27º Domingo do Tempo Comum: “Deus continua vigilante sobre a sua vinha e espera bons frutos!”

Imagem ilustrativa (Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição – OFM)

Jesus usa uma imagem muito conhecida pelos discípulos e pelo povo de seu tempo. É a imagem da vinha usada pelo profeta Isaías na primeira leitura. O profeta fala da vinha como sendo o povo da aliança, o povo de Israel que foi tirado da escravidão do Egito, conduzido pelo deserto até chegar na terra prometida. Deus foi fiel ao empenho assumido na aliança: “eu serei o seu Deus”, mas o povo desviou-se do compromisso de tê-lo como Deus e agir de acordo com a sua vontade. Por isso não produziu uvas boas, frutos bons, que quer dizer, não foi fiel a Deus, foi injusto com o semelhante, usou de violência, foi vingativo, atentou contra a vida dos outros e adorava deuses falsos. O profeta lia a destruição do povo de Israel como consequência de sua infidelidade.

Jesus contextualiza a imagem da vinha para a realização plena da promessa de Deus de enviar o Salvador. Aconteceu que aquele povo não aceitou o empenho de produzir frutos para o Reino de Deus. E, pior ainda, foi egoísta e quis tomar posse da vinha, por isso perseguiu e matou os profetas, mensageiros do dono da vinha. Por fim matou o próprio Filho do dono.

Esta parábola foi contada aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Quer dizer que Jesus estava diante daqueles que tinham a responsabilidade de guiar o povo para a fidelidade a Deus, para a construção do Reino e para a aceitação de Jesus como o Salvador. Nada disso estava acontecendo e, por isso mesmo, a vinha não seria mais o povo de Israel, mas a nova família de Jesus formada por judeus e estrangeiros que acreditavam Nele e se empenhavam na construção do Reino de Deus.

Esta consequência não pode ser entendida como vingança de Deus, pois Ele sempre espera a conversão de seu povo. Deus continua vigilante sobre a sua vinha e espera pelos bons frutos. Ele continua enviando operários para que a vinha produza bons frutos para o Reino.

Acontece que hoje muitos sinais indicam frutos amargos, gestos egoístas e desprezo pela vida. Podemos constatar isso desde a violência doméstica até ataques contra inocentes em situações de guerra, terroristas ou ainda negligentes que deixam outros morrerem sem cuidados. Ninguém pode dizer que esta é vontade de Deus ou que Ele não intervém. Acontece que Deus deu a vida para todos e deu inteligência para que todos pudessem se amar, se respeitar e, juntos, viver a justiça e construir o Reino onde todos tivessem vida plena em paz e harmonia.

Usar à inteligência para destruir a vida é ser infiel a Deus e aos princípios da humanidade. Por isso, nós cristãos precisamos agir em defesa da vida com empenho constante. Por exemplo, só votar em um político que defende a vida em todos as suas etapas, que é contra a liberação de armas, que defende território aos indígenas, aos quilombolas, aos pobres… pois os políticos fazem as leis que às vezes não defendem a vida mais vulnerável. Deus conta com cada um de nós para que a sua vinha continue produzindo bons frutos e o Reino dele seja uma realidade na vida de todos os povos.

Frei Valmir Ramos, OFM

No túmulo de São Francisco, o Papa assina a Encíclica “Fratelli tutti”

Debora Donnini/Mariangela Jaguraba – Vatican News

É um lugar pequeno, um lugar de recolhimento, mas visitado todos os anos por milhares de pessoas dos quatro cantos da terra. Na cripta da Basílica inferior, o Papa Francisco celebrou a missa e no final, no túmulo do Pobrezinho de Assis, assinou a sua terceira Encíclica, “Fratelli tutti”, dedicada à fraternidade e à amizade social, valores imprescindíveis para restaurar a esperança e o impulso a uma humanidade ferida também pela pandemia da Covid-19. Uma encíclica que extrai o seu nome das palavras escritas por São Francisco e que será apresentada neste domingo (04/10).

Gratidão à Primeira Seção da Secretaria de Estado

O Papa Francisco não fez a homilia. A oração, o silêncio e a simplicidade marcaram esta visita que, por vontade do Papa devido à situação de saúde, se realizou sem nenhuma participação dos fiéis, seguindo as palavras da liturgia dedicada a São Francisco, na véspera da Festa do Pobrezinho de Assis. Pouco antes da assinatura, o Papa agradeceu à Primeira Seção da Secretaria de Estado que trabalhou na redação e tradução da Encíclica.

Agora, assinarei a Encíclica que o monsenhor Paolo Braida, encarregado das traduções e também dos discursos do Papa, na Primeira Seção, traz ao altar. Ele supervisiona tudo e por isso que eu quis que ele estivesse presente aqui hoje e me trouxesse a Encíclica. Vieram com ele dois tradutores: pe. Antônio, tradutor da língua portuguesa, que traduziu do espanhol para o português; e o pe. Cruz que é espanhol e supervisionou um pouco as outras traduções do original em espanhol. Faço isso como um sinal de gratidão a toda a Primeira Seção da Secretaria de Estado que trabalhou nesta redação e tradução.

Esta é a quarta vez que o Papa vai a Assis

O Papa Francisco chegou no início da tarde ao Sagrado Convento, adjacente à Basílica que desde 1230 abriga os restos mortais do santo da Úmbria e leva o seu nome. O Pontífice foi recebido pelo custódio do Sagrado Convento de Assis, pe. Mauro Gambetti. A celebração eucarística contou com a participação de cerca de vinte frades, alguns religiosos, junto com o bispo da diocese, Domenico Sorrentino, e o cardeal Agostino Vallini, legado pontifício para as basílicas de São Francisco e Santa Maria dos Anjos, em Assis. Esta é a quarta vez que o Papa Francisco vai a Assis.

Fonte: Vatican News