1º Domingo da Quaresma: Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo!

Jesus anuncia que chegou o tempo da salvação: “cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho”. Com estas palavras e as suas ações de libertação, Jesus mostra que Deus está salvando o seu povo. De fato, quando lemos a 1ª leitura do livro do Gêneses vemos como Deus quis fazer uma aliança com o seu povo. A aliança significa um empenho de Deus para com o seu povo, que é para dar vida, acompanha-lo em todos os momentos, fortalece-lo nas dificuldades e finalmente recebe-lo na eternidade. Então a aliança não é apenas um pacto, mas um compromisso que o povo deve corresponder empenhando-se com o Reino de Deus. A promessa de Deus abrange também a vida do planeta. Toda a criação é vista com amor por Deus que é fonte de vida e espera que seus filhos e filhas preservem a vida do mundo. Destruir a natureza é destruir-se e não permitir a vida futura.

Quando Jesus anuncia que o Reino está próximo, que cumpriu-se o tempo, Ele fala de algo que todo o povo esperava, isto é, o dia da salvação com a vinda do Messias e o julgamento definitivo. É por isso que Jesus pede conversão, arrependimento dos pecados e crença no Evangelho. Do mesmo modo que Jesus retirou-se no deserto antes de iniciar sua missão, todos os cristãos são convidados a fazer da Quaresma um período intenso de conversão, de busca da misericórdia de Deus e de compromisso com o projeto dele anunciado no Evangelho.

Na 2ª leitura São Pedro faz referência ao Batismo que salva os cristãos. Porém esta salvação não é automática, pois depende do empenho do cristão batizado. Deus faz a sua parte, pois Ele é fiel e cumpre a aliança feita com o seu povo. Qual seria o empenho mais importante do cristão? Ajudar na construção do Reino de Deus. O mesmo Reino anunciado por Jesus, mas que ainda não está completado neste mundo.

Em nosso tempo, os cristãos têm a missão de ajudar na construção do Reino de Paz, pois a violência não faz parte do Reino de Deus. Ajudar na defesa da vida, pois a morte violenta não faz parte do Reino de Deus. Ajudar na construção de uma sociedade onde as pessoas são respeitadas, pois a agressão, a discriminação, a marginalização, a exploração das pessoas não fazem parte do Reino de Deus.

Frei Valmir Ramos, OFM

Vivamos intensamente o tempo quaresmal!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

A Campanha da Fraternidade Ecumênica(CFE) é nos apresentada no período quaresmal, em via de reflexão, a fim de estimular o nosso encontro à luz do Evangelho, através do tema FRATERNIDADE E DIÁLOGO: COMPROMISSO DE AMOR, cujo lema é “Cristo é nossa Paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a).

Como já citado, este ano a CFE tem a dimensão Ecumênica visto a importância de refletir este tema em por todas as comunidades, escolas e movimentos, afinal “a escolha por testemunhar a fé vivida em diversidade desafia-nos para realizar a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021. Com ela, afirmamos que a fraternidade e o diálogo são compromissos de amor, porque Cristo fez uma unidade daquilo que era dividido” (cf. Texto-base CFE-2021, p.8).

O objetivo geral da CFE-2021 convida “as comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade” (cf. Texto-base CFE-2021, p.8). Tal objetivo é um desafio em nossa sociedade contemporânea, visto o tamanho da polarização de ideias e a ausência de diálogos, aos quais aprofundam ainda mais os problemas sociais, econômicos, ambientais e de equidade em nosso país. Em que, o testemunho da nossa fé cristã, o compromisso do nosso Batismo é tantas vezes deixado de lado pelo fanatismo ou por uma “verdade” a qual nos cega, em enxergar a realidade, entrando no negacionismo, insensibilidade, indiferença a chegar ao desdém ao sofrimento alheio.

É bem verdade que o tema escolhido está gerando várias reações adversas por toda sociedade, até mesmo pelos próprios membros da Igreja Católica. Porém, não é uma surpresa pois a ferida para ser curada é necessária ser limpada, tocada, cuidada… e sair da zona de conforto, para muitos, as reações são de adversidade pelo o que está acontecendo a sua volta; retirar as traves que cegam os olhos e buscar compreensão é o desafio para a CFE-2021, mas que não deve ficar limitado aos 40 dias do Tempo da Quaresma, deve-se estender para que as mudanças necessárias de fato sejam concretizadas.

Em suma, a CFE-2021 nos desafia a VER a realidade a qual estamos buscando alternativas e saídas, identificando opções coerentes à Luz do Evangelho. JULGAR para o verdadeiro discernimento da vontade de Deus, pois “Amor e verdade se encontram justiça e paz se abraçam” (cf. Sl 85,11). AGIR para derrubar os muros das divisões que assombram nossa sociedade. E, finalmente, CELEBRAR – “momento de afirmar que a diversidade presente na Criação não é negativa, mas é a revelação da imensa e irrestrita amorosidade de Deus para com a humanidade. Não há nada que justifique a inimizade e a anulação da diversidade humana. Somos quem somos porque Deus nos criou pessoas diversas” (cf. CFE-2021).

