado nesta sexta-feira (16/10) o logotipo da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

No dia 16 de outubro se comemora a eleição papal de São João Paulo II, fundador deste encontro internacional de jovens que tem marcado gerações em todo o mundo.

O novo logotipo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi inspirado pelo tema escolhido pelo Papa Francisco para a edição da JMJ, que terá lugar em Lisboa («Maria levantou-se e partiu apressadamente», Lc 1, 39) e pelos traços da cultura e religiosidade portuguesas.

A autora é Beatriz Roque Antunes, jovem designer portuguesa de 24 anos. Estudou Design em Londres e atualmente trabalha numa agência de comunicação, em Lisboa.

“Como nos diz a passagem que é o tema da JMJ Lisboa 2023, Maria não se acomoda e vai visitar a prima. É esse o convite aos jovens: que não se acomodem, que façam acontecer, que construam e não deixem o destino do mundo nas mãos dos outros. Precisamos todos que os jovens tomem o mundo nas suas mãos”, diz a vencedora do concurso.

O elemento central do logotipo é a Cruz. Esta é atravessada por um caminho onde surge o Espírito Santo. Trata-se de um convite aos jovens para que não se acomodem e sejam protagonistas da construção de um mundo mais justo e fraterno. As cores (verde, vermelho e amarelo) evocam a bandeira portuguesa. 

Cruz: A Cruz de Cristo, sinal do amor infinito de Deus pela humanidade, é o elemento central, de onde tudo nasce.

Caminho: Tal como indica o relato da Visitação que dá tema à JMJ Lisboa 2023, Maria parte, pondo-se a caminho para viver a vontade de Deus, e dispondo-se a servir Isabel. Este movimento sublinha o convite feito aos jovens para renovarem ‘o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade’ (Christus Vivit, 20). A acompanhar o caminho surge, ainda, uma forma dinâmica que evoca o Espírito Santo.   

Terço: A opção pelo terço celebra a espiritualidade do povo português na sua devoção a Nossa Senhora de Fátima. Este é colocado no caminho para invocar a experiência de peregrinação que é tão marcante em Portugal.

Maria: Maria foi desenhada jovem para representar a figura do Evangelho de São Lucas (Lc 1, 39) e potenciar uma maior identificação com os jovens. O desenho exprime a juvenilidade própria da sua idade, característica de quem ainda não foi mãe, mas carrega em si a luz do mundo. Esta figura aparece levemente inclinada, para mostrar a atitude decidida da Virgem Maria.

A partir de hoje, também está online o site da JMJ, que está disponível em www.lisboa2023.org.

Fonte: Vatican News

Intenção do Papa para o mês de outubro: Por mais mulheres em cargos de decisão na Igreja!

Por esta intenção, o Papa Francisco pede que rezemos neste mês de outubro, mês missionário.

O Santo Padre destaca o papel dos leigos e leigas, a quem ele considera verdadeiros protagonistas do anúncio do Evangelho, e pede que especialmente as mulheres participem de cargos de decisão.

Como todo mês, a intenção é acompanhada de um vídeo preparado pela Rede Mundial de Oração do Papa. Nesta ocasião, o vídeo foi produzido em colaboração com o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e conta com a participação de altas funcionárias do Vaticano e jornalistas do Vatican News.

Ampliar os espaços de presença feminina relevante na Igreja

“Ninguém foi batizado como padre ou bispo. Todos nós fomos batizados como leigos”, recorda o Papa no vídeo, afirmando que ”leigos e leigas são protagonistas da Igreja”.

E nesta presença laical, afirma Francisco, “deve-se sublinhar o feminino, pois as mulheres costumam ser deixadas de lado”.

“Devemos promover a integração das mulheres em lugares onde são tomadas decisões importantes”, defende o Pontífice. 

Comentando esta intenção, o Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, padre Frédéric Fornos SJ, destaca que desde 2013 – ano da eleição de Francisco – “muito foi feito, mas muito mais deve ser feito”. 

