A Custódia

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HISTÓRIA

A Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis e aprovada pelo papa Inocêncio III em 1209 rendeu à Igreja grandes frutos de santidade, principalmente naquilo que se refere à evangelização do povo de Deus em estado de pobreza, exclusão e mesmo discriminação social. Por sua vez, a história da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus, enquanto uma circunscrição da Ordem, remete-nos em suas origens, à Província Franciscana do Sagrado Coração de Jesus de Nápoles-Itália, que teve como primeiro provincial Frei Agostinho de Assis, integrante dos primeiros seguidores de São Francisco.

Narra-se que Francisco, conhecendo as terras napolitanas, deixou ali um dos seus irmãos para fomentar a chama do carisma, aceso antes mesmo de 1213. Pode-se afirmar que a presença franciscana rendeu grandes frutos em todos os arredores, algo alcançado graças à saída dos “discípulos de Francisco” em direção a terras distantes, marcando a existência de muitos que aderiam ao seu modo de vida tanto em âmbito religioso conventual quanto secular, merecendo destaque os dados históricos referentes às três Províncias do Reino de Nápoles, ou Itália do Sul, já em 1217 – com destaque para a “Província Terrae Laboris” (Terra do Trabalho), constituída pouco depois.

Mesmo dentre em meio as inúmeras reformas internas da Ordem Franciscana por anseios de grande observância ao carisma pauperístico, a consolidação dos frades em Nápoles favoreceu uma estrutura suficiente para a promoção de futuras missões em novas terras. Algo consolidado primeiramente com envio de missionários para outras regiões de evangelização – como Egito, por exemplo – até se chegar à fundação de uma fraternidade napolitana, muito tempo após sua própria fundação, agora em terras brasileiras.

Era o ano de 1945 e o Brasil carecia de padres que assumissem os trabalhos junto às novas comunidades que nasciam. No campo político os governantes brasileiros, tendo em vista claras propostas de progresso e recuperação dos atrasos econômicos e sociais históricos, se propunham a estimular que viessem de “fora do país”, como colaboradores para o desenvolvimento local, até mesmo os membros de institutos religiosos que se dispusessem a trabalhar com escolas, orfanatos ou obras sociais. Notáveis são os números de escolas, obras sociais e mesmo trabalhos iniciados por religiosos nestas terras desde meados do século XX. No âmbito religioso, os frades napolitanos, tendo conhecimento por meio de carta, através de Frei Tarcísio Santoro, de Afragola – missionário por mais de dez anos na Argentina e, em seguida, missionário por poucos anos também neste Comissariado – que o Arcebispo Bispo de Jaboticabal – interior do estado de São Paulo, Brasil – sua Excelência Dom Antônio Augusto de Assis, neste mesmo ano de 1945, pedira a Roma sacerdotes e religiosos para a sua diocese, não mediram esforços para iniciar um empreendimento que mudaria a história de muitos brasileiros.

Dom Antônio Augusto Assis (Primeiro Bispo da Diocese de Jaboticabal), que convidou os Frades Italianos a vir para o Brasil.

Algo conhecido a partir das Crônicas dos frades é que o sobrecitado bispo tratou com o Provincial de Nápoles para obter alguns sacerdotes, o qual em 06 de agosto escreveu ao Pe. Pacifico Perantoni, Ministro Geral da Ordem, e este, com uma carta datada de 26 de agosto de 1946, um ano depois, concedeu à Província Minorítica de Nápoles aquela Diocese como território de missão. 

Ao tomar conhecimento do fato, o Ministro da Província Minorítica de Nápoles, Rvmo. Pe. Frei Giacomo Lovine, que contemporaneamente, via projetar-se na mesma Província uma possibilidade de fundação missionária na Argentina, percebendo os desígnios divinos em meio às diversas circunstâncias – visto que os frades menores da Província de Milão já haviam enviado ao povo argentino seus missionários antes mesmo das decisões de Nápoles – e, aliando-se a isto as necessidades emergenciais do interior paulista, fomentou o envio de padres e irmãos franciscanos na direção do Brasil.