Vivamos intensamente o tempo quaresmal! Para mim a Quaresma está umbilicalmente ligada a Campanha da Fraternidade. Apoiar a Campanha da Fraternidade é eloquente sinal de comunhão e de paz episcopal. As diferenças que nos desunem devemos torna-las dialogadas em privado. Nada de fanatismos ou de radicalismos, seja de qualquer natureza. Só o diálogo constrói e edifica o corpo místico de Cristo que é a Igreja. Que Deus nos agracie à Luz do Evangelho para tomarmos as ações necessárias para a construção de uma sociedade justa, por meio do diálogo, com o compromisso no amor a fim de superar as barreiras do que nos divide, pois “Cristo é a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a).

Saudações em Cristo!

Fonte: Vatican News

Quaresma na Via Dolorosa com os Franciscanos da Custódia da Terra Santa

Jerusalém, detalhe da Via Dolorosa

Francesca Sabatinelli (Vatican News)

Nesta Quaresma marcada pela pandemia e pela impossibilidade de deslocamento, a Via Dolorosa, com sua Via-Sacra, entrará diretamente nas casas dos fiéis que poderão percorrê-la graças ao projeto ” Hic-On the way of the cross”, desenvolvido pela Custódia da Terra Santa para permitir aos peregrinos seguirem, explicam de Jerusalém, “passo a passo o caminho que Jesus percorreu há dois mil anos, carregando a cruz sobre seus ombros desde o lugar onde foi flagelado até o lugar de sua crucificação”.

Olhos e coração dos fiéis voltados para Jerusalém

Frei Patton, Custódio da Terra Santa, explica ao Vaticano News: “Como os peregrinos não podem vir fisicamente à Terra Santa para percorrer a Via Dolorosa, que no tempo da Quaresma era uma devoção muito, muito praticada, com centenas de pessoas todas as sextas-feiras, pensamos em ir ao encontro dos peregrinos, sabendo que, em todo o mundo, muitos estão com os olhos e o coração voltados para Jerusalém”.

É um percurso, explica o Custódio, que se realiza refletindo sobre as estações tradicionais da Via-Sacra em Jerusalém, com meditações que podem ajudar os “fiéis peregrinos espalhados pelo mundo a encontrar o sentido mais profundo de suas próprias vidas, de sua própria existência, uma mensagem de esperança em um tempo como o que estamos vivendo, difícil, de sofrimento e, portanto, uma interpretação do sofrimento que está também em chave pascal, porque este é o sentido da Via-Sacra”.

Procissão na Via Dolorosa (foto de arquivo)

Para cada estação vídeos e meditações em diferentes idiomas

Em cada estação será dedicado um pequeno vídeo, que parte das imagens de Jerusalém, onde aconteceram os episódios narrados nos Evangelhos. Treze vídeos para treze estações, “precisamente ligados”, continua o franciscano, “aos lugares onde Jesus viveu seu caminho doloroso, então obviamente, graças ao compromisso e colaboração do Christian Media Center, as imagens serão enriquecidas com detalhes que ajudam a compreender os lugares, a espiritualidade dos lugares e também, poderíamos dizer, a atualização do que é o mistério da Via-Sacra”. A meditação terá a ajuda dos religiosos da Custódia, cada um falando em sua própria língua materna, e cada um em um santuário diferente da Terra Santa, “como testemunho da realidade internacional” dos Franciscanos.

Importante contato com os peregrinos, à espera de seu retorno

A esperança de Frei Patton é que a Páscoa de 2021 possa ser vivida de uma maneira mais serena do que no ano passado. A Terra Santa está lentamente saindo da pandemia, afirma, as vacinas chegaram para cobrir uma grande parte da população, mas o país ainda está fechado com a consequente ausência de peregrinos e as graves consequências econômicas para a pequena comunidade cristã cujas lojas de artesanato, especialmente em Belém e Jerusalém, estão fechadas há meses. “O que tentamos fazer pelos peregrinos é transmitir, tanto quanto possível, também as várias festas ligadas a cada um dos santuários, desta forma os peregrinos virtuais, na verdade pessoas em carne e osso que já visitaram a Terra Santa, podem passar pelos lugares em que sua fé também cresceu e isto eu acho que seja importante”.

A Via Dolorosa em Jerusalém

Durante a Semana Santa, portanto, todos os momentos mais importantes serão transmitidos, incluindo o tríduo pascal no Santo Sepulcro, com a celebração da hora sancta no Getsêmani e o funeral de Jesus no Sepulcro. No decorrer do ano”, conclui Frei Patton, “haverá uma série de celebrações, para permitir que os fiéis de todo o mundo e os peregrinos sintam que ainda estão em contato com esta terra, na esperança de que possam voltar em breve”.

Os vídeos serão difundidos todas as terças e sextas-feiras da Quaresma através dos canais sociais da Custódia da Terra Santa (FacebookInstagram e Twitter). A Via-Sacra virtual se concluirá no dia 30 de março, Terça-feira Santa, para dar lugar às celebrações do Tríduo Pascal e da Páscoa.

Fonte: Vatican News