O jesuíta cita uma frase do Papa Francisco da Exortação apostólica “Evangelii gaudium”: “As reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente” (EG 104). 

Em outro documento, “Querida Amazônia”, o Pontífice escreve que muitas mulheres, impelidas pelo Espírito Santo, mantêm a Igreja de pé, em muitas partes do mundo, com admirável dedicação e fervorosa fé. É fundamental que participem cada vez mais em suas instâncias de decisão. Isso exige uma mudança profunda de mentalidade, exige a nossa conversão, que implica oração.

Fonte: Vatican News

Papa Francisco: “Precisamos de cristãos corajosos que saibam dizer ‘isto não deve ser feito’!”

Papa Francisco (Fonte: Vatican News)

“A oração de Elias” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (07/10), realizada na Sala Paulo VI, por causa da chuva que começou a cair cedo na Cidade Eterna.

O Pontífice retomou as catequeses sobre o tema da oração, interrompidas para dar espaço ao ciclo de catequeses dedicado ao cuidado da criação. “Conheçamos um dos personagens mais fascinantes de toda a Sagrada Escritura: o profeta Elias”, disse o Papa. “Ele vai além dos limites do seu tempo e podemos ver a sua presença também em alguns episódios do Evangelho. Ele aparece ao lado de Jesus, junto com Moisés, no momento da Transfiguração. O próprio Jesus refere-se à sua figura para dar crédito ao testemunho de João Batista”, sublinhou Francisco.

Elias, incapaz de compromissos mesquinhos

O Papa frisou que “a Escritura apresenta Elias como um homem de fé cristalina: no seu próprio nome, que poderia significar “Javé é Deus”, está incluído o segredo da sua missão. Ele será assim para o resto de sua vida: um homem integérrimo, incapaz de compromissos mesquinhos. O seu símbolo é o fogo, a imagem do poder purificador de Deus. Será o primeiro a ser posto à prova e permanecerá fiel. Ele é o exemplo de todas as pessoas de fé que passam por tentações e sofrimentos, mas não deixam de viver à altura do ideal para o qual nasceram”.

A oração é a linfa que alimenta constantemente a sua existência. Por esta razão, é um dos personagens mais queridos à tradição monástica, de tal forma que alguns o elegeram padre espiritual da vida consagrada a Deus. Elias é o homem de Deus, que se levanta como defensor da primazia do Altíssimo. No entanto, também ele é obrigado a enfrentar as próprias fragilidades. É difícil dizer quais experiências lhe foram mais úteis: se a derrota dos falsos profetas no Monte Carmelo, ou a perplexidade em que constata que ele «não é melhor do que os seus pais».

A oração é deixar-se conduzir por Deus

Segundo Francisco, na alma de quem reza, o sentido da própria debilidade é mais precioso do que momentos de exaltação, quando parece que a vida é uma cavalgada de vitórias e sucessos”, e acrescentou:

Na oração acontece sempre isso. Momentos de oração que nos puxam para cima, nos enche de entusiasmo, e momentos de oração de dor, aridez e provações. A oração é assim: deixar-se conduzir por Deus e deixar-se também golpear, pelas situações ruins e até mesmo pelas tentações. Esta realidade que a oração é assim se encontra em muitas outras vocações bíblicas, também no Novo Testamento; pensemos, por exemplo, em São Pedro e São Paulo, a vida deles era assim: momentos de exultação e momentos de abaixamento, de sofrimentos.

“Elias é o homem de vida contemplativa e, ao mesmo tempo, de vida ativa, preocupado com os acontecimentos do seu tempo, capaz de se lançar contra o rei e a rainha, depois que eles mandaram matar Nabot para tomar posse da sua vinha”, disse ainda o Pontífice. 

Precisamos do espírito de Elias

Quanto precisamos de fiéis, de cristãos zelosos que agem diante de pessoas que têm responsabilidade gerencial com a coragem de Elias, para dizer: “Isto não deve ser feito! Isto é um assassinato”! Precisamos do espírito de Elias.

