Mensagem do Custódio em ocasião da Páscoa

É Páscoa! Aleluia, o Senhor ressuscitou!

“Quem rolará para nós a pedra da entrada do túmulo?” (Mc 16, 3). Esta foi a pergunta que as mulheres fizeram entre si nos primeiros raios de sol daquele domingo, que tornara o dia sem ocaso, o Domingo da Ressurreição. Na verdade, não havia mais a pedra obstruindo a entrada ao túmulo porque já não havia mais a morte como castigo. A libertação dos filhos de Deus já estava consumada de uma vez por todas com a Ressurreição do Seu Filho, o Cristo, o Ungido.

Muitas vezes acreditamos que a pedra ainda obstrui a passagem do encontro com Jesus, o Ressuscitado. A pedra já não é empecilho, mas, pela nossa pouca fé e medo, resistimos à entrada ao túmulo. Quem não entra no túmulo da humildade, do perdão, do amor, da conversão, do renovar-se, não contempla a ressurreição. Não ouve o alegre anúncio do Anjo: “Ele ressuscitou. Não está aqui” (Mc 16, 6).

Que pela força do Espírito que o Ressuscitado mesmo nos conferiu, possamos vencer as barreiras que nos impedem desse encontro, tais como: o medo, a incredulidade, o egoísmo, a injustiça, o extremismo, a apatia, a intolerância, o preconceito e falta de caridade. Que a Luz do Cristo ressuscitado ilumine as trevas dos nossos corações e do mundo inteiro e os faça arder do seu amor e da bendita esperança que nos faz mirar ao longe com a certeza da vida que se refaz a cada instante, não obstante, os sinais de morte que nos rodeiam. Que possamos gritar ao mundo com as nossas ações transbordantes da certeza de que a morte foi vencida e a vida sempre prevalecerá porque o Senhor reina para sempre.

“Não vos assusteis. Ele ressuscitou!” (Mc 16, 6)

Feliz Páscoa!

Franca, 03 de abril de 2021

Solenidade da Vigília Pascal

 

Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM

Custódio

Vigília Pascal: “Ele ressuscitou! Não está aqui.”

Cristo ressuscitou, aleluia!

Depois de apresentar os momentos mais importantes da história da salvação em que Deus criou tudo por um amor infinito, a liturgia nos faz reviver a alegria da ressurreição de Jesus. De fato, desde a criação da humanidade, vemos Deus presente com os seus filhos e filhas para dar-lhes vida, para libertá-los da opressão, para garantir-lhes vida plena e para dar-lhes vitória sobre a morte.

No Domingo, as mulheres discípulas de Jesus que tinham acompanhado a sua morte vão ao túmulo para oferecer-lhe a dignidade e a honra ao Mestre que entregou a sua vida pelos seus. O perfume é um sinal de exalação da presença de uma pessoa que depois passou a ser usado no rito fúnebre como testemunho de respeito e amor pelo ente querido que morreu. Acontece que as mulheres não encontraram Jesus, pois quando chegaram ao túmulo viram que a pedra que fechava a sua entrada estava removida e lá dentro tinha “um jovem vestido de branco”. “Muito assustadas”, sem dizer nada, ouvem o anúncio de que “Jesus de Nazaré que foi crucificado” não estava lá, tinha ressuscitado. 

São Marcos apresenta o anúncio daquele “jovem vestido de branco” como realização do que Jesus mesmo tinha dito. Agora o túmulo está vazio, “não está aqui” diz o jovem. Mas Ele quer encontrar os seus discípulos na Galileia, lá onde Ele tinha iniciado a sua missão e de onde os discípulos deverão dar continuidade à construção do Reino de Deus. O anúncio da ressurreição é seguido do envio das mulheres como primeiras testemunhas da vitória da vida sobre a morte. Elas devem dizer aos discípulos de Jesus e a Pedro que o Ressuscitado os espera na Galileia.