Segundo consta nos relatos históricos feitos por Frei Roque Biscione, OFM (“Breves notícias históricas”), a Província napolitana acolheu a proposta de envio missionário ofertando dez frades – cinco sacerdotes e cinco irmãos leigos – para tal empreendimento.

Os frades misisonários após o embarque no Navio "Andrea Gritti", rumo ao Brasil

Tendo recebido o consenso do Rvmo. Definitório Geral de aceitar o novo território, escolhido o contingente missionário e feito o pedido para partir em missão, os primeiros frades deram os passos necessários para a regularização dos passaportes;  receberam o crucifixo de missionários no dia 16 de março de 1947, na Basílica de Santo Antônio de Roma; obtiveram uma audiência com o Sumo Pontífice Pio XII e uma outra com o Cardeal Alessio Ascalesi de Nápoles; e, depois de alguns dias, embarcados no navio “Andrea Gritti” deixaram o porto portenopeo nas primeiras horas da noite entre os dias 2 e 3 de abril de 1947 chegando ao porto do Rio de Janeiro aos 16 dias do mesmo mês. 

Os primeiros 10 frades missionários vindos de Nápoles/Itália

Começava história a Fundação Franciscana do Sagrado Coração de Jesus do Brasil, homônima de sua fundadora napolitana, uma de poucas fundações italianas neste país e, colocando-se no quinto lugar entre os comissariados franciscanos desta grande nação, sendo que já existiam duas províncias irmãs, além de outras ordens e congregações pré-estabelecidas ou recém-chegadas.

Seus limites estender-se-iam por todo o território da nova diocese de Jaboticabal, desmembrada da Diocese de São Carlos, atingindo 225 Km² de extensão e possuindo mais de 200 mil habitantes, divididos em 24 paróquias, dirigidas por apenas 17 ou 18 sacerdotes. Pe. Roque Biscione recebeu a obediência como superior daquele primeiro grupo missionário assim composto de cinco irmãos presbíteros e cinco irmãos leigos: Pe. Roque Biscione, Pe. Justino di Giorgio, Pe. Eugênio de Rosa, Pe. Marcelo Manilia, Pe. Januário Pinto, Frei Benedito Faticato, Frei Frederico Curatolo, Frei Leonardo Ferraro, Frei Angelo Ruggiero e Frei Berardo Paolino.

Os frades foram hospedados por uma semana no Convento Franciscano de Santo Antônio – Largo da Carioca – da Província Franciscana da Imaculada Conceição de São Paulo; por mais uma semana, ficaram como hóspedes no Convento de São Francisco — Largo de São Francisco, da cidade de São Paulo, sede da mesma Província Minorítica aguardando novas instruções acerca de como se instalariam na diocese jaboticabalense; e, logo depois, de comum acordo com o bispo diocesano de Jaboticabal, prosseguiram até o destino final, a Paróquia do Bom Jesus de Guaraci, uma vez que a promessa do bispo Mons. Antônio Augusto de Assis, feita outrora por escrito ao Rvmo. Pe. Jácomo Lovine, de dar ao Comissariado o Santuário da Virgem Aparecida de Jaboticabal não pôde se cumprir. Conta-se que, consagrado recentemente o bispo coadjutor Mons. Gabriel P. Bueno Couto, O.Carm., a doação do Santuário em construção ao Comissariado não ocorreu mais, uma vez que fora entregue preferencialmente aos carmelitas da antiga observância, que tomaram posse “jure perpetuo”.

Enquanto Olímpia projetava-se como instalação de uma fraternidade – vindo a tornar-se sede oficial do Comissariado anos depois – deve-se a Guarací o título de primeira cidade a receber os missionários, que dali assistiam outras comunidades da região. Nos anos seguintes, até 1968, vieram outros missionários napolitanos para acrescentarem esforços nos trabalhos de evangelização no norte, noroeste e centro-oeste do Estado de São Paulo, em vista da falta de padres seculares em toda a região, que crescia com as levas de imigrações e o desenvolvimento econômico do interior paulista.