Elias nos mostra, deste modo, “que não deve haver dicotomia na vida de quem reza, não há diferença: se está perante o Senhor e se vai ao encontro dos irmãos para os quais Ele envia”.

“E vice-versa: os fiéis agem no mundo depois de, primeiro, terem silenciado e rezado; caso contrário, a sua ação é impulsiva, desprovida de discernimento, é uma corrida ofegante sem meta. Quando os fiéis fazem assim, cometem muitas injustiças, porque não foram primeiro diante do Senhor para rezar, discernir o que devem fazer”.

Regressar a Deus com a oração

O Papa disse ainda que “as páginas da Bíblia sugerem que também a fé de Elias progrediu: ele cresceu na oração, refinou-a pouco a pouco. Para ele, o rosto de Deus tornou-se mais nítido ao longo do caminho, até atingir o seu ápice naquela experiência extraordinária, quando Deus se manifestou a Elias no monte. Ele se manifesta não na tempestade impetuosa, não no tremor de terra nem no fogo devorador, mas no «murmúrio de uma brisa suave». Ou melhor, uma tradução que reflete bem essa experiência: em um fio de silêncio sonoro. É assim que Deus se manifesta a Elias”.

É com este sinal humilde que Deus se comunica com Elias, que naquele momento é um profeta fugitivo que perdeu a paz. Deus vai ao encontro de um homem cansado, de um homem que pensava ter falhado em todas as frentes, e com aquela brisa suave, com aquele fio de silêncio sonoro, traz de volta a calma e a paz ao seu coração.

“Esta é a vicissitude de Elias, mas parece escrita para todos nós”, disse ainda Francisco. “Em certas noites podemos sentir-nos inúteis e solitários. É então que a oração virá e baterá à porta do nosso coração. Todos nós podemos tocar uma orla do manto de Elias. E mesmo que tivéssemos feito algo de errado, ou se nos sentíssemos ameaçados e apavorados, regressando a Deus com a oração, voltarão também como que por milagre a serenidade e a paz. Isto é o que nos ensina o exemplo de Elias”, concluiu o Papa.

Fonte: Vatican News

Publicada “Fratelli tutti”, a Encíclica social do Papa Francisco

Quais são os grandes ideais mas também os caminhos concretos para aqueles que querem construir um mundo mais justo e fraterno nas suas relações quotidianas, na vida social, na política e nas instituições? Esta é a pergunta à qual pretende responder, principalmente, “Fratelli tutti”: o Papa define-a como uma “Encíclica Social” (6) que toma o seu título das “Admoestações” de São Francisco de Assis, que usava essas palavras “para se dirigir a todos os irmãos e irmãs e lhes propor uma forma de vida com sabor do Evangelho” (1). A Encíclica tem como objetivo promover uma aspiração mundial à fraternidade e à amizade social. No pano de fundo, há a pandemia da Covid-19 que – revela Francisco – “irrompeu de forma inesperada quando eu estava escrevendo esta carta”. Mas a emergência sanitária global mostrou que “ninguém se salva sozinho” e que chegou realmente o momento de “sonhar como uma única humanidade”, na qual somos “todos irmãos”. (7-8).

No primeiro de oito capítulos, intitulado “As sombras dum mundo fechado”, o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma “cultura de muros” que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, “Um estranho no caminho”. Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é “analfabeta” no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós “somos feitos para o amor” (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo “uma dimensão universal” (83) é também retomado no terceiro capítulo, “Pensar e gerar um mundo aberto”: nele, Francisco exorta cada um de nós a “sair de si mesmo” para encontrar nos outros “um acrescentamento de ser” (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a “comunhão universal” (95). Afinal – recorda a Encíclica – a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua “missão educativa primária e imprescindível” (114).