A grande vitória da vida sobre a morte deixa o Domingo repleto da alegria da Páscoa cristã. A ressurreição abateu o poder da morte que Jesus venceu passando pela cruz. O testemunho de Paulo na carta aos Romanos é contundente dizendo “sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele”. Por isso, aqueles que morrem com Cristo, viverão com Ele. Esta certeza deve encher os cristãos de
alegria como filhos e filhas amados por Deus e enviados ao mundo como testemunhas de que a vida vence a morte.

A Páscoa dos cristãos hoje deve ser repleta de alegria e, ao mesmo tempo, deve ser uma ocasião de envio ao mundo, tão ferido de morte, para testemunhar que a vida tem mais poder, é dom de Deus e precisa ser defendida com amor.

Frei Valmir Ramos, OFM

Mensagem de Páscoa da Irmã Cleusa, presidente da CFFB

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA (Presidente da CFFB) – Imagem: CFFB

MENSAGEM DE PÁSCOA

“Não temais! O crucificado ressuscitou […]”. “Desapareceu a amarga raiz da cruz, desabrochou a flor da vida com seus frutos”. “Quem jazia na morte ressurgiu na glória.” “De manhã ressurgiu, quem à tarde fora sepultado”, para que se cumprisse a palavra do salmo: “De tarde estaremos em lágrimas, e de manhã em alegria!”
Sermão de Santo Antônio, Páscoa do Senhor (1)

Queridos Irmãos e Irmãs, Feliz e abençoada Páscoa!

Mais um ano vivenciamos a alegria da Páscoa em meio à pandemia provocada pelo Covid-19. Tempo marcado pela angústia e incerteza; pela tristeza causada por tantas vidas ceifadas pela “nossa irmã a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar” (Cnt 12) e pelas mudanças radicais na rotina de nossas vidas. Regada por lágrimas, nossa peregrinação existencial está sendo provada.

Narra o evangelista João (20, 1-18) que, após a morte de Jesus, Maria Madalena faz uma experiência de profunda dor e inconformidade e sua dor é acrescida por grande aflição no momento em que vai ao túmulo de madrugada e encontra-o vazio (v. 1). Diante do túmulo violado, ao perceber que o corpo de Jesus não estava lá, aflita, sai correndo para dar a notícia aos discípulos, retornando com eles ao local. Após constatarem o ocorrido, os discípulos retornam para suas casas e ela permanece junto ao túmulo, chorando (v. 10.11). E não tardou, seus olhos contemplam “quem à tarde fora sepultado e de manhã ressurgiu”: o Mestre (v. 16). Quanta alegria após tantos momentos de profunda dor, angústia e aflição! Ficando com ela a incumbência de levar a notícia, célebre é seu anúncio aos discípulos: “Eu vi o Senhor” (v. 18).

Na realidade contemporânea vivenciamos ou presenciamos de forma intensa, dor, luto, angústia e inconformidade pela morte de nossos parentes, amigos e por sabermos que milhares de pessoas de diferentes nacionalidades morrem sem condições dignas de atendimento, principalmente no Brasil. O momento é de sofrimento, mas nossa fé e esperança garantem-nos: manhãs de alegria virão. O crucificado ressuscitou, está entre nós e sabe de nossas dores e sofrimento, não nos abandona.

Irmãs e irmãos da Conferência da Família Franciscana do Brasil, ao celebrarmos a Páscoa possamos anunciar: Cristo Ressuscitou, está vivo entre nós! Não podemos vê-lo como Maria Madalena (Jo 20, 18) nem tocá-Lo como os discípulos (Jo 20, 20), mas podemos tocá-Lo através da experiência da fé que professamos e do acolhimento e cuidado para com os frágeis de nossas famílias, fraternidades e da sociedade, principalmente nossos irmãos e irmãs cada vez mais pobres e sofredores. Que se abram nossos olhos para reconhecê-Lo e, nossos ouvidos, para ouvi-Lo a dizer-nos: “A paz esteja com vocês” (Jo 20, 19-21).

Na alegria da Páscoa do Senhor, em Francisco e Clara, fraterno abraço.

Brasília, 02 de abril de 2021
Sexta-feira da Paixão do Senhor da Páscoa

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA
Presidente da CFFB

Fonte: CFFB