A abertura de um seminário menor em Bastos, já nos inícios dos anos 50 demonstra o vislumbre quanto ao promissor ambiente vocacional que se instaurava. Este primeiro foi seguido pela construção do Seminário Nossa Senhora de Fátima em Mirassol. Em 1958 contavam com uma obra social em Bebedouro, que viria a se tornar o Educandário Santo Antônio, inicialmente “orfanato” e, posteriormente, projeto social e escola para crianças em situação de pobreza e vulnerabilidade social.

 

Assumindo trabalhos pastorais junto às paróquias e promovendo a educação infanto-juvenil voltada à população de baixa renda por meio de creches, patronatos, educandários, sempre aliavam a atividade pastoral paroquial à atividade social. O que de fato mostra claramente a amplitude do carisma franciscano e a herança histórica dos ideais de pobreza e minoridade oriundos dos fundadores da Província de Nápoles. Algo que não pode ser esquecido em vista das campanhas e colaborações para a ereção de casas, prédios e instituições sociais realizadas no Brasil, pelos irmãos leigos mendicantes e na Itália, através de frades e leigos engajados.

 

Aos poucos vieram as novas casas de formação, paróquias, colaborações com as atividades pastorais em nível diocesano e social, sempre conscientes da necessidade constante de “aggiornamento” – atualização – através de novos ambientes assumidos e saída das antigas estruturas já encaminhadas e mesmo relações com a sociedade civil por meio de colaboradores das mais variadas esferas políticas e econômicas.

 

Desmembrando-se da Província napolitana aos 30 de novembro de 2012, por alcançar os critérios necessários a uma Custódia autônoma, os frades passaram a trabalhar sem a necessidade de um acompanhamento direto por parte de Nápoles. Isto favoreceu grande estruturação em relação à própria economia, formação, trabalhos de evangelização paroquial, social e mesmo vida fraterna.

 

No ano de 2013, o Definitório Geral enviou um decreto comunicando os frades da Fundação Nossa Senhora de Fátima, do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que os mesmo a partir de então, passariam a integrar a Custódia Franciscana do Sagrado Coração, assumindo conjuntamente funções e esforços para os projetos desenvolvidos, além de ampliar o leque de atuação desta para os antigos territórios dos frades da fundação salerno-lucana (Província de Salerno-Itália) junto às Paróquias e estruturas. 

 

Atualmente a Custódia é composta por frades brasileiros e italianos, oriundos das duas instituições fundadas pelos religiosos franciscanos da Itália. Marcando presença evangelizadora franciscana no norte, noroeste e sudoeste do Estado de São Paulo: Franca, Ribeirão Preto, Bebedouro, Olímpia, Marília e Garça; e Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba nas cidades de Araguari, Uberlândia e Uberaba.

 

Caracterizando-se fortemente pela evangelização pastoral paroquial, merecem destaque outros campos de ação, a saber: casas de formação, obras sociais, missões, retiros, eremitério, formações junto ao povo de Deus com intensa atividade de animação social e pastoral. Os frades também atuam em comunhão com outros membros da Família Franciscana, através da assistência carismática e espiritual: OFS (Ordem Franciscana Secular), JUFRA (Juventude Franciscana), OSC (Ordem de Santa Clara) – Clarissas, Congregações Franciscanas, formação de educadores franciscanos, e de simpatizantes do carisma. Constantemente atualizando suas frentes de evangelização e os modos como fazê-lo, os frades desenvolvem ainda trabalhos diretos e indiretos (assistência pastoral) onde se encontram, ofertando aos vocacionados uma ampla oportunidade de atuação e vivência do carisma franciscano, que oportuniza a autorrealização do indivíduo a partir dos seus talentos e chamado divino.

GOVERNO CUSTODIAL

CUSTÓDIO

Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM

 

VICE-CUSTÓDIO

Frei Ezimar Alves Pereira, OFM

 

CONSELHEIROS

Frei Israel Costa Cardoso, OFM

Frei Sérgio Ferreira Cintra, OFM

Frei Roberto Luiz dos Santos, OFM

Frei Valdemir Nelo Rufino, OFM

Rumo aos

75 anos