O direito a viver com dignidade não pode ser negado a ninguém, afirma ainda o Papa, e uma vez que os direitos são sem fronteiras, ninguém pode ser excluído, independentemente do local onde nasceu (121). Deste ponto de vista, o Papa lembra também que é preciso pensar numa “ética das relações internacionais” (126), porque cada país é também do estrangeiro e os bens do território não podem ser negados àqueles que têm necessidade e vêm de outro lugar. O direito natural à propriedade privada será, portanto, secundário em relação ao princípio do destino universal dos bens criados (120). A Encíclica também coloca uma ênfase específica na questão da dívida externa: embora se mantenha o princípio de que toda a dívida legitimamente contraída deve ser paga, espera-se, no entanto, que isto não comprometa o crescimento e a subsistência dos países mais pobres (126).

Ao tema das migrações é, ao invés, dedicado em parte o segundo e todo o quarto capítulo, “Um coração aberto ao mundo inteiro”: com as suas “vidas dilaceradas” (37), em fuga das guerras, perseguições, catástrofes naturais, traficantes sem escrúpulos, arrancados das suas comunidades de origem, os migrantes devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados. Nos países destinatários, o justo equilíbrio será entre a proteção dos direitos dos cidadãos e a garantia de acolhimento e assistência aos migrantes (38-40). Especificamente, o Papa aponta algumas “respostas indispensáveis” especialmente para aqueles que fogem de “graves crises humanitárias”: incrementar e simplificar a concessão de vistos; abrir corredores humanitários; oferecer alojamento, segurança e serviços essenciais; oferecer possibilidade de trabalho e formação; favorecer a reunificação familiar; proteger os menores; garantir a liberdade religiosa. O que é necessário acima de tudo” – lê-se no documento -, é uma legislação (go­vernance) global para as migrações que inicie projetos a longo prazo, indo além das emergências individuais, em nome de um desenvolvimento solidário de todos os povos (129-132).

O tema do quinto capítulo é “A política melhor”, ou seja, a que representa uma das formas mais preciosas da caridade porque está ao serviço do bem comum (180) e conhece a importância do povo, entendido como uma categoria aberta, disponível ao confronto e ao diálogo (160). Este é o popularismo indicado por Francisco, que se contrapõe ao “populismo” que ignora a legitimidade da noção de “povo”, atraindo consensos a fim de instrumentalizar ao serviço do seu projeto pessoal (159). Mas a melhor política é também a que protege o trabalho, “uma dimensão indispensável da vida social” e procura assegurar que cada um tenha a possibilidade de desenvolver as suas próprias capacidades (162). A verdadeira estratégia contra a pobreza, afirma a Encíclica, não visa simplesmente a conter os necessitados, mas a promovê-los na perspectiva da solidariedade e da subsidiariedade (187). A tarefa da política, além disso, é encontrar uma solução para tudo o que atenta contra os direitos humanos fundamentais, tais como a exclusão social; tráfico de órgãos, e tecidos humanos, armas e drogas; exploração sexual; trabalho escravo; terrorismo e crime organizado. Forte o apelo do Papa para eliminar definitivamente o tráfico de seres humanos, “vergonha para a humanidade”, e a fome, porque é “criminosa” porque a alimentação é “um direito inalienável” (188-189).

A política da qual há necessidade, sublinha ainda Francisco, é aquela centrada na dignidade humana e que não está sujeita à finança porque “o mercado por si só, não resolve tudo”: os “estragos” provocados pela especulação financeira mostraram-no (168). Assumem, portanto, particular relevância os movimentos populares: verdadeiros “torrentes de energia moral”, devem ser envolvidos na sociedade, de uma forma coordenada. Desta forma – afirma o Papa -, pode-se passar de uma política “para” os pobres para uma política “com” e “dos” pobres (169). Outro desejo presente na Encíclica diz respeito à reforma da ONU: perante o predomínio da dimensão econômica, de fato, a tarefa das Nações Unidas será dar uma real concretização ao conceito de “família de nações”, trabalhando para o bem comum, a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos humanos. Recorrendo incansavelmente à “negociação, aos mediadores e à arbitragem” – afirma o documento pontifício – a ONU deve promover a força da lei sobre a lei da força (173-175).

Do sexto capítulo, “Diálogo e amizade social”, emerge também o conceito de vida como “a arte do encontro” com todos, também com as periferias do mundo e com os povos originais, porque “de todos se pode aprender alguma coisa, nin­guém é inútil, ninguém é supérfluo” (215). Particular, então, a referência do Papa ao “milagre da amabilidade”, uma atitude a ser recuperada porque é “uma estrela na escuridão” e uma “libertação da crueldade, da ansiedade que não nos deixa pensar nos outros, da urgência distraída” que prevalecem em época contemporânea (222-224). Reflete sobre o valor e a promoção da paz, o sétimo capítulo, intitulado “Percursos dum novo encontro”, no qual o Papa sublinha que a paz é “proativa” e visa formar uma sociedade baseada no serviço aos outros e na busca da reconciliação e do desenvolvimento mútuo. A paz é uma “arte” em que cada um deve desempenhar o seu papel e cuja tarefa nunca termina (227-232). Ligado à paz está o perdão: devemos amar todos sem exceção – lê-se na Encíclica -, mas amar um opressor significa ajudá-lo a mudar e não permitir que ele continue a oprimir o seu próximo (241-242). Perdão não significa impunidade, mas justiça e memória, porque perdoar não significa esquecer, mas renunciar à força destrutiva do mal e da vingança. Nunca esquecer “horrores” como a Shoah, os bombardeamentos atómicos em Hiroshima e Nagasaki, perseguições e massacres étnicos – exorta o Papa – devem ser sempre recordados, novamente, para não nos anestesiarmos e manterem viva a chama da consciência coletiva. E também é importante fazer memória do bem. (246-252).

Parte do sétimo capítulo se detém, então, sobre a guerra: “uma ameaça constante”, que representa a “negação de todos os direitos”, “o fracasso da política e da humanidade”, “a vergonhosa rendição às forças do mal”. Além disso, devido às armas nucleares, químicas e biológicas que afetam muitos civis inocentes, hoje já não podemos pensar, como no passado, numa possível “guerra justa”, mas temos de reafirmar fortemente “Nunca mais a guerra! A eliminação total das armas nucleares é “um imperativo moral e humanitário”; em vez disso – sugere o Papa – com o dinheiro do armamento deveria ser criado um Fundo Mundial para acabar de vez com a fome (255-262). Francisco expressa uma posição igualmente clara sobre a pena de morte: é inadmissível e deve ser abolida em todo o mundo. “O homicida não perde a sua dignidade pessoal – escreve o Papa – e o próprio Deus Se constitui seu garante” (263-269). Ao mesmo tempo, a necessidade de respeitar “a sacralidade da vida” (283) é reafirmada onde “partes da humanidade parecem sacrificáveis “, tais como os nascituros, os pobres, os deficientes, os idosos (18).

No oitavo e último capítulo, o Pontífice se detém sobre “Religiões ao serviço da fraternidade no mundo” e reitera que o terrorismo não se deve à religião, mas a interpretações erradas de textos religiosos, bem como a políticas de fome, pobreza, injustiça e opressão (282-283). Um caminho de paz entre a religiões é, portanto, possível; por isso, é necessário garantir a liberdade religiosa, direito humano fundamental para todos os crentes (279). Uma reflexão, em particular, a Encíclica  faz sobre o papel da Igreja: ela não relega a sua missão à esfera privada e, embora não fazendo política, não renuncia à dimensão política da existência, à atenção ao bem comum e à preocupação pelo desenvolvimento humano integral, segundo os princípios evangélicos (276-278).

Enfim, Francisco cita o “Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, assinado por ele mesmo em 4 de fevereiro de 2019 em Abu Dhabi, junto com o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib: desta pedra miliar do diálogo inter-religioso, o Pontífice retoma o apelo para que, em nome da fraternidade humana, o diálogo seja adoptado como caminho, a colaboração comum como conduta, e o conhecimento mútuo como método e critério (285).

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Fonte: Vatican News